Caros Amigos e Irmãos da Fraternidade.
O tempo passa muito depressa. Acabamos de publicar o Boletim de março com as reflexões do retiro anual, parece que foi ontem, e já estamos preparando mais uma edição. Desta vez, contamos com o excelente artigo do Frater Henrique Cristiano José Matos, cmm: Charles de Foucauld interpela a Vida Religiosa, hoje. Para nos ajudar na reflexão, o texto está organizado em três capítulos: Traços bibliográficos: a incessante busca do sentido existencial; a espiritualidade de Nazaré; a atualidade do carisma do Ir. Carlos para a Igreja e para a Vida Religiosa e, Conclusão. E o artigo do Frei Betto: Orar é entrar em sintonia com Deus. Aproveite para ler e refletir no dia do encontro de sua fraternidade e passe adiante; bons artigos e boas reflexões não podemos guardar só para nós, é bom partilhar.
O Conselho Internacional se encontrou, no início do ano, em Omaha, USA, na paróquia do Pe. Richard. Neste Boletim você terá a oportunidade de ler, em espanhol, a Carta do Conselho e refletir com sua fraternidade sobre a proposta do “guia para a vida em fraternidade” e a solicitação financeira. Desta vez, vamos experimentar algo que é característico da fraternidade, a internacionalidade.
Como de costume, publicamos algumas indicações para a sua leitura, a agenda dos encontros das regiões. Seria bom que o responsável pela região, ou alguém indicado por ele depois da realização do encontro, enviasse uma nota para o Boletim. Assim, cada região vai partilhando as informações com as outras e incentivando a realização de encontros regionais com maior frequência e participação. Ou, por que não dizer, deixar transparecer também as limitações.
Desejamos aos amigos e irmãos da Fraternidade uma boa leitura e aguardamos notícias de sua região para partilhar com os leitores deste Boletim!
Este artigo, longo, já estava publicado aqui como BIOGRAFIA EXTENSA do irmão Carlos. Para economizar espaço, por favor, você que está interessado em lê-la, acesse-a por meio deste link: BIOGRAFIA EXTENSA
Frei Betto
Orar é entrar em sintonia com Deus. Há muitas maneiras de fazê-lo e não se pode dizer que esta é melhor que aquela. Há orações individuais ou coletivas, baseadas em fórmulas ou espontâneas, cantadas ou recitadas. Os salmos, por exemplo, são orações poéticas, das quais cerca de 100 expressam lamentação ou denúncia, e 50, louvor.
Nós, ocidentais, temos dificuldade de orar devido ao nosso racionalismo. Em geral, ficamos na soleira da porta, entregues à oração que se apóia nos sentidos (música, dança, mirar vitrais ou paisagens etc.) ou na razão (fórmulas, leituras, reflexões etc.).
Orar é entrar em relação de amor. Como ocorre entre um casal, há níveis de aprofundamento entre o fiel e Deus. Uns oram como o namorado que fala demais no ouvido da namorada. Como se Deus fosse surdo e burro. Parecem aquela tia que liga e fala tanto, tanto, que minha mãe deixa o fone, mexe a comida nas panelas e retorna sem que sua ausência seja percebida.
Jesus sugeriu não multiplicar as palavras. Deus conhece os nossos anseios e necessidades. O próprio Jesus narra o Evangelho, gostava de retirar-se para lugares ermos para entrar em oração. Jesus foi para a montanha a fim de rezar. E passou toda a noite em oração a Deus (Lucas 6,12).
Na oração, é preciso entregar-se a Deus. Deixar que ele ore em nós. Se temos resistência à oração é porque, muitas vezes, tememos a exigência de conversão que ela encerra. Parar diante de Deus é parar diante de si mesmo. Como num espelho, ao orar vemos o nosso verdadeiro perfil — dobras do egoísmo realçadas, mágoas acumuladas, inveja entranhada, apegos enrijecidos. Daí a tendência a não orar ou fazer orações que não revirem ao avesso a nossa subjetividade.
Os místicos, mestres da oração, sugerem aprendermos a meditar. Esvaziar a mente de todas as fantasias e idéias e deixar fluir o sopro do espírito no silêncio do coração. É um exercício cujo método a literatura mística ensina. Mas é preciso, como Jesus, reservar tempo para isso. Assim como a relação de um casal arrefece se não há momentos de intimidade, do mesmo modo a fé se debilita se não nos recolhemos em oração.
