PROVOCAÇÕES foi a primeira exposição de intervenções no Museu D. João VI e no Museu Nacional de Belas Artes, durante o VI Seminário D. João VI. Com Ana Miramar, Bia Martins, Beatriz Pimenta, Brenno de Castro, Jandir Jr, Karina Wolff, Mônica Coster e Olívio Neto.
Usualmente associamos a palavra provocação à afronta e a ofensa. Contudo também é costumeiro associá-la à ação que tem por objetivo desarranjar as certezas solidificadas de certo indivíduo ou corpo social e, ainda, à simples acepção do causar, provocar algo, ainda que algo de contorno difuso, provocando consequências inesperadas.
O projeto de pesquisa a Arte, a História e o Museu em Processo, em sua primeira ação pública, abre espaço para oito artistas desta Escola de Belas Artes intervirem e ocuparem o Museu D. João VI durante o período de seu seminário. Através do deslocamento de obras e mobiliários do museu, alterações em seu espaço, exposição de arquivos verdadeiros e falsos, inserção e realização de trabalhos no museu ou que partem dele para outros espaços dentro e fora da Escola de Belas Artes, tem-se a conformação de encontros, hipotéticos ou não, entre o Museu D. João VI e outros circuitos e estratos sociais, como o da arte contemporânea, campo de atuação destes artistas.
Diferente da arte moderna, sem pretensões ao universal, sem hierarquias e parâmetros pré-estabelecidos, atualmente a arte contemporânea se dispõe a dialogar sobre qualquer tema, abordando de forma critica o momento que atravessamos. Em sintonia com artistas internacionais que transitam por um mundo multicultural e de economia globalizada, os artistas dessa exposição revisam – e provocam, ao se inserir em um museu ligado à primeira instituição de ensino de arte no país – a história do Brasil, que durante muitos anos foi ensinada nas escolas: o longo período de escravidão, a ideia de sincretismo religioso, os parâmetros culturais estabelecidos e as obras desenvolvidas e estratificadas durante a ditadura militar.
Antônio Abujamra, no 694º programa Provocações, veiculado na TV Cultura e um dos últimos que pôde conduzir, devido a seu falecimento, disse na abertura, como comumente fazia: “14 anos caminhando no incerto, idolatrando a dúvida [...] Meu Deus do céu! Como é que pode existir um programa chamado Provocações numa televisão Cultura, que deveria ser uma coisa maravilhosa, como se fossem os gregos, os gregos falando coisas lindas? Não. Nós falamos sobre provocações!” (Transcrição livre).
Em sua ironia e em como abraça a incerteza a declaração de Abujamra se relaciona à esta exposição. E, na pluralidade de sentidos a que uma provocação pode servir, a exposição PROVOCAÇÕES se faz “caminhando no incerto, idolatrando a dúvida” do que é e do vir a ser de quem somos nós, enquanto instituição, enquanto não.