Caros leitores, amigos e irmãos da Fraternidade.
Celebrando o cinquentenário da Fraternidade, o Courrier des Fraternités, edição internacional, publicou o suplemento nº 171 intitulado “50 anos da Fraternidade Sacerdotal”.
Henri Le Masne colaborou com a edição internacional escrevendo o artigo “Graças a eles”. No qual apresenta de forma viva e pessoal, os primeiros que iniciaram e marcaram a Fraternidade com sua personalidade. Isto é um fato constatável: a Fraternidade não são idéias ou instituições. A Fraternidade é a vida dos padres. É a vida concreta de muitos de nossos irmãos que nos estimula e incentiva na caminhada. Lendo os relatos de Le Masne sobre Gabriel Isaac, René Voillaume, o “Vieux Frère” Pierre Cimetière, Guy Riobé, Bispo de Orléans, Baba Simon, dos Camarões, Pierre Loubier, a gente se sente muito bem acompanhado. A leitura da vida destes nossos irmãos da primeira hora renova o entusiasmo pela Fraternidade, consequentemente pelo nosso ministério.
Neste Boletim encontra-se apenas as figuras de Gabriel Isaac e René Voillaume. Os outros serão apresentamos nos números seguintes. Lendo os relatos de Henri Le Masne, percebe-se muito da personalidade entusiasta desse irmão também ele da primeira hora. Henri esteve no Brasil no ano passado por ocasião da Assembléia internacional da Fraternidade secular.
Ainda neste Boletim você poderá ler o excelente artigo sobre “O carisma Missionário de Charles de Foucauld”; o relato das visitas do Pe. Bizon as Fraternidades de Campinas e do Rio de Janeiro; e o resultado da primeira reunião da atual equipe de coordenação.
Estamos preparando para o próximo número um pouco da história das Fraternidades do Brasil com as “colunas” da primeira hora que ainda estão entre nós: Waldyr Calheiros, bispo emérito de Volta Redonda e, talvez, de Rui Coutinho, de Belém do Pará.
Boa leitura!
Gabriel Isaac era um homem modesto o discreto. Mas, é importante lembrar o papel de pioneiro que ele teve na história da Fraternidade Sacerdotal e também da Fraternidade secular. Percebeu logo, e sempre defendeu essa idéia, que era possível ser autenticamente discípulo de Carlos de Foucauld como padres diocesano ou como leigo.
Nascido em 1909 numa família cristã de dez filhos, da classe média de Lyon, Gabriel, ainda jovem, se sente atraído pela vida contemplativa. Sonha com os Cartuxos. A leitura do livro de Bazin lhe revela Carlos de Foucauld.
Entra no Seminário de São Sulpício, em Paris, em 1926, apenas dez anos depois da morte do Padre de Foucauld.
“No decorrer do ano, chega René Voillaume, depois de uma experiência com os Padres Brancos. Em 1928, um grupo de seminaristas se forma em volta dele com o desejo de caminhar na trilha do Irmão Carlos”.
Graças a Louis Massignon, eles têm em mãos o texto manuscrito da regra de 1889, escrita por Carlos de Foucauld para os discípulos que ele estava esperando; regra inaplicável, mas texto de fogo, cheio de citações evangélicas.
Desde então, Gabriel sente um apelo muito forte para ser discípulo do Pe. de Foucauld, comprometendo-se na radicalidade do Evangelho.
Vida religiosa ou clero diocesano?
Ficará muito tempo dividido entre o desejo de levar uma vida religiosa com os Irmãozinhos e, segundo sua própria expressão, seu “apego visceral ao clero diocesano”.
“Desejo tornar-me Irmãozinho e, no entanto, algo me diz que não o serei, que este ideal evangélico pode ser vivido de outra forma, não somente como religioso, mas também como padre e como leigo”.
É aliás o que desejava o Irmão Carlos para a Associação que ele criou no fim de sua vida e que devia acolher leigos, padres e religiosos juntos, segundo o Diretório editado em 1928 pelos cuidados de Louis Massignon e que teve profunda influência em Gabriel.
Há apenas alguns anos, Gabriel me fez esta confidência:
“Um dia lembro-me do lugar, no refeitório de baixo no Seminário, tive a intuição muito forte, iluminadora, enchendo-me de alegria de que eu seria verdadeiro discípulo do Irmão Carlos, não como Irmãozinho, mas de outro jeito, num movimento que aconteceria muitos anos depois e que seria autenticamente do Pe. de Foucauld. Era preciso esperar com paciência.
Será,com efeito, uma longa espera. Mas, é preciso notar que Gabriel pensava tanto nos leigos quanto nos padres. Ele se sentirá sempre chamado a acompanhar os leigos no espírito do Diretório, para ajudá-los no caminho da perfeição evangélica. Ele participará, desde o início, em 1945, ao que vai se tornar a Fraternidade secular da qual ele será o encarregado na região de Lyon. E ele participará até quase sua morte, da vida de uma fraternidade, não como assistente, mas como irmão.
Sacerdote em 1932, permanece em contato com os Irmãozinhos que serão ordenados em 1933. Pede para ficar com eles, mas seu bispo, o Cardeal Gerlier se opõe três anos em seguida. Ele escreve:
“Um aspecto do sacerdócio me atrai cada vez mais: aceitar não alcançar resultados, não ser notado. Foi na hora de seu aniquilamento que Jesus salvou o mundo”.
Entra na Associação Carlos de Foucauld. Faz uma experiência na Abadia de Cister. Tem um problema de saúde:
“A vontade do Senhor é clara: deixe-se moldar por outra coisa que Deus quer por você”, lhe diz Dom Balorgey, Abade do mosteiro.
Consulta um jesuíta, o Padre Monier:
“Aguarde! Estou persuadido de que vai acontecer alguma coisa de muito aberto, muito amplo, para os padres diocesanos”.
Seu diretor espiritual, o Pe. Villepelet, um homem extraordinário, amigo muito íntimo do Pe. Voillaume, acompanha com interesse a evolução da Fraternidade.
“Creio que a Fraternidade está chamada a se desenvolver amplamente, suscitando na Igreja uma grande corrente de vida cristã evangélica, muito simples, mas total. Mas, para que esse movimento mantenha sua nota essencial de simplicidade evangélica, é preciso que seja um assunto de toda a Igreja e não uma Ordem Terceira religiosa” (carta a Gabriel, 03.11.49).
Para selar sua entrega ao Senhor por uma consagração nos votos e num meio que sustente sua perseverança, entra nos Padres do Coração de Jesus. Interroga o Prado:
“A síntese dos diversos aspectos que você está procurando, não é nem o Prado nem o Coração de Jesus. Isso não existe. É preciso que isso se faça. E se fará. Aguarde!” (Pe. Hugues, do Prado).
Novo problema de saúde. Ei-lo capelão de religiosas contemplativas.
“Considere esse tempo de amor como um longo retiro. Deixe-se trabalhar por Deus para o que se deve fundamentar na vida oculta e no sofrimento. Aguarde as indicações da Providência. Não se adiante a ela. Não peça para partir” (Dom Berlogey).
“É preciso me preparar no escondimento, na oração e no estudo do que vai começar, ao que o Senhor me faz ver há muito tempo...”
Numa carta de 24 de agosto de 1948, o Pe. Voillaume comunica a Gabriel o seu projeto:
“Dentro da Associação, um grupo mais estreito de padres poderá responder à procura de padres diocesanos que desejam viver uma união mais forte com os Irmãozinhos”.
