APRESENTAÇÃO
Pe. Edivaldo Pereira dos Santos – São Miguel do Fidalgo - PI
A Fraternidade regada pela vida fraterna confirma o conselho evangélico e o ideal cristão de um só mestre, onde todos somos irmãos: “Quanto a vocês, nunca se deixem chamar mestre, pois um só é o Mestre de vocês, e todos vocês são irmãos” (Mt 23,8).
Como a vida fraterna é uma escolha que brota do coração filial, viver fraternalmente requer o exercício diário e permanente dos meios que favorecem a aproximação, a presença, o contato pessoal, a amizade, a partilha, a convivência... Trata-se não de atos isolados, eventos, atividades..., mas de atitude. Nesse sentido, seja nos grupos de Fraternidade, seja nos lugares de inserção, seja onde quer que nós estejamos, nós somos irmãos e irmãs; da mesma família humana; como irmãos universais.
Neste ano, além do Retiro Anual das Fraternidades que, aconteceu em Salvador – BA, damos graças a Deus pelo Mês de Nazaré que aconteceu na cidade de Goiás. Tudo o que foi possível recolher de conteúdo destes dois espaços de fraternidade, estamos pondo ao alcance de todos. Vale a pena ler cada página saboreando os dados históricos, as meditações dos orientadores, as reflexões e contribuições pessoais, como eco do que foi experimentado do contato com Deus e com os(as) irmãos(ãs).
Aqueles que fizeram o mês de Nazaré estão nos presenteando com o relato dos seus compromissos pessoais com a fraternidade. Vale a pena conferir, também, o relato de algumas vivências missionárias a partir das provocações dos meios fraternos e da vida fraterna.
A partilha de notícias, os convites, a agenda, as indicações de material para aprofundamento dos conteúdos pessoais são, também, uma dádiva deste boletim feito a partir dos inúmeros dons que brotam da nossa Fraternidade.
Que a leitura de tudo o que, aqui, está posto reforce nossos laços, compromissos, de vida e missão. O Senhor nos confiou os Mistérios do Reino para serem vivenciados, dia a dia, no chão da sagrada humanidade que, Ele mesmo plasmou com as mãos e consolidou com o seu Espírito, desde o primeiro sopro. Pertencemos uns aos outros. Nossa missão tem seu início e plenitude no cultivo de uns pelos outros. Continuemos colocando nossas vidas a serviço do Evangelho, em vista do Reino de Deus, com a força das relações fraternas.
Boa leitura para todos!
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1. Início (1951-1962)
Em 1951-1954 na França, com:
- Gabriel Isaac (1909-1999), o “aglutinador”.
- Pierre Cimetière (1896-1969), o “irmão velho”, o homem da paz, que sabe escutar e se corresponde com os padres de todos os continentes.
- Guy Riobé (1911-1978), o “profeta” e o missionário fora da França.
Além deles, há a contribuição de Charles de Provenchères, Arcebispo de Aix-in-Provence e René Voillaume (+ 2003).
1955: 1º Mês de Nazaré, em Boquen (França) e escolha de um responsável geral.
1962: 1ª Assembleia Internacional e 1º Mês de Nazaré Internacional em Taybeh (Terra Santa, Palestina): 50 pessoas, 18 países.
Mais ou menos 850 membros [3.700 em 2.000].
2. Lista dos 10 responsáveis gerais (1955-2014)
G. Riobé, francês 1955-1965; P. Loubier, francês, 1965-1970; P. Hünermann, alemão, 1970-76; J. Leclercq, canadense, 1976-1982; L. Lendradl, alemão vivendo no Brasil desde 1967,1982-1988; T. Philpot, inglês, 1988-1994; J. Murphy, irlandês, 1994-2000; M. Puga, chileno, 2000- 2006; A. Apolinário, da República Dominicana, 2006-2012; A. Sanz, espanhol, 2012-2018.
Obs: P. Cimetière, de fato, coordenou vários anos, antes de 1955, sem ter o título.
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3. Lista das Assembleias Gerais (10) Internacionais
Foram 4 na Europa; 2 na África; 2 na Ásia, 2 nas Américas: (Taybeh (1962) - Valmont I (França 1965) - Valmont II (França 1970); Montefiolo (Itália 1976) - Argel (Argélia 1982) - Santo Domingo (República Dominicana 1988) - Cebu (Filipinas 1994) - Cairo (Egito 2000) - São Paulo (Brasil 2006) - Paris (França 2012).
4. No Brasil
1952: Chegada as Irmãzinhas de Jesus que contagiam o ambiente. 1958: Viagem de G. Riobé (5 de julho a 8 de agosto).
Francisco Hélio Campos (1912-1975) de Fortaleza, é o primeiro ‘consagrado’ e se compromete oficialmente com a Fraternidade; Ruy Coutinho, de Belém do Pará, também, alguns dias depois.
1959: 1º retiro da Fraternidade no Ceará, em Pacatuba: + 60 padres, com René Voillaume destacando a pessoa de Jesus.
1962: 5 brasileiros em Taybeh (3 do Ceará e 2 do Pará). 1965: 1º mês de Nazaré no Brasil em Vinhedo-SP.
1977: Encontro histórico de Ubatuba-SP. A Fraternidade continua e sai da crise. Menos de 50 membros... (em 2000: + 170 membros, 25 fraternidades).
2006: 1º brasileiro na equipe de coordenação internacional (José Bizon; Maurício Jardim, em 2012, na nova equipe em Paris).
Lista dos 8 responsáveis nacionais, todos vivos:
Celso Pedro da Silva (65-73 + 2008-2012) - Roberto Delgado (1973-1974) - Gerardo Lima (1974-1980) - Güinther Lendbradl (1980-1982, tornou-se responsável geral) - José Bizon (1982-1986 + 2002-2008) - Edson Damian (1986-1996) - Jaime Jangmans (1996-2002) - Gildo N. Gomes (2012-2018).
O membro mais antigo: Celso Pedro da Silva, desde 1962.• 9 •
Ano
Retiro
Mês de Nazaré
01
1965
Vinhedo – SP
***
02
1970 ou 1971
Fátima – Jussara – MT
***
03
1974
Itaparica – BA
***
04
1975
Nova Iguaçu – RJ
***
05
1980
Rondonópolis – MT
***
06
1982
Ernesto Alves – RS
***
07
1983
Ubatuba – SP
***
08
1985
Esperantina – PI
***
09
1986
Paulo VI – São Paulo – SP
***
10
1987
Rondonópolis – MT
11
1988
Arrozal – RJ
12
1989
Jussara – MT
13
1990
Caxias do Sul – RS
14
1991
Mogi das Cruzes – SP
15
1992
Sorocaba – SP
***
16
1993
Curitiba – PR
***Tapera – PR
17
1994
Duque de Caxias – RJ
***
18
1995
Salvador – BA
***Alagoinhas – BA
19
1996
Belo Horizonte – MG
***
20
1997
Hidrolândia – GO
***
21
1998
Alagoinhas – BA (Taizé)
***
22
1999
Mogi das Cruzes – SP
23
2000
Goiás – GO
***
24
2001
Piumbi – MG
25
2002
Coronel Fabriciano – MG
***
26
2003
Salvador – BA
27
2004
São Paulo – SP
***
28
2005
Hidrolândia – GO
29
2006
Curitiba – PR
Goiás – GO
30
2007
João Pessoa – PB
31
2008
Hidrolândia – GO
32
2009
Brasília – DF
33
2010
Fortaleza – CE
Goiás – GO
34
2011
Caetés – MG
***
35
2012
Hidrolândia – GO
36
2013
Arrozal – RJ
37
2014
Salvador – BA
Goiás – GO
OBS: *** indica a realização do Mês de Nazaré. Se não há local mencionado, então o Mês se realizou no mesmo local do retiro. Geralmente, neste caso, o Mês de Nazaré se beneficiou do Retiro da Fraternidade.
CARTA DE SAUDAÇÃO DOS PARTICIPANTES DO MÊS DE NAZARÉ
Aos irmãos participantes do Retiro da Fraternidade
Sacerdotal Jesus + Caritas
Saudações em Jesus de Nazaré,
Os participantes do Mês de Nazaré, unidos por causa de Jesus e do Evangelho, saúdam os irmãos da fraternidade reunidos em Salvador BA para o Retiro Anual 2014.
Em espírito fraternal, acabamos a primeira parte do Mês de Nazaré, fazendo o retiro que vocês estão iniciando. Foi para nós uma graça muito grande continuar aprofundando a espiritualidade do Irmão Carlos, redescobrindo as exigências do Evangelho e reassumindo o compromisso com os mais pobres, nesta realidade do século XXI.
Hoje, como nunca, crescem os condenados a morte, através dos diversos tipos de violência, da banalização e comercialização do sexo, o tráfico humano, do uso e abuso dos diversos tipos de drogas ilícitas, etc. Que esses dias de fraternidade e intimidade com o Senhor nos ajudem a estarmos atentos a esta realidade, sendo, sobretudo, presença do Cristo pobre, perseguido, torturado e morto, mas que ressuscitou e vive no meio de nós.
Descubramos, em 2014, o que esse Cristo quer de nós, para assim, como o Irmão Carlos, sermos fiéis, assumindo as exigências da Cruz, sendo nesta realidade que nos interpela centelha de ressurreição, procurando tão somente fazer a vontade do Pai.
Na paz e fraternidade,
Mosteiro da Anunciação – Cidade de Goiás – GO
12 de janeiro de 2014
Seus irmãos participantes do Mês de Nazaré 2014.
• 11 •
O nosso retiro anual foi realizado em Salvador - BA, no Convento Dom Amando das Irmãs Missionárias Franciscanas da Imaculada Conceição, no Bairro Nova Brasília de 13 a 20.01.2014.
O local é simples e foi considerado muito positivo, pois permitiu uma boa participação de todos sem dispersão e contou com a boa acolhida e apoio da irmã Márcia encarregada da casa de encontros e das demais irmãs da comunidade que é sede da Província.
A avaliação final sugeriu diversos pontos que como coordenação veremos como acolher para melhorar sempre nosso encontro/retiro com a metodologia participativa que é o nosso costume.
As liturgias – oração da manhã, adoração, eucaristia foram consideradas como muito orantes, simples, criativas, equilibradas e bem preparadas por cada fraternidade responsável. O dia de deserto como sempre, muito positivo. As meditações foram ricas de testemunho missionário e nos convidavam a sair de nós mesmos. A confraternização foi momento muito oportuno de convivência em um local muito agradável. Os trabalhos foram assumidos por todos conforme a escala do dia para cada fraternidade.
A convivência como sempre foi muito fraterna e todos tiveram oportunidade de participar, colaborar, conviver e nos encontros por fraternidades possibilitou aprofundar o conhecimento de cada um. A presença das mulheres e do Sr bispo é sempre muito positiva. Destacou se o modo humilde de cada participante como irmão/ã de todos.
Éramos 47 pessoas – 33 padres, 1 bispo, 1 diácono permanente, 3 seminaristas, 1 leigo, 8 leigas (5 são ligadas à Fraternidade leiga). As inscrições foram feitas antecipadas e livremente e cada um assume as despesas com viagens e hospedagem.
Agradecemos ao Pe Camilo Pauletti, Diretor das POM, que orientou nosso retiro com meditação breve, testemunhal e provocadora a cada dia, propondo uma dinâmica que ajudou a todos incluindo os testemunhos missionários dos participantes.
Nosso retiro constou de diversas atividades/dinâmicas: oração da manhã, café, trabalhos manuais, Meditação com o pregador e meditação pessoal, cafezinho, adoração eucarística, almoço e descanso, revisão de vida em fraternidades, cafezinho, testemunhos missionários, eucaristia, jantar, apresentação de um assunto.
Toda a parte da manhã era de silêncio e recolhimento, às tardes e noites eram de partilhas.
Os trabalhos manuais, em escala diária, que realizamos por fraternidades foram: 1)lavar as louças, 2) limpeza e cuidado do refeitório, 3) limpeza e organização do salão de palestras e salas, 4) limpeza dos corredores e banheiros, 5)limpeza do pátio, 6)cuidado com a área da chácara, 7) cuidado com a capela e a 8) preparação das liturgias. Ainda cada um devia cuidar de lavar suas próprias roupas na lavanderia da casa e cuidar da limpeza de seu quarto.
Nos testemunhos missionários partilhamos experiências missionárias na Amazônia, na pastoral carcerária, em Moçambique e de padres que vieram como missionários ao Brasil. Tivemos também testemunho de um irmãozinho do Evangelho que mora em Salvador.
Em cada noite refletimos sobre um tema: 13º Intereclesial das CEB’s a partir dos membros que lá estiveram; Congresso Missionário Nacional com vídeos e testemunhos; Conjuntura eclesial e social; Vídeo de entrevista sobre Charles de Foucauld.
As fraternidades reunidas no sábado definiram o próximo retiro: 06 a 13.01.2015, em Florianópolis-SC e também o pregador que deverá enfocar a figura do Ir. Carlos como preparação para o centenário de Charles de Foucauld 01.12.2015 a 01.12.2016.
Esperamos que este retiro/encontro provoque um grande bem em cada participante que o leve a irradiar a vida cristã, inspirada em Jesus de Nazaré, único modelo, na busca do último lugar, no serviço a todos especialmente aos mais pobres, procurando viver a fraternidade com todos, sobretudo em seu ambiente, atraindo mais outras pessoas para esta espiritualidade que animou a vida do Ir. Carlos, impulsionando a missão que a Igreja recebeu de Deus na alegria da proximidade e do amor de nosso bom Deus e com o nosso Bem Amado irmão e Senhor Jesus Cristo.
No próximo ano todos são convidados a fortalecer nossos laços fraternos e nossa espiritualidade no retiro de janeiro de 2015. Ao longo do ano procuremos viver os meios da fraternidade – vida fraterna, adoração eucarística diária, meditação do evangelho, dia mensal de deserto, dia mensal de fraternidade, revisão de vida, meios simples, busca do último lugar, etc.
Ainda propomos que cada membro leia pelo menos um livro sobre Charles de Foucauld para crescermos no conhecimento deste irmão que nos inspira neste estilo de vida.
Além disso é bom para cada um de nós o cuidado com a saúde, com orientações seguras para que se possa viver de modo simples com qualidade de vida para que possamos estar em boas condições para a tarefa missionária que somos chamados a realizar em comunhão com toda a Igreja, especialmente com seu presbitério e seu bispo diocesano.
• 13 •
Que o Senhor Deus cumule de graças e saúde nosso querido Francisco, bispo de Roma, sucessor de Pedro, com quem Ele nos presenteou no último ano. Em comunhão com ele levemos adiante o projeto de Deus e o ajudemos neste grande empreendimento que devemos realizar pela obra de salvação.
Animados pela força e luz do Espírito Santo rezemos uns pelos outros e por todos para estarmos a serviço do bem comum. Apoiemo nos mutuamente como irmãos e filhos do mesmo Pai que está nos céus para que a missão seja assumida por todos.
Fraternalmente,
1 - O CAMINHO DA MISSÃO: Chamado – Resposta – Resistências – força do Senhor
O trabalho confiado a nossa missão, nos afadiga, nos deixa as vezes esgotados. Jesus em certos momentos, também percebe a situação de cansaço na caminhada com os seus, interrompe, para e recolhe os seus discípulos ao redor de si, diz: “vinde, a sós, para um lugar deserto, descansai um pouco” (Mc. 6,31). Nos faz lembrar nosso Irmão Carlos, quantas vezes cansado, esgotado, pelo trabalho, pelas caminhadas, pela dedicação e atenção aos pobres. Ele se recolhe com o Senhor, fica longas horas em silêncio. As vezes sentia falta de companhia, de ter alguém para poder compartilhar... São necessidades de todos nós.
O Senhor é que nos convoca, Ele nos convida, “vinde a sós...”; convida Pedro Tiago e João para subir o monte. Precisamos subir a montanha, descansar, recolher... ali o Senhor se manifesta. Mas não se pode ficar sempre na montanha. Pedro achou bom e queria fazer a tenda, morar, ficar ali... Porém o caminho a missão deve ser retomada, com mais coragem e com mais esperança.
Como é importante parar e escutar. Lembramos Salomão que pediu ao Senhor sabedoria:
“Dá-me ó Senhor, um coração que escute...”.
No meio de um mundo agitado, de tanto barulho, movimentos, luzes, flash, precisamos silenciar. No recolhimento, os apóstolos pedem a Jesus: “Mestre, ensina-nos a rezar”.
As vezes nós Presbíteros nos cansamos de ouvir. Nem sempre é fácil escutar, é uma atitude exigente.
Cada um de nós tem sua história de chamado!
No caminho do Chamado e da Missão, há alguns passos ou características comuns:
- Deus chama. No chamado, a iniciativa vem de Deus. Ele pode se utilizar de realidades, situações ou de pessoas.
- Deus espera uma resposta ao chamado. Nem sempre é imediata. - É comum ter resistências da pessoa diante do chamado. Nem sempre é fácil dar uma resposta positiva, há desculpas, ou tentativas de fugir a missão que Deus chama.
- A tranquilizadora confirmação de Deus. Ele nos faz entender que a missão é d’Ele e vai nos acompanhar. “Não tenha medo, eu estarei contigo...”
1 Rs 19,1-21 Situação de Elias
Elias é perseguido pelo rei Acab e a rainha Jezabel. Foge, vai ao deserto, há desânimo, angústia, ele deseja morrer. O anjo de Deus é enviado para socorrer, lhe dá o pão e a água para se abastecer: levanta te, coma e beba, ainda tens um longo caminho a percorrer...
No Monte Horeb, acontece o encontro com Deus. A experiência se dá não no terremoto, nem no fogo, nem no barulho, mas na brisa suave. – “O que fazes aqui Elias?” – “Estou cheio de ardor por ti”. – “Levanta-te, Elias, refaze os teus passos...”.
O deserto é lugar de renúncia, de abandono, de esvaziamento de si próprio. Também espaço de fazer contemplação, nos deixamos envolver pela força do Senhor, pela graça de Deus. Lugar de retomar as fontes de nossa vocação. Ali o alimento de Deus nos é dado: pão e água que vem do Senhor, são sinais da graça.
O encontro com o Senhor...
No caminho do deserto, pão e água, a palavra, a teofania, a missão, são igualmente dons e sinais da graça de Deus.
A gratuidade de Deus vem antes de todo o resto.
Para reler com riqueza nossa vocação é preciso deixar espaço a graça de Deus. O esvaziamento de nós mesmos e a abertura à gratuidade, são duas condições fundamentais no itinerário da nossa vocação. Deixar-se seguir, o êxodo para o seguimento...
Como resposta ao chamado de Deus, o que significa ser aberto à graça?
– Disponibilidade para acolher o outro.
– Capacidade de perceber os outros e de se maravilhar pelo bem que cresce ao redor de nós.
– Obediência criativa diante da missão recebida.
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– Atenção a dimensão contemplativa, oração-ação consagração a missão.
– Coragem de assumir, se deixar levar, confiar no Senhor. A missão sempre é de Deus.
Permanecer na presença de Deus como um pobre, como o publicano e não como o fariseu. O encontro com Deus exige um encontro novo com os irmãos: a vida nova é para a missão. Quem faz a experiência de Deus, não pode ficar parado, mas é provocado a ir, partilhar, testemunhar...
Jo 1,35-51 Outros nos ajudam apontar Jesus.
O caminho é, sempre, aberto; não devemos ficar fechados nos nossos projetos. Abrir-se à graça e à fidelidade de Cristo que sempre nos chama.
O que nos impede de ir, de ver e de morar com Ele?
– Como tem sido minha resposta ao chamado de Deus? – As tentações, os transtornos, as resistências, dúvidas e provações, de que forma tenho buscado superar?
– Como permito, Deus agir em mim?
2 - MISSÃO UNIVERSAL
Ao chamar os seus discípulos para o seguirem, Jesus lhes dá uma missão muito precisa: anunciar o Evangelho do Reino a todas as nações. (cf. Mt.28,19-20; Lc.24,46-48 e Mc.16,15).
