Ali, aprendi que o breaking não era apenas dança; foi fundamental para o início do Hip Hop em São Bernardo e no ABC, chegando ao Brasil nos anos 80. Descobri que bairros como o Calux foram berços onde crianças aprendiam os passos, e que lendas como King Zulu Nino Brown moraram ali. Fiquei fascinada ao entender a conexão geográfica: no final daquela década, jovens de SBC, incluindo Nino Brown e Thaíde, iam até a Estação São Bento em São Paulo para encontrar outros b.boys. Mas o mais interessante foi ver como a juventude de SBC criou seu próprio território. Em 1991, a pista de skate do centro virou o palco da Posse Hausa, reunindo rap, grafite e dança.
O livro também narrava o apoio do poder público com o projeto "Movimento de Rua" e o lançamento do livro ABC Rap em 1992. Percebi ali que a história do breaking está costurada na própria fundação cultural e social da periferia da cidade.
Depois de absorvermos o conteúdo, começamos a discutir nossas impressões em grupo. No início, tivemos uma opinião simplista: achamos que a exposição era apenas um corredor por falta de orçamento. Mas, conforme conversávamos sobre o público-alvo e visitávamos a segunda exposição disponível, nossa ficha caiu. Estávamos completamente errados.
Aquela exibição "direta ao ponto" não era pobreza de recursos; era uma estratégia de aproximação. Era uma forma de fazer o público se sentir representado, sem os afastamentos que a pompa de grandes museus às vezes causa. A simplicidade era intencional: era sobre fazer a arte de todos ser, de fato, para todos. Essa visita me fez refletir muito sobre nossos hábitos culturais. Temos a tendência de achar que cultura só existe no centro de São Paulo e ignoramos o que está ao nosso lado. Conversando com um recepcionista muito atencioso, ele me disse uma frase que marcou: “Se 15% da população de São Bernardo conhece esse lugar, é muito”. Isso me lembrou que a arte está sempre mais perto do que imaginamos.
Sobre o breaking em si, nunca fui muito chegada ao movimento, mas minha visão mudou completamente. Entendi que não se trata apenas de fazer poses difíceis — e haja força, porque só de olhar meu corpo já pediu socorro! O breaking ofereceu um mecanismo de expressão para a juventude negra que não encontrava espaço na sociedade. Foi uma ferramenta de autoestima, uma forma positiva de canalizar energia e resistir à marginalidade. Saí de lá com a certeza de que o legado do breaking em SBC é a prova de que a cultura popular é uma força política, capaz de formar agentes de transformação e construir uma cidade mais justa e plural.
Nunca havia entrado na Pinacoteca de São Bernardo antes. Mesmo na frente do local, vi árvores e esculturas. Subimos uns lances de escada e a primeira impressão foi de um espaço amplo e iluminado. Encontramos com a Raffa, que já nos aguardava no local, assinamos nossos nomes no caderno de visitas da exposição. As fotos estavam dispostas nas paredes iluminadas de um corredor largo, e tive a preocupação central de tirar fotos de tudo que via e de todos os ângulos que conseguisse. Estávamos buscando agir como verdadeiros cientistas em ação, atentos aos detalhes e também às nossas opiniões e sensações diante do que víamos. Alguns integrantes do grupo tentaram reproduzir as imagens do Breaking e todos rimos no final. Conversar com a analista de obras da Pinacoteca, que foi super solícita em nos atender, foi uma virada de chave no que diz respeito às nossas impressões sobre o Breaking. Longe de ser resumista, as fotos eram a comunicação mais clara e direta sobre a arte em movimento. Não haviam outras pessoas no local, além da analista de curadoria, a qual entrevistamos, um senhor na portaria e nosso grupo. Estávamos todos vestidos casualmente, pra um clima ameno — sem frio ou calor extremos.
Fazia muito tempo desde a minha última experiência numa saída de campo com um grupo tão grande, o que foi muito legal principalmente por ter nos proporcionado uma oportunidade de nos conhecermos um pouco mais e trocar nossas impressões e opiniões sobre o tema e o que encontramos na exposição. A graça foi justamente ter as expectativas quebradas e reformuladas a partir do contato com os profissionais e suas experiências na área da cultura. Além disso, acredito que as fotografias do Sarará serviram de grande complemento à visita que eu realizei em agosto deste ano ao Museu das Favelas, especialmente para prestigiar a exposição sobre os Racionais MC’s e a história da trajetória do grupo e dos seus integrantes. A cultura periférica se esbarra em muitos aspectos, mas principalmente em que a pratica e consome. Para quem veio da periferia, aqueles registros fotográficos não eram novidade, na verdade eram bem familiares, quase como se fosse meu tio ou meu primo naquelas fotos.
Visitar a Pinacoteca de São Bernardo foi uma experiência muito mais interessante do que eu imaginava. Logo na chegada pude ver que o prédio era bem bonito de se ver, cheio de cores e esculturas, apesar de achar que faltava mais identificação demonstrando que alí era um museu de arte aberto ao público.
