Foto: Facundo Gonzalez
A história do brincar é anterior a ideia de cultura!
"A relação com o jogo remonta a uma realidade originária, que corresponde a uma das noções mais primitivas e profundamente enraizadas em toda a realidade humana, sendo do jogo que nasce a cultura, sob a forma de ritual e de sagrado, de linguagem e de poesia, permanecendo subjacente em todas as artes de expressão e competição, inclusive nas artes do pensamento e do discurso, bem como na do tribunal judicial, na acusação e na defesa polêmica, portanto, também na do combate e na da guerra em geral... " (Em Jogo e trabalho: do homo ludens, de Johann Huizinga, ao ócio criativo, de Domenico De Masi, Albornoz, 2009)
Perceber o meio ambiente e suas potenciais, através do estar com a praia para construir espaço de proposição artística, aumentando os vínculos entre o brincar das artes com ela é a proposta dessa pesquisa.
Desenhos de observação em praia, Portugal 2023.
A praia é entendida não como uma tipologia isolada, mas como um sistema complexo integrante da cidade, promotor e organizador da vida, expandindo e encolhendo simultaneamente aos experimentos humanos em constante movimento "[...] A praia convida e excita, a praia oferece preguiça e brinquedo.” (Barbosa, , 2021, p.20)
Para diferenciar a praia remota e a praia urbana, a última vai ter “projetos-praia” que visam formar “conjunturas crítico-poéticas” e apresentar interdependência com o lugar. Deixando de ser um “objeto” para ser uma condição, interdependente da articulação dos sistemas para além da paisagem, tendo uma “qualidade e fenômeno cultural” (Aquino, 2014, p.18).
Infraestrutra depois da enchente de 2024 (Foto 1, acervo pessoal), Foto do balanço levado pelo mar (Foto 2, Foto: Village Siriú) Rancho de pescadores que foi levado pelo rio (Foto 3, google mapa)
Observações:
Antes: Baixa interação entre pessoas e brincadeiras violentas
Depois: Apropriação dos materiais e dos sentidos por parte dos participantes
Análise reflexiva e crítica sobre as intervenções e suas organizações na instalação temporária no espaço-comum da praia, através de registross visual e narrativos, para que práticas artísticas sejam política públicas de educação não-formal, promovendo a cultura costeira.
Caminhadas pelo Centro Histórico (Acervo Pessoal):
Elaboram as interações diárias unindo as memórias de histórias em uma cartografia filosófica (Passos, 2009), forjam pistas que vão mapear o imaginário social. Assim, apoia-se a construção do habitar brincante, visto que a validação nos territórios, se dá também de acordo com o tempo e a permanência em um local.
Registros
Apoio
Atenção
Instalação para retomar a integração em roda e aliada a ideia de nomadismo (do grego “nomos” entendido como a lei imanente que brota do encontro) (Deleuze & Guattari, 1980, p. 165).
“Construindo a yurt Elsen Tasarhai Mongolia”. Fotografia Michel Setboun
Habitação de povos nômades das Estepes da Ásia Central há pelo menos, 3 mil anos. A primeira descrição escrita de uma tenda utilizada como moradia foi gravado por Heródoto (425 a.C), considerado o pai da história.
O fabrico tradicional das gers na Mongólia, Quirguistão e Cazaquistão é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade desde 2014.
Na época colonial, a “cultura de praia" como destino de lazer e recreação ou como sinônimo de desenvolvimento costeiro de atividades sociais e culturais não eram comuns. Pois sua utilização estava associada à doença e destino de esgoto, e que durante as epidemias de tuberculose e lepra, eram onde faziam tratamentos com o sol. Só ganhou notoriedade ao longo do século XIX, com o surgimento dos primeiros balneários na Europa (Corbin, 1989) por influência do imaginário criado das navegações.
Pedras alinhadas em fila, brincadeira típica de criança, no caminho para a praia. (Acervo pessoal)
Objetivos específicos:
Pesquisar conceitos:
educação não-formal
brinquedoteca
instalação
intervenção
arte pública
território costeiro.