Oramos para aprender a amar como Jesus amava. Só a força do espírito dilata o coração. Portanto, uma vida de oração se avalia não pelos momentos entregues a ela, mas pelos frutos na vida cotidiana: os valores elencados como bem-aventuranças no Sermão da montanha (Mateus 5, 1-12). Ou seja, pureza de coração, desprendimento, fome de justiça, compaixão, destemor nas perseguições etc.
Orar é deixar-se amar por Deus. É deixar o silêncio de Deus ressoar em nosso espírito. É permitir que Ele faça morada em nós. Sem cair no farisaísmo de achar que a minha oração é melhor do que a sua, como aquele fariseu frente ao publicano (Lucas 18,9-14). Quem ora procura agir como Jesus agiria. Sem temer os conflitos decorrentes de atitudes que contradizem os antivalores da sociedade consumista e individualista em que vivemos.
Orar é subverter-se a si próprio. Centrado em Deus, o orante descentra-se nos outros e imprime à vida a felicidade de amar porque se sabe amado. Parafraseando Jó, antes de orar se conhece a Deus por ouvir falar. Depois, por experimentar. O que levou Jung a exclamar: Eu não creio. Eu sei.
Escritor, e autor de Entre todos os homens, biografia romanceada de Jesus (Editora Ática)
Fonte: Correio Braziliense
(SE VOCÊ PREFERIR LER A CARTA NO ORGINAL ESPANHOL VEJA NO PDF, LINK NO ÍNDICE)
3.1. Carta
Caros irmãos,
A Equipe Internacional se reuniu na casa paroquial de Richard em Omaha, Nebraska, de 18 a 23 de fevereiro. O tempo estava agradável dentro da casa e muito frio lá fora. Em uma das noites, tivemos a sorte de presenciar um eclipse lunar total.
Participamos da Eucaristia na nova igreja com os paroquianos e os estudantes. Fizemos adoração na capela com os paroquianos. As refeições foram preparadas em casa com a ajuda de todos. Pudemos passar um tempo com o Padre Roger, o vigário da paróquia, os diáconos e a equipe administrativa, que nos acolheram calorosamente. Duas famílias nos convidaram para jantar, o que nos ajudou a compreender melhor a vida em comunidade.
Na quinta-feira, tivemos Adoração com a fraternidade de Richard e o Padre Mark Mertes, do Conselho Nacional. Compartilhamos nossas vidas e ministérios e os ouvimos falar sobre a influência positiva dos jovens irmãos na fraternidade. Na terça-feira, tivemos uma visita cordial ao Arcebispo Curtiss e aproveitamos a oportunidade para visitar a Catedral de Santa Cecília e a Boys Town, um programa maravilhoso que ajuda jovens em situação de risco.
Na atmosfera tranquila da casa paroquial, relembramos as atividades do ano passado: a Assembleia Europeia, realizada na Áustria, onde Laurent Dognin foi eleito líder europeu; Eddy visitou dois irmãos na Hungria ligados à fraternidade; Amand De Cock representou a Fraternidade Sacerdotal na Assembleia da Família Espiritual em Tammanrasset, em abril; Abraham esteve em Burkina Faso, em agosto, para o Mês de Nazaré e a Assembleia, que foram preparadas por Evariste Ouedraogo e Felix Rajaonarivelo e facilitadas por Jacques Midy e Jean-Marie Pasquier; Evariste foi eleito líder para a África Subsaariana; José participou do retiro e da Assembleia Nacional no Brasil, em janeiro, e visitou alguns irmãos da fraternidade no Chile, em junho.
Tony Philpot liderou o retiro do Mês de Nazaré realizado em Youngstown, Ohio, EUA. Dan Danielson, responsável por nos manter informados sobre os Meses de Nazaré, solicita que os organizadores nacionais o informem sobre quaisquer eventos que estejam planejando. Jacques Midy continua trabalhando diligentemente na edição internacional do Boletim Francês e também solicita que artigos e comentários lhe sejam enviados. Foi mencionada a necessidade de uma publicação internacional em inglês, e ficou decidido que o assunto será discutido na Assembleia Nacional dos EUA.
