Dra Luciana Belomo Yamaguchi
O R T O D O N T I S T A
ATM significa Articulação têmporo-mandibular. Ela é a articulação que permite o movimento de abrir e fechar a boca, engolir, falar. Existem duas ATMs: uma do lado direito e outra do lado esquerdo, em frente a cada ouvido. Cada vez que se fala, mastiga ou deglute, a ATM se movimenta.
Observe o movimento ao abrir a boca, você está usando suas articulações. Ponha seus dedos à frente do ouvido, abra e feche a boca, ou fale: você sentirá o movimento da ATM.
O disco articular é um tecido similar ao menisco do joelho. O disco fica dentro da articulação (em azul) e serve como um amortecedor, entre os ossos do crânio e da mandíbula (côndilo).
É a alteração da ATM, ou seja, é o funcionamento anormal desta articulação, dos músculos da mastigação, ligamentos e ossos maxilar-mandíbula, dentes e estruturas de suporte dentário.
A DTM (Desordem Têmporo-mandibular) também é chamada de Disfunção de ATM, Síndrome da Dor Miofascial ou Síndrome de Costen.
As DTMs podem manifestar-se através de um estalo (click) na articulação, desconforto moderado na frente do ouvido, dor de cabeça, dor de ouvido e/ou zumbidos, dor ou cansaço dos músculos da mastigação, ruídos articulares (estalos ou crepitação), dificuldade para abrir a boca ou dor acentuada.
As dores de cabeça provenientes das alterações da ATM, em geral são dores musculares, dores nos músculos que envolvem a cabeça. Estas dores musculares na região da cabeça e do pescoço podem ser causadas por posições erradas de postura, má-oclusão (mordida errada), apertamento e/ou ranger de dentes, estresse.
A proximidade entre a articulação e o ouvido pode ocasionalmente confundir o paciente sobre o local de origem da dor. Na realidade, a dor de ouvido é diferente da dor de ATM.
Como diagnóstico diferencial, as disfunções da ATM não manifestam febre, não eliminam secreção pelos ouvidos e não são acompanhadas por quadros infecciosos das vias aéreas superiores.
Sim. A mordida errada (má-oclusão) é uma das causas mais comuns de alterações na ATM.
Má-oclusão ("mordida errada")Há vários tipos de má-oclusão e o ortodontista poderá fazer o diagnóstico correto sobre a oclusão. Os indivíduos que apresentam algum tipo de má-oclusão têm predisposição para problemas de ATM.
Traumatismos (batida forte, acidentes)
De acordo com estatística publicada no Journal of the American Dental Association, os traumatismos (pancadas) são responsáveis por mais de 44% dos problemas de ATM. (JADA 1990; 120:267)
Hábitos
Alguns hábitos podem causar pressões inadequadas na ATM, como o bruxismo Ranger os dentes), apertamento (tensão), morder objetos estranhos, roer unhas, mastigar chicletes. A persistência destes microtraumatismos leva a lesões degenerativas da articulação.
Aceleração/desaceleração cervical (Whiplash)
Freqüentemente relacionado a acidentes de carro (geralmente em batidas por trás), o brusco movimento da cabeça causa estiramento e compressão dos componentes da ATM, podendo danificá-la.
Abertura excessiva da boca
Todas as articulações do corpo têm limitações de movimento. Quando a boca é mantida aberta de modo exagerado, poderá haver danos à articulação.
Lassidão Ligamentar
Algumas pessoas possuem todos os ligamentos das articulações relativamento frouxos, com hipermobilidade (provavelmente por questões genéticas). A lassidão ligamentar em si não apresenta problema; no entanto, sua associação com outros fatores predisponentes pode levar a alterações na ATM.
Estudos epidemiológicos mostram que cerca de 75% das pessoas apresentam pelo menos um sinal de DTM e que 33% apresentam dor na face ou dor articular.
No Brasil, estima-se que 8 milhões de indivíduos tenham algum grau de DTM e destes, 90% são mulheres, ou seja, para cada homem com problema articular, há 9 mulheres. Tenta-se explicar esta alta incidência devido ao fato da mulher estar exposta ao estresse emocional, às mudanças hormonais durante o ciclo menstrual e durante a gravidez.
A idade mais acometida é em torno dos 30 anos. Os sinais e sintomas da alteração da ATM aumentam de freqüência e severidade entre os 20 e 40 anos de idade. A maior parte da população de 3.420 indivíduos com DTM tinham idade entre 15 e 45 anos (média de 32,9 anos). (Howard,1990)
Apenas 5% da população tem buscado algum tipo de tratamento para o seu problema, talvez pela falta de profissionais habilitados ou devido ao diagnóstico errado.