Ao entrar, me encontrei com o pessoal do meu grupo e me deparei também com um espaço amplo, silencioso e praticamente vazio, tanto de pessoas, quanto de obras, em geral. O que me causou uma certa estranheza de início. Após isso, tive a oportunidade de observar a exposição de Breaking, era de fato bem simples e direta. Uma série de fotografias, impressas em papel comum e coladas na parede, ainda que fosse interessante, sentia que faltava algo mais na apresentação das imagens, poderia ter algumas músicas, explicações? Enfim, eram belas imagens no geral, e fiquei impressionado com a qualidade.
Uma das partes mais interessantes da visita, em minha opinião foi conversar com a curadora do museu. Pude aprender muito sobre o sistema interno do museu, desde como funciona a exposição de obras da Pinacoteca, até mesmo sobre como eles mantém obras centenárias em condições prístinas e percebi o quanto o trabalho ali vai além da exposição. é realmente um local com registro de artes incríveis e que expande o acesso da população à cultura e arte.
Logo antes de entrarmos já vimos algumas esculturas do lado de fora, elas não eram parte da exposição do Breaking que estávamos indo ver especificamente mas já foram moldando nossas expectativas, entramos no prédio, que mais se parece um casarão e logo encontramos outros membros do grupo que já haviam chegado, assinamos nosso nome no livro na entrada da exposição.
Logo de cara nos alarmamos com o tamanho da exposição, sendo apenas um corredor, as fotografia grudadas a parede não traziam muita dimensão ao espaço o que contribuiu para uma primeira impressão de surpresa, por ser uma pinacoteca esperávamos algo maior, discutimos depois como grupo, esculturas e fotografias enormes mas não era do que essa exposição tratava. Começamos a olhar uma a uma com um olhar mais analítico, o fato de que elas tinham um título mas nenhuma descrição e de que se tratavam de pessoas ou grupos em diferentes cenários, tanto profissionais como casuais, tiramos fotos, imitamos (ou tentamos) algumas das imagens e depois começamos a discutir. Percebemos que todos havíamos tido primeiras impressões muito parecidas e ficamos nos perguntando se a exibição “simplista” era uma questão orçamentária, enquanto conversávamos tivemos a oportunidade de conversar/ entrevistar umas das curadoras da Pinacoteca que pode nos explicar mais de sua história e de como funcionam os editais de exposição, mas além disso foi falando sobre o público que a visitava e a importância da representação das pessoas e da visibilidade de que a Pinacoteca é um espaço público e ainda mais quando visitamos a segunda exposição disponível que percebemos que nossa interpretação havia sido completamente errada.
A questão da exibição do Breaking ter uma apresentação mais “direta ao ponto” era justamente uma forma de fazer o seu público se sentir mais próximo, sentir que aquela arte era mais acessível a ele. Era uma questão de se sentir representado e não ser afastado por frugalidades que a tornariam mais exuberante, era sobre fazer a arte de todos ser para todos.
Ao chegarmos no local encontramos um prédio claramente antigo, com uma parede na entrada totalmente mofada, o que mostra um claro descaso não dos funcionários, mas daqueles responsáveis por financiar a manutenção predial. O museu se encontrava totalmente vazio, éramos os únicos visitantes, o que trouxe uma sensação inquietante de que não éramos exatamente esperados.
A exposição do break por sua vez foi o que mais me chamou atenção, apenas imagens impressas e coladas na parede em papel comum. Contudo, a falta de uma proteção ou textos explicativos não parecia parte do conceito do artista , mas sim uma consequência da falta de verba.
Entretanto, o elemento mais chocante era o livro que dava um contextos à exposição que, por ser literalmente colado na parede, não permitia sua leitura plena. Ressalto ainda a altura na qual o livro se encontrava, inacessível para a maioria das crianças do Ensino Fundamental, que descobrimos posteriormente ser o público que mais frequenta essa exposição por meio dos passeios escolares.
Ao chegar, me senti animada vendo a rua cheia com construções coloridas e praças ao redor, transmitindo a sensação de um lugar agradável para passar a tarde. Depois de encontrar o acesso ao espaço, procurei informações e visitei a biblioteca, onde me explicaram um pouco sobre a história e o funcionamento do local. Seguindo para a exposição, localizada no corredor da frente, comecei a apreciar e fotografar as obras, onde pude fazer um apanhado das ideias nos bancos que ficam no meio e são ótimos para dar uma pausa ou escrever.
