A Linguística (A Ciência Geral)
É o estudo científico da linguagem humana. Ela se divide em duas grandes vertentes:
Microlinguística: Foca na estrutura interna (o "corpo" da língua). É aqui que entra a Gramática com suas divisões:
Fonética/Fonologia: Sons.
Morfologia: Estrutura das palavras.
Sintaxe: Organização das frases.
Semântica: Sentido.
Macrolinguística: Estuda a língua em relação a fatores externos:
Sociolinguística: A língua e a sociedade (variações regionais, sociais).
Psicolinguística: Como o cérebro processa a fala e a escrita.
Pragmática: O uso da língua em contextos reais de comunicação.
Para facilitar a visualização no seu material de apoio, veja como a língua é "fatiada" pelas ciências:
Há três objetos que as pessoas misturam:
Conceito O que é
Linguagem Capacidade humana de significar (verbal e não verbal)
Língua Sistema histórico particular (português, inglês…)
Fala / discurso / texto Uso concreto desse sistema
A Linguística estuda cientificamente a linguagem verbal. A Semiótica cobre também sistemas não verbais. A Gramática escolar é só um recorte da microlinguística, em geral normativo.
Antes das “áreas”, quase todos os manuais cruzam estes eixos:
Teórica × Aplicada
Descrever/explicar o sistema × usar esse saber (ensino, tradução, tecnologia).
Sincrônica × Diacrônica
Língua num momento × mudança no tempo (Saussure).
Geral × Particular
Princípios de qualquer língua × descrição de uma língua específica.
Bechara, seguindo Coseriu, ainda acrescenta os planos sistema / norma / fala (e o tipo linguístico): o sistema são as oposições funcionais; a norma é o que a comunidade realiza de modo habitual; a fala é o ato individual.
É o “corpo” da língua. Níveis, de baixo para cima:
Sons concretos da fala.
Subdivisões: articulatória, acústica, auditiva.
Sistema de fonemas e padrões sonoros.
Inclui prosódia (acento, ritmo, entoação).
Na tradição gramatical: ortoépia (pronúncia “correta”) e parte da acentuação.
Estrutura interna da palavra: radical, afixos, desinências, flexão, classes de palavras.
É aqui que entram substantivo, verbo, pronome etc.
Estudo do léxico (vocabulário como sistema).
Interfaces:
Lexicografia — dicionários
Terminologia — vocabulários técnicos
Etimologia — origem histórica das palavras
Combinação de palavras em sintagmas, orações e períodos.
Na gramática escolar: análise sintática, concordância, regência, colocação.
Significado das unidades da língua (palavra, frase, relações de sentido).
Subdivisões comuns: lexical, oracional, composicional.
Não se confunde com pragmática (significado no uso).
Não é um “nível” separado: é o modo escolar de reunir fonética/fonologia + morfologia + sintaxe (+ às vezes semântica e estilística).
NGB (1959) oficializou três partes:
Fonética
Morfologia
Sintaxe
e um apêndice: ortografia, pontuação, significação das palavras, figuras e vícios de linguagem.
Língua e sociedade: variação diatópica (região), diastrática (classe), diafásica (registro), diacrônica.
Como o cérebro/mente adquire, produz e compreende a linguagem.
Bases neurais da linguagem (afasias, processamento cerebral).
Uso em contexto: atos de fala, implicaturas, dêixis, cortesia.
Oscila: uns a colocam no micro (nível do sentido), outros no macro (uso social).
Texto como unidade: coesão, coerência, progressão, gêneros.
Enunciado, ideologia, condições de produção, interdiscurso (Pêcheux, Maingueneau, linha bakhtiniana etc.).
Escolhas expressivas; estilo individual e efeitos de sentido.
Pode ser vista como parte da gramática (Bechara tem “noções de estilística”) ou como área de interface com a literatura.
Textos, transmissão, edição crítica e mudança da língua no tempo.
A Filologia é mais antiga que a Linguística moderna; hoje convive com a linguística histórica e a etimologia.
Outras que completam o quadro macro:
Análise da conversação
Etnolinguística / antropologia linguística
Linguística de contato (pidgins, crioulos, empréstimo)
Tipologia linguística
Não é “menos teórica”: aplica o conhecimento linguístico a problemas reais.
