16 de setembro a 14 de novembro de 2025
Rua Kara, 105 - Jardim do Mar
Breaking e suas Expressões é uma exposição fotográfica que revela a potência de corpos periféricos em movimento. É um olhar sobre uma (contra)cultura construída historicamente a partir de questões sociais e coletivas de determinadas periferias. Ao mesmo tempo, também fala de lugares íntimos e particulares de meninos e meninas, tanto quanto de agentes realizadores desta chamada ‘cultura hip hop’.
Exposição de fotos do fotógrafo Sarara Rodrigues, apresentando corpos periféricos em movimento. Evento realizado pela Pinacoteca Municipal de São Bernardo do Campo.
Identidade e Cultura - 2025.3 - Prof. Dra. Ana Maria Dietrich
Localização e história do local
A Pinacoteca de São Bernardo do Campo é o maior espaço de exposição permanente de arte contemporânea da região do ABC, com quatro espaços expositivos, um jardim de esculturas, auditório, uma biblioteca de arte, quatro salas multiuso e um laboratório de fotografia.
Localizada no bairro Jardim do Mar, sua história começou com a criação por decreto-lei em 1975 e instalada desde 2008 na atual sede, possuindo um importante acervo que dispõe de mais de 1.500 obras de quinhentos e setenta e cinco artistas nacionais e internacionais, dentre eles, 220 artistas da região do Grande ABC e 152 artistas locais da cidade.
O bairro Jardim do Mar em São Bernardo do Campo surgiu como um bairro-jardim, parte do modelo de urbanização que integra natureza e cidade. Próximo ao centro, com crescimento mais intenso a partir dos anos 1960, foi impulsionado pela expansão industrial e o desenvolvimento da Via Anchieta, tornando-se uma área de classe média-alta com foco residencial, lazer (Parque da Criança) e boa infraestrutura, atraindo famílias e investimentos.
A Pinacoteca está voltada para o campo das artes visuais, com ênfase em seus aspectos contemporâneos, seja com exposições bidimensionais ou tridimensionais nas mais variadas técnicas como pinturas a óleo, acrílica e aquarela, fotografias, xilogravuras, litogravuras, esculturas nos mais diversos materiais, objetos, instalações, performances, etc. As exposições geralmente são de curta e média duração, organizadas a partir das obras do seu acervo e de produções e coleções privadas de artistas emergentes da cena contemporânea (mostras individuais e/ou coletivas).
A Pinacoteca também oferece cursos e workshops voltados às artes visuais. São cursos teóricos e práticos de curta e média duração que tem como principal objetivo proporcionar ao público o contato e o aprofundamento com as artes e as mais variadas técnicas.
O evento teve sua abertura no dia 16 de setembro e sua finalização no dia 14 de novembro. Estivemos presentes na Pinacoteca no dia 13 de novembro, quase ao fim da exposição. Com classificação etária livre, não haviam muitas pessoas no local além dos dois trabalhadores com os quais tivemos contato — um que ocupava a portaria e outra, analista de cultura, que estava em uma sala no interior do prédio. As vestimentas eram casuais, tanto dos funcionários do museu como as nossas, integrantes do grupo. Como a exposição no momento da visita só continha as nove pessoas da equipe, nos sentimos à vontade para ocupar o espaço e fazer perguntas a quem estava presente. O local estava limpo, iluminado e sem qualquer estímulo auditivo. Alguns funcionários haviam se retirado devido ao horário de almoço pela hora em que marcamos o encontro do grupo, por volta do 12:00. As fotos da exposição “Breaking e suas Expressões” encontravam-se dispostas ao longo de um grande corredor, repleto de luzes que refletiam sobre elas diretamente.
O “Breaking e suas Expressões: Corpos Periféricos em Movimento” se relaciona com Identidade e Cultura ao dar visibilidade e vivência artística às pessoas das periferias, principalmente jovens, negros e marginalizados. Através da fotografia, é revelada a força criativa da juventude periférica, reforçando o poder da arte como linguagem, expressão e pertencimento. Além disso, através da cultura Hip Hop e da fotografia experimental, promove o resgate da autoestima e a construção coletiva de identidade.
No Artigo “Cultura popular: as construções de um conceito na produção historiográfica” Petrônio Domingues defende que a cultura popular não é algo isolado e sempre igual, ela muda com o tempo, mistura influências e até se relaciona com a cultura erudita. Segundo o autor, o pensamento coletivo imagina a cultura popular como folclore ou tradições históricas do povo, porém essa visão é limitadora, pois além da cultura popular mudar com o tempo ela também influencia a elite, portanto, cultura popular e cultura erudita não são opostas.
A partir do artigo, a exposição “Breaking e suas expressões” pode ser entendida como um exemplo claro de cultura popular atual, o Breaking nasceu nas periferias, do convívio entre os jovens e da criatividade coletiva, cultura segundo o Domingues, produzida pelo povo e ligada à identidade. As fotos criam uma realidade que demonstra gestos, emoções e histórias da cultura de São Bernardo do Campo.
Em contramão, a exposição está localizada dentro de uma pinacoteca, recebendo apoio de políticas públicas de cultura. o que demonstra que a cultura popular também atinge espaços formais e é valorizada por instituições, confirmando a ideia de Domingues de que as barreiras entre popular e erudito são flexíveis. A amostra é popular mas agora está recebendo visibilidade num ambiente de exposições. Em resumo, a arte popular pode resistir ocupando novos espaços de reconhecimento.
Cada fotografia de Sarará, fruto do convívio com esses grupos, materializa conceitos estudados em sala: a formação de identidades pelo cotidiano, a dança como memória e futuro, e a potência das expressões culturais marginalizadas como formas legítimas de produzir sentido, reivindicar visibilidade e transformar realidades.
O objetivo pontual do trabalho é analisar o “Breaking” como uma manifestação cultural que liga temáticas como linguagem, identidade, arte e cultura. A partir da observação atenta durante a visita de campo, temos o intuito de compreender como essa exposição promove a expressão coletiva e individual por meio da dança e da fotografia.
A escolha do tema justifica-se pela sua grande relevância enquanto manifestação cultural, por ser uma exposição que oferece visibilidade aos corpos periféricos e ao Breakdance como arte. Por se tratar de um evento aberto e gratuito, essa se torna uma oportunidade de conhecer de forma acessível tal cultura, através da visualização ativa e das entrevistas — tanto com o idealizador do “Breaking”, como com seus organizadores. Por fim, a exposição apresenta ao público essa manifestação cultural, que através da arte, afirma a resistência social.
Acessibilidade dos preços
Totalmente gratuito. No local não foi necessário gasto adicional com estacionamento, por oferecerem tal serviço gratuitamente aos visitantes. A entrada é franca, assim como a visualização às exposições e aos eventos que ocorreram em promoção ao “Breaking e suas expressões”. Há água à disposição e banheiros equipados e adaptados.
Registros da nossa visita
Identidade e Cultura - 2025.3
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Identidade e Cultura - 2025.3 - Prof. Dra. Ana Maria Dietrich