Confia esse projeto a Gabriel e ao irmão Jean-Marie Cortade com a tarefa de redigi-lo com outros. Jean-Marie que passará a maior parte de sua vida em Tamanrasset, sobretudo no Assekrem, crê que é possível viver plenamente o espírito do Pe. De Foucauld no mundo.
Por causa da distância, esse trabalho será feito através de carta circular que Gabriel concluirá:
“O que me chama a atenção em suas cartas, é a unanimidade e a profundidade do desejo de viver segundo o espírito do Pe. de Foucauld. Há famílias espirituais nas quais almas irmãs se encontram e se desabrocham. Temos a impressão de estarmos, enfim, sendo levados por Deus para onde ele nos encaminhava há muito tempo. E é para nós um grande motivo de agradecimento e de abandono constatar que ele que ele conduz assim nossas vidas, que ele conduz tudo!”.
“O projeto da União dos Irmãozinhos do Sagrado Coração é para padres atraídos pela irradiação e pela vida evangélica do Pe. de Foucauld. Não querem fazer dessa espiritualidade um ideal estranho, paralelo, sobreposto ao sacerdócio, como para completá-lo, do que ele não precisa. Ela lhes parece, por seu caráter evangélico, um meio de realizá-lo mais perfeitamente” (G. Isaac).
De três no início, o grupo se expandiu rapidamente com padres de todas as idades, a metade jovens, plenamente inseridos no ministério. Logo serão doze. A circular continua:
“Manifestamos o mesmo desejo de poder partilhar entre nós coisas simples de nossa vida real para que uma verdadeira animação de nosso apostolado possa germinar numa comunhão de almas. Não se trata de partilhar receitas, mas de chegar a dizer como vivemos a espiritualidade nos empreendimentos concretos do nosso apostolado” (G. Isaac).
* * *
Na história da Fraternidade Sacerdotal Jesus+Caritas, é necessário lembrar o papel essencial desempenhado pelo Pe. Voillaume em seu nascimento e desenvolvimento. É preciso também lembrar o contexto no qual nasceu a União Sacerdotal Jesus+Caritas.
“Depois dos duros começos dos Irmãozinhos em El Abiodh, das Irmãzinhas, houve um tipo de floração, de explosão do movimento espiritual originado do Pe. de Foucauld, transbordando em congregações para animar numerosas pessoas” (Grabriel Isaac, Origines et Etapes, p. 16).
Cinco anos mais tarde, aparece a primeira biografia, escrita por René Bazin: “Carlos de Foucauld, explorador do Marrocos, eremita o Saara” Esta obra teve imediata repercussão e esteve na origem da vocação de numerosos discípulos do Irmão Carlos e entre os primeiríssimos, o Padre René Voillaume e a Irmãzinha Magdeleine.
René Voillaume tinha mais ou menos 17 anos quando leu esse livro. Ele era aluno dos Eudistas em Versalhes e pensava no sacerdócio. Fica entusiasmado porque encontra na vida do Irmão Carlos suas aspirações a uma vida contemplativa e ao mesmo tempo missionária. Fará uma experiência com os Padres Brancos, mas deverá deixá-los por razões de saúde. A um de seus amigos, ele pergunta: “Você acredita que poderei fazer como o Pe. de Foucauld?”.
Em 1923 entra no Seminário de Issy-les-Molineaux. Durante esse período, conhecerá Louis Massignon que foi de certo modo filho espiritual do Irmão Carlos e guarda de sua herança; foi a seu pedido que Bazin escreveu sua biografia. René Voillaume terá a alegria de encontrar na biblioteca dos Padres Brancos, em Paris, a regra escrita pelo Irmão Carlos em Nazaré em 1899, num caderno de formato ordinário, escrita à mão pelo Padre:
“Estamos cheios de entusiasmo pelo ideal expresso nessas páginas, mas talvez ainda mais pelo sopro de humildade, de caridade fraterna, de simplicidade evangélica que delas emanam. Esta impressão se acentuava pelo fato de ter siso escrita à mão pelo próprio Padre!” (René Voillaume, Carlos de Foucauld e seus primeiros discípulos, Bayard Éditions Centurion 1998, p.137).
No Seminário, um pequeno grupo se forma em torno de René Voillaume. A regra os alimenta e desperta neles o desejo de realizar o projeto de fundação do Pe. De Foucauld.
No dia 29 de junho de 1929, René Voillaume é ordenado sacerdote. Vai, em seguida, para Roma para fazer dois anos de estudos de teologia e islamologia. Em 1930, redige um projeto de Carta que, aprovada, será para eles um tipo de regra de vida até a fundação em El Abiodh.
No dia 8 de setembro de 1933, em Montmartre, ele faz, com quatro companheiros, seus primeiros votos. No dia 22 do mesmo mês, o grupo se instala em El Abiodh Sidi Cheick, no Sul Oranense.
Em 1938, conhece Magdeleine Hutin, que receberá mais tarde o nome de Irmãzinha Magdeleine de Jesus. Este encontro será providencial para ambas as congregações, mas também para toda a família espiritual do Irmão Carlos:
“Você vai ver, chegará um tempo em que você fará conferências aos irmãos e às irmãs reunidos e percorrerá o mundo falando aos padres” (Irz. Magdeleine a René V. op. Cit. P. 272).
A guerra vai dispersar os irmãos com a mobilização geral, mas no restabelecimento da paz, serão feitas fundações fora da África, e primeiramente nos meios operários da França: Aix-em-Provence e Étang de Berre.
Em 1948, Pe. Voillaume redige em El Abiodh uma série de cartas destinadas primeiramente aos Irmãozinhos, com as grandes orientações de sua vocação. Essas cartas começarão a circular em forma de textos mimeografados. Serão depois editadas pelas edições “du Cerf” no fim de 1950. Esse livro “Fermento na massa”, com a tiragem de 100 mil exemplares e traduzido em muitas línguas, causou grande impacto, tanto em leigos quanto em padres. Alimentou-nos durante muitos anos.
Dom Claude Dagens
De 13 a 15 de julho de 2001 realizou-se em Viviers (diocese da França onde foi ordenado no dia 09 de junho de 1901) o Colóquio histórico espiritual “Carlos de Foucuald, presbítero”, com o subtítulo de uma anotação de René Voillaume, tirada de seu último livro-testemunho: “Um aspecto da vida de Carlos de Foucuald que parece às vezes esquecido: o Ir Carlos era sacerdote”. Este Colóquio com representantes de todos os ramos da Família Foucualdiana celebrou os 100 da ordenação sacerdotal do Ir Carlos de Jesus.
As reflexões que seguem são uma síntese da conferência que Dom Claude Dagens, bispo De Angloulême, apresentou no Colóquio.
O Espírito Santo sempre age de forma original na história do mundo e da Igreja. Qual é o estilo especial e quase permanente do Espírito Santo quando inspira os profetas, os apóstolos e os santos? Ele é livre para suscitar homens e mulheres que nos surpreendem pela novidade e radicalidade no seguimento de Jesus e na prática do Evangelho e suscitam novos impulsos e formas inesperadas de evangelização.
Carlos de Foucuald, sem dúvida alguma, é uma pessoa que nos surpreende pelo seu testemunho e carisma. De forma radical ele convida toda a Igreja a “voltar ao Evangelho”, a escolher “o Único Modelo”- Jesus Cristo -, isto é, ir às raízes daquilo que faz com que uma existência seja realmente cristã e evangelizadora.