Dedicamos bastante tempo à revisão do Diretório, conforme solicitado em São Paulo. O artigo de Günther Lendbraldt, disponível no site em vários idiomas, oferece reflexões e questionamentos valiosos. Inicialmente, compartilhamos nossas reflexões sobre o mundo atual e o contexto da Igreja. É notável o quanto concordamos sobre a realidade presente, que desejamos apresentar sob uma perspectiva de esperança.
Você encontrará um esboço do novo texto que gostaríamos de chamar de "Guia para a Vida da Fraternidade", o qual submetemos à sua consideração.
Continuaremos trabalhando nisso em nossas próximas reuniões de equipe. Esperamos que a redação e a aprovação do texto sejam finalizadas na Assembleia de 2012.
Analisamos o orçamento de 2007, que, em última análise, cobriu as despesas. Richard lhe enviará o relatório anual de 2007 e o orçamento de 2008.
O ano de 2008 começou com este encontro no Nebraska. As Assembleias para a Ásia e a América Latina foram adiadas para 2009. Em agosto, Abraham conduzirá um retiro com os irmãos da Espanha em Málaga.
Ficamos contentes em saber que haverá um Mês de Nazaré na Alemanha e outro na França. As fraternidades na Inglaterra também estão organizando um Mês de Nazaré no Marrocos, em inglês, aberto a outros irmãos e irmãs. Em janeiro, houve um Mês de Nazaré no Canadá.
Agradecemos seu compromisso e pedimos que permaneçamos unidos. Ficaremos muito felizes em receber notícias suas.
Fraternalmente,
23 de fevereiro de 2008
Abraham Apolinário José Bizon Eddy Lagae Richard Reiser
3.2. Em direção a um "guia para a vida em fraternidade".
Omaha - Fevereiro de 2008.
MULTAS:
1. Um programa de treinamento para novos membros e novas fraternidades.
2. Uma ferramenta para avaliar as fraternidades existentes.
ESBOÇO GERAL (Estamos retornando ao esboço geral de 1976)
1. Objetivo e espírito da Fraternidade
2. Viver o Evangelho e seguir a Cristo como sacerdote.
- Tornando-se irmãos no ministério: o sacramento da fraternidade; a fraternidade como escola de comunhão para a vida da Igreja.
- Incentivar, promover, atrair.
3. O contexto atual: discernir os sinais dos tempos; perceber o "kairós" da situação atual.
A globalização favorece as comunicações e a migração, a presença de refugiados de culturas e religiões estrangeiras; a prioridade dada à economia e às finanças; a crescente desigualdade e a exclusão dos pobres.
- A presença do Islã em muitas de nossas sociedades: a questão da tolerância, a presença de símbolos religiosos em espaços públicos, a lei islâmica, a perseguição de minorias cristãs.
- A crescente presença da descrença e dos valores seculares, da indiferença e do esoterismo.
- Uma evolução nas relações entre Igreja e mundo. Espera-se uma atitude profética por parte da Igreja; uma presença pastoral para com os refugiados e imigrantes; dar voz aos que não têm voz e aos excluídos.
- A identidade do pároco diocesano.
4. O espírito de Charles.
- A oração do Abandono: confiança, gratidão, amor em primeiro lugar, confiança em Deus, disposição para…
- O amor louco de Deus
- contemplação em meio à vida ativa
- um espírito missionário que se traduz em uma vida evangélica, em cuidar de pessoas marginalizadas, em aproximar as pessoas de Deus.
- O último lugar: estar disponível
Tornar-se irmão do povo, respeitando-o, por meio da solidariedade, considerando-o irmão em Cristo.
- Carlos era um padre diocesano.
5. Os meios de fraternidade.
- fraternidade: o sacramento da fraternidade
- a Eucaristia
- adorar
- Lendo a Bíblia
- a revisão de vida
- o dia no deserto
6. Morar em uma fraternidade
- o mês de Nazaré
- o compromisso
- Seja responsável
- fraternidade universal
- a família espiritual
- fraternidade no presbitério
- um mínimo de estruturas
3.3. Relatório Financeiro da Equipe Internacional da Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas
Caros irmãos,
A Equipe Internacional acaba de concluir sua reunião anual em Omaha, EUA.
Preparamos o relatório de 2007 e o orçamento de 2008, que estou anexando.
