Os antigos mestres costumavam chamar o kata de “batalha imaginária”. De fato, apesar da beleza que pode ser produzida em sua execução, seus objetivos e segredos vão muito além da mera beleza visual. Com efeito, durante a execução destes exercícios, o praticante deve imaginar-se em uma luta contra diversos adversários, que ele destrói ou tira de combate ao executar as técnicas de ataque e defesa que formam o kata. Estes são seu inimigos imaginários. No entanto, eu irei além do que simplesmente classificar o kata como uma batalha imaginária, uma vez que existem inimigos bem reias que devem ser enfrentados durante sua prática. Ao executar um kata com verdadeira dedicação, o karateca trava uma batalha contra seus piores inimigos, e só sairá vencedor, se conseguir derrotá-los. Você pode estar se perguntando a quais inimigos eu estou me referindo, uma vez que o kata é um exercício que se pratica sozinho, isto é, sem adversários reais. Ao falar de inimigos, refiro-me aos inimigos interiores, aqueles que tentam fazer com que o atleta fracasse em seu objetivo de executar um kata perfeito. Por exemplo: desânimo, cansaço, medo, insegurança, raiva, culpa, incerteza, fome, sede, dor, paixões, preocupações, orgulho, tensão, nervosismo, vaidade, distração, etc. Todos estes inimigos trabalham contra o karateca desde o momento em que inicia a execução do kata até o momento final. E para vencê-los, o praticante precisa contar com o máximo de sua concentração e determinação.