Surpreende-nos a fecundidade do carisma do Ir. Carlos. Por que este homem quando vivo não conseguiu nenhum companheiro, depois de sua morte, inspira não somente novas fundações (mais de 20 entre congregações religiosas e associações de fiéis), mas também numerosos homens e mulheres que vivem, rezam, evangelizam seguindo suas pegadas nos cinco continentes?
É próprio dos santos romper as fronteiras da graça. E a Igreja não pode se não alegrar-se quando a novidade de Cristo e do Evangelho se irradia além dos marcos habituais. O Ir Carlos rompe todos os marcos habituais e torna-se um presente de Deus para a renovação da missão da Igreja.
Hoje compreendemos com mais clareza a novidade do carisma do Pe de Foucuald para a nossa missão evangelizadora. Tentarei sintetizar em três tópicos:
1. A missão não é uma estratégia, mas uma forma de vida.
2. Esta forma de vida é inseparável de uma experiência de Deus.
3. Esta experiência de Deus inspira uma presença de entrega aos irmãos.
A mensagem do Ir Carlos está essencialmente vinculada a sua vida, ao desenrolar de toda a sua caminhada; desde o momento de sua conversão, quando encontra o Pe Huvelin no confessionário da igreja de S. Agostinho, em Paris, no final de outubro de 1886, até o momento de sua morte no dia 01 de dezembro de 1916, diante de seu ermitério de Tamanrasset.
Esta vida e esta morte foram logo reconhecidas como portadoras de uma novidade missionária especialmente na África. René Bazin expressa esta convicção na célebre biografia que, em 1921, dedica ao “Ermitão do Saara”:
“Senhor Jesus Cristo, insere-nos nesta multidão de povos e de tribos! Teu servo Carlos de Foucauld mostrou-nos o caminho. Foi monge sem mosteiro, mestre sem discípulos, penitente que em sua solidão mantinha a esperança de um tempo que não chegaria a ver. Morreu de compaixão. Por causa dele, tem piedade deles. Torna partícipes de tuas riquezas os pobres do Islão e perdoa as nações batizadas por sua desmedida avareza”.
Sabemos que os numerosos escritos do Ir Carlos foram descobertos depois. Todos eles nos remetem a sua vida, mais precisamente a essa insistência que jamais renunciará: “Trata-se de pregar o Evangelho de cima dos telhados, não com palavras, mas com a vida, como S. Francisco de Assis”. Na regra não bulada, o Pobre de Assis escreve: “Pregue sempre. Quando necessário, use palavras” (N. 16).
Inclusive quando mais tarde, durante sua permanência em Beni-Abbés e Tamanrasset, tenta dar uma forma concreta ao seu projeto, manter-se-á fiel à intuição original: o anúncio do Evangelho está estreitamente vinculado à vida, à maneira cotidiana de viver para Deus e para os irmãos.
Sem dúvida, esta missão que passa pela vida, não é um programa estático nem um método rígido. Ao contrário: está sob o signo do imprevisível, ou melhor, do abandono radical nas mãos do Pai.
1. Sob o signo do imprevisível
Este signo caracteriza toda a vida do Ir Carlos e seu carisma. Não há nada de calculado, nada de programado e nem organizado com antecedência, até esta impressão final de fracasso que se pode ter, ou ao menos de inacabado, como constata o próprio de Foucauld.
Há coisas que somente podem ser ditas depois de um tempo de espera da memória, de um tempo de oração. A vocação deste convertido foi viver sob o signo do imprevisível, numa atitude de constante desapego de si mesmo. O antigo oficial de St Cyr que havia lutado no sul da Argélia, que era hábil estrategista, renuncia totalmente a qualquer cálculo. Por opção e carisma missionário renunciou as estratégias humanas e especialmente as militares.
Esta renúncia foi objeto de um aprendizado permanente. Alguns marcos: em 1990 está em Nazaré. Havia deixado a Trapa há três anos. Há um ano regressara de Jerusalém. Escreve ao Pe Huvelin: “Espero. Deus me trouxe aqui. Por conselho seu, permaneço aqui. Deixo que Ele conduza minha vida. Quando Ele quiser que eu parta, se por acaso quiser, o que me parece certo, Ele me mostrará claramente por sua voz, querido padre, ou pelos acontecimentos. Assim espero e me deixo conduzir”.
Ano após ano, mês após mês, desde sua entrada na Trapa N. Sra das Neves, em 1890, até seus últimos anos, de Foucauld aceitou que sua vida fosse por completo uma resposta aos chamados de Deus, através da obediência aos superiores, e de maneira especial, ao Pe Huvelin. Quando, em 1897 foi enviado a Roma para estudar filosofia e teologia sofre muito e espera a decisão dos superiores para saber se vai deixar de ser trapista. Em janeiro de 1897 escreve a Marie de Bondy: “No dia em que minha vocação estiver clara para meu padre geral e para meu mestre espiritual e lhes parecer evidente que Deus já não me quer na Trapa (pelo menos como sacerdote), eles me avisarão e me incentivarão a retirar-me. São extremamente delicados de consciência para me deterem nem se quer um dia quando perceberem que a vontade de Deus é outra.”.
Alguns dias depois, quando o Ir Maria Alberico recebeu autorização para deixar a Trapa, partiu para Nazaré depois de aconselhar-se com seu diretor, sem dizer-lhe antecipadamente o que devia fazer. Contrariamente ao que às vezes se tem afirmado, não dita ao Pe Huvelin o que este deve dizer-lhe. Há cartas extraordinárias em que o Pe Huvelin reconhece que se encontra permanentemente desorientado com seu dirigido desde que o conheceu em 1886. Teve que reconhecer, com o decorrer dos anos, que esta atitude de radical abandono nas mãos de Deus era parte integrante do carisma do seu dirigido. Em 1901 escreve uma carta a Mons Bazin, vigário apostólico do Saara, medindo cada palavra, recomendando os projetos do Pe de Foucauld: “Nada de extravagante ( Mons Bazin em breve dirá: “sem dúvida é um pouco extravagante”) nem de extraordinário. No entanto, uma força irresistível o impele, um instrumento talhado para uma tarefa exigente, é o que o senhor encontrará em Carlos de Foucuald. Todas as objeções que lhe possam ocorrer, já ocorreram comigo muitas vezes. Acabei cedendo somente depois de provas evidentes. Firmeza, desejo de ir até o fim no amor e na entrega, de tirar todas as conseqüências, sem nenhum desânimo, às vezes com um pouquinho de presunção, mas que tem se suavizado bastante”.
À luz deste discernimento, não basta dizer que a vida do Ir Carlos está sob o signo do imprevisível. Faz-se necessário esclarecer que o abandono em Deus através da obediência é parte integrante do seu carisma missionário. Mais precisamente, a própria missão evangelizadora da qual ele é promotor, está colocada sob o signo do abandono em Deus. Por tanto, não pode sob hipótese alguma ser uma estratégia, um cálculo humano, pois este carisma é um abandono absoluto nas mãos do Pai, expresso sem subterfúgios na Oração do Abandono: “Meu Pai, a vós me abandono. Fazei de mim o que quiserdes...
2. Uma nova forma missionária?
Parece-me que não se pode evocar somente a oração do Ir Carlos, mas ir mais longe e admitir uma nova forma de missão: no sentido que a organização da missão e a utilização dos meios já não são primordiais. Dá-se inclusive uma renúncia efetiva de qualquer resultado visível e calculável. O Ir Carlos remete esta atitude à experiência dos apóstolos, forma apostólica deste crisma missionário:
“Para converter o mundo como os apóstolos, para ser pedra fundamental e cabeça da Igreja como Pedro, não é necessária preparação previa nem de anos, nem de meses, nem de dias, nem um só minuto. Basta obedecer em todo o momento às ordens de Deus”.