Analisar dialeticamente e narrar visualmente:
vínculos com brincadeiras
registros sobre a constituição das oficinas, jogos, exposições e demais proposições organizadas.
Organizar processos:
Coleta de repertórios de brincadeiras
Elementos materiais/simbólicos/pedagógicos
Complementes à instalação com base em diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente, que justifique o fomento público.
Na cultura da performance esportiva e de sedentarismo, quais os fundamentos e contribuições para uma instalação na praia, de forma inventiva e criativa? O que tem evoluído sobre o brincar como objeto de pesquisa em artes?
Como é nossa relação com as pessoas, o espaço e com a criança que fomos? Através das artes, vamos elaborando nosso cuidado...
"Um território não é apenas um pedaço ou vastidão de terras. Um território traz marcas de séculos, de cultura, de tradições. É um espaço verdadeiramente ético, não é apenas um espaço físico como muitos políticos querem impor. Território é quase sinônimo de ética e dignidade. Território é vida, é biodiversidade, é um conjunto de elementos que compõem e legitimam a existência indígena. Território é cosmologia que passa inclusive pela ancestralidade." - Eliane Potiguara, Metade cara, metade máscara (2004, p. 105)
"Anatomia de uma mãe: estômago, trabalho, seca lágrimas, faz cafuné, cozinha, conta história, ama...""Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças"
A escrita do projeto cultural ao PNAB (Lei nº 14.017/ 2020) se deu a partir da adaptação do "mapa de projeto didático" Martins (2004).
Apoio Lei Aldir Blanc (nº 14.017/2020) projeto de lei escrito por Benedita da Silva (PT/RJ)
Foi promulgada como lei de Emergência Cultural financiar ações destinadas ao setor cultural a serem adotadas durante o estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020
Transformado em política pública como Programa Nacional Aldir Blanc de apoio à cultura permanente até 2029.
“No Centenário da Abolição, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) avalia a situação dos negros no País, e mostra que a liberdade ainda está por construir.”
Na elaborando do projeto, um artista, fisioterapeuta e professor de faculdade de saúde e amigo (Ar)nídio/Ineedyou trouxe "O Direito de Brincar".
"O brincar é uma linguagem essencial na vida das crianças, e elas precisam vivê-lo para poder se expressar e apreender o mundo, as pessoas e os objetos à sua volta, assim como experimentar a vida, seus valores e as relações.
Para o adolescente, o brincar é essencial para dar vazão à sua fantasia, para experimentar diversas habilidades, apreender valores e regras e para relacionar-se com os outros, ou introjetar diversos conceitos.
O adulto precisa do lúdico para ter canais expressivos. E este lúdico passa pelo movimento, pelas diversas expressões plásticas, pela música, pelos hobbies, pelas habilidades manuais e pela escrita criativa, entre outras linguagens."
Da onde vem!?(Documentário/Animação da TV Cultura sobre a origem das coisas)
Entendimentos sobre o brinquedote: “Pero, ¿Esto és Arte?” (Tilghman, 2006) vai dissertar sobre a importância do estudo filosofico das artes, que sem necessidade de definições de propriedades diretamente visíveis ou exibidas, visa o resgate do reconhecimento da arte como “praias de similaridades” (Tilghman, 2006, p.18),
"Um território não é apenas um pedaço ou vastidão de terras. Um território traz marcas de séculos, de cultura, de tradições. É um espaço verdadeiramente ético, não é apenas um espaço físico como muitos políticos querem impor. Território é quase sinônimo de ética e dignidade. Território é vida, é biodiversidade, é um conjunto de elementos que compõem e legitimam a existência indígena. Território é cosmologia que passa inclusive pela ancestralidade." - Eliane Potiguara, Metade cara, metade máscara (2004, p. 105)
As disputas de narrativa sobre o propósito de vida são objeto de pesquisa e discussão à milhares de anos por filósofos, poetas, artistas, pesquisadores da saúde e teólogos.
Mas perante a violência se perde todas a racionalidade... Qual a relação entre o imperialismo, o colonialismo e a destruição de alguns em detrimento de outros?
