A Saga de Selma Lagerlöf - Relógio D'Água, 2018. 2ª ed. 2019. ISBN 978-989-641-885-4. Nomeado para o Prémio SPA Melhor Ficção Narrativa 2019
Recomendado pelo PNL Plano Nacional de Leitura
Este romance biográfico sobre Selma Lagerlöf foi escrito em golfadas, em horas imprecisas do dia ou da noite; não obedeceu a nenhuma rotina disciplinada. Como em todos os actos de paixão, fui sobrevivendo em equilíbrios improváveis. Conheci regiões que jamais imaginei conhecer, reconheci a vida desta pessoa, imaginei-a com a possível intimidade.
A Saga de Selma Lagerlöf 2018, 2nd ed. 2019. This biographical novel about Selma Lagerlöf was written in inaccurate hours of the day or night; it did not obey any disciplined routine. As in all acts of passion, I survived in unlikely balances. I met regions I never imagined knowing, recognized this person's life, imagined it with possible intimacy.
Nomminated for SPA Best Fiction Award 2019
Book recommended by Portuguese National Reading Plan PNL
"Ainda hoje a escritora sueca de maior projecção internacional, Selma Lagerlöf rompeu a barreira da língua, impondo-se ao vasto mundo. Verdade que o Nobel da Literatura ajudou, mas, em 1909, quando o recebeu, era já autora de um livro que se tornou um clássico, A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson pela Suécia. Com a focalização omnisciente levada ao extremo, a autora introduz-se na narrativa em nome próprio. Utiliza o expediente ao longo do livro, desde logo na descrição do enterro de Selma no cemitério da colina de Östra Ämtervik: «Agradeço-te muito, Cristina Carvalho, o facto de estares a falar por mim, mas não te alongues muito, não faz sentido, pouco interessa.» Facto é que, sem ignorar nenhum detalhe relevante, a autora constrói o livro como um patchwork de memórias. "
Eduardo Pitta, 2019, in Da Literatura
"Afastando-se de uma estrutura linear ou cronológica, a autora opta por uma organização quase temática e não se estranha que termine o livro com uma visita guiada à casa de Mårbacka. As suas divisões são um roteiro de vivências, de momentos felizes, onde tudo começou e se resumiu. O lado iniciático e sacrificial, onde Selma encontrou muito mais do que abrigo e calor. Tal como agora, na escrita de Cristina Carvalho, encontra um registo capaz de roubar à emoção o essencial.
Tudo é onírico, fantasmagórico e misterioso, lobos e ursos, homens e mulheres. A festa da vida, a surpresa da morte."
António Ganhão, in Acrítico
«Eis um livro escrito com pinças. Fruto da paixão de uma escritora por outra, este romance biográfico mantém um equilíbrio entre o rigor e a imaginação, em que a paisagem, nomeadamente a floresta sueca que cerca o mundo onde Selma Lagerlöf viveu, nos pode dar pistas sobre o método seguido: “Quero desenhar essas silhuetas longas, douradas, brandas, misteriosas no escuro da densidade que consigo perceber.” Funciona com árvores, e irá funcionar com os humanos. Outra ferramenta importante na construção do livro é a ironia. Como não sorrir, quando uma morta bem-disposta nos interpela, recordando episódios de uma vida longa: “Salvei quase tudo através da memória e de um certo olhar sobre o passado. Salvei até os meus fantasmas que esses , estivesse onde estivesse, nunca me abandonaram.”»
Rui Lagartinho, Expresso, E, 5/1/2019
Fonte: Relógio d'Água Editores
Entrevista sobre o livro. Sunne, 2018