Em outras palavras, o abandono radical nas mãos de Deus inspira uma forma de vida e de ação missionária que se coloca diretamente nas pegadas dos apóstolos.
Na história das origens do cristianismo encontramos a verificação quase experimental desta intuição evangélica do Ir Carlos. As primeiras gerações cristãs nunca programaram seus empreendimentos missionários no Império Romano. Simplesmente evangelizaram vivendo a novidade cristã, especialmente a fé e a caridade, no coração da sociedade pagã.
No último período de sua vida, refere-se espontaneamente aos Atos dos Apóstolos, às cartas de Paulo e cita várias vezes o exemplo de Priscila e Áquila para imaginar um modo de evangelização simples, adaptado a cada um e que passa pelo amor mútuo: “Façamos como Priscila e Áquila, dirijamo-nos a todos os que nos cercam, aos que conhecemos, aos que estão próximos de nós, empreguemos com cada um os meios mais adaptados: com um, a palavra, com outro, o silêncio, com todos, o exemplo, a bondade, o carinho fraterno; façamo-nos tudo para todos para ganhar a todos para Jesus".
Contudo, não se deveria afirmar apressadamente que esta evangelização simples, sem cálculo, sem programação prévia, seja uma evangelização fácil. Simples não quer dizer fácil. É uma forma de evangelização que sempre resulta nova e exigente. Nova porque radical, isto é, obriga a ir às raízes da existência cristã e às fontes da ação evangelizadora. Se de Foucuald é um modelo ou uma referência para a missão, é porque ele foi à fonte. E esta fonte brota da experiência de Deus.
Insisto aqui somente em dois aspectos: uma vida centrada no absoluto de Deus e na imitação (seguimento) de Jesus e de sua vida oculta.
1. Uma vida centrada em Deus
Todos os que salientam a novidade do testemunho de Carlos de Foucauld, desde René Bazin até Jacques Maritain, passando por Paul Claudel e muitos outros, insistem sobre o caráter radical de sua experiência de Deus. Fazem o mesmo também aqueles que assumem sua espiritualidade missionária: desde Madeleine Delbrel e Jacques Loew, e de um modo especial os irmãozinhos e as irmãzinhas de Jesus que vivem de forma habitual no coração das massas seguindo as orientações de Ir René Voillaume e da Irmãzinha Madeleine.
Permitam-me que também insista neste aspecto. Desde quando de Foucauld se tornou um apaixonado de Jesus, de sua humanidade, de sua humildade, de sua cruz, sua vida permaneceu centrada no mistério de Deus, no absoluto de Deus, incansavelmente buscado, reconhecido e contemplado.
Este homem foi laçado e conquistado por Deus. E abandonou-se perdidamente nele. “No mesmo instante em que descobri que Deus existia, descobri também que não podia viver se não somente para Ele”. Esta entrega a Deus, não inclui somente a obediência, o trabalhar-se a si mesmo para converter-se ao abandono a Deus como facilmente se poderia pensar, mas este abandono inspira também o louvor e o agradecimento. Alguns exemplos:
Em 1897, onze anos depois de sua conversão, no pequeno eremitério de Nazaré ele recorda sua vida passada, desde a sua infância como S. Agostinho e S. Terezinha de Lisieux. E canta a misericórdia para com ele: “Meu Deus! Temos que cantar tuas misericórdias, todos nós criados para tua eterna glória e resgatados pelo sangue de Jesus, por teu sangue Jesus, que estás aqui ao meu lado no sacrário. Se todos devemos fazê-lo, muito mais eu, que desde minha infância fui cercado de tantas graças. Meu Deus, a que ponto tuas mãos me seguravam e eu nem se quer as percebia! Como és bondoso, e quanto me protegias! Tu me cobrias com tuas asas quando eu nem mesmo acreditava em tua existência. No entanto me guardavas assim, o tempo passava e julgaste que se aproximava a hora de me fazer retornar ao teu redil”.
Em 1904, quando já estava no Saara e continuava buscando o seu caminho, escreve ao amigo Henri de Castries evocando sua confiança absoluta em Deus que conduz sua vida: “É tão doce sentir-se nas mãos de Deus, ser levado pelo Criador, bondade suprema, - ‘Deus caritas est’- Ele é o Amor, o amante, o Esposo de nossas almas no tempo e para toda a eternidade. É tão doce sentir-se conduzido por esta mão no decurso desta breve vida até à eternidade de luz e de amor para a qual no criou”.
Todos os escritos do Ir Carlos estão impregnados por um sentido quase imediato da grandeza e da providência de Deus. A experiência do deserto aprofunda nele ainda mais esta abertura à presença de Deus. Sobre este fundo de espiritualidade teocêntrica centrada no absoluto de Deus é que se expande nele o amor apaixonado por Jesus, pelo mistério de sua Encarnação, pela sua humanidade, pela sua vida oculta, pela sua cruz.
2. Uma vida de imitação de Jesus e de sua vida oculta
O carisma missionário do Ir Carlos abarca em seu coração um desejo ardente, vivo e persistente não só de conhecer Jesus em sua humanidade, mas também de imitá-lo quase literalmente.
Na experiência do Ir Carlos, o princípio da Encarnação se converte em princípio missionário. Para ele é uma exigência de conformar sua vida de modo radical à vida de Jesus, praticando como Ele – são palavras suas – o rebaixamento, a humildade, a pobreza, a abjeção, palavra que repete com freqüência. “Amo a Jesus Cristo, embora com um coração que gostaria de amar mais e melhor. Apesar disso eu o amo e não posso suportar viver outra vida que não seja a sua”.
Sabemos que, apenas convertido, de Foucuald ficou marcado para sempre por uma afirmação pronunciada pelo Pe Huvelin numa homilia: “Jesus escolheu de tal modo o último lugar que ninguém lhe poderá tirar”. Esta frase ficou gravada para sempre em sua alma. E a partir daí tentou com todos os meios partilhar com Jesus o último lugar.
Para ele não se trata apenas de uma descoberta espiritual, mas de uma orientação de vida que jamais o deixará acomodado. Não pode contentar-se em anunciar Jesus, de quem se fez apaixonado discípulo, pois acima de tudo, deseja viver como Ele. Não basta anunciar Jesus de quem somos discípulos. Devemos viver dele, partilhando concretamente sua condição, como intuiu intensamente no retiro de novembro de 1897, em Nazaré: “Meu Senhor Jesus, como não se fará prontamente pobre aquele que amando-te de todo o coração não pode suportar ser mais rico que o seu Bem Amado... Não posso conceber o amor sem uma imperiosa necessidade de conformação, de semelhança, e sobretudo de partilhar todas as penas, todas as dificuldades, todas as durezas da vida. A semelhança é a medida do amor”.
De Foucuald levou muito longe este realismo espiritual unido ao mistério de Jesus. Decidiu viver em Nazaré, isto é, seguir Jesus ali onde realizou-se o mistério e os acontecimentos da Encarnação. Ele quis dar uma forma quase sensível às profundas afirmações teológicas transmitidas pelo Pe Huvelin, discípulo da escola de espiritualidade de Bérulle, sobre o tema do Verbo Encarnado.
Acredito, porém, que devemos ir mais longe. Sobretudo se levarmos em conta que a caminhada espiritual do Ir Carlos não terminou em Nazaré, mas o no deserto do Saara, entre os nômades tuaregues.
