Toda Conquista de espaço exige um tipo de afastamento. É como se houvesse uma delimitação de território, uma demarcação dos limites mostrando sinais de independência. Estamos todos em distanciamento social, talvez um distanciamento físico, pois continuamos nos socializando de diversas maneiras, inclusive algumas bem criativas.
As redes sociais, as vídeo conferências, os recados escritos em papéis e deixados nas janelas, as conversas pelas sacadas ou nas calçadas das casas (cada um na sua porta), as serenatas feitas de dentro da própria casa, as palmas que ressoem no mundo inteiro para homenagear merecidamente uma classe que não pode se isolar. Esse momento deixou mais claro do que nunca, que o Homo sapiens não precisa permissão para sair ... de si! A criatividade transcende os limites do território corporal e alcança o outro lado do mundo ou o mundo dali, do outro lado do muro.
Sair de si é derramar, é crescer e sair da fôrma como o leite faz quando ferve e mostra a sua força.
A realidade ostenta sem cuidado nenhum: fique em casa! Não visite ninguém! Não faça reuniões sociais! Não se aproxime fisicamente de quem não está dentro da sua casa! Respeite os territórios!
Sim, existem limites! Não contamine o mundo do outro. Esse limite não está funcionando só para distanciar fisicamente as pessoas, mas para cuidar. Distanciar é também desprender, desatando possíveis amarras que impedem o encontro com o íntimo de cada um.
O movimento do cotidiano oportuniza entretenimentos que facilitam a fuga desse encontro.
Agora, o espelho mostra todos os dias e com mais detalhes, que existe alguém nesse reflexo. Sinais do tempo que desvendam histórias de vida.
Descobertas através das próprias vivências, a ressignificação. Encontro com o amadurecimento.
Esse encontro está permitido e validado, é uma das direções pra onde a obrigatoriedade do momento está conduzindo.
O amadurecimento pessoal e por que não dizer social! Esse impacto com o espelho está acontecendo no mundo inteiro! Dentro dos casulos e fora dos territórios.
Dentro dos casulos, o metamorfosear. O processo totalmente íntimo, de reconhecimento das próprias potencialidades transformando-se num ser capaz de voar, mas também de cuidar do outro. Amadurecendo!
Nesse novo lugar crescer e conhecer os próprios potenciais para não invadir e contaminar as conquistas do outro. É preciso conhecer a si para dar conta do potencial que existe no mundo de outras pessoas. Para perceber que existe uma diversidade de traços que enriquece a todos e a si.
Os contatos interpessoais são conexões que ultrapassam o inter e alcançam o intra. Quando tudo está misturado, pode acontecer falha no combinado e os elementos não se transformarem no composto amalgamado. Quando os limites não são definidos, existe o risco dos elementos coagularem e a química apresentar desarmonia entre as substâncias.
A química mostra a importância do cuidado com a porção para majestosamente haver a poção.
A natureza exibe escandalosamente o valor do isolamento para a transformação ser revelada na leveza do bater das asas.
E talvez seja na natureza que aconteçam as mais simples e sofisticadas combinações de diversidade de elementos surgindo poções.
Um lugar definido com limites estabelecidos através da diversidade de cada um e respeito ao tempo e as asas.
O momento é de isolamento, de metamorfosear e conhecer o que é potencial para cada um. Depois do casulo e da transformação criativa, o voo da liberdade proporcionará a percepção da beleza escandalosa que existe em cada território.