Histórias fora da ordem foi uma exposição de intervenções realizada no Museu Histórico Nacional (MNH) em 2017. Com Alberto Harres, Analu Cunha, Beatriz Pimenta, Camilla Braga, Denise Adams, Elisa de Magalhães, Filipe Brito, Helio Carvalho, Isabel Carneiro e Larissa Silva, Livia Flores, Luciano Vinhosa e Mônica Coster.
Histórias fora da ordem é uma exposição de arte contemporânea que se põe em diálogo com o acervo do Império no Museu Histórico Nacional (MHN), Rio de Janeiro, apresentado nos módulos da exposição “A Construção do Estado”, no segundo andar, e da “Galeria de Carruagens”, no térreo. O escopo temático das salas evidencia o processo de construção do Estado nacional brasileiro no século XIX e a consequente definição do modelo de regime político e social que o acarretou. A narrativa que se oferece ao visitante, seguindo uma ordem cronológica e bem assentada sobre os fatos históricos já consolidados em nossos livros escolares, começa com os eventos que culminaram com a proclamação da independência na segunda década do século XIX, por Pedro I, e segue até ao adeus definitivo à monarquia, pontuada na grande tela O último baile do império, de Aurélio de Figueiredo, que teve lugar no palacete da Ilha Fiscal. Pondo um ponto final a essa história, o ataque iconoclasta à figura emblemática do Imperador Pedro II, cujo retrato foi brutalmente dilacerado a golpes de espada, nos dá seu testemunho dramático.
Arthur Danto, ao argumentar sua tese sobre o fim da arte, alega que uma narrativa de longa duração, contando o passado, tem consequentes desdobramentos sobre o futuro. Se o autor está certo, cabe a nós, cidadãos, perguntarmo-nos se o que nos contam, nos abraça e nos acolhe em nossa diversidade e amplitude de desejos. Neste momento oportuno, em que tateamos na experiência democrática, numa escalada de avanços e retrocessos sucessivos, é necessário repensarmos aquilo que nos tem feito ser o que somos para, ao absorvermos nossas contradições inerentes, fazermos aflorar no presente o passado recalcado. Desse modo, não podemos de forma alguma furtar-nos de encarar os traumas pelos quais passamos ao longo de todos esses anos. Neste sentido, a história, mais do que arranjo narrativo ou interpretações dos fatos é uma prática diária de autoanálise. Tecendo relações entre o passado e o presente, Histórias fora da ordem pretende lançar um olhar crítico sobre a nossa realidade, desalinhando os discursos e inserindo outros sujeitos e outros objetos, nem sempre heroicos, nem sempre vistosos. De outro modo, a intrusão pontual de novas peças criadas especialmente para dialogar com o acervo ocasiona outros níveis imprevistos de leitura que autorizam interpretações heterodoxas e plurais de nosso passado e atualidade. Neste sentido, a autoimagem que construímos para nos representar faz parte daquilo que pretendemos ser tal como a realidade que forjamos para viver. Assim a arte não está isenta de responsabilidade social e contribui para a construção dialética de nossas identidades.
A exposição reuniu 13 artistas, professores e estudantes de artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). São eles: Alberto Harres, Analu Cunha, Beatriz Pimenta, Camilla Braga, Denise Adams, Elisa de Magalhães, Filipe Brito, Helio Carvalho, Isabel Carneiro e Larissa Silva, Livia Flores, Luciano Vinhosa e Mônica Coster.