O discipulado acontece na missão, os discípulos são chamados para a missão. A missão pressupõe o discipulado como testemunho fundamental.
Ide – fazei discípulos – batizando-os e ensinando-os.
Para Mateus, os cristãos encontram sua verdadeira identidade quando são envolvidos na missão. Na comunicação a outros de um novo estilo de vida e de uma nova interpretação da realidade e de Deus.
Condição para seguir Jesus, é tornar-se “pobre em espírito”: um humilde aprendiz que está sempre a caminho. Fazer-se pequeno para conquistar os pobres, eles nos ensinam e nos dão as grandes lições para a vida. Exemplo na historinha da mulher que oferece o ovo, do livro “Partilhas da África”, Ed. Paulus.
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O tema da “Fraternidade” exprime, claramente, a essência da missão em sentido universal. A missão propriamente dita, não se situa no âmbito da atividade, mas no espaço das relações.
O altar da fraternidade, é o lugar mais apropriado para celebrar a paternidade. Com a mesma intensidade de amor com o qual o Pai nos ama, somos chamados a amar-nos e a acolher-nos a partir de nossa pequenez de Filhos.
“A Igreja cresce, não por proselitismo mas por atração. Como Cristo atrai tudo para si, com a força do seu amor, a Igreja atrai quando vive em comunhão, pois os discípulos de Jesus serão reconhecidos se amarem uns aos outros como Ele nos amou”. DA 159.
Lembramos das comunidades cristãs em At. 2,42 que nos coloca os quatro pilares da comunidade: Escuta da Palavra, comunhão fraterna, partilha do pão e oração em comum.
“Missão é antes de mais nada, se despojar de tantos elementos que constituem a pureza de nossa identidade para nos aproximar dos outros. A resposta a seu chamado, exige entrar na dinâmica do Bom Samaritano (cf. Lc.10,29-37), que nos dá o imperativo de nos fazer próximos” (DA 135).
“A vida se acrescenta doando-a, e se enfraquece no isolamento e na comodidade. De fato, os que mais desfrutam da vida, são os que deixam a margem a segurança e se apaixonam pela missão de comunicar vida aos outros...
Aqui descobrimos outra profunda lei da realidade: que a vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros. Isto é definitivamente, a missão” (DA 360).
“Quem quiser ganhar a sua vida vai perdê-la, mas quem perder a sua vida por minha causa, vai ganhá-la”. O grão, a semente para dar frutos, precisa ser lançada a terra e morrer, assim vai dar vida nova.
“A missão do anúncio da boa nova de Jesus Cristo tem destinação universal. Seu mandato de caridade alcança todas as dimensões, todas as pessoas, todos os ambientes da convivência e todos os povos. Nada do humano pode lhe parecer estranho” (DA 380).
O Papa Francisco nos fala de uma forma muito clara como ele quer a Igreja:
– “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por sair às ruas, a uma Igreja preocupada por ser o centro, que termina fechada em um emaranhado de obsessões e procedimentos, doente pelo fechamento e comodidade de apegar-se às suas próprias seguranças”.
– “A Igreja deve chegar a todos, mas sobretudo aos pobres e aos doentes, aos que são marginalizados e esquecidos”.
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– “Uma excessiva centralização, mais do que ajudar, complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária”.
A missão é uma questão de coração, porém é importante usar a cabeça, as pernas e as mãos... Se colocar a serviço sem reservas. Como assumo a missão de Jesus Cristo no meu ministério?
3 - IGREJA MISSIONÁRIA
“A Igreja peregrina é por sua natureza missionária, porque tem sua origem na missão do Filho e do Espírito santo, segundo o desígnio do Pai” (AG 2).
Natureza quer dizer “essência”: a missão vem de Deus, porque Deus é amor.
A missão diz respeito ao que Deus “é” e não, primeiramente, ao que Deus faz.
“Missionária”, a Igreja não é mais aquela que envia, mas é a enviada. Ela é ao ser enviada.
Não é uma Igreja que tem uma missão, mas uma missão que tem uma Igreja. Assim, a essência missionária da Igreja diz respeito, também, ao Evangelho que vamos anunciar.
Esse anúncio pode-se resumir: Deus é Pai, nós somos seus filhos e filhas, irmãos e irmãs entre nós.
Deus revela em Jesus, seu rosto profundamente humano e, n’Ele, a humanidade se encontra plena, reunida numa só família. Deus é Pai de todos e os outros são nossos irmãos.
O anúncio da boa nova, leva continuamente a Igreja peregrina a desinstalar-se.
Se missão significa envio, todo o envio pressupõe um deslocamento e uma saída: nessa saída acontece a conversão. A missão consiste no seguinte: não podemos esperar que as pessoas venham a nós, precisamos sair ao encontro.
O Papa Francisco, em vários momentos, tem lembrado que a Igreja deve sair, ir às periferias onde estão os mais pobres.
Uma Igreja enviada é uma Igreja que está fora de casa, como companheira dos pobres e como hóspede na casa dos outros. A partir de uma única missão, temos três situações distintas: a pastoral, a nova evangelização, a missão ‘ad gentes’.
Olhando um pouco os números, temos no mundo em torno de 30% de cristãos, onde quase 70% não conhecem Jesus Cristo. Dos 30%, nós atingimos com nossa pastoral, em torno de 3%, são aqueles que vêm à missa, colaboram com dízimo ou nas festas e ofertas; de alguma forma participam.
Os 27% restantes, são batizados mas não seguem, não tem frequência na Igreja, não são evangelizados e precisam de uma nova evangelização. E a outra parte maior, a Boa Nova ainda não chegou.
Estas três situações encontram inspiração em três metáforas evangélicas: o pastor, o semeador e o pescador.
O Pastor anda com suas ovelhas, conhece cada uma. Quando uma delas se extraviar, ele a procura até achá-la e traz de novo para seu curral.
O Semeador prepara o terreno, o campo onde vai semear a semente. Quando chega no tempo propício, põem a semente na terra, mas precisa confiar que o Senhor envie a chuva, o sol para que ela possa crescer e produzir fruto. Não depende só do seu trabalho.
O Pescador apanha suas redes, o barco e todo material de pesca. Se lança ao mar, às águas mais profundas. Sabe do perigo, do vento, toda a insegurança... não sabe se vai dar resultados e nem se voltará vivo, mas vai... Enfrenta o grande desafio.
Há uma progressão de espaços entre o curral, o campo e o alto mar. Quanto maior o âmbito, maior a insegurança e o desafio. Uma Igreja local não pode perder de vista nenhuma das três situações, que se implicam necessariamente uma com a outra. Três caminhos de Aparecida:
Paróquia missionária
A Paróquia na sua origem, não nasceu para ser missionária. A renovação será possível se não começar pelas estruturas mas pelas pessoas. Normalmente a Paróquia se preocupa com os seus. O padre atende quem é do seu território, o catequista com seus catequizandos. Assim o Pastor cuida das suas ovelhas.
Missão continental
Um projeto de uma nova evangelização que se transformou num projeto de animação missionária, para colocar a Igreja em estado permanente de missão. Tantos que se dizem cristãos mas vivem aí, sem envolvimento, sem compromisso evangélico, não participam e nem são atingidos pela nossa Igreja.
Missão Ad Gentes
A partir de nossa pobreza, nas frentes geográficas, social e cultural, mas necessariamente ad extra, para não correr o risco de perder todo o sentido da missão. Deve ser nosso desafio e preocupação com todo o mundo. Não podemos ficar sossegados se tantos ainda não ouviram falar de Jesus. A Ásia, com toda sua população, África com sua pobreza e todos os âmbitos e recantos da terra, merecem nossa atenção. Jesus envia os seus discípulos a todas nações do mundo... Assim como se faz com o dízimo nas comunidades, nossas Dioceses também deveriam dar
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o dízimo, 10% dos seus padres a missão ad gentes. Mas como é difícil compreender e ser solidário com a missão universal, essência de nossa Igreja.
Nós como Igreja e como agentes missionários, quem atingimos? Quais são as nossas preocupações, onde nos situamos nos três âmbitos?
Pastor, Semeador e Pescador.
Vamos retomar os textos e meditar...
4 - TESTEMUNHO – FIDELIDADE – COERÊNCIA
“O testemunho dado com a vida qualifica o Presbítero, e constitui a mais convincente pregação” (Diretório para a vida e o ministério dos Presbíteros).
Lembremo-nos que o Irmão Carlos acentua a importância de gritar o Evangelho com a vida.
A minha vida prega a Palavra?
Quando anuncio a Palavra, é o espírito que fala em mim? Que lugar ocupa a palavra de Deus em minha vida?
Ela é minha escola ou procuro outros mestres?
Em Mt 7,24-27 nos fala das duas casas, uma construída sobre areia e outra construída sobre a rocha, uma permanece firme e outra é levada pelo vento e chuva.
A minha vida está fundada sobre o quê? Qual é o projeto de minha existência?
Como anda minha coerência, naquilo que falo e vivo?
O que é areia na minha vida?
O que é rocha firme, o que é bonito na minha vida?
“Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor entrará no Reino dos Céus, mas o que põem em prática a palavra de Deus”. Assistimos a muitas gritarias, falações, aparências e pouco testemunho.
O Papa Francisco nos fala: “Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa se – se for necessário – até a humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Quem toca no pobre, no doente, no aflito, toca a carne de Cristo. Jesus se fez carne no pobre. Os evangelizadores contraem assim o ‘cheiro das ovelhas’, e estas escutam a sua voz.”
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Coerência e fidelidade não são virtudes que estejam na moda. As vezes parecemos ou nos assemelhamos à pequena mula, que narra uma famosa historinha: “Ao longo do caminho, uma pequena mula deparou se com uma convidativa quantidade de capim fresco e perfumado. Consumiu boa parte e retomou o seu caminho. Depois de certo tempo, foi alcançada novamente pela fragrância do capim. Então, pôs-se a procurá-lo. Foi para a direita, girou para a esquerda; para frente e para trás. E não encontrou. O perfume permaneceu. E aos poucos se tornou verdadeiramente irresistível... E a mula caminhou, caminhou por montes e planícies dois dias e duas noites, sem jamais parar. Finalmente, no terceiro dia, a pobre mula desabou por terra exausta, com as patas sangrando, moribunda... Reclinando a cabeça, ficou sabendo... Infelizmente, já era tarde... Um tufo verde do capim estava empilhado nas costas; tinha permanecido próximo do coração.”
Pode acontecer algo parecido conosco?
Procuramos, procuramos algo que está muito perto, fácil de se alcançar... Mas não é a moda, não é aquilo que dá destaque, nem dá ibope. Assim andamos correndo por aí...
As obras de minha vida são coerentes com as palavras de Jesus nas quais acredito?
Quais são as minhas incoerências? Quais os pontos duvidosos que freiam a resposta ao chamado de Deus?
“De que serve ganhar o mundo interior, se depois perco a própria vida?”
Todo chamado e toda a resposta, são para a missão. Para compreender bem o âmbito da missão, passa-se pela cruz – calvário. Maria vai entender melhor sua missão aos pés da cruz, a extrema partilha do seu filho ao mundo.
Não é suficiente falar do Evangelho; é preciso vivê-lo. Não é suficiente falar de Jesus como Cristo e Messias; é preciso acompanhá-lo no caminho da cruz; não basta falar de comunidade evangélica; é preciso fazer comunidade...
Como entendemos o sacrifício, a entrega, a cruz?
Exemplo de vida e santidade de São João Maria Vianney. Teve muitas dificuldades com os estudos, ficou só dois anos na formação no seminário, foi expulso porque era considerado inapto. Era tímido, desajeitado não conseguia aprender o latim. Mas o Pe. Charles Balley, pároco de Ecully, culto e piedoso, percebeu nele, sinais de uma verdadeira vocação. Se dispôs a ensiná-lo com paciência na sua casa paroquial. Vianney aprendeu com muito custo. Foi ordenado e ali com seu mestre, exerceu os seus 3 primeiros anos de ministério. Dedicava-se as pessoas, de forma exemplar. Depois foi nomeado a difícil Paróquia de Ars. No começo ninguém acreditava nele, mas em pouco tempo, converteu as
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pessoas e o lugar passou a ser uma referência de fé, respeito e dignidade. Perguntavam ao padre cura d’Ars, como ele conseguiu, qual o método usado? Ele dizia: oração e penitência. “Na confissão dou aos pecadores uma pequena penitência, o resto, faço eu por eles”. Outros padres se lamentavam e ele dizia: “Vós só pregastes e rezastes, não jejuastes e não dormiste no chão...”
No começo, São João Maria Vianney, visitava as famílias, cuidava da liturgia, organizava as associações com a instituição das confrarias, pregava com fervor, solicitava a colaboração dos fiéis, mas sobretudo ajoelhava-se muitas vezes diante do Senhor. Enquanto atraía as bênçãos sobre os fiéis, oferecia a Deus com piedade e tocava o coração das pessoas. Quando foi lhe dado um vigário paroquial, Pe. Raymon, este o fez sofrer, falava mal, aparecia e assinava como se ele fosse o cura D’Ars. Mas Pe. Vianney suportava, não denunciou e nem pediu para que fosse transferido. No fim o bem vence o mal e o vigário foi pedir perdão, reconheceu a santidade do seu pároco.
Como nós agimos na pastoral, o que fazemos toca o coração das pessoas?
Como falamos dos colegas, como suportamos?
Como é nosso testemunho, nossa coerência e fidelidade?
5 - CARACTERÍSTICAS E PERFIL DO MISSIONÁRIO
– Manifesta-se humano e opta pelos mais pobres.
– Tem consciência crítica.
– Tem convicção, confia e empolga no que acredita.
– Sente-se amado por Deus e ama as pessoas.
– Estuda, lê, vive o processo formativo permanente.
– Tem o Reino de Deus como centro e é alimentado pela Palavra de Deus e pela Eucaristia.
– Semeia e cultiva a esperança.
– É contemplativo, alimenta a Fé com a oração pessoal e comunitária.
– Sabe escutar e silenciar.
– Vive em sintonia com a natureza.
– Enfrenta os desafios, cultiva a paciência.
– Manifesta a compaixão e ternura com os outros.
– Vive a gratuidade, sabe agradecer o tanto que recebe. – Não tem medo da perseguição, entrega sua vida à missão. – É criativo e dinâmico, usa os dons que Deus lhe deu para o bem.
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– Vive em comunhão fraterna com os outros.
– Pratica o diálogo e a escuta.
– Não é dono e nem centraliza sobre si, consegue trabalhar em equipe.
– Sabe dar lugar ao Espírito Santo, protagonista da missão. – Vive e manifesta alegria, ânimo e ardor na missão.
– É hospitaleiro e acolhedor.
– Solidário e companheiro dos outros.
– Vive a caridade sincera.
– É cordial e manifesta o amor fraterno.
– É zeloso, cuidador das coisas.
– Perdoa, vive a misericórdia e a reconciliação.
– Sabe valorizar os pequenos gestos e incentivar os outros. – Usa o poder como serviço.
– É prudente e modesto.
– Desapegado das coisas, vive somente com o necessário. – É testemunha de Jesus Cristo, transmite experiência positiva. – Não é arrogante e nem ganancioso, vive com simplicidade. – Sabe descer, se faz pequeno para conquistar.
– É amigo fiel.
– É irmão, solidário e igual, não maior que os outros
6 - MISSÃO É PARTIR
(Dom Hélder Câmara – 1909 – 1990)
Missão é partir, caminhar, deixar tudo,
sair de si, quebrar a crosta do egoísmo
que nos fecha no nosso eu.
É parar de dar voltas ao redor de nós mesmos
como se fôssemos o centro
do mundo e da vida.
É não se deixar bloquear nos problemas
do pequeno mundo a que pertencemos:
A humanidade é muito maior!
Missão é sempre partir
mas não devorar quilômetros.
É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos,
descobri-los e encontrá-los.
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E, se para encontrá-los e amá-los,
é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus,
então missão é partir até os confins do mundo!
A vivência do retiro permite, sempre, a partilha de algumas descobertas pessoais transformadas em texto. Aqui, algumas contribuições dos irmãos.
Sou o Pe. Crisanto, da diocese de Mossoró/RN, tenho seis anos de ordenado. Ano passado, Dom Edson pregou o retiro para o nosso clero e conversando com ele falei da minha inquietação espiritual, foi quando o mesmo me fez o convite para participar do retiro em 2014, o que aceitei com muita alegria.
Participar do retiro da Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas, foi uma experiência muito forte, senti-me acolhido, parecia até que eu já era conhecido, gostei da discrição com a qual o Ir. Carlos é apresentado, da simplicidade e naturalidade com que tudo era conduzido, da análise de conjuntura, para mim foi um diferencial, um retiro com espaço para nos inteirarmos da situação sócio-econômica e eclesial, senti também grande alegria em ouvir os relatos dos que atuaram como missionários tanto na Amazônia como na África, bem como dos que vieram de outros países para o nosso Brasil. Deus seja louvado por tantas coisas bonitas que só podem vir do seu infinito amor para conosco.
Fraternalmente,
Pe. Francisco Crisanto Borges de Araújo
Tive a alegria de participar do retiro da Fraternidade. Foi um tempo privilegiado para encontrar os irmãos, renovar e fortalecer nossa vida de padres diocesanos no seguimento e discipulado de Jesus: reunidos “por causa de Jesus e do Evangelho”. Aprendemos sempre na escola do nosso Ir Carlos de Foucauld, já pertencendo ao “time dos anciãos”, me alegrei de encontrar gente nova, disposta a servir e amar a partir do “último lugar”, ajudando nossas comunidades e Igreja a continuar na “opção profética pelos pobres”, caminho certo da “nova evangelização”. Obrigado pela ajuda dos irmãos/ãs por me ajudar a manter o pé e a alma no caminho de “Jesus de Nazaré”
Pe. Tiago Hahusseau (Roraima)
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O Retiro anual da Fraternidade é sempre um tempo de graça para mim. Estar nestes dias de encontro com os irmãos da mesma caminhada com tempo próprio de oração, adoração, reconciliação, eucaristia, meditação, revisão de vida, deserto, trabalhos manuais é uma oportunidade que revigora minha vida. É um tempo que aguardo com alegria cada ano. A convivência em ‘fraternidades’ dá o tom dos nossos retiros criando laços entre nós sendo um bom diferencial para nossa vida de presbíteros.
As meditações deste ano em torno das missões nos ajudaram a assumir ainda mais o compromisso missionário que a Igreja recebe do Senhor. No decorrer do ano vamos deixando as vozes do retiro ecoar em nossa vida e ministério em nossas Igrejas diocesanas para fecundar e fortalecer nossa caminhada.
Pe. Gildo – Quatis - RJ
O testemunho de Charles de Foucauld faculta a lição de que, a sinceridade para conosco e com nossa vocação, consiste em agirmos em conformidade com o projeto de Deus para nossa vida: aí cabe um olhar de sabedoria, alimentado pela fé. Como cristãos, devemos a partir do nosso modo singular de vida, permitir com que os traços de Deus se atualizem em nossa personalidade.
Seminarista Edimar Blaskowski – Florianópolis - SC
Pela primeira vez em minha vida ouso sair do esquema (deveríamos estar no Convento Dom Amando, dia de deserto), mas como conheci Pe Antônio de Oliveira, daqui de Salvador, que inseriu-se “forçosamente” (para completar o grupo 4, formado de mulheres), tivemos a oportunidade de conhecer a experiência de Pe João, da Fraternidade de Foucauld e Henrique, arquiteto, monge que entrou com o povo na igreja abandonada... a Igreja da Trindade ( onde ia o padre toda 5ª feira fazer retiro e, às 18h30, celebrava com o povo de rua, quando fez oitenta anos foi morar lá... ) Foi gratificante tê-lo em nosso grupo, Pe. Oliveira!!!!
Sentia em meu coração, o desejo de conhecer essa obra que vem “pescando” homens e mulheres que vivem na rua, jogados a própria sorte, pobres que não conhecem outra realidade a não ser o sofrimento, a exploração e principalmente os pobres, por não conhecerem Cristo.