Ensino e aquisição de línguas
Tradução e interpretação
Linguística computacional / PLN
Linguística forense
Planejamento e política linguística
Revisão, editoração, letramento
Lexicografia prática
Patologia de linguagem (interface com fonoaudiologia)
Semiótica — teoria geral dos signos (verbal e não verbal). Mais ampla que a Linguística.
Filosofia da linguagem
Retórica
Comunicação
Literatura / teoria literária
Antropologia linguística
Savioli e Fiorin trabalham exatamente nessa fronteira: gramática + texto + discurso + semiótica da significação.
Grammatica Philosophica: quatro livros
Ortoépia — pronúncia
Ortografia — escrita
Etimologia — partes da oração (o que hoje chamamos de morfologia)
Sintaxe — combinação das palavras
Corte clássico iluminista: parte mecânica (som/letra) + parte lógica (significação e combinação). Ainda não há semântica, pragmática nem sociolinguística como disciplinas.
Gramática escolar ilustrada, alinhada à NGB: Fonética – Morfologia – Sintaxe, com ortografia, pontuação, figuras e vícios. Semântica aparece sobretudo como “significação das palavras”. É o mapa mais didático do ensino básico/médio.
Parte da gramática tradicional, mas a abre para a Linguística:
distingue linguagem / língua histórica / língua funcional
usa Coseriu: sistema, norma, fala
organiza estratos: monema → palavra → grupo → cláusula → oração → texto
inclui fonética e fonologia, morfossintaxe, estilística, versificação
trata semântica e criação lexical com mais densidade que a NGB
Para Bechara, gramática não se reduz a “certo/errado”: descreve o sistema e indica a norma culta.
Projeto pedagógico próprio (Neopedagogia da Gramática / “sintagrama”).
Eixo: binômios nome/verbo e determinante/determinado.
Dá primazia à sintaxe (inclusive “sintaxe endovocabular”, dentro da palavra).
É um recorte didático original, não um mapa geral das ciências da linguagem.
Savioli ensina a gramática tradicional (Gramática em 44 lições: fonologia, morfologia, sintaxe, figuras, vícios) e desloca o centro para o texto.
Com Fiorin (Para entender o texto): o aluno precisa de
sistema linguístico (gramática),
contexto sócio-histórico,
mecanismos de construção do sentido (coesão, argumentação, intertextualidade, discurso).
Aqui a semântica, a pragmática e a análise textual/discursiva entram de fato no ensino.
A gramática tem 3, 4, 5 ou 8 partes?
NGB: 3 (fonética, morfologia, sintaxe).
Muitos manuais escolares: + semântica, estilística, etimologia, lexicologia, pragmática.
Linguística contemporânea: os “níveis” são fonética/fonologia, morfologia, sintaxe, semântica; pragmática é fronteira.
Pragmática é micro ou macro?
Micro se vista como nível do sentido; macro se vista como uso social. O fluxograma a deixa no macro por clareza didática, com nota de oscilação.
Estilística ora é apêndice da gramática (Bechara, NGB), ora interface com literatura.
Filologia ora é ancestral da Linguística, ora disciplina irmã (edição de textos + história da língua).
Semântica na escola costuma ficar pobre (“sinônimos e antônimos”); na Linguística é nível autônomo.
Texto e discurso não existiam como disciplinas na gramática de Soares Barbosa; hoje são centrais (Savioli/Fiorin, linguística textual, AD).
Há dois recortes que convivem:
Recorte O que entra
NGB (oficial, 1959) Fonética + Morfologia + Sintaxe
Gramática escolar ampliada As três da NGB + Ortografia, Pontuação, Semântica, (Bechara, André, Savioli e a maior parte Estilística, Etimologia/Léxico
dos livros didáticos)
Soares Barbosa (1822) usava outro nome para a morfologia: Etimologia (= partes da oração). Dequi privilegia a sintaxe. Savioli inclui a semântica no ensino gramatical e liga tudo ao texto.
Antes das partes internas:
Normativa / prescritiva — o que “deve” ser usado (norma culta)
Descritiva — como a língua de fato funciona
Histórica — mudança no tempo
Comparada / contrastiva
Implícita — saber do falante
Reflexiva — ensino que observa o uso
Formal / gerativa — modelos teóricos (já é Linguística, não gramática escolar)
Bechara trabalha sobretudo a descritiva com horizonte normativo.