Permitam-me que inclua aqui uma reflexão sobre o Deus escondido. Quem sabe de maneira inconsciente, o ermitão de Nazaré e, logo em seguida, do Saara ficou fascinado pelo mistério do Deus escondido que de forma surpreendente e paradoxal se revela através dos acontecimentos da Encarnação, de Belém à Jerusalém passando por Nazaré. Pois em Jesus, que descende de nossa humanidade, Deus se revela e se oculta ao mesmo tempo. Esta espécie de esvaziamento da glória de Deus, de perda de si mesmo por meio da Cruz, é o que vamos descobrindo passo a passo no coração da espiritualidade e do carisma missionário do Ir Carlos.
Trata-se de imitar com a vida o mistério do Deus humilhado e escondido por amor de nós. Desde sua primeira peregrinação à Terra Santa, logo após a conversão, quando visitou o Santo Sepulcro, o recém convertido havia compreendido isto: a paixão de Jesus o remete imediatamente aos anos da vida oculta em Nazaré e antecipará em sua vida a realização de seu carisma. E quanto mais avançar na caminhada e na prática de seu carisma missionário, mais entrará em comunhão com o mistério do Deus escondido em Jesus: “Desceu com eles e veio à Nazaré. Em toda a sua vida não fez mais que descer: descer ao encarnar-se, descer fazendo-se um menino pequenino, descer obedecendo, descer fazendo-se pobre, abandonado, exilado, perseguido, injustiçado, colocando-se sempre no último lugar”. Volta sempre à palavra escutada na pregação do Pe Huvelin.
Esta descoberta apaixonada do Deus escondido e humilhado em Jesus fundamenta o carisma missionário do Ir Carlos e ao mesmo tempo sua opção por estar junto aos que estão no último lugar: os humilhados e marginalizados deste mundo, indivíduos e povos. Esta experiência de Deus o conduz a uma nova forma de presença entre os irmãos.
Nesta dimensão dois aspectos são fundamentais: a Eucaristia e a fraternidade universal.
1. Uma referência absoluta: a Eucaristia
Na fonte originante da presença de entrega aos irmãos há uma referência absoluta: a Eucaristia. Na fonte do dom de si mesmo aos irmãos encontra-se o sacramento da Eucaristia e a adoração eucarística. De Foucauld coloca a Eucaristia em linha direta com a Encanação e especialmente com a Paixão de Jesus: “Beijar os lugares que santificaste com tua vida mortal, as pedras do Getsemani e do Calvário, o chão da via sacra, é doce e piedoso, meu Deus, mas preferir isto ao teu Sacrário, é deixar Jesus que vive ao meu lado, deixá-lo só, e caminhar sozinho para venerar as pedras mortas onde Ele não está”. Pois “onde quer que esteja a Hóstia Sagrada encontra-se o Deus vivo, estás tu, meu Salvador, tão vivo e real como quando vivias e falavas na Galiléia e na Judéia, e o estás agora no céu”(Retiro de Nazaré, novembro de 1897).
Quanto mais o Ir Carlos avança em sua caminhada espiritual e missionária, tanto mais a Eucaristia se converte em meio essencial de seu apostolado. Escreve ao Pe Huvelin: “Preciso seguir colocando a Eucaristia acima de tudo. Cada missa é um Natal”
Desde que foi ordenado vive a Eucaristia não somente a partir do mistério pascal, mas talvez mais ainda a partir do que havia aprendido do seu diretor espiritual logo após a sua conversão: “Neste mistério o Senhor entrega-se inteiramente a si mesmo. A Eucaristia é o mistério da entrega, do dom de Deus. Por isso temos que aprender a partilhar, dar-nos a nós mesmos, visto que não há verdadeiro dom enquanto não nos entregarmos a nós mesmos”(Echos des entretiens de l’abbé Huvelin).
Muitas vezes descreve a Eucaristia se propagando por irradiação no meio dos povos muçulmanos. Sonha em reunir em torno dela alguns discípulos que se formarão para a entrega de si mesmos à causa da evangelização contemplando a Eucaristia.
Para ele, o tempo que dedica à celebração e à adoração da Eucaristia é parte essencial de sua missão. Deste modo une-se a Jesus em seu mistério e dom de sua vida oculta: Nazaré, Eucaristia. Mesmo assim, em seus últimos anos, por toda uma evolução interior, perguntar-se-á se, às vezes, se não poderia renunciar a celebração da Eucaristia para conseguir mergulhar mais livremente no deserto do Hoggar. Explica assim sua meditação, seu discernimento: “Antes inclinava-me a ver de um lado o infinito, o Santo Sacrifício, e do outro o finito, tudo o que não é Ele, e sacrificar tudo por causa da celebração eucarística. Este raciocínio, porém, deve falhar em alguma coisa, porque desde os Apóstolos, os mais grandes santos, sacrificaram em certas circunstâncias a possibilidade de celebrar a Eucaristia diante da urgência da caridade, de viagens e outras” (Carta a Mons Guerin, julho de 1907). Em certo momento renuncia celebrar a Eucaristia, como se o cumprimento de sua missão, isto é, sua decisão de ir ao encontro de povoações a evangelizar já não se opusesse, mas estivesse direta e intimamente concatenada com sua espiritualidade eucarística. Vivia o mistério da Eucaristia entregando-se aqueles que procurava salvar, imitando Jesus.
2. Carlos de Foucauld, irmão universal
Após refletir sobre a insistência do Ir Carlos em relação a Eucaristia como coração da missão e da sua presença de entrega aos irmãos, constatamos também uma ausência que nos surpreende: não encontramos nele a concepção bela e profunda dos Santos Padres, especialmente de João Crisóstomo, segundo a qual os pobres são outro sacramento de Cristo, juntamente com a Eucaristia. João Crisóstomo afirma que há dois sacramentos da presença de Jesus entre nós:
- o sacramento do altar, o sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor
- e o sacramento do pobre, isto é, daqueles que estão ali fora, na porta, esperando ser reconhecidos, apoiados, respeitados em sua dignidade.
O Ir Carlos não desenvolveu esta concepção sacramental, embora tenha escrito que lera S. João Crisóstomo. Ele acredita com simplicidade na irradiação para todos do amor de Deus presente na Hóstia Sagrada. A partir do amor de Jesus que se irradia para todos, ele acolhe a todos quantos que o procuram: “Quero acostumar a todos os habitantes, cristãos, muçulmanos, judeus ou pagãos a ver-me como seu irmão, o irmão universal. Começam a chamar minha casa de fraternidade (“al jaoua” em árabe) o que me agrada muito”.
Na base dos projetos de Associações que elabora transparece sempre com evidência esta intenção abrangente, universal: “Olhar e acolher todo ser humano como um irmão muito querido, ver em cada pessoa um filho de Deus, uma alma resgatada pelo sangue de Jesus, um ser amado por Jesus”.
O apostolado da fraternidade através da prática do amor e da bondade para com todos é algo essencial em sua vocação e missão: “Meu apostolado deve ser o da bondade. Quem me vê deve pensar: ‘Já que este homem é tão bom, sua religião deve ser boa’. Se me perguntarem porque sou dócil e bom, devo dizer: ‘Porque sou servidor de alguém muito melhor do que eu. Se vocês soubessem quão bom é meu Mestre Jesus!”. No artigo XXVIII do Diretório da Associação dos Irmãos e Irmãs do Sagrado Coração assim expressa o mesmo ideal: “Por seu exemplo, os irmãs e as irmãs devem ser uma pregação viva: cada um deve ser um modelo de vida evangélica. Vendo-os, deve-se ver o que é a vida cristã, o que é o cristianismo, o que é o Evangelho, o que é Jesus”.