"... uma profunda logo fobia, um espécime de temor surdo destes acontecimentos, desta massa de coisas ditas, do surgir de todos estes enunciados, de tudo que possa haver aí de violento, de descontínuo, de combativo, de desordem, também, e de perigoso deste grande zumbido incessante e desordenado do discurso. (Foucault, 1950, p. 50).
É necessário uma sistematização das metodologias pedagógicas utilizadas (Educação Não-Formal e o Papel do Educador (a) Social, Gohn, 2009)
A/R/Tografia (IRWIN, 2023): Processo de retomada, representação do processo, pela vontade de cuidar da “aura” (Benjamin, 1994, p. 170) e ficar com o problema (Donna Haraway, 2016)
A alma perdida (Olga Tokarczuk, ilustração, Joanna Concejo)
Em “Educação em Artes Visuais para Infância” (2025/2) A profe. dra. Aline Nunes convidou o profe. me. Benjamin Marins Costa para apresentar sua metodologia de Pesquisa Baseada em Evidência (PEBA) “O método do arqueiro na pesquisa em educação e arte”, com a prática de artografar pode investigar sua iniciativa no Ateliê da Mata onde ensinou, criou e por fim teorizou sobre o processo artístico crianças e adultos. Com seus desafios de sobrecarga, se constituí como abertura de caminhos (des)conhecidos... A orientação era entender a praia como lugar de sociabilidade. Antes disso, a leitura de um livro visual em aquarela..
“Ser professor também é acolher as sombras, os monstros e aquilo que muitas vezes a gente não gosta de ver”.
Levar os monstros para passear. Benjamim Marins Costa. Colagem digital (2017). SC.
Conhecer a trajetória acadêmica a partir de uma brincadeira de Tarot, com o poder de leitura de imagem de três cartas para ensaiar nossa artografia foi o seguinte: pensei sobre a docência: “O Mágico”, a pesquisa: “Imperatriz”, e a prática: “Estrela”. Busquei na internet o que a imperatriz sentada em uma poltrona no meio da cachoeira representa: boa comunicação e terra fértil. (Ensaios de registros futuros)
Cosmo-percepção quilombola presente em “A terra dá, a terra quer” em que o mestre “lavrador de palavras”, Antônio Bispo dos Santos (2024) apresenta o tempo organizado num ciclo de “início-meio-início”:
"No lugar onde nasci e fui criado, temos uma relação orgânica com todas as vidas. Todas as vidas são necessárias, não importantes. A gente corria atrás de um porco para pegá-lo e botá-lo no chiqueiro. A gente brincava de correr para chegar a um lugar, por necessidade. Na cidade é diferente: vejo o povo correndo sem saber aonde vai, sem saber por que corre, só porque um médico disse que tem que correr! Eu também corri na cidade, sem saber aonde ou por que eu corria. Por que os povos da cidade não se relacionam com a natureza? Porque têm medo. Porque são cosmofóbicos"
Pesquisa de intervenção em praia
"O cruzamento das pegadas nos confunde, indica múltiplas possibilidades, hipóteses que ocupam o imaginário e desafiam previsões. Passa o dia, o vento e a maré para que, ao amanhecer, o território se faça disponível novamente, sempre aberto ao que virá. A praia faz pensar sobre o tempo, sobre uma forma de ser e deixar de ser”.
Fundamentos da provocação do/sobre o imaginário coletivo
“Illusions Vol I, Narcissus and Echo” (KILOMBA, 2017) Eco como quem reforça o sistema nascísico da branquitude como referência.
Conversas durante brincadeiras são material de pesquisa, se pode contar histórias sobre o trabalho de conhecidos, sendo um mecanismo de construção de possibilidades no mundo adulto.
~Lista de necessidades:
Pessoas interessadas pro mutirão 👍
Lona doada 👍
Bambus 🪵🔥💦🌬️🪨
...Ensaios narrativos?
~Lista de materias?
