Conheci o Museu da Pessoa durante a pandemia... Se trata de uma plataforma digital que conta com mais de 30 anos de existência, o Museu da Pessoa, "organizou 300 projetos de memória em parceria com organizações, gerando conexões férteis entre pessoas e empresas."
Com 22 mil histórias, Imbituba é a cidade mais próximo que encontrei de Garopaba, com o projeto Memória Local na Escola. Não é de se espantar visto que Garopaba entre desmembramentos de Palhoça e Imbituba, desde 1961 voltou a condição de município. Mas somente em 2025 resolveu Confira no site!
Oportunidade de reencontro com a cosmologia guarani-mbyá (Mbya - muita gente em um só lugar/povo)
Em 2025, o cacique e artistas Vherá guyra (Jaime Valdir da Silva) à esquerda, realizando o projeto em parceria com César Cony à direita e demais artistas guaranis-myba, pudemos escutar sobre como se deram os encontros O joalheiro interviu nas obras com ma "Estudos Ameríndios e afrobrasileiros", a profe. dra. Paola Zordan.
Significados das esculturas de águias, jacarés, tucanos, onças, tamanduás, passarinhos, corujas e capivaras em diversos tamanhos encantavam os visitantes, desde saber sobre técnicas de pintura com espatulada a ferro quente, até os olhos moldados em citrino, bico e crista de latão envernizado e pedras de zircônia moldados nos animais, o que mais me impressionou foi que os objetos se relacionam com as crianças para que não esqueçam dos seres que já habitaram o espaço.
"...No trançado de suas cestarias traduzem os fios que tecem o universo, a vida e seu destino. Cada dia é dia de sobrevivência, resiliência, resistência e sempre de sabedoria”.
“Os animais têm um papel protetor em nossas vidas, uma conexão espiritual e simbólica, como ensinado por nossos antepassados. A representação dos bichos em madeira é um meio de preservação e de manter essa relação. Mas para os juruás (homens brancos) a ancestralidade é desvalorizada. Então, comercializamos mais como uma peça bonita e não pelo que significa.” - Vherá guyra (Jaime Valdir da Silva),
Tive duas oportunidades de visitar a Tekoá Jataí´ty (Lugar do "bom viver") uma das aldeias mais antigas do Rio Grande do Sul, reconhecida em 1998 como TI Guarani do Cantagalo, com a reserva ampliada em 2005) . Primeiro em 2017, em um mutirão de construção de uma casa de cerimônias, a convite de uma amiga do Movimento de Mulheres Olga Benário nos unimos com estudantes da UNISINOS e iniciamos a fundação do que só veio ser terminada dez anos depois pela Sábia Construções.
Na segunda ida à Viamão, na aula de Políticas Públicas em Saúde em 2018, fomos guiados por outra vivência, de observar os desenhos expostos nas paredes de fora da escola, e caminhando pelo território de 250 hectáres, onde produzem erva-mate e a corticeira, da onde esculpem, e se reunimos em volta do fogo para conversar e saber das novidades e necessidades, contam que somente queimam a madeira das árvores que caem, devido a ser área protegida de corte. A juventude estava envolvida com jogo de futebol, mas as crianças faziam as guianças pelas trilhas, apontando para as coisas querendo saber o nome em português, e a gente respondia querendo saber em guarani. Lá de cima de uma pedra enorme, se via no horizonte a cidade.
“Mesmo diante de todo conjunto de dificuldades de sobrevivência em que estão inseridos, fruto de um processo secular de perseguição, extermínio e invisibilidade, o Mbyá Guarani conserva sua língua e sua visão de mundo, crenças e valores. Vivem de pequenas roças, como faziam há séculos e da venda de artesanatos que expressam muito de sua cosmologia. No trançado de suas cestarias traduzem os fios que tecem o universo, a vida e seu destino. Cada dia é dia de sobrevivência, resiliência, resistência e sempre de sabedoria”, explica o professor e historiador João Batanolli, Redação do Jornal O Sul