A mística do Coração de Jesus que marcou a espiritualidade do sua época adquire na vida do Ir Carlos uma forma bem visível e concreta, estampada no símbolo que carrega em seu hábito: o coração encimado pela cruz. Seu último escrito, datado no próprio dia de sua morte, expressa uma resoluta afirmação da misericórdia de Deus para com todos: “Deus, que sabe de que barro nos fez e que nos ama mais do que uma mãe pode amar seu filho, disse-nos que não mandaria embora aquele que vem a Ele”.
Como não relacionar estas linhas com o impressionante testamento do prior dos monges de Tibhérine, Chistian de Chergé (assassinado com seis companheiros em maio de 1996 na Argélia), quando pede pelo amigo do último minuto (seu assassino) que não sabia o que fazia, e lhe oferece antecipadamente o perdão de Deus: “E tu, amigo do último minuto...que nos seja concedido reencontrar-nos um dia, como bons ladrões, no Paraíso, se Deus quiser, nosso Pai comum” (01 de dezembro de 1993). (A íntegra do testamento encontra-se no final desta reflexão)
Sabemos também que Terezinha de Lisieux conclui a “História de uma Alma” com um ato de confiança sem reservas na misericórdia de Deus: “Ainda que tivesse cometido todos os pecados que se possa cometer no mundo, iria jogar-me nos braços do Pai porque seu amor e sua misericórdia são inesgotáveis”.
O Ir Carlos parece ter sido encarregado de nos transmitir, tanto através de sua vida como de sua morte, esta mensagem essencial tantas vezes transcrita em suas anotações, especialmente no fascículo dedicado ao “Único Modelo”: simplesmente as palavras que Jesus disse a Nicodemos: “Deus amou de tal forma o mundo, que entregou seu Filho único, para que todo o que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna”(Jo 3,16).
Pois o coração da missão cristã segundo Carlos de Foucauld é também o coração do Evangelho.
A inspiração profunda de toda missão cristã
Ao finalizar esta reflexão permanece no ar uma importante pergunta: Por que Carlos de Foucuald continua sendo um presente que Deus oferece à Igreja de forma permanente? Nós, cada um a seu modo, somos a prova.
Ao transpormos os umbrais do terceiro milênio da era cristã, de que forma o testemunho e o carisma do Ir Carlos podem contribuir para a renovação da ação evangelizadora da Igreja?
Responderei brevemente, porém sem duvidar: Deus nos presenteou o Ir Carlos para que estejamos sempre convencidos de que nossa missão evangelizadora somente produz frutos quando brota de uma vida enraizada na experiência do absoluto de Deus, na imitação (seguimento) de Jesus, na presença fraterna de entrega aos irmãos.
Diante dos imensos desafios de hoje não podemos permitir-nos o luxo de opor os diferentes modelos missionários. Já sofremos demais por isso, como se de um lado estivessem aqueles que acentuam os meios e os resultados visíveis e, por outro, os que sublinham o valor das virtudes e o testemunho silencioso.
Há cinco anos, a “Carta aos católicos da França”, referindo-se à Terezinha de Lisieux e à Madelaine Delbrel, convidou-nos a não separar a evangelização em profundidade da evangelização em amplitude. Num mesmo movimento devemos mergulhar no mistério de Cristo e – “avançando em águas mais profundas” (Lc 5,4) – ir ao encontro da humanidade insegura, que é a nossa e da qual somos membros.
Parece-me chegada a hora de conciliar todos os agentes de evangelização: aqueles que tendem a valorizar longas esperas na oração e adoração e os que são mais sensíveis às expressões públicas da fé. Os que dedicam tempo ao diálogo desinteressado e os que não temem anunciar explicitamente Jesus e o Evangelho.
O que está em jogo é a inspiração profunda de toda a missão da Igreja, quaisquer que sejam os modelos. A este respeito, o Ir Carlos continua sendo um mestre exigente para nós. Ouçamos atentamente o que nos ensina: “Estamos inclinados a colocar em primeiro lugar as obras cujos efeitos são visíveis e tangíveis, mensuráveis. No entanto, Deus põe em primeiro lugar o amor; em seguida, o sacrifício inspirado pelo amor e a obediência que decorre do amor. É preciso amar e obedecer por amor, oferecendo-se como vítima com Jesus assim como Ele quiser. Compete a Ele revelar-nos se nos quer agindo como Paulo ou como Maria Madalena”.
Escolhamos, ou melhor, deixemo-nos conduzir pelo Espírito do Ressuscitado.
Que Deus conceda a Carlos de Foucauld inspirar-nos a visão ampla e profunda da missão da Igreja e ajudar-nos a compreender que o êxito da evangelização depende, em grande parte, do testemunho dos missionários e de sua vida identificada com Jesus e seu Evangelho.
Dom Claude Dagens Bispo de Angoulême – França
Síntese do artigo “El mesage de Carlos de Foucauld”, extraído de “Jesus Caritas”- Boletín de las Famílias Carlos de Foucauld”, Septiembre-Diciembre 5-6/2001, p 33-47, realizada pelo Pe Edson Damian
Prior do Mosteiro cistercense de Thiberine, na Argélia, assassinado juntamente com seis companheiros, em maio de 1996. O testamento foi enviado com uma carta aos seus familiares, dentro de um envelope fechado e com a menção manuscrita: “Quando se encara um a Deus”.
“Se um dia me acontecesse – e isso poderia ser hoje – ser vítima do terrorismo que parece querer envolver agora todos os estrangeiros que vivem na Argélia, gostaria que a minha comunidade, a minha Igreja, a minha família se lembrassem de que eu havia dado a minha vida a Deus e a este País. Saibam associar esta morte a tantas outras igualmente violentas, deixadas na indiferença do anonimato. Minha vida vale tanto quanto as outras.
Já vivi o suficiente para saber que sou cúmplice do mal que, infelizmente, parece prevalecer no mundo, e mesmo daquele que me poderia atingir cegamente. Gostaria, quando viesse a hora, de ter esse vislumbre de lucidez que me permita pedir o perdão de Deus, e o perdão de meus irmãos na humanidade, e ao mesmo tempo perdoar de todo o coração quem me ferir. Mas eu não poderia desejar uma morte dessas. Não vejo, com efeito, como é que eu poderia alegrar-me se visse esse povo, indistintamente, acusado de meu assassinato. Seria um preço muito alto a pagar por aquilo que talvez se chame de “a graça do martírio”, se eu devesse a morte a um argelino, seja ele quem for, sobretudo se ele diz que age em fidelidade àquilo que acredita ser o Islã.
Conheço o desprezo que se dirige aos argelinos, tomados globalmente. Conheço também as caricaturas do Islã, estimuladas por um certo islamismo. É muito fácil ter a consciência tranqüila, identificando esse caminho religioso com os integrismos de seus extremistas. A Argélia e o Islã, para mim são bem outra coisa, são como corpo e alma. Já o proclamei bastante, creio, pelo que vi e sei ter recebido dele, encontrando aí o reto fio condutor do Evangelho, que aprendi nos joelhos de minha mãe, minha primeira Igreja, precisamente na Argélia e, já no respeito pelos crentes muçulmanos.
