A APANHA DA AZEITONA As primeiras referências ao azeite e à oliveira datam de tempos anteriores aos do Império Romano, sendo que na sua origem, está o zambujeiro, arbusto bem conhecido em toda região centro e sul do país. Segundo alguns autores, a existência de zambujeiros permite supor que a azeitona era conhecida, ainda que de má qualidade, sendo também possível o conhecimento de processos simples de esmagamento para obtenção do azeite, tendo sido os Fenícios e os Romanos, os responsáveis pela introdução de grandes melhorias na plantação, enxertia e, principalmente, nos processos de extração do azeite. Outro aspeto que poderá ter influenciado fortemente a dispersão desta cultura agrícola, prende-se com a instalação dos monges cistercienses na vizinha região de Alcobaça, através do estabelecimento de importantes granjas, onde eram implementados novos métodos de gestão e exploração da terra, criando, não só, as condições necessárias para a recolha e armazenamento das produções, como sendo os celeiros e currais, por exemplo, mas igualmente para a transformação necessária, como sendo os lagares e as adegas, entre outras estruturas. Foi este longo processo de humanização da paisagem que, durante séculos, se processou em toda a região serrana e envolvente, e que mais tarde levou à criação do que é hoje conhecido como Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. O azeite tem uma longa tradição e estreita ligação com o concelho de Alcanena. Esta tradição tem vindo a ser conservada ao longo dos tempos. Pode ainda assistir-se à apanha da azeitona por ranchos de homens e mulheres que varejam o olival e apanham os seus bagos em panos tradicionais, moendo e transformando a azeitona nos diversos lagares que ainda funcionam no concelho. Mas também já é comum ver-se a apanha mecanizada, resultado da implementação de tecnologia avançada por alguns produtores. Em Alcanena, a variedade predominante é a "galega", que depois de colhida dá origem a um azeite de sabor de fruta doce. As características dos nossos solos em conjunto com um investimento na modernização da produção, aliado às características de um clima mediterrâneo, resultam numa produção de excelência de um azeite espesso, frutado, com características sensoriais de maçã, numa cor habitualmente amarela ouro ou por vezes esverdeada. O azeite é um ingrediente tradicional. Continua a ser usado na doçaria, por exemplo nos parrameiros. Já na gastronomia, continuamos a ter uma forte presença do azeite na base ou tempero de muitos dos nossos pratos regionais, como as migas, o bacalhau à lagareiro ou também na sopa de azeite, cujo tempero de azeite lhe dá um sabor único. A diversidade que caracteriza esta região, é hoje a sua maior riqueza. As características ímpares do seu mosaico paisagístico, que foi sendo preenchido maioritariamente por vastas manchas de olival, pela substituição gradual da vegetação espontânea retirada para ser utilizada como combustível, quer no aquecimento das modestas casas, quer para cozinhar ou até passar a ferro, é hoje uma mais-valia para a valorização dos seus diversos recursos locais. Associado a todos os aspetos acima mencionados, há que referir ainda a crescente tendência para a valorização do mundo rural e dos seus produtos. Os momentos de mudança que estamos a passar, serão certamente muito importantes no resgatar de memórias e de preceitos há muito esquecidos ou deixados de lado. A mudança de paradigma, permitirá uma exploração fundamentada na qualidade e não na quantidade, havendo a constante procura do que é genuíno, das origens, como forma de afirmação identitária, tão necessária nos circuitos comerciais dominados cada vez mais por consumidores esclarecidos e curiosos, ávidos do que é original.
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Azeitona - Malhou © 2021 by Miguel Munhá - Município de Alcanena is licensed under Attribution-NoDerivatives 4.0 International
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