Quando chegamos à igreja, hoje transformada em abrigo, ouvimos José Elias, um dos recuperandos que nos apresentou a Obra em suas atividades, com uma alegria ímpar! Ele contou-nos como foi acolhido, gesto que fez com que acordasse e desse o primeiro passo, para estar sóbrio naquela noite e para lá voltar, o que se repete há oito anos...
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Depois dos ruídos do exterior... nosso coração se aquieta, o silêncio faz-se fecundo... e o nosso interior pode contemplar Deus, em cada olhar, em cada coisa criada... Ao longe, o cais... o mar... e o céu... Deus, amor infinito, deixa-se vislumbrar nas flores, suas cores, formas e perfumes.. o caminhar das formigas... no belo feito por homens e mulheres que expressam seus sentimentos, suas experiências, sua arte em inúmeros objetos, que como eles, foram transformados e atraem nossa atenção.
Vi sementes de vida nessas vidas, lembrando-nos que o verdadeiro amor não é sentimento, é serviço. É postura de vida e atitude constante de doação, dirigido a todos, sem fazer distinções, totalmente gratuito, por isso é portador de verdade e justiça.
Elias faz-nos crer ainda mais que a esperança no homem não pode se apagar, que somos responsáveis para alimentar essa chama! Nossos dons são tesouros que não podem ficar escondidos...
Ver Jesus no outro é um ensinamento do Evangelho que modifica todas as nossas estruturas, todos os preconceitos...”Eu tive fome e me destes de comer, tive sede...” Amar Jesus no outro é dar vida à Palavra e só assim podemos ser pequenas chamas a incendiar o nosso redor, de amor que se faz concreto, visível, palpável. O mundo está sedento de testemunhos, só eles geram conversão e discipulado!
“Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens” Mt 4,19. Promessa que leva seus seguidores a extrair o melhor e mais original em cada ser, a ativar as potencialidades latentes no interior de cada um porque Ele nos amou primeiro e é Ele quem faz tudo!
Juiz de Fora, 24/01/2014.
Maria Célia Sigiliano (Em estado de graça depois do retiro!!!!...)
Sacramento vivo da espiritualidade de Charles de Foucuald Dom Edson Damian – São Gabriel da Cachoeira
Durante o retiro da Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas, em Salvador, tivemos a graça da visita e de poder escutar o testemunho do Irz João Cara.
Veio ao Brasil em 1965 como padre diocesano Fidei Donum para ser missionário na Diocese de Viana, no Maranhão. Em 1975 decidiu
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ingressar na Fraternidade dos Irmãzinhos do Evangelho. Fez o noviciado na Argentina durante a repressão da ditadura militar. Vários membros da Fraternidade foram perseguidos, presos, torturados. Irmãozinho Maurício Silva, varredor de rua, foi sequestrado e nunca mais encontrado. Talvez estava entre os milhares que foram levados de avião e jogados em alto mar.
João ajudou a formar a Fraternidade na região suburbana de Salvador da Bahia, na Praia Grande. Trabalhou vários anos nos serviços gerais de um hospital. Em 1981 acolheu e orientou os padres Antonio Reges Brasil e Edson Damian e o Theófilo Galvão, recém formado em engenharia civil. Iluminados pelo testemunho do Irz Maurício, os três decidiram trabalhar como garis, varredores de rua da Limpurb, empresa encarregada da limpeza urbana de Salvador.
Com a morte repentina do Irz Marcelo e a desistência de outros, João, já aposentado, continuou sozinho no mesmo bairro durante vários anos. Em 2002 começou a frequentar, às quintas-feiras, a comunidade da Igreja da Trindade, formada pelos moradores de rua e coordenada pelo Ir. Henrique. Ocuparam uma igreja abandonada, na Baixa do Sapateiro. Em 2002 quando completou 80 anos, o membro mais antigo lhe disse: “João é tempo do senhor vir morar conosco”. Consultou o conselho geral da Fraternidade e ficou feliz com a resposta: “Você não vai ingressar sozinho! Todos os Irmãozinhos do Evangelho irão junto com você”.
Na véspera de Natal de 2011, pelas 22h foi assaltado e espancado. Ficou com o rosto destruído. Foi socorrido apenas pelas 04h da manhã. Foi dolorosa e lenta a sua recuperação. Passou vários meses na Itália. Todos imaginavam que não regressaria mais ao Brasil. Apesar de várias sequelas, voltou e prossegue na Comunidade dos moradores de rua. Contou-nos que um dos membros, apelidado de Analfa Poeta, uma semana antes de morrer, disse: “Ainda tem gente que não acredita em milagre”. E apontando para cada membro da comunidade declarou: “O milagre somos nós quando transformamos a cachaça em leite e a droga em pão. Nós somos o milagre de Deus”.
Fiel discípulo missionário de Jesus, há muito tempo, João vive o que nos pede hoje também o amado papa Francisco: “Desejo uma Igreja pobre para os pobres. Eles têm muito para nos ensinar. Além de participar do sensus fidei, nas suas próprias dores conhecem Cristo sofredor. É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles. A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas,
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e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhe a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através dele” (EG 198).
Na hora de falar sobre o carisma dos Irmãozinhos do Evangelho, João tirou de sua pasta uma folha surrada, escrita a mão. Leu com emoção e voz pausada. E concluiu: “Este testemunho foi escrito pelo Reges, Edson e Theófilo depois de um ano de trabalho como varredores de rua”. Dom Edson, também emocionado, reconheceu o texto escrito no final de 1981. Segue a íntegra deste testemunho.
IRMÃOS DO EVANGELHO – FRATERNIDADES CARLOS FOUCAULD PRAIA GRANDE – PARÓQUIA DE PLATAFORMA
Queríamos antes de tudo manifestar que os irmãos de Jesus ou do Evangelho de Carlos de Foucauld, estão reunidos em pequenas comunidades, chamadas fraternidades. Estas fraternidades existem e tem sentido somente desde que estejam inseridos nos meios populares.
Todos os irmãos temos que tentar o caminho da encarnação, mais que de simples inserção, na realidade dos pobres. Por isso: “Como Jesus, pobre e trabalhador de Nazaré, ganhamos habitualmente nossa vida mediante o trabalho normal. Graças à condição deste tipo de trabalho e da vivência no meio popular, com todas as penas e dificuldades que implica, comungamos com a mentalidade, as aspirações e as justas reivindicações das populações pobres (...). O amor implica semelhança – Despojando-nos de nós mesmos, imitando Cristo que se fez escravo para casar-se com a nossa condição de homens, fazemos todo o possível para penetrar na vida de nossos amigos” (das nossas constituições).
É claro, então, que a congregação, os irmãos concretamente, serão todos atentos e vigilantes para que em cada fraternidade se procure ser fiel a este carisma do irmão Carlos – Não será então preocupação de um grupinho de irmãos que faz uma experiência de inserção, mas a realidade de vida de todos, a partir do evangelho e do carisma particular. Era o irmão Carlos de Foucauld que dizia: “Deus nos recomenda seus filhos pobres... sejamos os pais, os irmãos, os filhos desses desditosos; sejamos seu consolo, seu refúgio, seu asilo, sua morada, sua casa paterna. Assim seremos os pais, os irmãos, os filhos de Jesus... Amemos os ricos porque são filhos de Deus, mas não nos ocupemos com eles... ocupemo-
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nos com os pobres, porque necessitam de tudo e porque Jesus os entregou a nós... como se fossem Ele próprio”.
Mas sendo que o Pai se manifesta e se revela aos pequeninos, a caminhada com o povo nos leva a uma releitura do carisma concretizado aqui na América Latina – Temos que encarnar-nos na história do povo em cada continente e em cada país, nas realidades e formas diferentes. Serão então os pequenos do Brasil, concretamente de Salvador, a fazer-nos entender, em todas as consequências, a frase da Conferência dos Bispos do Brasil em Puebla: A Igreja condena aqueles que tendem a reduzir o espaço da fé à vida pessoal e familiar, excluindo a ordem profissional, econômica, social e política, como se o pecado, o amor, a oração e o perdão não tivessem aí relevância (DP 515).
A inserção ou encarnação no meio do povo não pode, então, ser uma tática de evangelização, uma etapa ou uma experiência, mas o fruto do amor. É antes um espírito que impregna nossa maneira de evangelizar. “Compartilhar a vida dos pobres, imitando a Jesus de Nazaré e por sua causa, é já evangelizar: é proclamar silenciosamente, mas com força a Boa Nova” (Paulo VI).
“Vocês vivem verdadeiramente o que anunciam?”
Pregam verdadeiramente o que vivem? (Paulo VI)• 29
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CARTA DE SAUDAÇÃO DOS PARTICIPANTES DO RETIRO ANUAL
Aos participantes do Mês de Nazaré.
Nós, 48 participantes do Retiro Anual da Fraternidade Sacerdotal Jesus + Caritas queremos saudá-los em Cristo, nosso bem amado do Senhor.
O retiro nos está impulsionando com o tema da missionariedade, na esperança de ser retomado o dom do Concílio Vaticano II, sob a orientação de Francisco, Bispo de Roma.
Se quisermos saber como deveria ser a água de um rio, é necessário subir até sua primeira nascente, onde a água ainda não está poluída. Daí a importância de contemplar Jesus em Nazaré, onde Deus mostra que divino, mesmo, é o humano.
Um grande abraço,
Salvador, 17 de janeiro de 2014.
(seguem assinaturas em anexo)
Pe. José de Anchieta e Pe. Antônio Lopes –
Responsáveis pelo Mês de Nazaré.
Nos dias 03 a 26 de janeiro no Mosteiro da Anunciação do Senhor, na cidade de Goiás GO, realizou-se o tão esperado Mês de Nazaré, como uma oportunidade de “experimentar de forma intensa e comunitária o que a Fraternidade se propõe.”
Tivemos a participação de doze (12) padres, um diácono, um seminarista e um leigo.
Tivemos como orientador do Retiro: Dom Eugênio Rixen. Bispo da diocese de Goiás, que nos acolheu de braços abertos. O livro referencial para os retirantes foi: “15 dias de oração com Charles de Foucauld” de Michel Lafon, das Ed. Paulinas, doado pelo pregador.
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O Mês de Nazaré é um retiro e exercícios espirituais da Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas - espiritualidade foucauldiana. Missa todos os dias, oração da manhã, oração do meio dia, oração da tarde e a noite revisão de vida, dia de deserto, leitura da Bíblia, adoração, vigília, confissão e trabalhos manuais.
Foi uma ótima ocasião para que cada um pudesse reabastecer com testemunhos, momentos de silêncio, oração, adoração, vigília, trabalho comunitário e convivência fraterna.
Agradeço, de coração, a presença de cada um, mas quero recordar de modo especial de D. Eugênio Rixen que, com naturalidade e profundidade, muito nos ajudou nas reflexões do retiro. Sua vida de simplicidade, como a do Papa Francisco, nos estimula a sermos bons seguidores de Jesus de Nazaré.
As Irmãzinhas: Edejanira e Dulcita, durante uma semana muito acrescentaram com textos e o testemunho de consagradas que vivem inseridas no meio do povo. Destacamos a experiência de deserto vivida por Dulcita, morando dois (2) anos no Saara na mesma região em que Ir. Carlos viveu.
O Pe. Gildo passou três (3) dias conosco, o que nos ajudou a aprofundar os caminhos da Fraternidade hoje, além de sua articulação e organização.
Pe. Antônio Lopes, como colaborador, também esteve na última semana.
Por último Pe. Jaime que deixou o interior da Bahia para brindar nos com muitos aspectos históricos da Fraternidade, o que para muitos já esquecidos, que publicaremos neste boletim. Ele apresentou algumas correções de nosso estatuto, bem como de acréscimos já publicados em Francês que as irmãzinhas de Belo Horizonte traduziram com muito interesse.
Foi muito agradável o ambiente do mosteiro e a acolhida do Ir. Marcelo que fez a ponte com a comunidade e as necessidades que alguém tinha, com muito boa vontade.
Com certeza cada um de nós, os quinze (15) participantes, saímos muito fortalecidos dessa experiência inesquecível em nossas vidas, quando no final do mês cada um fez o seu “engajamento” com a Fraternidade de forma livre e espontânea. Nesta oportunidade, nos comprometemos em crescer neste caminho de espiritualidade, imitando o Ir. Carlos no seguimento à Jesus de Nazaré.
Que o Senhor da Vida nos ajude a vivermos cada vez mais no dia a dia de nossas fraternidades tudo que aprendemos juntos para sempre “Gritar o Evangelho com a Vida”!
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1 - DESERTO: EXPERIÊNCIA DE DEUS
Com a orientação das Irmãzinhas Dulcita e Edejanira
INTRODUÇÃO
Peço licença para entrar nesse tema, pois muitos acabam de fazer um retiro: deserto, silêncio etc... No entanto pareceu-me bem começar com isso.
1 - Um clima de escuta, silêncio ajuda bastante e predispõe o coração a acolher esse tempo de graça que é o mês de Nazaré.
2 - Achei que era bom partilhar com vocês esses textos que recebemos.
3 - Ainda acrescentaria um terceiro: os padres diocesanos têm uma vida muito cheia e corrida, então... nunca é demais falar de deserto.
3.1. - Descalça-te: Ex 3,1-6
- É importante “tirar as sandálias” para encontrar a Deus. - Compreender Deus do “interior”: Deus não é um problema a resolver, mas um mistério a descobrir, não se apreende.
3.2. - É Deus que toma a iniciativa do encontro, do chamado. - A nós, cabe dizer: “Aqui estou”.
- Descalçar-se, largar as seguranças.
- Deus se revela num diálogo de liberdade e adoração.
3.3. - Invocar Deus como pessoa livre.
- Primeiro gesto: baixar as mãos / descalçar-se.
- O verdadeiro encontro se dá no movimento de recuo, de humildade. Apagar-se.
3.4. - Deus não é um país a conquistar.
- Deus é Terra Santa onde pisamos com os pés descalços. - Deus se revela como algo que não podemos captar ou reter. É como um fogo.
3.5. - Atitudes na oração.
- Estar aí: pobre, nu, sem nada dizer, apenas oferecer-se.• 32 •
2 - SEGUIMENTO DE JESUS: MODELO ÚNICO (Gn 1,26-31) 1 - Deus criou o homem à sua imagem.
- O que quer dizer? Essa palavra celebra a ideia de imagem. Ser imagem é algo profundamente inscrito em nós.
Nós, seres humanos, gostamos de imagens. Elas tornam a coisa presente. Pensemos na importância que damos às fotos. Gostamos de imagens porque somos imagem. A obra se parece com o/a autor/a, com aquele/a que a fez.
- Ser imagem de Deus está ligado à autoridade. Assim como Deus reina sobre o caos fazendo surgir a vida e a luz, assim também a vocação do ser humano é dominar o mundo criado por Deus, principalmente sobre os animais (Gn. 1,26-31).
Essa expressão se repete antes e depois de ter sido criado o homem. Essa repetição na Bíblia mostra a importância (Salmo 8,7-9). O homem é colocado para velar pelo desabrochamento da criação (Gn 1,29-31).
Cada um/a de nós tem um universo sobre o qual deve reinar. Primeiro sobre si mesmo. Sou responsável da atmosfera do meu entorno.
2 - O que aconteceu com essa imagem? (Gn 3,1-13).
- A serpente aproveita a ausência de Deus para “desfigurar” sua imagem. Antes, um Deus que cuida e está a serviço da vida. Ela insinua que Deus é autoritário e usa a autoridade para esmagar (Gn 1,8). Sugere que Deus é mentiroso (Gn 1,4). Que Deus é ciumento (Gn 1,5). Não quer concorrente.
- A serpente convence Adão e Eva a rejeitarem essa “imagem” e desejarem ser “como Deus”. Não mais uma imagem, mas o original. Gn 1,6b - Comeram o fruto, quer dizer engoliram uma ideia falsa de Deus. Consequência: tiveram medo, se esconderam desse Deus mau e ciumento. Como mudar essa falsa imagem de Deus que foi introjetada? Gn 3,21- Saíram vestidos com pele de animal. Quer dizer se animalizaram. Tornaram-se a imagem desse Deus que a serpente os desenhou.
Perdemos a imagem de Deus e por isso buscamos. Foi respondendo a esse profundo desejo da humanidade que nos é enviado Jesus: “a imagem do Deus invisível” (Cl 1,15).
– Aquele que o encontra reflete sua imagem (Ex 34,29). – “Quando Jesus.... seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele é” (1Jo 3,1-2).
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Is 11, 6-9 – Essa leitura nos faz pensar no novo Adão. Deus figura de uma nova criança. É o novo Jardim do Éden. A harmonia foi restabelecida. Essa transformação é interior, transformar esse “animal” que está dentro de nós e teremos paz interior, sob os cuidados da “criança”. No lava-pés Jesus nos revela a “imagem do Deus invisível”. Mas João nos apresenta Deus visível: Jo 13,13 - Ex 3,14 - Jo 13,15. O verdadeiro poder é o poder do amor. Assim como eu fiz....
Porque Ele lavou os pés dos discípulos é que somos capazes de fazer o mesmo. E assim Jesus se torna o primeiro de uma nova criação. Jesus não vem apenas “reparar a falta de Adão”, mas vem nos transformar fazendo-nos participar da natureza divina.
REFLEXÃO:
O principal não é tanto buscar Deus, mas deixar-se encontrar por Ele. Rezemos com estas passagens bíblicas:
- Jo 13,1-20
- Cl 3,9-10
- 2Cor 3, 16-18
- Is 11, 1-9
3 - FRATERNIDADE
INTRODUÇÃO
O livro de Gênesis conta a história da criação do mundo em 3 capítulos, e, no fim precisa de 13 capítulos para contar a resolução de uma disputa familiar.
Depois que Adão e Eva são expulsos do paraíso, a Bíblia nos conta a história de Caim e Abel (Gn 4,1-16 ). Segundo a Bíblia é o primeiro fato desse gênero que acontece e que conhecemos.
Deus é injusto?
Ninguém nos explica a razão da preferência de Deus. O narrador quer nos provocar, e na realidade, o que ele diz é o que experimentamos. A vida é injusta. Nós temos sempre um Abel ao nosso lado. O que acontece com Caim não é uma tragédia, mas, para ele é trágico. E a Bíblia vê nisso um grande desafio. Como viver com alguém ao meu lado que tem mais do que eu. Não é um drama ser o segundo colocado num concurso de beleza, por exemplo, mas a pessoa sente uma dorzinha no coração. Abel é o preferido, mas isso não quer dizer que Caim foi rejeitado! Mas esse menos vai corroendo o coração de Caim, e ele vai ficando insatisfeito com o que tem. Ele não vê o seu dom e, nem tampouco, que pode usufruir do dom se seu irmão. Ou o outro que tem mais é amigo e partilhamos juntos ou é adversário e, então, vou tirar dele o que ele tem e eu não tenho.
O pecado fundamental contra Deus foi olhá-lo como um concorrente: “eu devia ser você”. Isso leva ao pecado contra o irmão, que vemos como um concorrente, e aí prefiro eliminá-lo.
O papel da humanidade é aprender a viver com as diferenças. Se quisermos viver em paz na comunidade é importante aprender isso, senão vou achar que minha vida é uma injustiça. Se aceito essa diferença fico contente. Somos apenas criaturas humanas, só isso nos basta. Precisamos descobrir nossa riqueza e então, saberemos aceitar o menos.
Mas Caim queria ser um Abel. Isso lhe daria mais prazer. Temos que eliminar em nós esse desejo de ser aceito como Abel. A mesma coisa acontece entre José e seus irmãos, entre Esaú e Jacó. A Bíblia vê isso como o grande problema da humanidade: aceitar o que temos.
Quem começa o diálogo?
É Deus quem vem prevenir Caim, antes que ele cometa o pecado. O que Ele diz: “o pecado está em tua porta como um animal acuado, à espreita, será que você pode dominá-lo?” Essa palavra animal faz pensar na serpente. No entanto, como seus pais, Caim deixa-se dominar pelo animal e, mata seu irmão.