Da mesma maneira que senti que o espaço e aquelas obras combinam com o ambiente como em forma de respiro, também me senti triste pelo aproveitamento do espaço, que continha lacunas e não contava com estruturas para as fotografias. De alguma maneira, logo entendi também que a apresentação e composição do espaço também representam o break, e possivelmente a acessibilidade dele, onde as figuras nos fazem perceber o quão abrangente e significativo ele é, e que talvez não deva ficar sobre uma ótica que possa ser considerada excludente, com molduras grandes tirem a atenção e a conexão do espectador a mensagem. Durante nossa visita, pudemos nos divertir imitando as imagens e explorando o espaço enquanto tentamos fazer registros das experiências, além de poder ouvir um pouco mais sobre a pinacoteca e o trabalho diverso que fazem.
Todos os funcionários com quem conversei tinham instruções bem claras e pareciam entender sobre a casa, além de serem gentis e receptivos. Em relação aos espaços, acredito que vivenciá-lo em um só grupo fez muita diferença em relação ao impacto e proveito, uma vez que pudemos explorar as áreas e ficar à vontade, dado que o lugar não é exatamente grande.
Antes mesmo de entrar, algumas esculturas expostas na parte externa já alimentavam nossa expectativa. A Pinacoteca, instalada em um casarão histórico, é um espaço amplo, iluminado e acolhedor. Logo ao entrar, encontramos outros colegas que já nos aguardavam e assinamos o registro da exposição.
A primeira impressão ao ver o corredor da mostra de Breaking foi de surpresa: por ser uma Pinacoteca, muitos de nós esperávamos algo maior, com múltiplas salas, painéis e instalações grandiosas. As fotos estavam coladas diretamente na parede, sem molduras, sem legendas explicativas, sem iluminação direcionada. Essa simplicidade inicial fez todo mundo levantar hipótese, seria uma limitação de orçamento? Uma escolha estética?
Foi conversando com a analista de cultura, Camila Rosa, que nossas interpretações mudaram completamente. Ela explicou:
Que o breaking é um movimento urbano, periférico e comunitário;
Que a simplicidade da exposição era intencional, para aproximar o público retratado;
Que a ideia de “não elitizar” a montagem tinha relação direta com acessibilidade simbólica;
Que a Pinacoteca tem recebido cada vez mais exposições voltadas a temas do cotidiano periférico;
Que estudantes, tanto de escolas municipais, como de universidades representam o maior volume de visitantes;
Que “Pinacoteca” significa literalmente coleção de pinturas, mas que hoje o espaço abrange outros tipos de arte, como fotografia, escultura, intervenções urbanas e artes contemporâneas;
Que o Sarará (Laerte) escolheu a Pinacoteca justamente por essa abertura a temas diversos e urbanos, como pichações, registros de rua e expressões da cultura marginal.
Essa conversa ampliou drasticamente a forma como eu e o grupo entendemos a curadoria. Não se tratava de falta de recursos, mas sim de uma escolha estética e política: tornar aquela arte algo próximo, reconhecível e não intimidante para o público. Uma forma de representar pessoas que, muitas vezes, não se veem dentro de museus. Quando visitamos a segunda exposição, a do Sarará, percebemos também como a Pinacoteca se propõe a desconstruir a visão elitista sobre arte. O diálogo entre a estética urbana do grafite/pichação e o espaço institucional adicionou camadas de significado: quem registra a cidade? Para quem se expõe? Quem é legitimado como artista?
Saí com a sensação de que o museu estava em transformação e que essa transformação dialoga com identidades que muitas vezes são silenciadas na cena artística tradicional.
No dia da visita, sai da minha casa e fui andando até a Pinacoteca, uma distância pequena que pareceu ainda menor pois saí de casa atrasado. Só atravessei a Rua de casa Senador Vergueiro, e passei dois quarteirões para chegar, um percurso que se feito de carro demoraria mais tempo. Quando cheguei explorei brevemente o local, enquanto a guia estava conversando com o grupo. Ela contava, enquanto rodeava brevemente o salão, que a Pinacoteca nem sempre esteve naquele lugar, estava completando 30 anos ali do lado da cidade da criança. Reparei que, ao contrário da última vez que visitei a Pinacoteca, o local estava mais limpo, bem iluminado e com mais pessoas do que antes, visto que minha última vez lá foi durante a pandemia. Da última vez que eu fui eu estava na rua passeando com a minha cachorra quando me lembrei de lá, dei uma volta pelo local e andei pelas partes de trás, dessa vez não chamei meu grupo para visitar pois não era permitido.
A primeira vez que fui na Pinacoteca foi em 2018, fui na abertura da exposição do meu professor de artes do colégio, que por coincidência estava exposta no mesmo local da exposição do break dance que fomos ver. Após terminarmos a visita, fomos no segundo andar explorar uma outra exposição artística que estava acontecendo, esta segunda não me chamou muita a atenção, a arte não me brilhou aos olhos e me deu a impressão de que ela estava lá apenas para completar. Senti uma ligação com a experiência do breakdance porque sempre apreciei e me identifiquei com expressões artísticas marginalizadas, para mim, a arte que resiste e provoca é a forma mais plena de artisticidade.
REGISTROS EM GRUPO