O diagnóstico da DTM está baseado em vários sintomas. Geralmente o profissional faz perguntas ao paciente em busca de informações sobre hábitos, tipo e local da dor, etc, e realiza palpação dos músculos da cabeça e pescoço. Na maioria das vezes são necessários exames para auxiliar no diagnóstico. Entre os exames, os mais comuns são:
Radiografias (panorâmica, transcraniana) - são relativamente baratas, porém mostram apenas a estrutura óssea da articulação.
Tomografia linear e computadorizada - Mostram mais detalhes, porém o custo é alto.
Ressonância Magnética - produz imagens detalhadas e precisas da articulação, não é usada radiação. É considerado o melhor exame para avaliar a ATM mas os custos são muito altos.
Calor úmido: o calor reduz a inflamação e melhora a função. Use uma bolsa de água morna ou uma toalha morna embrulhada ao redor do rosto;
Gelo: o gelo tem o mesmo efeito que o calor e também aumenta o fluxo de sangue, promovendo relaxamento muscular. Embrulhe a bolsa de gelo em um pano e coloque no rosto por um máximo de 10 minutos, cuidando para não danificar sua pele;
Dieta macia: alimentos mais macios temporariamente podem ajudar. Evite alimentos duros e não mastigue chicletes;
Analgésicos: converse com seu dentista antes de tomar qualquer medicamento;
Exercícios mandibulares: excercitar a mandíbula, abrir e fechar lentamente sua boca, mover a mandíbula para os lados; isto às vezes melhora a mobilidade. Exercícios que causem dor devem ser descontinuados;
Técnicas de relaxamento: há evidências que técnicas de relaxamento diminuem o sofrimento em casos de dor crônica. Respire lenta e profundamente.
Há várias opções de tratamento e alguns cuidados importantes que devem ser considerados:
Os objetivos do tratamento são:
Como eu posso saber se preciso tratamento?
Este teste simples e rápido poderá ajudá-lo a responder esta pergunta:
Instruções Some os pontos: Sim = 3 pontos; Às vezes = 2 pontos; Não = 0
De 19 - 30 pontos: É provável que você tenha desordens temporo-mandibulares
De 13 - 18 pontos: Você está com condições clínicas favoráveis para ter desordens temporo-mandibulares
De 6 - 12 pontos: Você está com fatores que podem desencadear desordens temporo-mandibulares
De 0 a 5 pontos: Não se preocupe, você tem poucas chances de ter alterações na ATM.
Obs.: Este teste não caracteriza um atendimento profissional. Para uma avaliação completa e segura, consulte um especialista.
O ideal é realizar o exame da oclusão e da palpação da ATM sempre que for ao dentista. Quanto mais rápido o distúrbio for detectado, mais simples é a cura. As mães devem desde cedo evitar a perda dentária dos filhos e prestar atenção nos hábitos incorretos como chupar dedos, chupetas, morder objetos, lábios ou língua, respirar pela boca, etc. O uso de aparelhos ortodônticos preventivos e corretivos também são fundamentais na hora certa, seguidos de um ajuste na oclusão.
A DTM é uma doença que, depois de instalada, é quase sempre progressiva. O que não se consegue determinar com exatidão e a sua velocidade de progressão. Portanto, o ideal é o tratamento assim que for diagnosticada, para proporcionar melhores resultados.
Também conhecidas como cefaleias, as dores de cabeça não atingem apenas os adultos. Elas também são freqüentes em crianças e podem estar ligadas a sintomas de ansiedade. É o que mostram Maria Ângela Gorayeb e Ricardo Gorayeb, ambos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, em um estudo que busca identificar a quantidade de crianças, entre 8 e 13 anos, que se queixam de dores de cabeça associadas a sintomas indicativos de ansiedade.
De acordo com o artigo publicado em setembro de 2002 na revista Arquivos de Neuropsiquiatria pelos pesquisadores, participaram da pesquisa 374 estudantes, selecionados em escolas públicas estaduais e municipais de ensino fundamental de Ribeirão Preto.
Conforme respostas obtidas, as crianças foram divididas em três grupos: sem queixa de cefaléia, com queixa freqüente de cefaléia e com pouca queixa de cefaléia. Constatou-se, de acordo com os pesquisadores, que um pouco mais de 45% dos estudantes não apresentou nenhuma queixa de dor de cabeça, 13,5% queixam-se com freqüência e aproximadamente 41% de vez em quando.
Das crianças que disseram ter freqüentemente dores de cabeça, a maior parte é de meninas. Com relação aos sintomas de ansiedade, os mais citados foram bruxismo (ação de ranger os dentes durante o sono) e agitação, o que reforça, segundo eles a correlação entre ansiedade e cefaléia.
Eles afirmam ainda que esse estudo aponta para a "necessidade de um atendimento integrado médico-psicológico do paciente infantil com queixa de cefaleia, a fim de solucionar os diferentes aspectos envolvidos na problemática e garantir o melhor prognóstico para cada caso".