Por que será que a Bíblia apresenta o primeiro pecado como sendo entre dois irmãos?
Os primeiros 11 capítulos de Gênesis querem mostrar o crescimento da violência, e que na raiz da violência existe um problema entre irmãos. Se Deus quer parar a violência, Ele deve salvar não o indivíduo, mas a f r a t e r n i d a d e.
Esta relação que deveria ser nossa segurança, tornou-se agora um perigo. A morte é a expressão máxima da violência. Na Antiguidade, num mundo onde não existiam hospitais, seguro doença, seguro social, a segurança era o irmão. Ele é quem se ocupava de seu irmão. Matar o irmão era matar a solidariedade e, sem solidariedade não se podia viver. Caim não matou uma pessoa, matou a solidariedade. Agora o mundo será regido pela lei da vingança. E é isso que Caim sente.
Quem começa o diálogo?
Ainda uma vez é Deus. E a pergunta lembra a pergunta feita no paraíso: “Onde estás”. Aqui Deus pergunta: “Onde está teu irmão?” O que nos faz compreender que nosso lugar é ao lado de nosso irmão/ã.
O que significa a resposta de Caim? Ele não pode culpar o outro, como Adão fez no paraíso, então ele mente, dizendo: “Eu não sei”. E em
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seguida nega toda responsabilidade pelo outro: “por acaso sou guarda de meu irmão?”. A inveja o faz mentir a Deus e a si mesmo. É uma questão donde é difícil sairmos. Deus pergunta: “Que fizeste?” É muito importante medirmos a importância disso. Não empurremos a questão para “baixo do tapete”.
Qual a punição de Caim?
Foi banido da terra que bebeu o sangue de seu irmão, pois essa terra grita vingança e ele não poderá ver os frutos dela. Ele vê isso como uma punição, no entanto, é a consequência de seu ato. Ele cujo trabalho era cultivar a terra, perde agora essa relação com ela. O ser humano foi criado nessas três relações: com Deus, com o/a outro/a, com a terra. Quebrando uma dessas relações, quebra também as duas outras. Quem não fica ao lado de seu/sua irmã/irmão é um/a errante diante de Deus. Não tendo essa presença a Deus não encontra nunca um lugar de pertença.
Caim não quer viver na presença de Deus e não está arrependido. Seu pecado não foi resolvido. O autor quer nos dizer que vivemos num mundo onde muitas coisas não são resolvidas.
Esta história de Caim e Abel é a primeira que acontece após a expulsão do paraíso onde Deus havia criado a Humanidade e a Vida. Nos encontramos agora “no mundo”, e a Bíblia quer nos dizer que neste mundo o problema de base é o da fraternidade. No entanto, o livro de Gênesis é otimista porque termina com outra história de inveja entre irmãos e nos mostra como ela foi resolvida. Mas, parece uma tarefa difícil, pois ocupa 13 capítulos.
Rezar com essas passagens bíblicas procurando trazê-las para os dias de hoje (Gn 4,1-12).
4 - FRATERNIDADE (Gn 4,1-12; 37-40)
O livro de Gênesis conta nos 3 primeiros capítulos, a história da criação do mundo. Nos 13 últimos capítulos conta a resolução de uma disputa familiar.
Caim e Abel: Logo após a expulsão de Adão e Eva do paraíso temos a história de Caim e Abel. Onde Deus havia criado a humanidade e a vida, agora aparece a violência, um problema entre irmãos.
No entanto, o livro de Gênesis é otimista porque termina com uma outra história de inveja entre irmãos e nos mostra como foi resolvida. Mas, parece uma tarefa difícil, pois foram necessários 13 capítulos.
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A história de José e seus irmãos: Os filhos de Jacó tinham raiva de seu irmão José.
Situando o problema em nível psicológico:
- Sara era estéril e oferece sua escrava Agar à Abraão para dar lhe descendência. Agar, quando se viu grávida, começou a desprezar sua senhora. Sara a expulsa (Gn 16,1-6).
- Agar dá à luz a Ismael (Gn 16, 11-15). Alguns anos depois, Sara concebe e dá à luz à Isaac (Gn 17,15).
- Por causa do ciúme de sua mãe, Isaac é separado de seu irmão Ismael, com quem brincava. Essa perda marcou sua vida (Gn 25,11). - Isaac casa e Raquel, sua esposa dá à luz a gêmeos: Esaú e Jacó. Isaac tem preferência por seu filho Esaú que lhe lembra seu irmão Ismael, que era hábil caçador.
- Jacó rouba a progenitura a Esaú, e este começa a odiá-lo. - Jacó amava sua esposa Raquel que morre ao dar a luz a Benjamim. Jacó transfere o amor por Raquel para seu filho José. Não é de admirar que, mais tarde, os filhos de Jacó se envolvam em conflitos marcados por ciúme e inveja.
O outro lado da questão:
Além da questão, em nível psicológico, há o nível espiritual: - Jacó amava mais a José (Gn 37,3). O amor de Deus é um amor de preferência. É sua maneira de proceder (Gn 4,4-5. Jo 21,15. Jo 13, 23).
- De que preferência se trata? O que significa esse mais? Cada pessoa é uma vocação, e cada um/a recebe o amor que lhe convém. - José era amado da maneira que convinha à sua vocação. Aquele que é mais amado tem uma vocação mais exigente. Exemplo: o amor de mãe a um filho com necessidades especiais.
- O importante é não perder a alegria de ser quem sou. Não se desviar desse caminho querendo ser como o/a outro/a. - Essa foi a tentação original: olhar Deus como concorrente e crer que é mais interessante ser Deus que ser criatura humana (Gn 3,5).
A bênção de Jacó:
- O livro de Gênesis termina quando os 12 irmãos conseguem reunir-se em volta do pai, confiantes de sua identidade de filhos e irmãos e, cada um recebe de Jacó a bênção que lhe convém (Gn 49,28).
- Com Isaac somente um dos filhos podia receber a bênção. (Gn 27,1-4).
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- No final da narração todos os filhos recebem a bênção, cada um segundo o lugar que Deus lhes dá. Todo sinal de inveja parece ter desaparecido. A bênção alcança a fraternidade.
A vocação de José:
- Jacó mandou fazer uma túnica bordada (Gn 37,3). Dando essa túnica à José, Jacó demostra amá-lo mais que aos outros. Ele reconhece em seu filho José a vocação daquele que porá fim a esse problema e restabelecerá a fraternidade (Gn 37,12-14).
- Resposta de José: “Eis-me aqui”, como respondeu Abraão. - José vai até seus irmãos vestido com a túnica. Foi para despertar lhes um sentido de fraternidade:” eu procuro meus irmãos” (Gn 37,16). Mas, seus irmãos não lhe dirigem a palavra. E o “matam” Gn 37,31-33). - A missão de José se cumpre quando os irmãos reencontram a palavra comum (Gn 45,15b). Seus irmãos começam a conversar com ele.
- Ao por fim ao conflito que há entre eles, os irmãos vão finalmente, encerrar um conflito que vem se arrastando durante várias gerações.
REFLEXÃO:
Rezemos com essas passagens bíblicas procurando trazê-las para os dias de hoje.
5 - VISITAÇÃO (Lc 1,39-56)
No Evangelho de João se percebe que, logo que os discípulos encontram Jesus, há como que uma necessidade de contar aos outros. Jo 1,40-42. Filipe recebe o chamado de Jesus, e, imediatamente, conta a Natanael.
Vemos essa mesma atitude na mulher samaritana Jo 4,28-30. Jesus diz aos discípulos, o que quer dizer, a nós também: “eu os destinei para ir e dar fruto, e para que o fruto de vocês permaneça” Jo 15, 16b.
A visitação é como que marcada por essa urgência de ir (Lc 1,39). No mistério da visitação o autor principal é Cristo e não Maria. O Evangelho diz que quando Maria ouviu a saudação do anjo, ficou preocupada e se perguntou o que essa saudação significava. Ela recebeu a saudação e foi levá-la à sua prima Isabel. Maria é visitada por Deus, em Jesus, e quer levá-lo, imediatamente à sua prima. O autor principal é a Palavra.
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Não é tanto com palavras, mas, com sua maneira de ser, que Maria leva Jesus à Isabel. Foi esse aspecto do testemunho que tocou João Paulo II, ao conhecer a Fraternidade.
É curioso constatar que Maria não expressa sua alegria no momento da Anunciação e sim, da Visitação. É preciso partilhar a Boa Notícia para experimentar alegria. A Anunciação se completa com a Visitação.
Podemos falar de 5 aspectos do mistério da Visitação.
1 - A visitação de Maria à Isabel acontece após ela ter sido visitada pela presença de Cristo.
2 - Tendo acolhido Cristo nela, Maria põe-se imediatamente a caminho.
3 - Maria leva Jesus não tanto através das palavras, mas através da Palavra feito carne, em seu ventre. Ela saúda Isabel e a criança pula de alegria reconhecendo o Senhor.
4 - Apostolado como relação pessoal. A Boa Notícia se transmite de coração a coração.
5 - A visitação é mergulhada num clima de alegria.
É interessante comparar as duas passagens bíblicas: Lc 1,48 e Gn 12,3. Nos dois casos há uma promessa que se cumpre. Tanto Abraão, como Maria são benditos por causa da fé que tiveram na promessa.
Maria, em seu Magnificat, lembra essa promessa de Deus a Abraão. A bem-aventurança de Maria vem de sua fé e assim, se torna porta de entrada para a bênção de Deus ao mundo. Ela se torna transmissora das bênçãos de Deus. Isabel foi a primeira a receber as bênçãos de sua prima. Partilhar a Boa Notícia é entrar na bênção.
Esse é o modelo de missão que o Irmão Carlos nos convida a continuar... o mistério da Visitação.
REFLEXÃO:
- Como integramos em nossa vida esse mistério da Visitação? - Contemplemos esse mistério da Visitação e agradeçamos ao Senhor de termos sido visitados/as pelo Cristo e ser anunciadores e portadores de bênçãos.
6 - UM AMOR UNIVERSAL (Jn 1-4)
Quem é Jonas? : Livro Sapiencial que quer mostrar a misericórdia de Deus.
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1 - Jonas: um profeta nacionalista do norte. Sua missão: ir à Nínive, grande inimiga de Israel e símbolo do pecado e da violência.
2 - Jonas recusa-se a cumprir sua missão. Ele vai na direção oposta. Vai a Jope e toma um navio para Társis. v.3.
3 - Por que Jonas foge? 1 Reis 17, 2-3. É a primeira vez que um profeta é enviado a pagãos, para convertê-los. É demais para Jonas.
4 - Deus e os pagãos na tempestade. Jn 1,4-6
- Jonas diz temer a Deus, mas seu coração está endurecido. “Joguem-me no mar”: prefere morrer à obedecer a Deus. - Os marinheiros rezam, cada um a seu deus. v.5.
“Ah! Javé não queremos morrer por causa dele”. v. 14. - Aqueles homens começam a temer muito a Javé. v.16.
5 - Deus e Jonas. Jn 2,1-11. Este salmo não é de Jonas (talvez foi acrescentado para “limpar a barra de Jonas”).
6 - Como é que Jonas obedece? Jn 3, 1-3.
- Jonas espera a palavra de Deus para saber o que deve dizer ao ninivitas.
- Missão de Jonas. Jn 3, 4-10.: atravessa Nínive anunciando:” dentro de 40 dias Nínive será destruída” (ver Gn 19, 21. 25. 29. Ló é salvo, com sua família, por intercessão de Abraão).
- Os pagãos de Nínive se convertem. Inclusive o rei (Jr 36. O rei Joaquim de Judá cortou e queimou o pergaminho de Jeremias). - Ver Joel 2,13-14 “rasguem os corações e não as vestes”. O livro de Jonas quer mostrar que o profeta parece não querer que os pagãos de Nínive se convertam.
7 - Reação divina:
- Assim como os ninivitas se arrependeram, Deus também se arrependeu e voltou atrás.
- A conversão dos pagãos coloca um problema para Jonas. Jn 4,1-11. Ele não quer ser instrumento da misericórdia de Deus para a humanidade. (Ele esquece que foi salvo por Deus).
- “Tens motivo para te irar?” pergunta Deus e começa o diálogo onde cada um explica sua conduta: Jonas sua cólera; Deus sua bondade. - A mamoneira: Deus pergunta a Jonas, que teve pena da mamoneira, por que não teve compaixão dos ninivitas?
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- Israel entende um Deus misericordioso para com eles (povo eleito), mas com nações pagãs e inimigas?...Jonas não aceita essa Teologia.
8 - Jonas e o Amor Universal:
- O autor do livro de Jonas (o mais universalista da Bíblia) quer que cada um de nós se olhe. Preferíamos um Deus que recompensa os bons e castiga os maus.
- Esquecemos que somos desobedientes e fugimos da face de Deus Misericordioso.
REFLEXÃO:
Olhemos o Jonas que habita dentro de nós, e peçamos a graça de um coração misericordioso.
1 - A FRATERNIDADE
Para seguir e “imitar” Jesus, as Irmãzinhas vivem em Fraternidade, inseridas em meios pobres ou populares, em pequenos grupos - células de base - células de Igreja com ao menos quatro Irmãzinhas.
Viver em Fraternidade faz parte essencial da missão das Irmãzinhas. Elas saberão criar em suas fraternidades um ambiente de família, amor fraterno, com tudo o que isto implica de calor humano, confiança, simplicidade e alegria (cf. Const. 51)
O que significa viver em fraternidade?
Irmão Carlos escrevendo a sua prima Marie de Bondy em 1902 se expressa: “Quero acostumar todos os habitantes, cristãos, muçulmanos, judeus... a me olhar como irmão deles - irmão universal. Eles começam a chamar a casa de fraternidade e isto me é muito agradável... “
Carlos apoia-se na experiência das “Confrarias” = “zaouias.” Fraternidade não é traduzível em todas as línguas e no começo, sobretudo, na França, nem sempre foi compreendida. (República: “liberté, fraternité, égalité”). Mas tanto Irmão Carlos, como Irmãzinha Madalena quiseram esse nome porque, este nome significava algo dinâmico que ultrapassava os círculos da comunicação em si para atingir os que estão além-vizinhos/ as colegas de trabalho, famílias etc... Para eles e para nós também viver em fraternidade em comunidade já é Missão. Fraternidade é sempre fruto de um encontro. É o olhar contemplativo sobre Jesus que dá sentido e a
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fecundidade às nossas inserções. Irmãzinha Madalena ousou mesmo a dizer que a palavra fraternidade resumia nossa vocação, assim como “UNIDADE” – num ir para... fazendo-se da família dos que estão “longe”, em grande necessidade. A gente iria a eles porque os amamos, nos dando a eles sem preconceitos, circulando com eles e no meio deles – não tanto para distribuir ajudas abundantes, mas, para que, aquele que amamos, Jesus, esteja também com eles.
É preciso lembrar o momento histórico em que a fraternidade nasceu = tempo de guerra, momento de Igreja em confronto com o Marxismo e o protestantismo, padres operários - para citar alguns aspectos... sem esquecer que a Algéria (Argélia) era colônia francesa. Irmãzinha Madalena tanto em Boghari como Tougourt não tinha medo de defender seus amigos diante de seus patrícios colonizadores.
Irmãzinha Madalena buscou, sempre, não apegar-se “à letra”, mas, acolher o sopro evangélico que o Irmão Carlos nos deu através de seus escritos e sobretudo por sua vida. A fraternidade se concretiza na vida fraterna e comunitária... (cf. Const cap 8). Perseverar na vida comunitária é, para cada uma, caminho de crescimento, de verdade e de aceitação mútua do perdão das diferenças e limites dando assim testemunho do Reino de Cristo.
A dispersão da Fraternidade está a serviço do bem comum e do carisma das Irmãzinhas. A dispersão através do mundo, sua vocação à unidade e à universalidade pedem laços e meios que as ajudem a permanecer em comunhão, de espírito e coração, na diversidade de suas inserções.
O termo fraternidade designa também suas habitações. Estas devem ser simples e pobres – nazarés onde as Irmãzinhas gostarão de estar e onde os pobres se sentirão à vontade, assim como todos.
Em janeiro de 1946 Mons. de Provenchères é nomeado bispo de Aix em Provence. Este chega à sua diocese com três preocupações: operários, agricultores da Camargue e os Ciganos... e justo quando Irmãzinha Madalena vem vê-lo, ela vem para pedir-lhe justamente de fundar nestes três meios. Assim as Fraternidades vão tomando especificidades e tonalidades próprias e diversificadas: Fraternidades nômades, operárias, adoração, entre ajuda etc. Sempre conscientes de nossa fragilidade irmãzinha Madalena desde o começo nos alertou: “SEJAM HUMANAS E CRISTÃS, ANTES DE SEREM RELIGIOSAS.”
Na ousadia de nossa fragilidade, de nosso amor à dimensões do mundo, à luz de Belém – luz de humildade e pequenez – fez-nos atravessar fronteiras entre países raças e meios e crenças, cultivando com respeito humilde um ecumenismo sem alarde que vão criando laços de UNIDADE.
Mons. de Provenchères encorajou sempre a Irmãzinha Madalena a caminhar na fraqueza.
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Nossa situação atual
Nº de fraternidades? Irmãzinhas?
PARA MELHOR COMPREENDER A PALAVRA FRATERNIDADE: lanço mão de um testemunho do Bispo de Constantina na Algéria em 1989 e que Irmãzinha Annie nos cita: “Em Touggourt as Irmãzinhas celebravam o cinquentenário de sua fundação. Celebração simples e fraterna. O mais impressionante era a presença dos amigos da primeira hora. Estes, de religião muçulmana tinham captado que, com Irmãzinha Madalena se passava algo de importante, alguma coisa que os ultrapassava, mas, que os concernia. Desde então, eles não mediram seus esforços, fidelidade na amizade nos momentos difíceis. Sem o saber ou ao menos sem ter plenamente consciência, eles tinham compreendido que o mistério de Deus se manifestava para eles, desde os anos de 1940 neste canto do Saara.”
E ele acrescentou para explicar estas linhas acima: “As pessoas que acolheram Irmãzinha Madalena consideraram o fato mais ou menos conscientemente, que o projeto dela era ‘coisa deles’ tanto quanto dela. Se isto é verdadeiro, a congregação não é primeiro obra de Irmãzinha Madalena mas o fruto de seu encontro com os amigos de Touggourt. Há na minha opinião, alguma coisa de original, talvez único, na história da Igreja.”
A maioria das congregações tem, com efeito, sido fundadas para responder à uma necessidade particular de um lugar, ou de uma época dada. Seu carisma é a colocação em obra do interior da Igreja, de um aspecto particular do mistério do Cristo: cuidado dos doentes, educação de mulheres, ensino diversos etc. A congregação das Irmãzinhas me parece ser nascida de um encontro entre pessoas de meios, origem e de religião muitíssimo diferentes. Uns e outros permaneceram o que eram. De fato os amigos de Irmãzinha Madalena encontrados em Touggourt em 1989 permaneceram mulçumanos e pelo visto de um Islão bastante clássico, entretanto deste encontro onde cada um permaneceu verdadeiro consigo mesmo nasceu uma Congregação” (cf. Bispo de Constantina).
2 - SILÊNCIO E DESERTO
“Eu o conduzirei ao deserto” (Os 2,16-22).
Um retiro é um tempo onde Deus fala ao coração, e Deus fala à um coração que escuta.
DESERTO é herança nossa; herança do irmão Carlos e marca da espiritualidade de todos os membros da sua Família. Irmãzinha Madalena: marcada por sua família por seu pai, pessoalmente teve necessidade de
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um clima seco como o Saara - fator desencadeador de nossa vida de Irmãzinha no seguimento de Jesus na experiência do Irmão Carlos. O que é o deserto?
- O que ele é?
- O que nos traz?
- O que ele nos revela?
- Como o deserto marca nossa espiritualidade de Irmãzinha? O que é o deserto... o que nos revela?