Fonética — sons concretos
Articulatória · Acústica · Auditiva
NGB ainda fala em fonética descritiva, histórica e sintática
Fonologia — sistema de fonemas
Fonema × fone × letra × alofone
Vogais (zona, timbre, intensidade, oral/nasal)
Consoantes (modo, ponto, sonoridade, nasalidade)
Semivogais
Encontros vocálicos: ditongo, tritongo, hiato
Encontros consonantais e dígrafos
Sílaba (número e estrutura)
Tonicidade: oxítona, paroxítona, proparoxítona; átonas
Prosódia — acento, ritmo, entoação
Ortoépia — pronúncia considerada correta
Muitos gramáticos separam da fonética, embora a NGB as trate em bloco anexo.
Alfabeto e emprego de letras (incluindo casos como x/ch, g/j, s/z)
Acentuação gráfica
Hífen
Uso de porquê / porque / por que / por quê
Maiúsculas e minúsculas
Abreviaturas, siglas, símbolos
Notações léxicas (acento, til, cedilha, trema histórico)
Pontuação: ponto, vírgula, ponto e vírgula, dois-pontos, reticências, aspas, parênteses, travessão, interrogação, exclamação
Savioli dedica lições próprias a vírgula, pontuação, hífen e crase (esta última é mais regência + pronúncia do que ortografia pura).
Raiz · radical · tema · afixo (prefixo, sufixo, infixo) · desinência (nominal e verbal) · vogal temática · vogal/consoante de ligação
Derivação: prefixal, sufixal, parassintética, regressiva, imprópria
Composição: justaposição e aglutinação
Hibridismo
Onomatopeia, abreviação, siglagem, reduplicação
Dequi chama a relação afixo–radical de sintaxe endovocabular (determinante/determinado dentro da palavra)
Nominal: gênero, número, grau
Verbal: pessoa, número, tempo, modo, aspecto, voz
Variáveis
Substantivo — comum/próprio; concreto/abstrato; primitivo/derivado; simples/composto; coletivo; gênero; número; grau
Artigo — definido, indefinido
Adjetivo — simples/composto; pátrio; locução adjetiva; flexão; locuções
Numeral — cardinal, ordinal, multiplicativo, fracionário, coletivo
Pronome — pessoal (reto, oblíquo, tratamento), possessivo, demonstrativo, indefinido, relativo, interrogativo
Verbo — predicação; conjugação; regulares/irregulares/anômalos/defectivos/abundantes; tempos, modos, vozes, aspecto; formas nominais; locução verbal; verbos auxiliares, pronominais, impessoais
Invariáveis
Advérbio e locução adverbial
Preposição e locução prepositiva
Conjunção coordenativa e subordinativa; locução conjuntiva
Interjeição (há quem não a considere classe plena)
Bechara reduz as “categorias” plenas a substantivo, adjetivo, verbo e advérbio; as demais seriam mais instrumentais. A escola, porém, mantém as dez.
Essenciais: sujeito (tipos) e predicado
Integrantes: objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva
Acessórios: adjunto adnominal, adjunto adverbial, aposto
Vocativo (à parte)
Predicação: VTD, VTI, VTDI, VI, VL
Tipos de predicado: verbal, nominal, verbo-nominal
Coordenação: sindética (aditiva, adversativa, alternativa, conclusiva, explicativa) e assindética
Subordinação
Substantivas: subjetiva, objetiva direta/indireta, completiva nominal, predicativa, apositiva
Adjetivas: restritiva e explicativa
Adverbiais: causal, comparativa, concessiva, condicional, conformativa, consecutiva, final, proporcional, temporal
Orações reduzidas (infinitivo, gerúndio, particípio)
Oração intercalada
Dequi recusa, por exemplo, tratar a subjetiva como “subordinada” no mesmo sentido tradicional; é divergência pontual, não o mapa escolar padrão.
Concordância nominal e verbal
Regência nominal e verbal (e crase)
Colocação: ordem dos termos; próclise, ênclise, mesóclise
Elipse, zeugma, silepse, hipérbato, anacoluto, pleonasmo, anáfora etc.
Podem ficar na Sintaxe ou na Estilística.
Na NGB: “significação das palavras” (apêndice).
Savioli e a linguística escolar moderna tratam como parte da gramática.
Denotação × conotação
Sinonímia, antonímia
Homonímia, paronímia, polissemia
Hiponímia / hiperonímia, co-hiponímia
Campo semântico e campo lexical
Ambiguidade
Sentido literal × figurado
Semântica lexical × semântica oracional
A pragmática (atos de fala, implicatura, contexto) não é parte clássica da gramática; fica na Linguística. Alguns livros didáticos recentes a puxam para cá.