No ano passado, a Equipe Internacional solicitou que cada região contribuísse financeiramente para suas iniciativas. Sugerimos a alocação de 10% do orçamento nacional, mas cabe a cada região decidir com base em suas circunstâncias. Encorajamos vocês a começarem a poupar em preparação para a Assembleia de 2012, para cobrir as despesas de viagem dos delegados e os custos de organização.
As contribuições podem ser depositadas na conta europeia, para a qual você pode contatar Eddy Lagae, ou na conta americana, para a qual você deve contatar Richard Reiser e obter os códigos bancários necessários. Eu administrarei ambas as contas em colaboração com Eddy. Se possível, faça a transferência antes de 1º de maio de 2008.
A Equipe Internacional está ciente de que algumas regiões têm uma longa história de apoio a fraternidades necessitadas. Agradecemos essa valiosa ajuda e as encorajamos a continuar. No entanto, pedimos que informem as outras regiões e a Equipe Internacional sobre as atividades que apoiam.
Esta comunicação foi enviada a todos os gerentes nacionais, que foram instruídos a informar o tesoureiro e seu conselho nacional.
Se precisar de mais informações, não hesite em contatar o Eddy ou a mim.
Fraternalmente,
Richard viaja
Tesoureiro da Equipe Internacional
Nasce na Galiléia mosteiro inspirado no ecumenismo de Carlos Foucauld
KORAZIM (Israel) No dia 29 de março, durante um encontro com cerca de 170 bispos europeus, foi inaugurado um mosteiro construído na parte direita da Domus Galilaeae, onde acontecerá a adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento.
Cumpre-se, desta maneira, depois de quase um século, o desejo contemplado pelo beato Charles de Foucauld, quando se encontrava em Nazaré, de criar neste monte um lugar onde Cristo Eucaristia fosse uma presença permanente e adorada.
Com este fim, ele havia pensado em reunir uma pequena família monástica cuja vocação estivesse baseada na imitação da vida oculta de Jesus de Nazaré, na adoração eucarística perpétua e na evangelização nos países de missão.
Como sinal concreto de comunhão com a figura do fundador dos Pequenos Irmãos, uma relíquia do beato Charles de Foucauld será depositada sob o altar da capela circular, onde o Santíssimo será exposto noite e dia para ser adorado por todos os que habitam o mosteiro e pelos que se encontrem na Domus.
A adoração perpétua sobre esse monte sustentará «o diálogo entre o judaísmo e a Igreja Católica», segundo as indicações da carta enviada pelo Papa João Paulo II à Domus por ocasião da inauguração de sua biblioteca, assim como a promoção do diálogo ecumênico pela unidade das Igrejas cristãs.
O mosteiro está composto por 23 celas; em seu centro se encontra a capela circular sobre cujo teto se colocou um complexo escultural realizado por Kiko Argüello, que representa Jesus e os doze apóstolos durante a pregação do Sermão da Montanha.
Desta maneira, o monte no qual se proclamou pela primeira vez o mais essencial da pregação de Cristo será um sinal visível da oração da Igreja pela evangelização até os confins da terra.
A inauguração do mosteiro foi presidida pelo patriarca latino de Jerusalém, Sua Beatitude Michel Sabbah, acompanhado de outros bispos de vários ritos, do Custódio da Terra Santa, o Pe. Pierbattista Pizzaballa, o arcebispo Antonio Franco, núncio de Sua Santidade, e de todas as autoridades civis da região. Também participaram numerosos embaixadores. (Agência de notícias Zenit)
DAMIAN, Pe. Edson T, Uma espiritualidade para o nosso tempo, Carlos de Foucauld, Paulinas, São Paulo, 2007
FRAÇOIS SIX, Jean, Charles de Foucauld, O Irmãozinho de Jesus, Paulinas, São Paulo, 2008
LAFON, Michel, 15 Dias de oração com Charles de Foucauld, Paulinas, São Paulo, 2005.
NOUWEN, Henri J. M., A Espiritualidade do Deserto e o Mistério Contemplativo, o caminho do coração, Loyola, São Paulo, 3ª. Edição de 2004
PESSINI, Leo e BARCHIFONTAINE, Christian de P de, (Orgs). Buscar Sentido e Plenitude de Vida. Bioética, Saúde e Espiritualidade. Paulinas e Centro Universitário São Camilo, São Paulo, 2008.
SILVA, Celso Pedro da e BIZON, J. (Orgs.) Meios para uma espiritualidade presbiteral, Loyola, São Paulo, 2005.
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