O deserto físico não tem nenhuma utilidade para a pessoa humana. É preciso descobri-lo porque tem valores próprios. E ele esconde não só valores arqueológicos, esconde também fontes de cobiça como por exemplo petróleo. Sua aridez traz em si o sinal de isolamento não somente humano, mas de todo e qualquer traço de presença e atividade com selo de austeridade e despojamento. O deserto pode nos fazer entregar-nos a uma total impotência como criatura humana que aí descobre sua fraqueza. A pessoa humana não pode subsistir no deserto sozinha e para descobrir os valores próprios do deserto é preciso ter” os olhos penetrantes” de Balaão e ouvidos “finos “ de Elias para perceber a “brisa leve” no meio da aridez do deserto.
Nascemos do apelo do deserto conforme vocação e vida do Irmão Carlos – vocação e vida de Irmãzinha Madalena. Nos dois casos = herança e fruto do Amor – fé e respeito ao Islão-silêncio do deserto.
A vida do Ir. Carlos e a própria experiência de vida de ir Madalena - mulher de sentido prático e realista e nossa própria experiência, a palavra “deserto” foi se tornando e significando para nós espaços de solidão com Deus e meio para encontrá-lo. Na realidade – desde o tempo dos Padres do Deserto, o deserto foi lugar, espaço, tempos de encontro com Deus.
Para as Irmãzinhas, o deserto é o sustento de nossa vida contemplativa “concebida” como fermento na massa. Exigência a uma fidelidade de nossa vida de presença a Deus e presença à todos/as. Na Regra de vida irmãzinha Madalena nos fala da necessidade de evitar a volta para si e a multiplicidade de contatos - viver o dilaceramento entre as exigências do estar com “Ele” e o dom aos outros/as.
Observação: vida contemplativa # vida de oração contemplativa Quando nos perguntam o que fazemos? É sempre difícil responder e nem sempre somos compreendidas. É uma questão que vai ao coração, no âmago de nossa vida com Jesus e seu evangelho. A separação não se situa mais no nível da presença no mundo mas na escolha das atividades.
Algumas reflexões do Irmão Carlos: Por ocasião de sua viagem de estudo geográfico em Marrocos – o contacto com o deserto, o impacto
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com a espiritualidade dos muçulmanos na busca do absoluto de Deus despertou nele forte inquietação religiosa, adormecida por tantos anos. “O Islão produziu em mim, uma profunda comoção... a visão dessa fé, dessas almas vivendo continuamente na presença de Deus, fez-me entrever algo maior e mais verdadeiro que as ocupações mundanas e repetia constantemente: “Deus, se existis, fazei com que eu vos conheça”. “É preciso passar pelo deserto e aí permanecer para receber a graça de Deus: é aí que se esvazia para deixar todo espaço à Deus... (cf. Moisés, Paulo, alguns profetas, padres do deserto etc. – Jerônimo, João Crisóstomo). É indispensável como tempo de graça.
Irmãzinha Madalena: “Desejo transmitir o pensamento do Ir Carlos mais nos ensinamentos de sua vida e de sua morte do que nas regras que deixou. Ele fala em clausura e o entanto vive no Saara só tendo por clausura a imensidão do deserto, nômade por excelência percorre o Saara em todas as direções, indo de tenda em tenda deixando-nos assim o exemplo de uma disponibilidade total, e ao mesmo tempo de uma hospitalidade muito acolhedora e fraterna. Abriu o coração a todas as criaturas e jamais conseguiu impor limites ao zelo e ao amor fraterno.”
Nossa espiritualidade nasceu no coração do deserto e permanece marcada pela busca de Deus na solidão e no silêncio. Silêncio habitado por Deus, na espera de sua luz, na escuta, livre de preocupações inúteis, silêncio desejado como necessidade de amor.
Irmãzinha Madalena: “Para mim, a oração é essencialmente uma vida e não posso separar Deus de toda a criação porque Deus está vivo e presente nela. Eu quero ir a Ele em todas as criaturas. Não me separar para levá-las a Ele, para que Ele também não se separe de tudo que Ele criou, de tudo que ele ama com todo seu amor de Criador, de Pai.”
3 - SEGUIMENTO DE JESUS – MODELO ÚNICO
“Desde que soube que Deus existia não podia mais viver senão por Ele” (Ir. Carlos).
“Ele me tomou pela mão e eu cegamente o segui” (Irmãzinha Madalena).
Irmão Carlos – Trapa – 1896
Irmão Carlos, apaixonado por Jesus sempre desejou ter companheiros para expandir esse amor e fazer Jesus mais conhecido, assim pensou fundar uma congregação: dos Irmãozinhos e Irmãzinhas de Jesus. Escreveu várias “Regras”.
A Congregação dos Irmãozinhos de Jesus teriam um duplo fim:• 45 •
1 - Reproduzir fielmente a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo em Nazaré (O maior amor a Nosso Senhor e a maior perfeição se encontram na imitação do Mestre Bem Amado).
2 - Viver esta vida em países mulçumanos - reproduzindo a vida oculta de Jesus.
Em 1899 ele escreve as Constituições dos Irmãozinhos do Sagrado Coração de Jesus.
– Os Irmãozinhos do nosso Bem Amado Senhor Jesus terão um cuidado contínuo de se tornarem mais semelhantes a N. S. Jesus Cristo. A medida da imitação é a medida do amor. No Evangelho a palavra “seguir” é muito próxima de “imitação”. Para Ir. Carlos o amor atrai. Quando a gente ama quer ser como o outro. Ele resume sua vida no desejo de imitar Jesus – o Modelo único (a imitação é inseparável do amor – segredo de vida). Para imitar é preciso olhar Jesus, ter os olhos fixos n’Ele. Nossa tentação muitas vezes é fixar em nós, em nossas dificuldades, nossos problemas. Outra questão é que pensamos que conhecemos Jesus e não fazemos atenção, imitamos Jesus na nossa imaginação e não como no Evangelho.
Irmãzinha Madalena inicia nossas constituições, traçando já um caminho: “As irmãzinhas de Jesus consagram sua vida ao amor de Deus e ao amor de todos os homens e mulheres, seus irmãos e irmãs. Com a ajuda do Espírito Santo, se comprometem a deixar tudo para seguir a Jesus, participando assim de sua missão de Salvador - Jesus de Nazaré, Modelo único - caminho, verdade e vida.”
Irmãzinha, porque Ele é seu “Modelo Único”, na profissão religiosa (votos) seu novo nome de família será: Irmãzinha de Jesus. (cf. Regra de vida p. 3).
Para dar a essa vocação todo o seu sentido e unidade, você terá, antes de tudo de viver, o mais que possa a divisa tão cara ao Irmão Carlos de Jesus, que tudo resume e encerra: “JESUS CARITAS”- “JESUS AMOR”. É o único caminho. Irmão Carlos não inventou – é o caminho de Jesus. Carlos escolheu um só Senhor – Modelo único: Jesus. (cf: B. V. p. 43 e SS).
Irmãzinha Madalena nos dirá: sua Regra de vida é essencialmente o Evangelho. Seu caminho espiritual é o amor encarnado na pessoa de JESUS. JESUS será como foi para Ir Carlos (São Paulo –”não sou eu que vivo...”) a paixão de sua vida. Cristãs e humanas antes de serem religiosas (cf. Annie L I-1898-1949, p.54 e 62). Ler e reler o Evangelho, meditar até saber de cor em francês e árabe. Estar pronta a ir até o fim do mundo.
No Boletim Verde ela explica: “É preciso desejar seguir Jesus o ‘Senhor do Impossível’ numa confiança sem limites, porque seguir o Irmão Carlos - o Irmãozinho universal significa:
• Abrir o coração como o dele, às dimensões do mundo inteiro. • Pelo desejo e oração, fazer da humanidade, sem excluir ninguém, a obra de toda sua vida.
• Estar pronta a ir até o fim do mundo para levar o Amor. • Gritar o Evangelho com a própria vida.
• Fazer-se do meio, da família, da pátria, da raça, pelo coração e pelas realidades da vida.
• Não excluir do seu amor nenhum povo, raça ou ser humano, preparar, estudar a língua, a religião, a mentalidade do povo. • Escolher antes de tudo os meios mais pobres e abandonados, aqueles para os quais ninguém iria.
• Uma consagração particular aos irmãos do Islão em atenção ao Ir Carlos – que não limitará a universalidade do amor, nem nenhuma exclusão.
Irmãzinha Madalena – Carlos Palácios: “A ‘condição cristã’ no mundo está passando por profundas metamorfoses que hão de exigir do cristão do futuro que volte a beber das fontes mais profundas do Evangelho. E nisso, a experiência de Irmãzinha Madalena é iluminadora: por sua radical conversão ao Evangelho como ‘norma de vida’; por sua opção por privilegiar o testemunho de vida na evangelização, de ‘gritar o Evangelho com a vida’; por sua radical proximidade com o humano vivendo dentro de situações - limite da vida misturada e perdida no cotidiano, como o ‘fermento na massa’ resgatando o seu sentido e esperança; por sua universalidade sem fronteiras e por sua capacidade de unir-se ao outro/a acolhendo e integrando a sua diversidade social, cultural, radical, religiosa etc. No futuro ‘a condição cristã’ terá de ser vivida num mundo cada vez mais secularizado e numa realidade religiosa e cultural plural. Não poderíamos encontrar inspiração nesse testemunho de vida?”
4 - A VISITAÇÃO
IRMÃO CARLOS: “A VISITAÇÃO é uma maneira de levar a presença salvífica de Jesus no meio da humanidade, para transformá-la. Chamaríamos de apostolado da amizade, da presença, da bondade. Deves receber o Cristo antes de levá-lo aos outros. Maria é visitada pelo anjo antes de ir visitar Isabel.”
Sem saber nomear no começo, é esta atitude de visitação da parte de sua prima Maria de Bondy que prepara a conversão do Irmão Carlos. No mesmo sentido Gandhi dizia a um missionário: “A melhor maneira de pregar o evangelho de Cristo é de vivê-lo. Amo aqueles que não pregam mas vivem suas crenças. Suas vidas, são silenciosas, e, são verdadeiras testemunhas. Uma rosa não tem necessidade de pregar. Ela espalha seu perfume simplesmente...”
Irmão Carlos escreve: “Maria parte para santificar João para lhe anunciar a boa nova, para evangelizá-lo, não por suas palavras, mas levando Jesus em seu seio e em silêncio perto dele, no meio de sua morada - o seio de Isabel.”
Irmã Carlos descobre o mistério da Visitação no momento que começa a questionar sua vocação para os trapistas e pensa começar uma nova congregação.
A visita do irmão Carlos ao casal carvoeiro vizinho da Trapa. “Há cinco anos e meio que disse: meu ideal é de imitar Maria no mistério da Visitação, levando como ela em silêncio, Jesus e a prática das virtudes evangélicas, entre os povos “infiéis, para santificá-los, pela presença da santa Eucaristia e o exemplo das virtudes cristãs, a formação dum pequeno grupo voltado à adoração perpétua do Santíssimo
Sacramento e a prática da imitação da vida oculta de Jesus”. Ele dirá: “a gente faz o bem não na medida do que a gente é, mas na medida da graça que acompanha nossos atos, na medida na qual Jesus vive em nós, a medida na qual nossos atos podem ser como os de Jesus.”
“Os Tuaregues certamente aprenderam algo que era os atos de Jesus, agindo em nós e por nós”.
Os Tuaregues certamente aprenderam algo do que era o Deus de Carlos através das horas que ele passou aprendendo a língua, suas canções de amor e épicas, ensinando a tricotar, a fazer adobes...
Pelos cinquenta anos da Fraternidade João Paulo II disse: “Como o Irmão Carlos, é pela vida que vocês anunciam o Evangelho, para entrar cada dia nos lugares marcados pela pobreza é preciso viver uma profunda intimidade com o Salvador Universal.”
Jesus escolheu uma maneira discreta e desconcertante para anunciar sua ressurreição apareceu à Maria Madalena que leva a notícia aos apóstolos. E se mostra aos dois deles quando estão à caminho de Emaús.
As Irmãzinhas de Jesus, se a gente assim pode dizer, receberam do Irmão Carlos mais o aspecto do Mistério de Belém (Filipenses II). Para irmãzinha Madalena a luz de Belém – contemplação – ser humana antes de ser religiosa, seguindo o Modelo único, nos leva a gritar o Evangelho com a vida...
Quando ela nos fala do ser nômade, fermento na massa ela também nos convida a olhar no mapa para ver se não existe um punhado de gente – um cantinho aonde ninguém iria para aí dizer-lhes que Jesus os ama. Uma Irmãzinha dizia de irmãzinha Madalena que era como se ela carregasse em si uma tocha e que esta tocha se apagaria se ela ficasse parada, mas a tocha continuaria a queimar se ela partilhava...
Irmãzinha Madalena tinha uma grande confiança com todas as pessoas que encontrava. Isso fez dela uma mulher de relação, dando muita importância ao diálogo e facilitando os encontros.
O deserto também nos marca no mistério da Visitação – A acolhida do nômade é gratuita, enviado de Deus (Alah. cf. p. 60 - Irmão Carlos deu muita importância ao “tête-à-tête”).
“Belém e Nazaré é a missão das Irmãzinhas de Jesus na Igreja. Nesse caminho, Maria, a mãe de Jesus se tornará para as Irmãzinhas guia e sustento. Ela que “conservava todas as coisas no coração” as ajudará a caminhar humildemente na fé e a ser, com um coração atento, uma presença de amor, uma presença gratuita onde forem chamadas a viver.” (cf Const). – Particularmente solidárias com seus vizinhos/as de bairro ou de povoado e com os trabalhadores cuja vida partilham, as Irmãzinhas participarão de seus esforços por transformar suas condições de vida o mais das vezes desumanas. E para serem fiéis a essa intuição saberão encontrar os meios mais apropriados segundo os contextos e épocas. O Filho de Deus quis encarnar-se para restabelecer a fraternidade universal ferida pelo pecado e onde ele viveu pobre com os pobres – a vocação das irmãzinhas as impele a viver da mesma maneira de Jesus e assim revelar com ele a boa nova da vinda do Reino. (cf. Busca do lugar de nossas inserções, as relações de vizinhança etc).
5 - AMOR UNIVERSAL
Na consagração de sua vida a seus irmãos do Islão e do Mundo inteiro você se oferecerá imolação.
No Boletim Verde Irmãzinha Madalena nos interroga: “Irmãzinha, será que você compreendeu bem o que pede a sua vocação, se deseja seguir o exemplo do Irmão Carlos de Jesus, o ‘Irmãozinho Universal’, abrir seu coação, como o dele às dimensões do mundo inteiro e, pelo desejo e pela oração, fazer da salvação da humanidade, sem excluir ninguém, a obra de toda a sua vida? Está consciente das exigências e consequências dessa vocação?”
“Para responder ao imenso e universal Amor do Coração de Jesus, deverá estar pronta a ir até o fim do mundo para levar até lá esse Amor e “gritar o Evangelho”, não com palavras, mas com a própria vida.”• 49 •
“O Senhor me pergunta se estou disposto a ir a outro lugar que não seja Beni-Abbés para difundir o Evangelho. Estou pronto para ir até o fim do mundo e para viver até o juízo final” (cf Carlos a Mons. Guerin fevereiro 1903).
Abandonar tudo e fazer-se uma com o povo onde for acolhendo também as duras realidades da vida. Não deverá excluir de seu amor nenhum povo, raça ou ser humano mesmo hostis e fechados.
Na manhã de sua morte Carlos escreveu a Massignon: Não poderá recuar por receio algum de fracasso diante de perigo!
“Não se deve nunca hesitar em pedir os postos em que forem maiores o perigo, o sacrifício e o devotamento. Fique quem quiser com a glória, mas reclamemos sempre para nós o perigo e a luta.”
“Deverá estar decidida a escolher, antes de tudo os postos, os meios mais pobres e abandonados aqueles para os quais ninguém iria”. Depois de elencar as dificuldades e sofrimentos Carlos fala por experiência própria da renúncia a ver os frutos de seu trabalho. Madalena nos alerta talvez como o Irmão Carlos você não verá nunca alguém chegar ao Cristo por sua causa” (cf. Boletim Verde).
AMOR POR TODA A HUMANIDADE (cf. Const. p. 55ss). A caridade fraterna e universal será para as Irmãzinhas a regra primeira, pois é mandamento do Senhor: “Um novo mandamento eu vos dou”.
As irmãzinhas darão seu coração às dimensões do mundo e ficarão à escuta das aspirações de seu tempo, atentas a seus problemas, reconhecendo ao mesmo tempo a riqueza e a contribuição de cada geração. Não excluirão de seu amor nenhum ser humano, nenhum povo, meio e raça. Verão o rosto do Senhor em cada rosto e o verão com o de um irmão/ irmã bem amado/a. Não deixarão que o ódio se instale.
A acolhida será vivida pelas irmãzinhas como o foi pelo irmão Carlos para quem a disponibilidade a todos era inseparável de sua vida contemplativa.
A UNIDADE NO AMOR (cf. Annie – A EXPERIÊNCIA DE BELÉM. p. 70).
No tumulto das guerras de independência (cf. p. 80 e 81). A atração pelos países fechados – Afeganistão –: “sejam elementos de paz e unidade”. De irmãzinha Madalena sobre um obstáculo a evitar: “dar o nosso amor aos pequenos, pobres e oprimidos e ter para os grandes e ricos um olhar duro e indiferente... a exclusão destroem a base da universalidade e o mal penetra nos corações”
“Tenham um horizonte aberto para o mundo.” (p. 98)
“Sejam uma presença de amor fraterno no meio do ódio que se estende no mundo.” (p. 112).
Na Missa do funeral de Irmãzinha Madalena o Padre Voillaume expressou o que ela foi para a Igreja: “A partida de Irmãzinha Madalena permite-nos dizer em alta voz e afirmar - o que não podíamos durante sua vida - o que ela foi para toda a Igreja. Só Deus sabe o que bispos, padres, religiosos/as e leigos e entre eles os mais pobres receberam dela, da irradiação de seu amor universal e de sua mensagem de simplicidade, de pobreza, de presença de amor aos mais pobres. Sim, só Deus sabe. Para terminar, gostaria de lembrar tão somente que irmãzinha Madalena foi constantemente animada por uma notável graça de ecumenismo. Ela o foi num grau excepcional por causa da humildade de seu coração e do dom que tinha de ver em todas as pessoas, de respeitar em todas as pessoas, a melhor parte de si mesma e a parte de verdade que nela havia. Deus permitiu que esse ecumenismo se expressasse aqui, em nossa assembleia.”
(Textos usados para contribuir na reflexão e prática dos dias de deserto)
1 - DESERTO: EXPERIÊNCIA DE DEUS
Não te adiantes para considerares Deus como espetáculo, mas descalça-te primeiro diante dele.
Se queres conhecer a Deus deves seguir as pegadas dos grandes homens de oração da Bíblia, a quem Ele se revelou. Contempla hoje a cena da sarça ardente (Ex 3,1-6) e, como Moisés descalça-te para conheceres a Deus e Ele se revelará como um fogo devorador.
Primeiro, observa Moisés penetrando no deserto; é sempre “num além” que se alcança a montanha de Deus. Mas mesmo aí, Moisés tem de mudar de plano e converter-se. Moisés adianta-se para examinar esse estranho espetáculo e verificar por que razão a sarça não se consome. Moisés é curioso, atraído pelo sensacional quer ver bem de que é que se trata: “O Senhor viu que ele se tinha aproximado para observar” (Ex 3,4).
Moisés procura compreender do exterior o “porque” de Deus mediante considerações racionais. Não podes aproximar-te de Deus como curioso, porque Ele não se deixa captar por processos humanos. Situa se sempre para lá das tuas ideias, irredutível à tua apreensão. Deus não é um problema para resolver, mas um mistério a descobrir. Não se apreende uma pessoa através de um estudo psicológico; escapa-te quando a queres abarcar ou explicar. Deus é incompreensível, o inexplicável: “Uma coisa explicada deixa de nos interessar, escreveu Nietzche, por isso Deus interessar-nos-á sempre!”