Bechara reserva um capítulo de “noções elementares”.
Figuras de palavra (metáfora, metonímia, catacrese, antonomásia, comparação…)
Figuras de pensamento (ironia, hipérbole, eufemismo, antítese, paradoxo, personificação…)
Figuras de sintaxe / construção
Figuras de som (aliteração, assonância, paronomásia, onomatopeia)
Funções da linguagem (Jakobson): referencial, emotiva, conativa, fática, metalinguística, poética
Vícios de linguagem: solecismo, barbarismo, cacofonia, eco, colisão, hiato vicioso, ambiguidade, pleonasmo vicioso, estrangeirismo inadequado, arcaísmo etc.
Variedade, registro e adequação (já encosta na sociolinguística)
Bechara também traz versificação (metro, rima, verso) como noção anexa.
Fronteira com a Lexicologia. Soares Barbosa chamava de etimologia o estudo das classes; hoje etimologia é origem histórica.
Etimologia (origem e família etimológica)
Cognatos
Neologismo, arcaísmo, estrangeirismo, empréstimo
Lexicologia (sistema do vocabulário)
Lexicografia (dicionários)
Soares Barbosa: Ortoépia → Ortografia → Etimologia (morfologia) → Sintaxe
NGB / Hildebrando André: Fonética → Morfologia → Sintaxe + apêndice
Bechara: os três níveis + sistema/norma/fala + estilística + versificação + texto como estrato máximo
Dequi: gramática centrada na sintaxe e nos binômios nome/verbo e determinante/determinado
Savioli: gramática tradicional completa + semântica + pontuação + ponte para o texto
Variáveis
Substantivo — comum/próprio; concreto/abstrato; primitivo/derivado; simples/composto; coletivo; gênero; número; grau
Artigo — definido e indefinido
Adjetivo — simples/composto; uniforme/biforme; locução adjetiva; grau
Numeral — cardinal, ordinal, multiplicativo, fracionário, coletivo
Pronome — pessoal (reto, oblíquo, de tratamento), possessivo, demonstrativo, indefinido, relativo, interrogativo
Verbo — predicação; conjugação; regular/irregular/anômalo/defectivo/abundante; tempos, modos, vozes; formas nominais
Invariáveis
Advérbio — tempo, lugar, modo, intensidade, afirmação, negação, dúvida + locução adverbial
Preposição — essenciais e acidentais + locução prepositiva
Conjunção — coordenativas e subordinativas + locução conjuntiva
Interjeição — emoção ou chamado (há quem não a trate como classe plena)
Bechara: só substantivo, adjetivo, verbo e advérbio seriam categorias plenas; as outras são mais instrumentais. A escola mantém as dez da NGB.
A sintaxe estuda a relação entre as palavras na oração e no período.
Coordenadas — aditiva, adversativa, alternativa, conclusiva, explicativa (sindética ou assindética)
Subordinadas substantivas — subjetiva, objetiva direta, objetiva indireta, completiva nominal, predicativa, apositiva
Subordinadas adjetivas — restritiva e explicativa
Subordinadas adverbiais — causal, comparativa, concessiva, condicional, conformativa, consecutiva, final, proporcional, temporal
Reduzidas — de infinitivo, gerúndio ou particípio
Dequi discorda de tratar a subjetiva como “subordinada” no sentido tradicional; no ensino escolar padrão, ela continua no quadro acima.
Diferença-chave: a fonética descreve o som real; a fonologia descreve o som que distingue significado.
Ex.: [t] e [tʃ] em tia podem ser fones diferentes, mas no português brasileiro muitas vezes não separam palavras — a fonologia é que decide se são fonemas distintos ou alofones.
Lembrete rápido:
Fonema = unidade distintiva (/mala/ × /bala/)
Fone = realização concreta
Letra = sinal da escrita (não é som)
Ortoépia = pronúncia da norma culta
Prosódia = acento, ritmo e entoação (e, na escola, também a sílaba tônica “certa”: rúbrica, não rubríca)
Na NGB isso aparece como significação das palavras (apêndice). Savioli e Bechara já tratam como parte do estudo gramatical.
A semântica responde: o que a forma significa no sistema da língua?
A pragmática responde: o que o falante quer dizer neste contexto?