Minha morte, evidentemente, parecerá dar razão àqueles que apressadamente me classificaram como ingênuo ou idealista: “Que diga agora o que pensa a esse respeito!” Mas fiquem eles sabendo que será enfim liberada a minha mais lancinante curiosidade. Então poderei, se Deus quiser, mergulhar meu olhar no olhar do Pai para contemplar com Ele seus filhos do Islão, como os vê, plenamente iluminados pela glória do Cristo, como frutos de sua paixão, revestidos com o dom do Espírito Santo cuja alegria secreta será sempre a de estabelecer a comunhão e restabelecer a semelhança, conciliando as diferenças.
Por essa vida que entrego, totalmente minha e totalmente deles, dou graças a Deus, que parece tê-la querido inteira para essa alegria, por tudo e apesar de tudo. Nesse muito obrigado, em que agora se exprime toda a minha vida, eu também os incluo, sem dúvida, amigos de ontem e de hoje, e a vocês, amigos daqui, ao lado de minha mãe e de meu pai, de minhas irmãs e irmãos e dos deles, cêntuplo concedido como fora prometido! E também a ti, amigo do último instante que, sem dúvida, não sabias o que fazias. Sim, a ti também quero dizer este muito obrigado a este adeus (a-Deus) fitando a tua face. E que nos seja dado um dia reencontrar-nos, como bons ladrões, no Paraíso, se Deus quiser, nosso Pai comum. Amém! Insc’Allah”! - Tibhirine, 1º de dezembro de 1993. Christian”.
Esse testemunho de alguém que sabia que ia ser morto e ao mesmo tempo suplica a Deus Pai de todos que receba a ele, monge martirizado e ao seu assassino, ambos ladrões, igualando-se no pecado com aquele que o mata, espelha um coração transfigurado pelo Sermão da Montanha. Apresenta-se ao Pai ao lado daquele que o matou e diz: “Agora estamos aqui, ó Pai de todos! Recebe-nos com o abraço do amém cristão e o amém islâmico”! É o sentimento mais lindo que pode brotar de um coração que aprendeu a amar e perdoar como Jesus!
As palavras de fogo do monge Christian (escritas três anos do martírio) seriam idênticas àquelas que o Ir. Carlos de Foucauld não proferiu, mas que certamente estavam no seu coração no momento em que também ele foi assassinado, na Argélia, no dia 1º de dezembro de 1916. São palavras e atitudes que todos os irmãos mártires nos ensinam na luta para construir a fraternidade no mundo inteiro, derrubando as muralhas de preconceitos e ódios que nos separam. A fraternidade nunca será verdadeira, o amor ao Pai nunca será autêntico enquanto não nos colocarmos em atitude de martírio.
Mesmo que não tenhamos a graça de sermos martirizados violentamente, podemos viver o martírio dia-a-dia, numa morte cotidiana, num esvaziamento (quénose) de nós mesmos para que a força e a graça do Pai atuem em nós e sejamos testemunhas do seu Filho, sacramentos do seu Espírito de reconciliação e justiça no meio dos irmãos. Deus nos ajude a viver esse testemunho-martírio até o fim. Assim, poderemos exclamar de coração aberto e a plenos pulmões:
Vem, Senhor, estamos prontos. Junto com teu povo oprimido e marginalizado, testemunhas prediletas do teu amor e da tua misericórdia, estamos com as lâmpadas acesas, sentinelas que concluíram sua missão na peregrinação da vida. E poderemos ser acolhidos pelo abraço dos Divinos Três no Jubileu definitivo da Jerusalém Celeste.
O Espírito do Crucificado Ressuscitado nos ilumine e fortaleça para percorrermos, etapa por etapa, o jubileu que vai acontecendo nos jubileus permanentes de nossa vida e da caminhada histórica da Igreja. O Espírito nos ajude e chegarmos juntos, com uma multidão incontável de irmãos e de irmãs ao Jubileu de Deus que será o Novo Céu e a Nova Terra. Amém! Aleluia! Shalom! Insc’Allah!
Data: 9 a 11 de setembro de 2002
Local: Casa de Retiros Maria de Nazaré – Mairiporã – SP
Participantes: Pe. Antonio Carlos – Carlinhos (Norte), Pe. Gildo (Sudeste), Pe. Maurício
(Sul) e Pe. João Batista (Finanças). Pe. Celso Pedro (Boletim) passou no encontro. Justificaram ausência: Pe. Freddy (Mês de Nazaré) e Pe. Ernanne (Centro Oeste). Pe. Ladislau, não deu noticias.
O encontro teve início na segunda-feira, à tarde, com a chegada dos participantes. Em seguida, trabalhamos (seguimos) a partir da seguinte pauta:
Apresentação pessoal.
Revisão de vida.
Caminhada das Fraternidades e das Regiões.
A Equipe de Coordenação deixou para a consideração de todos, os pontos seguintes:
1. Recomendações:
É importante que cada fraternidade local tenha:
- um coordenador para coordenar/facilitar os encontros mensais;
- um calendário anual ou semestral fixo;
- um local definido para as reuniões;
- um esquema simples para facilitar as reuniões constando de:
- adoração, meditação da Palavra de Deus, revisão de vida e celebração eucarística. Onde e quando for possível, deserto.
- É preciso ainda utilizar todos os meios de comunicação existentes – correios, telefone e e-mails – para manter a fraternidade articulada. E, quando possível, fazer visita aos irmãos.
2. Questões:
a) Quais os motivos que leva o padre a buscar a Fraternidade ?
- vida de fraternidade ?
- vida de oração ?
- espaço de partilha ?
- quais seriam outros motivos ?
b) O que fazer com os padres interessados nessa espiritualidade e que buscam a fraternidade ?
- Aumentar o número de participantes de cada fraternidade ?
- Desmembrar e criar novas fraternidades ?
c) O que fazer com aqueles padres “turistas” que aparecem de vez enquanto nas reuniões da fraternidade ? Como fica a revisão de vida, do grupo que tem sua caminhada regular, diante deste fato ?
d) Como e que meios poderiam ser usados para divulgar a Fraternidade entre os presbíteros ? Ou continuamos sendo discretos sem sermos secretos ?
3. Sugestões:
a) As Regiões devem continuar promovendo os Encontros Regionais e divulgá-los para facilitar a participação: dos membros das fraternidades daquela região, de algum membro isolado, dos simpatizantes e dos interessados e convidar pessoas novas para conhecer a Espiritualidade do Ir. Carlos.
b) As Regiões, as mais próximas, poderiam se unir e promover retiros para presbíteros e seminarista da teologia, usando os meios específicos da fraternidade. Assim estariam divulgando a Fraternidade Sacerdotal.
4. Divulgação:
a) Para divulgar a Fraternidade Sacerdotal entre os presbíteros diocesanos é preciso continuar investindo no Boletim das Fraternidades, ele está bem apresentado e com um excelente conteúdo. Transformar o Boletim 109 em um Caderno Especial com os meios da Fraternidade.
b) Procurar algumas editoras para traduzir e publicar a literatura sobre o Ir. Carlos.
c) Estudar a possibilidade com algumas gráficas e editoras para confeccionar a estampa do Ir. Carlos, com a Oração do Abandono, em forma de cartão postal.
5. Retiro Anual:
Atendendo a solicitação de muitos de nossos irmãos, de diferentes fraternidade do nosso país, aproveitar, ainda mais, o retiro anual, e valorizar os meios da fraternidade: a revisão de vida, a meditação e a reflexão pessoal a luz da Palavra de Deus e da atual realidade, a vigília e adoração, e de muito silêncio e interiorização, contando com o testemunho de alguns membros da Fraternidade.