É por isso que Javé vai tomar a iniciativa do encontro chamando Moisés pelo seu próprio nome. A única atitude diante de Deus é dizer lhe: “Aqui estou”. É um ato de disponibilidade de humildade, de pobreza e de entrega. Javé pede a Moisés que se descalce, quer dizer, que largue todas as seguranças, todos os apoios e as ideias acerca dele. Javé é o três vezes Santo que se revela num diálogo de liberdade e de adoração.
Conhecer a Deus é reconhecer que Ele está ali, irredutível às tuas ideias e que se revela quando quer e a quem quer. Na oração afasta toda representação imediata de Deus. Encontras-te sempre sob o signo da fé e não da visão clara. São Paulo dirá que “o mistério de Deus supera todo conhecimento”. Apreendes o absoluto de Deus “como por um espelho, de maneira confusa”, acrescenta ainda (1Cor 13,12).
Não procures avançar até Deus para o inventariares. Deixa de o tratar como objeto, mas invoca-o como pessoa livre. O primeiro passo que te conduzirá a esse resultado é o gesto de baixares as mãos ou de te descalçares. O momento decisivo em que começa o verdadeiro encontro com Deus não está no movimento que fazes para Ele, mas no movimento de recuo e de humildade em que te apagas diante dele. Deus não é um país conquistado, mas a Terra Santa que deves pisar com os pés descalços.
Quando tiveres aceitado não ter ideias sobre este ponto, Deus revelar-se-á. E mesmo então, não conseguirás traduzir essa experiência em termos claros e precisos. Javé revela-se, como a Moisés, como fogo, quer dizer, como algo que não podes captar nem reter entre as mãos. Dá se como um fogo devorador. O fogo é uma matéria fascinante e estranha. Ilumina e transforma em si próprio tudo quando toca. Quando São João da Cruz evoca os mais altos cumes da união com Deus, utiliza a comparação da acha consumida pelo fogo.
Na tua oração permanece pobre e nu diante da sarça ardente e incandescente. Não digas nada, mas oferece a esse fogo a superfície desnuda do teu ser. Deus é aquele que quer devorar-te. Forma uma só coisa com ele, participando da sua natureza divina. Transforma em si os que se oferecem à sua graça transformadora na atitude de quem se descalça, através da sua união com Ele, suficientemente poderoso para abrasar misteriosamente o mundo com o fogo do seu amor.
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2 - DESERTO: EXPERÊNCIA DE DEUS
Se quiseres saber qual o valor da tua vida, vê a importância que nela dás à adoração.
Na oração és, sobretudo, atraído pelo movimento do Amor de Deus que vem salvar-te em Jesus Cristo. Arrisca-te, assim, a te colocares no centro, e a fechar-te num utilitarismo espiritual. Destrói esse círculo e tenta o movimento ascendente contrário, num gesto gratuito de adoração. És feito para adorares a Deus e a tua vida encontrará o seu verdadeiro centro de gravidade quando te procurares no pó, diante do Deus três vezes Santo, da visão de Isaias (Cap. 6).
Os cristãos ainda falam muito de Deus; fazem mesmo muitas coisas por Ele, mas estão a perder o sentido da adoração; é, por isso, que estão ameaçados de ateísmo. Um Deus que não se adora não é o verdadeiro Deus. Deves reconhecer que só Deus é Deus e que a adoração é o teu primeiro dever. Este ato não é senão uma antecipação, um antegozo daquilo que farás eternamente no coração da Santíssima Trindade.
Adorar é não só para ti um dever que resulta da tua condição de criatura; é também a forma mais elevada da tua vida de homem. Adorando a Deus, proclamas a sua santidade, mas simultaneamente afirmas a tua grandeza de homem livre perante Ele: “O valor de uma vida, mede-se pela importância dada à adoração” afirma o Padre Monchanin. Quando queres Deus só pelo próprio Deus, adorando-o, encontras a tua liberdade de homem.
É verdade que a Igreja deve incessantemente recordar que Cristo veio para salvar o homem e que os cristãos devem dedicar-se ao serviço dos irmãos, mas a Igreja seria infiel à sua missão se reduzisse o cristianismo à pura diaconia fraterna, pois a fé degradar-se-ia num humanismo truncado. Atualmente, os homens sufocam nesta sociedade de consumo e tem o direito rigoroso de verem a Igreja na sua verdadeira missão: voltada para os homens que tem de salvar, mas antes de tudo voltada para Deus que tem de ser adorado e amado.
Pede longa e ardentemente ao Espírito Santo o sentido da adoração e prostra-te diante de Deus, na atitude daquele que simultaneamente fica apoderado pela experiência da santidade de Deus e pelo sentimento do seu próprio pecado: “Adorar a Deus é baixar os olhos diante da sua glória”, diz o P. Geffré. Quando Moisés ouviu a voz de Deus, “escondeu o rosto, pois não se atrevia a olhar para Deus” (Ex 3,6). Só Cristo dá um perfeito louvor de adoração ao Pai: pede-lhe que reproduza em ti esse movimento que o orientava ad Patrem.
Para adorares deves entrever a glória de Deus, quer dizer, a sua grandeza inacessível, bem com sua santidade incomparável. Mas Deus
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nunca se revela como Transcendente, sem simultaneamente se revelar, como muito próximo, porque é Amor. O Deus Santo é também inseparavelmente o Deus Amor, que te faz participar da sua vida trinitária. Deus é adorável porque é Amor.
O teu próprio corpo é também chamado a exprimir a adoração do teu coração. Em determinados momentos, nada mais poderás fazer do que prostrares-te com o rosto por terra (Ex 1,28), porque a santidade de Deus é um mistério que escapa sempre ao domínio do homem. Taparás o rosto com as mãos, mas ouvirás Deus chamar-te pelo nome. Tomarás também consciência do teu pecado, face à santidade de Deus. Mas o Deus Santo não aniquila o pecador, purifica-o. Com a brasa tirada do altar, o anjo toca a boca de Isaías para purificá-lo.
No fundo, é contemplando Jesus Cristo que descobrirás a santidade e a proximidade de Deus. Tens nele a intimidade do Deus Transcendente com o homem. É o único adorador do Pai: “Mas vai chegar a hora e, já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja” (Jo 4,23). Na oração, és aspirado pelo Espírito que te configura a Cristo. Por sua vez, o Filho conduz-te às profundidades do Pai e faz-te participar no seu abraço de amor. É dos lábios e do coração de Cristo que se eleva a perfeita adoração ao Pai. Tenta penetrar cada vez mais em Cristo.
PARALELO ENTRE O APÓSTOLO PAULO E O IRMÃO CARLOS Pe. Bruno Morandini, SGC
No dia 25 de janeiro, na missa da festa da conversão de São Paulo, o grupo do mês de Nazaré firmou ou renovou o engajamento na fraternidade Jesus + Caritas. Eu estava me perguntando: será que o irmão Carlos tem algo em comum com o grande apóstolo missionário? E descobri que de fato tem não poucas afinidades:
1. O próprio fato da conversão improvisada em idade adulta, depois de ter tido ótima formação religiosa (o fariseu Paulo na escola de Gamaliel, e o nobre de Foucauld pela tradição familiar). O fanático hebreu ficou cego por causa da lei de Moisés, enquanto o iluminista francês perdeu a luz da fé pelo racionalismo científico. Mas os dois recuperaram a graça divina, sacudidos por uma conversão.
2. Os dois viajaram muito e de maneira perigosa: Paulo, no meio de naufrágios e fugas, vasculhou as costas do Mediterrâneo; Carlos correu
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muitos riscos na exploração do Marrocos, foi peregrino na terra Santa e, por fim, penetrou a Argélia deserto adentro.
3. Ambos escreveram muitas cartas, que nos permitem, até hoje, conhecê-los de perto. Até no estilo eles são muito parecidos: tem páginas de Paulo que você quase não passa uma linha sem encontrar menção de Jesus; da mesma forma que as cartas de Carlos estão repletas do nome do bem-amado. Mesmo com estilos missionários tão diferentes, podemos encontrar outra analogia: Paulo faz questão de dizer que “Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa nova da salvação... na cruz de Cristo” (1 Cor 1,17); Carlos não batizará nem um Tuareg, pregando no silêncio o mesmo amor de Cristo.
4. Os dois, mesmo com grandes capacidades intelectuais, fazem questão de trabalhar com suas próprias mãos: Paulo fabrica tendas e não quer pesar nas costas de ninguém; Carlos trabalha em serviços gerais, no mosteiro de Nazaré, e, faz até artesanato na Argélia. E os dois são igualmente sensíveis à injustiça do trabalho escravo, usando recursos próprios para interceder por Onésimo (Fm) ou pelos negros capturados no norte da África.
5. Por último, os dois terminam a missão selando, com o próprio sangue, o testemunho missionário, afinal, duas pessoas tão diversas não podiam que ter um destino comum, posto que os dois foram fascinados e seduzidos por um modelo único...
Neste dia especial pedimos ao Pai, pela intercessão de São Paulo e do beato irmão Carlos, a graça da conversão e do entusiasmo missionário.
LIBERDADE DAS FRATERNIDADES
Inácio José do Vale (Rio de Janeiro).
“Ter a santa liberdade dos filhos de Deus e estar na alegria de Deus. Uma regra, mas uma santa liberdade na aplicação, como faria Jesus”- Irmão Charles de Foucauld (1).
Escreve um dos maiores especialistas em Charles de Foucauld, Jean–François Six: “Quando se desenvolveram as Fraternidades do Padre Charles de Foucauld” – foi o título que o Padre René Voillaume deu ao seu primeiro livro em 1947 – Louis Massignon querendo observar que a “confraria” fundada em 1909 por Foucauld era diferente, por sua estrutura, das fraternidades que surgiam nos anos 40, indicou então a diferença: Carlos de Foucauld tinha fundado não “fraternidades” (com priores, responsáveis, vida comum ou vida de grupo, reuniões, revisões de vida...), mas uma “confraria”, isto é, um grupo de batizados em diáspora, um
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movimento de gente espalhada um pouco por toda parte, para serem, onde estiverem, em sua vida cotidiana de Nazaré, “missionários isolados”, “pioneiros evangélicos”. O único vínculo entre eles, na Comunhão dos Santos, é esta mesma vocação que traduzem cada uma, cada um, em sua vida cotidiana. E Foucauld lhes tinha proposto, como instrumento de união, um “boletim”, uma correspondência enviada a todos, o menos possível institucional para se consagrarem o mais possível aos “irmãos de Jesus que o ignoram” (2).
“Nazaré” não foi um “esconderijo”, mas a encarnação, a participação plena e inteira da condição humana, e o início de sua tarefa divinizadora dessa mesma condição. Antes de “semear e de colher”, é preciso, diz Foucauld, “desbravar”. Foi o que Jesus fez em Nazaré. Depois, Jesus semeou: pregou. Enfim, por sua morte e ressurreição, colheu o grande feixe de todos os seres humanos que conquistou em sua vida.
Desbravador, semeador, coletor: trinta anos, três anos, três dias. Desbravador em Tamanrasset, Foucauld apostava numa possível conversão ao cristianismo de seus amigos tuaregues para “talvez daqui a dois séculos”. O tempo do desbravamento evangélico é extremamente longo em relação aos dois outros. Não se vê o resultado, não se colhe o fruto dos esforços feitos e se é feliz, na alegria por estar nessa vocação, por estar nessa fase e nela permanecer. O que há diante de nós, hoje? Imensas extensões das quais nos dizem que sofrem um eclipse de Deus. Gostaríamos que de repente os céus se abrissem e que os relâmpagos iluminassem tais desertos. O bem-aventurado Charles Foucauld nos convida a percorrer esses desertos como Jesus percorreu as vielas de Nazaré, com passos simples e verdadeiros, com gestos diários de humanidade.
Que nossas vidas sejam marcadas, aqui e ali, pela oração, pela ceia eucarística numa pequena capela ou numa catedral, isto são fontes indispensáveis. Marcada pelo Espírito de liberdade, “Todos juntos livres, padres e leigos, solteiros e casados, diz Foucauld, enviados para fazer conhecer, por nossa vida, nosso amor à vida, nossa alegria de viver, nossa abertura à toda pena e sofrimento, para fazer conhecer que nosso Deus é um Coração.” Cabe a cada um inventar, onde estiver em consciência, sua maneira de amar, fazer respeitar os direitos do último homem, acolher particularmente de todo coração “os irmãos de Jesus que o ignoram”.
São Paulo apóstolo afirma a gloriosa liberdade dos filhos de Deus (Rm 8,21). A liberdade que temos em Cristo Jesus (GI 2,4). Temos que pô-la em prática dia por dia: é para a liberdade que vocês foram chamados diz ele ainda aos Gálatas (5,13). Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade. (2 Cor 3,17). A liberdade em tudo no amor de Deus em prol do seu semelhante. “Querer amar é amar”, nos disse Foucauld, no dia de
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sua morte (era uma primeira sexta-feira do mês consagrada ao coração do Cristo).
A vida evangélica só tem razão de ser no testemunho libertário e na dimensão da caridade: amor-Cáritas.
Fontes:
(1) Lafon, Michel. 15 dias de oração com Charles de Foucauld. 2. Ed. São Paulo: Paulinas, 2011, p. 59.
(2) Jean-François Six. In: Boletim das Fraternidades, nº. 142/2011, pp.15 e 20.
1 - Avaliação da presença e colaboração das irmãzinhas: Edejanira e Dulcita, no mês de Nazaré de 2014:
O complemento da história de Ir. Carlos e Irz. Madalena. Simplicidade e docilidade na forma de evangelizar.
Presença significativa, simples e concreta.
Ajudou a todos a descobrir o que Deus nos quer falar.
Respeitosas na forma de abordar os assuntos.
Muitas referências bíblicas que nos ajudaram a rezar mais no tempo de deserto.
Conhecimento profundo do rosto da Igreja. Mostraram um Deus que inspira carismas diferentes na contramão da história humana. Demonstrou para todos nós intimidade com Deus de uma forma muito humana.
Disponibilidade e disposição para os serviços da casa com humildade de coração.
Questionou os nossos autoritarismos clericais.
A experiência partilhada do deserto vivida pela Irz. Edejanira nos dois anos que morou no Saara, junto aos Tuaregues.
2 - Avaliação geral do mês de Nazaré:
Conteúdo geral ótimo, de modo especial o Retiro com D. Eugênio baseado no livro: LAFON Michel. 15 dias de oração com Charles de Foucauld. São Paulo, Paulinas, que muito ajudou na reflexão pessoal.
Boa integração de todos entre si, o Mosteiro e a Comunidade local.
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O ambiente do Mosteiro da Anunciação como espaço agradável e convidativo à oração pessoal.
Celebração nas comunidades como forma de interagir. Riqueza dos textos de espiritualidade oferecidos sobre o Ir. Carlos. Motivação para os tempos de deserto.
Pe. Jaime Jongmans que enriqueceu com os aspectos históricos da Fraternidade.
Ajudou a vivenciar com mais profundidade sobre o Ir. Carlos. A nossa presença e escuta dos testemunhos dos jovens na Comunidade Terapêutica Paraíso.
Colaborou no sentido de resgatar a história e caminhada das fraternidades em todo o mundo.
O esforço e entrosamento de cada um colaborando nas tarefas e trabalhos manuais.
A ajuda de quem tocou os instrumentos, ex. Pe. Domingos de SP. O uso do Ofício Divino das Comunidades, Liturgia das horas, Ângelus e a Liturgia Diária.
O passeio à Serra Dourada e ao Balneário Santo Antônio como dia de lazer.
A diferença de idade dos membros de 26 aos 76 anos, ajudou na partilha de vida entre todos.
A disponibilidade de D. Eugênio sempre pronto a colaborar em tudo, com o Irmãozinho Marcelo e a Ir. Mercedes.
3 - Sugestões para o próximo mês de Nazaré:
Ter trabalho manual na comunidade terapêutica e em alguma casa da comunidade do mosteiro.
Participação de membros ligados à espiritualidade foucauldiana também serem convidados.
Mais preparação anterior para o dia de deserto e para a revisão de vida.
Enviar para os candidatos ao mês de Nazaré textos que os ajudem a preparar melhor.
A Revisão de Vida ser iniciada em primeiro lugar com os membros mais antigos.
Na inscrição, verificar se alguém precisa de dieta especial por problemas de saúde.
O dia de lazer ser fora do dia de domingo.
Sugeriu-se de aproveitar para o estudo com reflexão de um dos Evangelhos ou outro a Bíblia, durante o mês.
Ter um espaço para testemunho dos irmãozinhos de Goiás. As irmãzinhas sugerem que organizemos uma semana de Nazaré para jovens ou com os(as) leigos(as) em nossas paróquias. Publicar e divulgar um pequeno diretório com a história das fraternidades de todo o Brasil, incluindo atividades, endereços atualizados. Reimprimir os estatutos com os acréscimos vindos da assembleia de Argel de 1982.
Novo folder com informações sobre a nossa Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas
Cada um se comprometer em organizar retiros para os leigos, em suas fraternidades, com apoio de nossas fraternidades.
Neste mês de Nazaré, realizado na Cidade de Goiás em janeiro de 2014, reafirmo meu compromisso como membro desta Fraternidade. Peço a Deus, ao Irmão Carlos e aos irmãos de caminhada a ajudar-me em assumir os compromissos devidos com a vida de Nazaré, a oração, a eucaristia, a adoração, o deserto e a vida simples, com comprometimento maior com os pobres e os não amados dos pobres, e também cultivar a fraternidade entre os padres. Que o Irmão Carlos e vocês me ajudem a ser mais fiel.
Fraternalmente,
Pe. Geraldo Lima (22/02/2014) – Cinquentenário de minha ordenação presbiteral e de meu ingresso nesta Fraternidade.
Meu compromisso inicialmente é com a fraternidade da qual faço parte. Há um real desejo de contribuir na sua articulação, procurando ser uma presença amiga na vida dos que integram tal fraternidade e do presbitério. Depois continuar mergulhando naquilo que foi para o Ir. Carlos a vida de Nazaré, procurando ainda valorizar os meios da Fraternidade. Um outro ponto deste compromisso trata-se da atitude de ir ao evangelho como fez o Ir. Carlos para que eu seja como Jesus. E finalmente, partir do último lugar em vista da vida fraterna em cada uma das comunidades da paróquia e com os jovens.
Pe. Antônio Carlos (Carlinhos). 25/01/2014
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Eu, Pe. Inácio José do Vale, depois dos retiros anuais e realizado o Mês de Nazaré, no Mosteiro da Anunciação do Senhor, cidade de Goiás, no período de 03 a 26 de janeiro de 2014, faço livremente o meu compromisso definitivo com a Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas, buscando viver a espiritualidade foucauldiana. Com a graça do bom Deus me comprometo:
Oração e adoração eucarística
Dia de deserto
Vida fraterna e eremítica
Revisão de vida.
Rogo a Santíssima Trindade e as preces dos irmãos para caminhar gritando com a minha vida o Evangelho de Cristo.
Pe. Inácio José do Vale – Goiás 25/01/2014 – Conversão de Paulo Apóstolo.
Eu, Pe. Paulo Sérgio Mendonça Cutrim, sacerdote da Arquidiocese de São Luís do Maranhão, ordenado no dia 20 de dezembro de 1998; faço parte desta fraternidade desde janeiro de 1998, hoje dia 25 de janeiro de 2014, dia da conversão de São Paulo Apóstolo, diante do Santíssimo Sacramento, concluindo o mês de Nazaré com mais 14 irmãos, no Mosteiro da Anunciação em Goiás, quero assumir o compromisso definitivo com a Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas, através dos seus meios e conforme os estatutos da mesma. Com o propósito de levar uma vida simples, seguindo o exemplo de Jesus Cristo em Nazaré e em toda sua evangelização, sendo alegre, feliz e amigo, para melhor viver esta missão sacerdotal inspirado também, na vida e ensinamentos do Irmão Carlos de Foucauld.
