Corpos periféricos em movimento
A exposição “Breaking e suas expressões: Corpos periféricos em movimento” apresenta fotografias, relatos e memórias de b-boys e b-girls do ABC Paulista. Um mergulho na potência cultural, educativa e identitária do breaking, mostrando como a dança transforma ruas e praças em territórios de resistência, criação e pertencimento
Por trás das lentes está Laerte de Souza Rodrigues, conhecido como Sarará Rodrigues, videomaker e educador social que atua há mais de 15 anos em São Bernardo do Campo e região. Seu trabalho dedica-se a registrar a Cultura Hip-Hop e a criar pontes para a juventude periférica através de oficinas e projetos sociais.
Na exposição, cada imagem revela muito mais do que técnica apurada: elas transbordam a intensidade de quem veio das bordas da cidade para conquistar seu espaço com coragem e criatividade. As fotos formam um verdadeiro mosaico de trajetórias, unindo luta, arte e transformação social.
Como define o próprio artista: "Essa exposição é fruto de uma caminhada coletiva. Cada clique nasceu do convívio com b-boys, b-girls e comunidades que me ensinaram que a dança é resistência, memória e futuro. O que apresentamos aqui não são apenas fotografias, mas testemunhos vivos de uma cena que pulsa e transforma."
Seu trabalho foi amplamente reconhecido e exposto em locais como o Shopping Praça da Moça, SESC Santo André e Centro Cultural SP, sempre destacando a expressão e a energia dos dançarinos de breaking. Além disso, Sarará participou de diversos eventos de dança, incluindo Red Bull BC One, Juste Debout e Battle in Cypher, tanto como fotógrafo quanto como colaborador, documentando a essência das batalhas e performances.
Sua formação acadêmica inclui Educação Artística, Gestão de Projetos e Tecnólogo em Fotografia, complementada por cursos específicos em Fotografia e Artes Visuais. Sarará utiliza sua expertise para promover e educar sobre a cultura hip hop, inspirando novas gerações através de suas fotografias e projetos educativos.
Nascido nos subúrbios de Nova York na década de 1970, o Hip-Hop floresceu como uma cultura periférica de resistência, sustentada por quatro pilares fundamentais: o MC, o DJ, o Graffiti e o Breaking.
Ao chegar ao Brasil, encontrou em São Paulo e no Grande ABC um solo fértil. Aqui, o Breaking provou ser muito mais que movimento: tornou-se um "corpo que fala". Foi através dessa arte que jovens transformaram o asfalto em palco, desabafos em poesia e praças em salas de aula a céu aberto.
É para celebrar essa trajetória de luta e ensino que a Pinacoteca de São Bernardo do Campo acolhe a exposição “Breaking e suas Expressões: Corpos Periféricos em Movimento”, idealizada pelo fotógrafo Laerte de Souza Rodrigues (Sarará).
Muito além de registros técnicos, estas imagens são a prova viva da trajetória do breaking. Elas mostram uma linguagem artística que nasceu na periferia e cresceu conectada às lutas das populações marginalizadas. O acervo destaca o papel fundamental do Hip-Hop na construção da identidade e na transformação da realidade social
"As histórias aqui contadas são fragmentos de uma construção coletiva — e também profundamente pessoal. São lições aprendidas nos treinos comunitários, nos rachas de rua, nas rodas culturais. São expressões que formam um mosaico de luta, arte e transformação social.
Que este acervo inspire novas gerações a dançar, a resistir e a criar. Porque o Hip Hop, nascido da margem, é centro de potência. E esses corpos em movimento continuam escrevendo o futuro."
Willian Sousa Sena (UIU)
Curador
Serviço
Exposição Fotográfica: “Breaking e Suas Expressões: Corpos Periféricos em Movimento”
Pinacoteca de São Bernardo do Campo — Rua Kara, 105 – Jardim do Mar, SBC
Abertura: 16 de setembro de 2025, das 19h às 22h
Período de visitação: 16 de setembro a 14 de novembro de 2025
Entrada gratuita | Classificação livre