O Karateca:Uma Academia Viva
As características únicas do Karate fazem de seus praticantes verdadeiras academias vivas. De fato, um karateca realiza exercícios que trabalham os mais diversos músculos de seu corpo, sem que seja necessário recorrer a apetrechos e aparelhos de ginástica ou, sequer, ir até uma academia para treinar. Com efeito, apenas praticando os exercícios de kihon e kata, em sua própria casa ou em qualquer lugar onde haja um mínimo de espaço, o karateca consegue desenvolver força muscular igual ou superior àquela conseguida através do uso de aparelhos de musculação (não se confunda aqui força muscular com ganho de massa corporal). Além disso, o karateca desenvolve flexibilidade, agilidade, ganha reflexos, melhora a coordenação motora, desenvolve sua capacidade cardio-respiratória e melhora sua capacidade de concentração. E o karateca consegue tudo isto apenas com a prática de sua arte marcial, sem precisar de nenhum aparelho específico para seu treinamento, nem de recorrer a outras modalidades esportivas. Assim, o Karate possui um diferencial extremamente significativo em relação a outras atividades físicas, o que faz dele uma atividade nobre se comparada com outros esportes.
A academia viva em ação
Ao praticar sua arte, o karateca põe em ação sua academia, que é o seu próprio corpo. Ele inicia seu treinamento com um aquecimento, no qual, após fazer exercícios que induzem os músculos a se relaxarem, ele se alonga e se relaxa a fim de se preparar para o treinamento de Karate propriamente dito.
Uma vez aquecido e alongado, o praticante passa ao treinamento de kihon onde pode fortalecer os músculos dos membros superiores e inferiores. Conseqüentemente, fortalecerá também os músculos peitorais, abdominais e umbrais. Além de fortalecer os músculos, estará automaticamente desenvolvendo sua capacidade aeróbica e sua resistência muscular (treino de bases).
Porém, é no treinamento de kata que o praticante de karate encontrará a mais vasta gama de possibilidades de treinamento e desenvolvimento físico. Nesta parte do treinamento, a academia do atleta se torna praticamente ilimitada. De fato, o kata permite que o esportista se movimente em todas as direções, trabalhe os membros superiores e inferiores, trabalhe os músculos do pescoço e até mesmo os olhos têm a oportunidade de se exercitar. O atleta ainda trabalha os movimentos das articulações das mãos e dos pés, dos joelhos, cotovelos e as articulações dos dedos.
Além disso, Porque precisa se esquecer de tudo em volta a fim de executar o kata com exatidão, o karateca desenvolve sua capacidade de concentração consideravelmente. Assim, ao realizar outras atividades do dia-dia, o atleta tenderá a demonstrar maior concentração e atenção do que a maioria das pessoas, já que, ao manter o foco somente na realização dos katas, o karateca força seu cérebro a desenvolver-se, tornando-se mais apto para a realização de tarefas simples ou complexas. A prática do kata também melhora (diminui) o tempo necessário para que o indivíduo reaja a uma situação inesperada (reflexos). Outro ponto importante de ser lembrado, é que a prática do kata é feita com kime, ou seja, requer-se do corpo o máximo de concentração e explosão de força. Desta forma, o karateca vai se fortalecendo pouco a pouco, até que se torne um indivíduo forte e saudável, mais resistente a doenças e infecções e sem aquelas incômodas dores musculares, comuns nas pessoas sedentárias.
Ao finalizar sua série de treinamentos, já bastante satisfeito consigo mesmo, o atleta poderá concluir o treino com uma série de exercícios de alongamento e relaxamento que o ajudarão a diminuir a possibilidade de sentir quaisquer dores decorrentes do esforço muscular praticado durante o exercício.
Para uma série completa como a referida acima, seria necessário mais ou menos 1 hora. No entanto, caso não disponha de todo este tempo, o karateca poderá criar uma série mais curta, que esteja dentro de sua possibilidade. Por exemplo, o atleta pode treinar durante 45 ou 30 minutos, diariamente ou 3 vezes por semana, e ainda assim colher os benefícios da prática do Karate. Mesmo uma série de 15 minutos diários já seria melhor do que o sedentarismo completo, pois o mais importante é manter-se em atividade constante.
Finalmente, gostaria de esclarecer que, ao descrever o karateca como academia viva, tenho em mente um atleta avançado, que já dominou todas as técnicas e katas, que já sabe se aquecer e se alongar sozinho, e que, portanto, já é capaz de treinar sem a necessidade de acompanhamento por parte de um professor. O atleta que tenho em mente, geralmente é faixa preta ou atleta com muitos anos de experiência no Karate. Assim, tal atleta é capaz de treinar sozinho, perfeitamente, sem que isto o prejudique. Não aconselho, portanto, que atletas pouco experientes ou principiantes tentem praticar exclusivamente sozinhos, pois poderão incorrer em erros que não serão devidamente corrigidos por um professor. Nada os impede, no entanto, de combinarem seus treinos individuais com os treinos regulares em seu dojo sob a supervisão de seu professor ou mestre. De qualquer forma, poucos são os esportes que dão ao atleta a possibilidade de, já no princípio, praticar sozinho aquilo que aprendeu em sua academia ou clube. O Karate oferece esta possibilidade.
Extraído do livro: Karate: A arte de transformar vidas