Pe. Paulo Sérgio Mendonça Cutrim – Goiás, 25/01/2014
Eu, diácono Eduardo Sawulski, faço diante dos meus irmãos que participaram do mês de Nazaré, o compromisso definitivo com a Fraternidade Jesus Cáritas. Me esforçarei a cada dia de novo em imitar Jesus, na intimidade com o Pai e deixando-me guiar pela ternura do Espírito. Quero crescer na profunda amizade com Jesus e com todos os irmãos através da oração, da eucaristia, da prática do deserto, da revisão de vida e da vivência da prática fraterna. Que Maria Imaculada, que escutou em si a Palavra, me dê a experiência profunda da alegria inteira que tanto brotou no mês de Nazaré. Peço a força de Deus para ser fiel aos meus propósitos e compromissos assumidos.
Diácono Eduardo Sawulski – Goiás, 25/01/2014
“Ó meu Pai, a vós me abandono.” Tu que és Uno e Trino, rico em bondade, compaixão e misericórdia.”
Eu, de livre consciência, renovo plenamente a minha fidelidade, na presença de meus irmãos do mês de Nazaré, no engajamento definitivo na Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas em assumir o que a mesma propõe:
- Frequentar regularmente as reuniões;
- Participar ativamente das reflexões com estudos da Bíblia e sobre o Fr. Carlos;
- Manter a prática da oração-adoração e meditação;
- Colaborar na revisão de vida;
- Empenhar-me na frequência do retiro anual;
- Corresponder com os membros isolados.
Assim prometo, assim quero cumprir contando com a graça e meu esforço pessoal, sob a luz da Palavra de Deus; seguindo os passos de Jesus, o Bem Amado; inspirando no modo de vida do Ir. Carlos, na orientação do Divino Espírito Santo, amém.
Pois quero continuar “gritando o Evangelho com a vida, buscando o último lugar.”
Pe. José de Anchieta Moura Lima (Arquidiocese de Juiz de Fora- MG) Goiás, 25/01/2014 - Festa da Conversão de São Paulo
“Eles deixaram imediatamente as redes e seguiram Jesus.” (Mt 4,20). O convite é de Jesus e os discípulos não tiveram como não responder. Sinto que a Fraternidade é de grande ajuda para viver o meu sacerdócio, e diante dos desafios viver e dar continuidade à esta caminhada na Igreja, foi após ler um pequeno livro “Meios para uma espiritualidade presbiteral” que despertou-me o interesse para conhecer mais a Fraternidade Sacerdotal. Também chamou muito a atenção para a vida do Ir. Carlos, sua oração e a vida contemplativa no deserto, como a vida do próprio Cristo. Por isto de livre e espontânea vontade, quero assumir de hoje em diante o compromisso de engajamento na Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas, até quando Deus quiser e viver aquilo que é próprio da mesma como: a oração diária; a adoração do Santíssimo; o dia de deserto e o retiro anual.
Pe. José Mateus Domingues Filho – Diocese de Santo André Goiás, 25/01/2014.
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Eu, Pe. Domingos de Jesus, nestes meus 16 anos de vida sacerdotal reconheço o imenso amor de Deus-Pai-Amoroso por mim. Deste modo especial vivido por Jesus Cristo atuando sempre em meu sacerdócio o Espírito Santo, nesta força devo aprender muito nesta espiritualidade, riqueza imensa, recebendo e partilhando com todos os seus meios na qual eu me proponho a viver com humildade, alegria; aproveitar para o bem da Igreja, do sacerdócio, com todo empenho, eu pobre mísero que no sofrimento; por amar Jesus de Nazaré.
Pe. Domingos de Jesus – 25/01/2014
Ao chegar a reta final do mês de Nazaré, eu padre indígena tukano Sérgio de Jesus Alves Azevedo-Doétiro, quero fazer consciente e de espontânea vontade o meu compromisso com a Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas.
- Quero procurar viver a espiritualidade do irmão Carlos - Quero colocar a minha vida em constante oração, adoração e o dia de deserto.
- “A revisão de vida” foi um destaque para mim neste mês de Nazaré. Prefiro por em prática constantemente este valor em minha vida presbiteral.
Que Nossa Senhora de Guadalupe, proteja a mim e a todos os companheiros padres, diáconos, seminaristas da fraternidade. Que nós possamos concretizar verdadeiramente os frutos adquiridos neste mês de Nazaré. Louvado seja sempre o Nosso Senhor Jesus Cristo!
Pe. Sérgio de Jesus A. Azevedo – Goiás 26/01/2014.
Eu, Pe. Flávio Ferreira de Souza, Padre Diocesano da Diocese de Jequié no Estado da Bahia, após ter concluído o Mês de Nazaré nesta cidade de Goiás no Mosteiro da Anunciação, venho livre e conscientemente manifestar perante Deus e os irmãos aqui unidos minha adesão definitiva à Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas. Motivado pela inspiração do Beato Irmão Carlos de Foucauld que “Toda nossa vida, por muda que seja, a vida de Nazaré, a vida de Deserto, como a vida pública, deve ser uma pregação do Evangelho com o exemplo; toda nossa existência, todo nosso ser deve gritar o Evangelho sobre os telhados ...”. Proponho-me realizar os meios da Fraternidade Sacerdotal para melhor viver meu ministério conforme as exigências que lhe são próprias. Por fim, “meu Pai, a vós me abandono, fazei de mim o que quiserdes...” tudo “por causa de Cristo e do Evangelho” no amor e serviço aos irmãos(ãs)• 62 •
sob a ação do Espírito Santo e intercessão de Nossa Senhora das Graças. Amém. Do que dou fé!
Pe. Flávio Ferreira de Souza
Cidade de Goiás, 25 de janeiro de 2014. Festa da conversão de São Paulo Apóstolo
Caro Jesus, você me ama; eu me sinto amado, acompanhado, corrigido e encorajado; peço-lhe ajuda para dar prioridade sobre todas as coisas à amizade com você. Você me deu de encontrar a Fraternidade Jesus Cáritas; nestes onze anos de missão na Amazônia ela me deu força; lhe peço de me dar perseverança para que o engajamento que hoje aqui assumo seja definitivo e eu cresça na prática dos seus meios, sobretudo na adoração cotidiana, no dia do deserto mensal, e no convite a outros padres. Peço-lhe o dom da pobreza; que eu busque a felicidade na partilha fraterna dos bens materiais e espirituais, num estilo de vida simples, desapegado das coisas, dos agradecimentos e dos reconhecimentos.
Pe. João Poli – Goiás, 25 de janeiro de 2014.
Tua regra: Seguir-me... Fazer o que eu faria.
Eu tudo te perguntes: Que teria feito Nosso Senhor? e falo. É tua única regra, mas tua regra absoluta.
Diante de Deus e de meus irmãos, na iminência de minha ordenação sacerdotal quero pois assumir o compromisso da Fraternidade Jesus Cáritas, orientando minha vida e meu ministério ao seguimento radical de Jesus de Nazaré. Tendo consciência dos meios de nossa fraternidade e querendo assumi-los em um engajamento temporário até que se me firme uma fraternidade no Piauí assumo este compromisso de fé e amor.
Pe. Jailton Pinheiro da Silva – Goiás, 25 de janeiro de 2014 Festa da Conversão de São Paulo
No ano de 1993, na Tapeba – Paraná, eu fiz meu compromisso definitivo com a Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas, conforme as intuições do Ir. Carlos e as propostas do Diretório da Fraternidade. Compromisso que, ao longo dos anos, fui renovando e fortalecendo, na medida em que a minha realidade de membro isolado no Uruguai tem permitido. Por isso, hoje, Festa da conversão de Paulo, e lembrando-me
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de suas palavras à comunidade de Corintios: “Mas aquilo que sou, eu devo à graça de Deus...” ( ICor 15,10a), diante de Deus Pai-Mãe e deste grupo de irmãos de caminhada, contando com a intercessão do bem aventurado Ir. Carlos de Foucauld renovo, uma vez mais, aquele mesmo compromisso de 1993, querendo ter como apoio no meu caminho cotidiano de presbítero diocesano:
- A adoração de Jesus Eucaristia
- O dia prolongado de oração ou deserto
- A meditação diária da Palavra de Deus
- E, sempre que for possível, o dia de fraternidade e a revisão de vida. Mantendo um estilo de vida simples e voltado para os mais excluídos da Igreja e da sociedade.
- Estando aberto e atento aos sinais de Deus, para poder fazer o que Ele quer e espera de mim, não deixando que a proposta Dele seja atrapalhada pelos meus medos pessoais.
Comprometo-me também, a trabalhar para melhorar as relações de amizade e de vida fraterna entre os membros do meu presbitério diocesano, procurando diminuir as divisões e cimentar as pontes. Finalmente, comprometo-me a continuar acompanhando a caminhada da Comunidade Paroquial que me foi encomendada, pelo tempo que Deus tenha reservado para este serviço. Deus que “me escolheu antes de eu nascer e me chamou por sua graça” (Gl 1,15) continue levando-me pela sua mão e faça de mim instrumento da sua justiça e da sua paz.
Pe. Jorge Osório (Diocese de Melo – Uruguai)
Goiás, Mosteiro da Anunciação, 25 de janeiro de 2014.
Depois de conhecer a Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas há mais de 10 anos, decidi vivenciar o mês de Nazaré para firmar meu compromisso segundo a proposta desta espiritualidade. No momento tenho a graça de viver uma experiência missionária de inserção em área indígena e pretendo fazê-la o mais possível ao estilo dos irmãozinhos/as de Charles de Foucauld. Vivendo bastante afastado das comunicações, conto com a oração e amizade das fraternidades, conforme se fala no estatuto a respeito dos irmãos isolados. Comprometo-me em participar do encontro anual da fraternidade regional Norte I, visitar periodicamente o meu pároco e companheiro mais próximo (Pe. Sérgio) e vivenciar os outros meios de fraternidade.
Frei Bruno de Jesus (Fidei domum – Itália) Diocese São Gabriel da Cachoeira – AM
Goiás, 25 de janeiro de 2014.
Por causa de Jesus e de seu evangelho. Por este Jesus ao qual o Irmãozinho Carlos amou com todas as suas forças, estou na Fraternidade dos irmãozinhos da visitação, onde renovo hoje, e todos os dias quero renovar meu compromissos de fidelidade ao carisma e a espiritualidade. Prometendo fazer de minha vida, com a graça de Deus, auxílio da Virgem Maria, a intercessão do bem aventurado Charles de Foucauld, dos irmãos aqui reunidos no mês de Nazaré, que não me falte a graça para poder dizer sempre sim. Prometo diante de Deus e dos irmãos:
- a fazer de minha vida de oração uma contemplação dos mistérios invisíveis de Nosso Senhor Jesus Cristo.
- A viver a revisão de vida como etapa primordial no meu crescimento espiritual. A viver o meu dia de deserto como encontro particular com Deus.
- A cumprir fielmente minha hora de adoração diária.
- A viver e testemunhar a espiritualidade entre meus irmãos de fraternidade quanto aos que dela se aproximarem.
- A cumprir fielmente a meditação da Santa Palavra de Deus. - A participar e estar em contato com toda família espiritual de Charles de Foucauld.
- Em colocar os pobres e marginalizados no centro de minha vida. - A estar sempre em comum unidade com a Igreja e meus superiores.
Irmãozinho Marcelo de Jesus (Irmãozinho da visitação da Fraternidade de Charles de Foucauld) – Goiás, 25 de janeiro de 2014.
1 - IRMÃOZINHOS DA VISITAÇÃO
Como nasceu
A Fraternidade dos Irmãozinhos da Visitação de Charles de Foucauld, nasce do desejo ardente dos bispos reunidos em Aparecida com o Santo Padre o Papa Bento XVI, para a realização da V conferência Latino Americana e Caribenha. Após a conclusão desta conferência, um pequeno grupo de jovens rapazes, já vivenciando uma profunda experiência religiosa em uma comunidade nova, tem seu primeiro contato com a Espiritualidade de Charles de Foucauld, através do livro ‘Fermento na massa’. E na mesma oportunidade também recebem um pequeno exemplar das conclusões da V Conferência, e se sentem atraídos a trilhar um novo caminho no coração da Igreja, atendendo o apelo do Papa e dos bispos reunidos aos pés da Mãe Aparecida.
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Quem somos
Assim um pequeno grupo de 2 jovens decidem deixar a comunidade religiosa que pertenciam e formar a primeira fraternidade de vida e oração. Acolhidos por um atencioso padre de uma paróquia no sul de Minas Gerais (Extrema) que após tomar posse como pároco viu o grande desafio missionário que o aguardava, convidou os jovens a fixarem a casa fraterna numa periferia fora da cidade, e que ficassem responsáveis pela animação missionária de 13 comunidades rurais mais uma sede da periferia, hoje paróquia. E foram enviados e acolhidos pelo povo santo de Deus, incansáveis lutadores e batalhadores na vivência de uma comunidade de base que uma fé e vida e uma radical opção preferencial pelos pobres, sedentos de beber das águas de Aparecida.
Começaram, então, uma maratona de encontros de animação das lideranças, grupos de reflexão, novenas de natal, campanhas da fraternidade, cursos de batismo nas famílias, incentivo a catequese de iniciação e crisma, animação da vida litúrgica, missões permanentes, animação da juventude, obras sociais diversas, luta e defesa da vida e direitos humanos.
Com o tempo chegaram mais jovens que queriam fazer aquela experiência, mas muitos ficaram somente na experiência, pois a vida daqueles jovens, já conhecidos e chamados pelo povo de Irmãos Missionários, era uma total contradição a vida religiosa atual. Viviam eles do seu próprio trabalho, e se dedicavam integralmente a vida das comunidades. Participavam ativamente das dores e sofrimentos do povo pobre, partilhavam também as alegrias daquele povo, enfrentavam traficantes, recebiam ameaças de morte, por tentar livrar crianças, adolescentes e jovens da escravidão das drogas, isto quando as mães na madrugada batiam nas portas da casa dos irmãos chorando, pedindo ajuda.
Após viverem 5 anos nesta região, e terem construído com o povo de Deus daquelas comunidades uma igreja viva, e uma liderança participante e comprometida, decidem entregar a missão ao bispo local, e migrarem para a Diocese de Goiás, onde já eram aguardados com entusiasmo pelo Bispo Dom Eugênio Rixen.
A Fraternidade hoje
Assim que chegamos fomos encarregados de estarmos responsáveis pela chácara de recuperação para jovens dependentes, e pela casa de acolhida ao migrante da diocese. Hoje somos em 5 irmãos, que tentam dar continuidade aos princípios colocados no coração daqueles que iniciaram, renovando sempre, dia após dia o desejo e viverem Aparecida e testemunharem com a vida o evangelho de Jesus Cristo, seguindo a espiritualidade de Charles de Foucauld. A Fraternidade está aberta a acolher, aqueles(as) que querem viver uma vida religiosa de inserção e testemunho do evangelho, professando os conselhos evangélicos. Também a sacerdotes que querem formar vida fraterna com os irmãos, a casais com sua família, que querem se consagrar a Deus, no serviço aos pobres e necessitados, vivendo em comunidades fraternas.
Nossas missões, presença e visitação
A fraternidade colabora na pregação de retiros para jovens, catequizandos e catequistas, animação da Infância Missionária, Missões Populares, jovens vocacionados, pastoral da juventude e grupos de jovens, pastorais e movimentos, acompanhamentos e implantação de serviços sociais para mulheres marginalizadas, crianças e adolescentes em situação de riscos diversos e frentes de trabalhos, grupos de apoio a dependentes químicos, alcoólatras e seus familiares.
Conheça-nos! Visite-nos!
Frater geral: Irmão Marcelo de Jesus
Centro de Acolhida Bom Samaritano – Chácara do Bispo Rua Barreira do Norte, 56 – Alto Santana – Goiás.
Tel.: (62)3371 1436/3371 1570/ 9967 1009
e-mail: irmaozinhosdavisitaçãofoucauld@yahoo.com.br e marcelocorima@yahoo.com.br
2 - FRATERNIDADE MISSIONÁRIA ITINERANTE
“A missão não é, apenas, uma questão de territórios geográficos, mas, de povos, culturas e pessoas individuais” (Papa Francisco).
Estamos no Piauí, na área Pastoral São Miguel Arcanjo, município de São Miguel do Fidalgo, Diocese de Oeiras.
Estar no Piauí é uma graça que nós acolhemos com muita alegria e esperança. Em primeiro lugar porque, foi o Senhor que nos escolheu e nos enviou. Ele separou uma pequena porção do seu rebanho para confiar aos nossos cuidados, enquanto oportunidade para o exercício da fraternidade, como o primeiro dom do evangelho e a força do testemunho na evangelização. Disto decorrem todos os outros, inumeráveis, motivos de graça.
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Não é somente uma missão fora, em outra paróquia, em outra diocese, em outro estado. Trata-se de uma Fraternidade Missionária Itinerante, formada por Aparecida Dias de Lima, Fátima Aparecida Bertoli e Edivaldo Pereira dos Santos.
Para nós, Fraternidade Missionária Itinerante é o mesmo que: Fraternidade: “Entrar e permanecer em total comunhão com a vida! A vida é o espaço sagrado do Reino – da Fraternidade Universal.” Missionária: “Jesus viveu sua vida mergulhado na espiritualidade e mística de Nazaré. Sua espiritualidade não foi para possuir o Espírito, mas para deixar-se possuir por Ele. O Espírito sopra onde quer!” Itinerante: “Jesus assume sua vida missionária como um radical e dinâmico peregrino itinerante. Sua missão era com os pobres e aflitos da sociedade. O santuário da vida era onde ele fazia a vontade do Pai.” Todo missionário e missionária deve pautar a sua vida na Palavra de Deus. Se não for assim, a missão é peso, obrigação, tarefa, estrelismo... tudo... menos missão. Entendemos que a passagem em Lucas 4,16-21 confirma o nosso sim à missão:
“Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se havia criado. Conforme seu costume, no sábado entrou na sinagoga, e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor.’ Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão do ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então Jesus começou a dizer-lhes: ‘Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabam de ouvir’.”
Quando temos que explicar o objetivo da Fraternidade Missionária Itinerante, simplesmente partilhamos a motivação de “Disponibilizar nossa vida à ação missionária, somada aos vários dons oferecidos (pessoas, lugares, contextos, culturas, apelos...) contemplando o pobre no coração de Deus e Deus no coração do pobre, com a fraternura de Jesus”.
Nosso projeto de vida não é outra coisa senão “Viver em discipulado missionário à luz de Nazaré como contemplativo permanente no meio do mundo. Ser fermento na massa sobrante dos fragilizados e excluídos de hoje. Carlos de Foucauld dizia: ‘Assumir a vida de Nazaré na sua simplicidade, como seu caminho de vida em todos os momentos, é um grande desafio. Nada de coisas especiais; nada de lugares ou casas isoladas, mas uma morada no mundo dos pobres, como fez Jesus de Nazaré! Viver do seu trabalho de cada dia, como Jesus de Nazaré! Nada de propriedades ou prédios grandes! Nada de gastos supérfluos ou desnecessários. É viver uma vida pobre em tudo, como Jesus de Nazaré! É rezar como Jesus rezou, rezar tanto quanto Jesus rezou. Sempre reservar muito espaço e tempo para rezar. A vida de Nazaré pode ser vivida em qualquer lugar, especialmente onde ela possa ser útil ao seu próximo’.” (Diário de Carlos de Foucauld 22/07/1905).
Assumimos a missão na vivência das atitudes fraternas de: Acolhida (Lucas 15,11-32). “Mas, era preciso festejar e nos alegrar, porque esse seu irmão estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado” (Lc 15,32).
Serviço (João 13,1-17).”Eu garanto a vocês: o servo não é maior do que o seu senhor, nem o mensageiro é maior do que aquele que o enviou. Se vocês compreenderam isso, serão felizes se o puserem em prática” (Jo 13,16-17).
Compaixão (Lucas 10,25-37). “O especialista em leis respondeu: ‘Aquele que praticou misericórdia para com ele.’ Então Jesus lhe disse: ‘Vá, e faça a mesma coisa’,” (Lc 10,37).