Programa Nacional Aldir Blanc de Apoio à Cultura e Governo Federal União e Reconstrução
Gincana colaborativa com prêmios de camisetas do Siriú da Mercearia Silva
Eco-bingo da Serra do Tabuleiro com prêmio de mudas nativas do Dedo Verde Floricultura do Macacu
Prefeitura, Multilojas e Casa de Cultura de Garopaba e Papelaria Kpricho
"E agora José" (Andrade, 1942): Analisar as adaptações de planejamentos? Comparar com uma possível segunda edição?
As próximas intervenções:
Exposição do ateliê de pigmentos naturais com proposta de tecido? 👻
Jogo socioambiental "cartas da terra" e as tentativa de ensinar as regras? 🥱
Articular novas parcerias 👏
Desenhança: jogos corporais de desenho/dança, com participação do grupo “Gente Grande Também Brinca”. (Haux, 2024, em Casa Salto, POA 2025)
Cubrir o "céu sem núvens" (Nietzsche, 2020, p.10) de análises observadas...
"Essa humanidade que não reconhece que aquele rio que está em coma é também o nosso avô, que a montanha explorada em algum lugar da África ou da América do Sul e transformada em mercadoria em algum outro lugar é também o avô, a avó, a mãe, o irmão de alguma constelação de seres que querem continuar compartilhando a vida nesta casa comum que chamamos Terra " (KRENAK, 2019)
Tradução e cultura chinesa
Márcia Schmaltz (1976-2018) 修安琪
Falando sobre a tradução do conto "Confúcio e o menino sem nome" intertextualidade e adaptação, Márcia Schmaltz fala de liberdade poética e a garantia de direitos fundamentais, que ali chama de "garantia para a sua recriação". (LIMA; ORGADO, 2011, p. 115; cf. SCHMALTZ, 2011)"
Oferendas ao antropoceno. Ianah Maia, 2022. Mural feito com geotinta e lixo reciclável para o Cumbucor, na vila de pescadores da praia do Cumbuco - Caucaia/PE.
Ensaio narrativo:
Tintas de processos de cocção e maceração, usando diluentes, fixadores e aglutinantes, baseado na “Apostila Intuitiva de Pigmentos Naturais” de John.
Entre os pigmentos, tínhamos a presença do urucum, colhidos dos galhos que passam o muro de uma casa, e é uma planta medicinal muito sagrada e conhecida de indígenas. Flor de bougainville, é catalogada como uma PANC, Planta Alimentícia Não Convencional. Com processos de cocção e macera se fez pigmentos com a casca de cebola, de beterraba, feijão, café, erva-mate, erva-cidreira e repolho roxo. As tintas foram apresentadas a partir de sua origem, e misturas no papel foi uma fascinante brincadeira de observar as reações físico-químicas-mentais, e sociais, de observar as reações dos participantes. Estávamos explorando a materialidade de cada pincel, quando meu “brinquedometro” soou o alarme, a irmã de três anos, começou a usar as mãos, indiquei que todas as crianças também experimentassem pintar com partes do corpo.
Decisões certeiras: Ela nos guiaria nas brincadeiras, como numa prática de dança em que se segue a coreografia de um bebê. Orientei para que pensassem no lugar mais divertido possível e dividissem a folha em três, de forma que todas as crianças pudessem intervir nas pinturas uma das outras. Quando cansava, circulava pelo yurt, observava como os corpos dos demais estavam rígidos concentrados em seus desenhos, voltou com a mão cheia de areia e incorporou essa matéria à sua pintura, logo sinalizei que poderíamos testar essa nova textura também. O mais fantástico foi observar os pigmentos ora sumindo com a reação do bicarbonato ora se intensificando com o vinagre.
Descrever ou citar? Experiências em cursos e apresentações de projeto de pesquisa, que visavam orientar a manipulação inventiva do desenho em tecido em interação com pigmentos naturais, adicionando substâncias ácidas e básicas. Experiências anteriores de tingimento natural em tecidos SESC/SP (Serviço Social do Comércio, 2019) e do Ateliê da Cor/profe dra. Vania Sommermeyer (UFRGS Portas Abertas 2024)