As celebrações eucarísticas e a adoração ao SS. Sacramento marcaram profundamente a dinâmica do encontro. Foram dias de revisão, reflexão e projeção. Os momentos lúdicos também fizeram parte do encontro. E assim foi concluído o I Encontro desta Equipe de Coordenação.
Próxima Reunião da Coordenação:
Data: 08 a 11 de setembro de 2003
Local: Pirai – RJ (Paróquia do Pe. Gildo)
Pe. José Bizon
Responsável Nacional
Continuação - II
Quando assumi a função de Responsável Nacional da Fraternidade Sacerdotal Jesus+Caritas, para o período 2002-2008, na Assembléia de janeiro de 2002, em Coronel Fabriciano, MG, diante do Santíssimo Sacramento, na minha oração pessoal fiz os seguintes propósitos:
- Visitar as Fraternidades locais e as Regiões. Como mencionei no boletim anterior, já tive a possibilidade e a graça de visitar algumas Regiões e Fraternidades.
- Divulgar a literatura do Irmão Carlos: procurar editoras para traduzir e publicar, no Brasil, os livros que já foram editados em outros países. No momento, um livro está sendo traduzido para o português, com perspectivas de publicá-lo em breve. Outros cinco estão sendo analisados, por diferentes editoras, tendo em vista uma possível publicação.
As visitas às fraternidades locais e aos regionais continuaram ainda no primeiro semestre deste ano. No Boletim anterior, comuniquei aos irmãos as visitas que havia feito. As visitas às Fraternidades de Campinas e do Rio de Janeiro aconteceram quando o Boletim 111 já estava pronto, por isso não foi possível incluí-las nesse número.
No final do mês de junho, fui à Campinas para visitar as duas fraternidades: a dos seminaristas e a dos padres. Na sexta feira, à noite, fomos visitar o observatório, onde tivemos a oportunidade de conhecer um pouco as constelações. E, depois, partilhamos uma pizza. No dia seguinte, iniciamos o encontro com a celebração da eucaristia durante a qual partilhamos a Palavra de Deus, aspectos da fraternidade e da vida das pessoas presentes. Concluímos o encontro com uma deliciosa e saborosa feijoada preparada pelo Pe. Paulo Crozera.
Depois, chegou o dia de visitar as fraternidades do Rio de Janeiro. Foi na cidade de Pirai, no mês de julho. Fomos acolhidos, na paróquia do Pe. Gildo, pela fraternidade do Estado do Rio de Janeiro. Vieram para o encontro os padres dessa fraternidade. Formávamos um grupo de doze pessoas. O encontro do Rio foi marcado, também, pela partilha, adoração, reflexão e revisão de vida.
Algumas coisas me chamam a atenção nestas visitas: a simplicidade como os encontros acontecem e a acolhida dos irmãos. E o que me impressiona, ainda mais, são as longas distâncias que os irmãos percorrem para chegarem aos encontros. O Pe. Anchieta percorreu mais de 300 Km, saindo de sua paróquia em MG, para um encontro de um dia. Mas, valeu a pena! Outro fato que me marcou foi na visita da fraternidade da cidade de Pelotas: Pe. Jorge Osório, saindo do Paraguai, viajou mais de 500 Km para encontrar a sua fraternidade. São esses testemunhos e outros, que aqui não foram mencionados, assim como a vida de dedicação de cada um dos membros das fraternidades, que nos animam na caminhada.
A próxima visita será às Fraternidades de Assis e Marília. Está agendada para o dia 2 de dezembro, quando estaremos celebrando o aniversário de martírio do Ir. Carlos. No dia 1 de dezembro de 1916, “o corpo do corajoso missionário tomba sobre a areia que lhe bebe avidamente o sangue, sangue de alguém que acredita no homem e sabe que da morte, e só da morte, nasce a vida”.
1. Retiro
De 7 a 14 de janeiro de 2003
Início dia 7, com o jantar
Término dia 14, com o almoço
Orientador: Pe. Antônio Regis Brasil
Local: Centro de Treinamento de Líderes
Rua Alves Ribeiro s/n
Salvador – BA – Praia de Itapoã
Fones: (71) 374-9037 e 374-7635
Como Chegar:
Rodoviária: Tome um táxi e siga toda a Paralela até ver a Placa com as indicações da Praia do Flamengo, Stella Maris, Alameda das Praias, a entrada fica um pouco antes da 5º passarela. Siga até o final desta pista onde você verá um posto de Gasolina, tome a direitas e venha como se fosse para Itapuã, depois de um pequeno girador (rótula) você entra na 1ª rua à esquerda, o CTL está á sua esquerda.
Ônibus: tome o ônibus Praia do Flamengo peça para descer no CTL.
Aeroporto: tome um táxi, chegando no viaduto S. Cristovão x Itapuã desça como se fosse voltar para o Aeroporto e siga as instruções da Praia do Flamengo as mesmas orientações que foram dadas para quem vem da Rodoviária.
Diária: R$ 35,00 por pessoa.
Levar: Ofício Divino das Comunidades e Bíblia
Não é preciso levar roupa de cama e banho
2. ENCONTROS REGIONAIS
Região Sudeste
Data: 25 e 26 de novembro de 2002
Início: 25 com o jantar
Término: 26 com o almoço
Local: Casa e Encontro Arrozal
Informações: Pe. Gildo Nogueira Gomes
Tel.: (24) 2431.1291
3. MÊS DE NAZARÉ
Local: Sañogasta, La Rioja – Argentina
Data: 2 a 31 de janeiro de 2003
Inicio: dia 2 no período da tarde
Término: dia 30 a noite
Informações: Pe. José Bizon
Brasil
Janeiro de 2004
Mesmo local do retiro.
SCIADINI, FREI Patrício, OCD, Viajante Noturno- Charles de Foucauld, Cidade Nova, São Paulo, 1987. “ Ninguém caminha sozinho. Há etapas da vida em que buscamos ansiosamente alguém que nos ofereça a mão para sair de nós mesmos, para encontrar o caminho seguro que nos levará a reencontrar-nos conosco, com Deus e com os outros”.
VAN THUAN, François X.N, Testemunhas da Esperança, Quando o amor irrompe em situações de heroísmo e no dia-a-dia, Cidade Nova, São Paulo, 2002. “François Xavier Nguyen Van Thuan nasceu em 1928, em Hue, no Vietnã... Nomeado por Paulo VI arcebispo coadjutor de Saigon, recebeu ordem de prisão com a chegada do regime comunista. Permaneceu no cárcere de 1975 a 1988, tendo durante nove anos enfrentado o sofrimento da mais rigorosa solidão. Nesses anos de isolamento na prisão deu-nos o exemplo de fé viva e de amor total a Jesus Cristo e á sua Igreja, e de intensa vida de oração, rezando por seu povo e, em especial, por aqueles que o tinham aprisionado”.
KUNG, Hans, A Igreja Católica, Objetiva, Rio de Janeiro, 2001. Nesse livro, Hans Kung descreve a história da Igreja Católica desde suas origens na Palestina e em Roma, passando pelas disputas da era medieval e pelo trauma da Reforma, até a era moderna. Examina questões fundamentais como: a tensão histórica na Igreja entre pluralismo e exclusivismo; como o papel do papa mudou; as motivações dos grandes pontífices reformadores; a evolução das funções dos concílios, dos bispos e dos cardeais; a história do entusiasmo da Igreja pela atividade missionária; as origens do culto Mariano; como as ondas de choque da Reforma e da Contra-Reforma ainda podem ser sentidas hoje.
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