Exemplos para não misturar:
Polissemia: uma palavra, vários sentidos ligados (banco de praça / banco financeiro)
Homonímia: formas iguais, origens ou sentidos sem ligação (são verbo / são santo / são adjetivo)
Paronímia: formas parecidas (descrição × discrição)
Hiperonímia: flor é hiperônimo de rosa
Ambiguidade: duas leituras possíveis (Vi o homem com o telescópio)
A estilística estuda as escolhas expressivas. Figuras enriquecem o sentido; vícios prejudicam a clareza ou ferem a norma sem efeito estilístico.
Pleonasmo, por exemplo, é figura quando enfático (“vi com estes olhos”) e vício quando inútil (“entrar para dentro”).
Funções da linguagem (Jakobson), que costumam acompanhar este bloco: referencial, emotiva, conativa, fática, metalinguística, poética.
É o plano da escrita. Liga-se à fonética (acento, hífen) e à sintaxe (vírgula, crase).
Classe nuclear da morfologia nominal: nomeia seres, coisas, lugares, sentimentos e ideias.
Exemplos-chave: mesa (comum, concreto, simples); Brasil (próprio); saudade (abstrato); cardume (coletivo); guarda-chuva (composto); estudante (comum de dois); criança (sobrecomum); cônjuge (epiceno de pessoa / onça para animal).
Substitui ou acompanha o nome e marca as pessoas do discurso.
Pronome substantivo: Ela chegou.
Pronome adjetivo: Minha casa.
Caracteriza o substantivo. Flexiona-se em gênero, número e grau. É uma das quatro categorias plenas de Bechara.
Três classes que orbitam o nome ou o verbo: o artigo determina, o numeral quantifica/ordena, o advérbio circunstancia.
Palavra invariável que liga e subordina um termo a outro (regente → regido). É o motor da regência e da crase.
A conjunção liga orações ou termos de mesma função. A interjeição exprime emoção e fica à margem da frase (muitos não a consideram classe plena).
As 10 classes da NGB estão completas:
Variáveis Invariáveis
Substantivo, Artigo, Adjetivo, Numeral, Pronome, Verbo Advérbio, Preposição, Conjunção, Interjeição
Quadro único da NGB, com o papel de cada classe.
Conjunto de duas ou mais palavras que, juntas, têm uma só classe e um só papel na oração. Não se analisa palavra por palavra: o bloco vale como se fosse um item só.
Teste prático: se dá para trocar o grupo por uma palavra da mesma classe, quase sempre é locução.
de chuva → chuvosa (adjetiva) · com certeza → certamente (adverbial)
Há oito tipos clássicos, um para quase cada classe da NGB (o artigo não forma locução própria).
Como reconhecer cada uma
Locução verbal × oração reduzida
Ele vai viajar → locução (auxiliar + infinitivo, mesmo sujeito).
Ele mandou viajar → causativo + oração reduzida (sujeitos diferentes).
Locução adjetiva × adjunto adverbial
casa de pedra (caracteriza o nome → adjetiva).
saiu de pedra não existe; saiu à noite (modifica o verbo → adverbial).
Locução prepositiva × adverbial
A prepositiva pede complemento: apesar da chuva.
A adverbial fecha o sentido: choveu de repente.
As locuções não são uma 11ª classe: são a forma analítica das 10. Por isso cada mapa anterior (adjetivo, advérbio, preposição, conjunção, verbo…) já reservava um ramal para elas.
Auxiliar conjugado + principal no infinitivo, gerúndio ou particípio. Os dois verbos têm o mesmo sujeito. Todo tempo composto é locução; nem toda locução é tempo composto.
Regra de ouro: se dá para abrir com que e aparecer outro sujeito, não é locução.
Mandou que o filho saísse → não é locução.
O filho vai sair → é locução.
Forma mais comum: preposição + substantivo (às vezes artigo no meio). Equivalem a um advérbio.
São os mecanismos de relação da sintaxe: um termo se ajusta ao outro (concordância), um termo pede complemento (regência), e a crase é o encontro visível da preposição a com o artigo a.
Lembretes rápidos:
Havia problemas (impessoal; não haviam).
É proibido entrada × É proibida a entrada (sem artigo, fica invariável).
Assistir ao jogo (ver) × assistir o doente (prestar socorro).
Fui à escola (ao colégio) · Fui a pé (não há artigo).