Alegria (Lucas 15,3-7). “Alegrem-se comigo! Eu encontrei a minha ovelha que estava perdida” (Lc 15,6b)
Amor (João 21,15-19). “Disse, Pedro, a Jesus: ‘Senhor, tu conheces tudo, e sabes que eu te amo.’ Jesus disse: ‘Cuide das minhas ovelhas’.” (Jo 21,17).
O Papa Francisco, com a sua postura missionária, nos motiva, encoraja e confirma quando diz:
• “A opção por Jesus requer: desapego dos bens, fé na providência do Pai, vigilância interior e esperança da salvação”;
• “Desejo uma Igreja pobre com os pobres, nas periferias. A Igreja precisa curar as feridas, aquecer o coração dos fiéis, estar próxima do povo e com os pobres e ser como o bom samaritano”;
• “Sejamos profetas da alegria e da coragem para superar a amargura, a lamúria e o desânimo. Coração ao alto, coragem, não tenhais medo”;
• “Nossas casas não podem ter portas fechadas aos pobres. Jesus bate à nossa porta”;
• “A alegria nasce do encontro com Deus e da amizade com os outros”;
• “A misericórdia é a resposta de Deus ao nosso pecado. Deus lava e apaga nossa culpa, nos recria”;
• “Quem toca no pobre, no doente, no aflito toca a carne de Cristo. Jesus se fez carne no pobre”;
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• “Não deixeis que vos roubem a esperança. Vamos remar contra a corrente, ir adiante, procurar, juntos, as soluções, crer no diálogo, fazer-se próximos uns dos outros. Ter esperança é ser criativo, corajoso, audaz e esperto”.
A luz que foi acesa em nosso batismo e, que, nunca se apagou continua brilhando e nos convocando para sermos presença luminosa onde estamos. A água que foi usada para sacramentar nossa união com Deus e com a comunidade, nós a trouxemos para regar nossas visitas, encontros, partilhas, caminhos, desertos, compromissos e aliança com o Povo de Deus, em missão.
Esta convocação missionária é única, provocadora e inquietante: missão além fronteiras, no Piauí, com as bênçãos, presença e disposição de Maria: eis aqui as servas e o servo do Senhor...
Fraternidade Missionária Itinerante.
Rua Raimundo José Dias, S/N
64558-000 São Miguel do Fidalgo - PI
Fátima Bertoli – email: fabertoli@ig.com.br
Aparecida Dias – email: dias.aparecida@yahoo.com.br Pe. Edivaldo Pereira dos Santos – email: padidi.santos@gmail.com
BODAS DE OURO DE ORDENAÇÃO DO PE. GERALDO LIMA
Aos meus irmãos da Fraternidade Sacerdotal Charles de Foucauld, aos irmãos e irmãs de caminhada saudações em Jesus de Nazaré. Nós formamos uma grande Família e a Vocês eu me dirijo “Crucificado com Cristo para dar minha vida por meus irmãos!” Com esta prece e proclamas em 29 de junho de 1964 na Catedral São Pedro de Alcântara em Petrópolis (RJ) eu fui ordenado Sacerdote por Dom Emanuel Pedro da Cunha Cintra. Esta frase mensagem tem me acompanhado e desafiado nestes cinquenta anos, assumir com renovado ardor o compromisso libertador do ser Igreja povo de Deus, presente no Concílio Vaticano II que aconteceu já no ano seguinte à minha ordenação. Alguns padres meus amigos e orientadores muito me ajudaram no processo de formação e na descoberta de caminhos novos abertos pelo Espírito Santo para orientar a Igreja como povo de Deus em processo de caminhada libertadora do povo pobre e sofredor. Entre as pessoas que mais me ajudaram a ser o que eu tenho sido, quero lembrar, meus pais José Lima e Marieta Carrielo, os padres Celso Pinto (Bispo) e Gilson, que foram meus formadores no Seminário São José do Rio Comprido, onde cursei a Filosofia e Teologia.
Lembro-me com muito carinho de Monsenhor Penido e Padre Garcia Rúbio.
Na semana da minha ordenação acontecia em Petrópolis um Retiro da Fraternidade Sacerdotal orientado pelo Padre Celso Pedro, diretor do Cemfi, que acolhia os missionários ou missionárias de fora que vinham trabalhar no Brasil. Foi o primeiro retiro que participei e a partir dele começamos com Celso Pedro, Gunther e outros a Fraternidade de Petrópolis, e conseguimos engajar os padres novos que iam se ordenando para Diocese.
Nesta caminhada dos 50 anos, teve sacerdotes que contribuíram na minha formação e que me empurraram para um compromisso libertador com os jovens, trabalhadores da cidade e do campo. Quero lembrar Monsenhor Geraldo Melo que me orientou a entrar no seminário quando eu era bem jovem – tinha 11 anos. O outro é o Padre Agostinho Preto, assistente do JOC, fundador da Pastoral Operária que tinha os olhos abertos para todas as contradições e riscos da caminhada dos trabalhadores.
Ele sabia muito bem dizer a palavra certa, na hora certa, para pessoa certa. Por isso que ajudei a ele a organizar a JOC na Diocese de Nova Iguaçu, depois a Pastoral Operária e a seguir a Pastoral da Terra, sempre com o apoio e impulso do Bispo Dom Adriano Hipólito. Eles fizeram com que meu compromisso não se afastasse dos jovens, trabalhadores e trabalhadoras, do povo sofredor da Baixada.
Por isso que após trabalhar 3 anos na Equipe do Centro de Pastoral Catequético, trabalhei 5 anos como assessor Nacional da JOC e depois diocesano e a partir de 1985 com a Pastoral da Terra, responsável pelo Estado Rio.
E a cada vez aparecia compromissos novos e desafiadores. Fui missionário nas comunidades paroquiais do Rei San Juan em San Carlos – Nicarágua durante 6 meses, isto aconteceu em 1985.
Trabalhei também como missionário quase dois anos na prelazia do Xingú em Medicilândia Estado do Pará onde tínhamos a responsabilidade de 79 comunidades. Foi uma experiência desafiadora, mas uma grande graça para mim, ajudei, em Nova Iguaçu, a formar a Pastoral da Saúde, setor de Medicina Natural com o apoio e incentivo do Pe. Agostinho Preto a partir de 1983.
Atualmente trabalho na Paróquia São Miguel Arcanjo em Miguel Couto formando uma equipe legal com Padre Vilcilane, que é o Coordenador da Associação dos Presbíteros – da Diocese de Nova Iguaçu, e com o Padre Ivo, jovem recém ordenado, muito popular e animado.
No dia 29 de junho deste ano estarei dando Graças a Deus em Miguel Couto (Nova Iguaçu) por tudo que conseguimos fazer para expressar nossa opção pelos pobres, no seguimento de Jesus de Nazaré e almejando viver a simplicidade de Jesus em sua simplicidade em Nazaré.
Convido a todos para juntos louvarmos e agradecermos a Deus esta caminhada no dia 29 de junho na Igreja Matriz de Miguel Couto às 10h.
Juntos na oração, na partilha e no agradecimento pela beleza que é nossa caminhada.
Seu Irmão Padre Geraldo Lima.
Endereço – Rua São Pedro, 74, Miguel Couto
(Perto da praça principal e do ponto final dos ônibus)
Telefone (021) 2886-0222 – celular (021) 99974-9665
OBS: Do Centro do Rio ou de Nova Iguaçu tem ônibus direto.• 72 •
CENTENÁRIO DE CHARLES DE FOUCAULD
O Ano do Centenário: 01/12/2015 a 01/12/2016
Não temos uma agenda formada para comemorarmos o ano do centenário do Irmão Carlos, mas algumas propostas que podem ser ampliadas, de acordo com as sugestões dos irmãos e irmãs.
Propostas:
- Celebrar abertura no Santuário de Aparecida, para divulgação para o Brasil;
- Divulgar nas mídias católicas;
- Organizar Fóruns locais – em cidades e dioceses, “mesas redondas” e outros eventos sobre Charles de Foucauld e sua herança espiritual;
Diante deste tempo que se aproxima convido a todos a elaborar uma programação para sua região, pois, a vida do Ir. Carlos é uma riqueza para a Igreja e é ocasião de ser mais conhecida como uma proposta de vida de discípulo missionário.•
ENCONTROS REGIONAIS E NACIONAIS
A agenda para os Encontros Regionais e Nacionais constam das seguintes datas:
26 a 28/05/2014 – Leste, em Belo Horizonte (Roças Novas ou Caeté) – MG
03 a 07/04/2014 – Norte, em São Gabriel da Cachoeira – AM 19 e 20/05/2014 – Sudeste, em Marília – SP
07 a 10/07/2014 – Norte/Nordeste, em Belém – PA
16 a 20/07/2014 – Retiro dos Seminaristas, Brasília – DF 21 a 22/07/2014 – Sul, em Florianópolis – SC
11 a 14/08/2014 – Centro-Oeste, em Goiás – GO
16 a 18/09/2014 – Nordeste, em Recife ou João Pessoa 20 a 22/10/2014 – Coordenação Nacional, em Belém – PA 24 e 26/11/2014 – Leste, em Arrozal – RJ
02/12/2014 – Sudeste, em Rinópolis – SP
06 a 13/01/2015 – Retiro Nacional, em Florianópolis – SC
Caro Irmão:
Quatis, março de 2014.
“Toda nossa existência, todo nosso ser, deve gritar o Evangelho sobre os telhados; toda nossa pessoa deve respirar Jesus, todos nossos atos, toda nossa vida deve gritar que somos de Jesus, devem apresentar a imagem da vida evangélica; todo nosso ser deve ser uma pregação viva [...], que brilha como uma imagem de Jesus” (Charles de Foucauld).
A Fraternidade Sacerdotal convida seminaristas do 3º e 4º ano de Teologia para participarem do Retiro da Fraternidade para seminaristas. Solicitamos a cada irmão convidar um seminarista e ajudá-lo nas despesas possibilitando sua participação.
Início: 16 de julho de 2014, com o jantar, 18h00.
Término: 20 de julho de 2014, com o almoço.
Responsáveis: Pe. Valdo B. de Santana - (18) 99714-4095 - padre.valdo@uol.com.br
e Pe. Jeová Elias Ferreira - (61) 3591-4165 - pe.jeovaelias@gmail.com Hospedagem: R$ 70,00 (Setenta reais) a diária
Local: Casa Domus Mariae - Incra 8 - Distrito Federal
Pe. João Périus - Tel.: (61) 8511-5506 / (61) 9256-4295. Pe. Jeová Elias - Tel.: (61) 8451-2046 (Oi) e (61) 8278-4366 (Tim).
Levar: Ofício Divino das Comunidades, Bíblia, Roupa de cama e banho.
Como chegar: Informar com antecedência o dia e a hora da chegada e onde: rodoviária ou aeroporto. Será providenciado transporte para o local do retiro, pois é de difícil acesso. Ao chegar, fazer contato com o Pe. Jeová Elias.
Pe. Gildo Nogueira Gomes
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1 - INDICAÇÃO DE LEITURAS
MOYNIHAN, Robert. Rezem por mim. S. Paulo, Companhia Editora Nacional, 1ª ed., 2013, 320p.
Este livro pretende ajudar aqueles que estão respondendo ao seu primeiro pedido feito a todos nós, de forma simples do fundo do seu coração: “Rezem por mim. O autor traz em ricos detalhes os momentos que antecederam a escolha do Papa. Os ensinamentos, que mostram um novo sopro de esperança para a Igreja Católica. Ele cita e comenta os cinco guias espirituais do Papa Francisco: Jonas, Maria, Inácio de Loyola, Dom Luig Giussani e Franciso. Vale a pena ler e sugerir para as pessoas de comunidade.
PAGOLA, José Antônio. O caminho aberto por Jesus. Petrópolis, Vozes, 2012. 4 Vol. Mt, Mc, Lc e Jo.
Cada volume tem cerca de 400 páginas cada. É uma obra que reúne alguns comentários aos 4 evangelhos, com um índice temático no final de cada livro, para ajudar o leitor a entrar pelo caminho aberto de Jesus, centrando a nossa fé no seguimento de sua pessoa. Ajuda a preparar as homilias de cada domingo do ano litúrgico, de linguagem simples, profunda e prática. Ajuda na compreensão da mensagem de Jesus como boa notícia de um Deus compassivo. É um ótimo subsídio para nossas equipes de liturgia, se enriquecerem na preparação para as celebrações dominicais. Vale a pena conferir.
DOSTOIEVSKI, Fiódor. Gente pobre. S Paulo, Ed. 34. www.editora34.com.br. 1ª reimpressão, 2011.
Foi publicado pela primeira vez em 1846, quando o autor tinha 24 anos, marcando o início de suas várias obras. Onde dá vida às ideias que ele defendia. “É que os pequenos gestos adquirem, neste livro, uma importância decisiva, e a sugestão esboçada adquire muitas vezes mais valor que um ato explícito.” (Comentário na contra capa do livro). É um romance com características do sec. XVIII, marcado pela sua consciência da injustiça social. É um dos autores mais preferidos pelo nosso atual Papa.
Pe. José de Anchieta – Juiz de Fora MG
BOTTON de, Alain. Religião para ateus. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2011;
O autor, declaradamente ateu, mesmo negando a dimensão sobrenatural da religião, defende o uso pela sociedade de valores que a religião acolhe, como: a administração do sofrimento, a convivência social em meio aos conflitos, a valorização da vida comunitária, etc. Na conclusão do livro, ele afirma: “As religiões são intermitentemente úteis, eficazes e inteligentes demais para ser deixadas somente para os religiosos”.
HYDE, Lewis. A Dádiva – Como o espírito criador transforma o mundo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010;
Neste livro o autor defende que, tendo como referência a arte, os dons não devem ser transformados em mercadorias. “Clássico moderno, A dádiva é uma brilhante defesa do valor da criatividade e de sua importância em uma cultura abarrotada de produtos e cada vez mais
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governado pelo dinheiro” (orelha do livro). Destaco o capítulo 7, Usura: uma história de troca de dádivas, que disserta sobre a defesa de relações fraternas combatendo a usura.
Serbin, Kenneth P. Diálogos na Sombra. S. Paulo: Companhia das Letras, 2001;
Livro oportuno pela memória dos 50 anos do golpe civil militar no Brasil. Faz a reconstituição histórica das negociações entre bispos e generais, envolvidos na comissão Bipartite, criada em novembro de 1970.
Pe. Jeová Elias Ferreira – Sobradinho – Brasília – DF
2 - INDICAÇÃO DE SITES
www.carlosdefoucald.org. É um site em espanhol sobre a organização da família na Espanha com muita variedade de informações, ótimo para nosso enriquecimento no conhecimento de outras fraternidades em outros países.
www.hermanitasdejesus.org. Apresenta as notícias das irmãzinhas aos amigos e familiares do Ir. Carlos de Jesus, que estão em todo o nosso continente latino-americano, publicam um revista anual de boa qualidade gráfica, com as notícias da fraternidade. Na revista de 2013 publicaremos algumas informações em nosso Boletim da Fraternidade em breve.
www.opaonossodecadadia.com.br. É um site do subsídio litúrgico-catequético mensal coordenado pelo Pe. Antônio José de Almeida equipe da diocese de Apucarana PR. Tem comentários dos Evangelhos da liturgia de todos os dias do ano. Inclui ABC do Cristianismo e da liturgia, ou quem quiser fazer assinaturas o tel. é 0 XX 44 3015 3033.
Pe. José de Anchieta – Juiz de Fora – MG.
3 - INDICAÇÃO DE FILMES
12 anos de escravidão. O filme apresenta a história real de Solomon Northup, um negro livre, cidadão de Nova York, sequestrado em 1841 na cidade de Washington, vendido como escravo e resgatado em 1853. Premiado com o Oscar de melhor filme, melhor atriz coadjuvante e melhor roteiro adaptado. Filme oportuno em razão da temática da Campanha da Fraternidade: fraternidade e tráfico humano.
Philomena. Também baseado em fatos reais, retrata a história de uma jovem, mãe solteira, encaminhada para um convento na Irlanda para ter seu filho. Sua criança é traficada para os Estados Unidos e, 50 anos depois, empreende esforço para reencontrá-la. Também oportuno pela temática da Campanha da Fraternidade, no destaque para o tráfico de crianças.
Pe. Jeová Elias Ferreira – Sobradinho – Brasília – DF
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1. Irmãzinhas de Jesus
Responsável: Irmãzinha Dorinha de Jesus
Rua A1 N 50. Casa 4 – Betânia
30590-280 Belo Horizonte – MG
Fone (31) 3374-9993
Email: dolocas@yahoo.com.br
2. Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas
Responsável: Pe. Gildo Nogueira Gomes
Praça Getúlio Vargas, 119
27400-000 – Quatis – RJ
Tel: (24) 3353-2366 e (24) 99917-2887 (vivo)
Email: pegildo@bol.com.br
3. Instituto Secular
Responsável: Maria Concilda Marques
Rua Nogueira Acioli, 1050
Apartamento, 703 – Centro
60110-140 – Fortaleza – RJ
Fone: (85) 322-4074 e (85) 9156-7669 (claro)
Email: concildamarques@uol.com.br
4. Fraternidade Secular Carlos de Foucauld
Responsável: Estêvão Rodrigues Sanches
Rua Leopoldo Machado, 63
03611-020 – São Paulo – SP
Fone: (11) 2641-0258 e (11) 99243-3854 (claro)
Email: estevaorsanches@yahoo.com.br e
boletimfrater@gmail.com
5. Sodalício Carlos de Foucauld
Responsável: Margareth Malfiet
Casa Paroquial
62220-000 – Poranga – CE
Email: gretaporanga@yahoo.com.br
• 78 •
6. Comunidade de Damasco
Responsável: Pe. João Rocha
Caixa Postal, 341
85100-970 – Guarapuava – PR
Email: divinaternura@almix.com.br
7. Irmãozinhos de Jesus
Responsável: Irmãozinho Guido
Av. Fortaleza, 345 – Bairro Valentina Figueiredo
58069-170 – João Pessoa – PB
Fone: (83) 8812-5295 (oi)
8. Irmãozinhos da Visitação de Foucauld
Responsável: Ir. Marcelo de Oliveira
Rua Barreira do Norte, 56 – Alto Santana – Cx. P. 05
Email: marcelocorima@yahoo.com.br
76600-00 – Goiás – GO
Fone: (62) 9967-1009 – 3371-1336 – 3371-1570
9. Fraternidade Missionária Carlos de Foucauld
Responsável: Antônio Silva (Toninho)
Caixa Postal 184
01059-970 – Ribeirão Pires – SP
Fone: (11) 2161-5747 Diagramação • Impressão • Acabamento:
Meu Pai, a vós me abandono: fazei
de mim o que quiserdes! O que de
mim fizerdes, eu vos agradeço.
Estou pronto para tudo, aceito
tudo, contanto que a vossa
vontade se faça em mim e em
todas as vossas criaturas. Não
quero outra coisa, meu Deus.
Entrego minha vida em vossas
mãos. Eu vo-la dou, meu Deus,
com todo o amor de meu coração,
porque eu vos amo.
E porque é para mim uma
necessidade de amor dar-me,
entregar-me em vossas mãos sem
medida, com infinita confiança, porque
sois meu Pai.
Dai-me Senhor, meu Deus o que Vos resta.
Aquilo que ninguém Vos pede.
Não Vos peço repouso nem a tranquilidade,
Nem da alma, nem do corpo.
Não Vos peço a riqueza, nem o êxito, nem a saúde. Tantos Vos pedem isso, meu Deus,
Que já não vos sobra para dar.
Dai-me, Senhor, o que Vos resta.
Dai-me aquilo que todos recusam.
Quero a insegurança e a inquietação.
Quero a luta e a tormenta.
Dai-me isso, meu Deus, definitivamente.
Dai-me a certeza de que essa será
A minha parte pra sempre,
Porque nem sempre terei a coragem de Vo-la pedir. Dai-me, Senhor, o que vos resta.
Dai-me aquilo que os outros não querem.
Mas, dai-me também a coragem, a força e a fé.
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Charles de Foucauld