História Aranhada (1997) mergulha na delicada solidão de Dona Aranha, uma tecelã que observa o mundo através de seus fios, até que o vento — força da própria natureza — sopra para unir seu isolamento ao de outros seres. Ana Cláudia SSaldanha utiliza esse encontro para explorar a complexidade das relações: ao cruzar caminhos, surgem divergências de pontos de vista, conflitos e ideias contrastantes que podem "aranhar" a convivência. No entanto, a obra revela que é justamente através da superação desses embates e da aceitação das diferenças que se constrói uma história compartilhada. Com a sensibilidade da arte como fio condutor, o livro ensina que a união de solidões distintas pode tecer uma trama coletiva resiliente, transformando o estranhamento em um novo e belo horizonte comum.
Pucumã (1997) é um romance introspectivo e hermético que mergulha no fluxo de consciência de uma mulher idosa observando o Carnaval pela janela de uma casa antiga. Ao longo de três dias, o barulho e a vitalidade das ruas servem apenas como gatilho para uma dilatação do tempo interno, onde memória, desejo, velhice e finitude se entrelaçam em um espaço mental claustrofóbico e poético. Sem diálogos convencionais ou ações externas, a narrativa transforma objetos cotidianos e o silêncio da casa em símbolos de uma travessia existencial profunda. É uma obra sobre o tempo que permanece vivo dentro de nós, revelando que, enquanto o mundo lá fora celebra o efêmero, o pensamento é o verdadeiro e mais intenso acontecimento da vida.
Manual de Arte Educação: Uma Dinâmica para o Desenvolvimento, publicado em 1999 pela Federação Nacional das APAEs, é uma obra técnico-pedagógica que conta com a colaboração de Ana Cláudia SSaldanha em sua elaboração multidisciplinar. Focada no impacto social e na inclusão, a obra serve como uma ferramenta essencial para educadores e profissionais que atuam na rede APAE, apresentando dinâmicas de ensino que utilizam as linguagens artísticas para estimular as potencialidades humanas. Diferente das incursões poéticas da autora, este manual reafirma seu papel como arte-educadora comprometida com o desenvolvimento e a acessibilidade através da arte.
Meio Século de Sol, escrito por Ana Cláudia SSaldanha e Júlio Maria Saldanha Teixeira, é uma obra de fôlego que resgata a memória cultural de Pará de Minas através da trajetória do Coral Nossa Senhora da Piedade. Publicado em 2002 para celebrar as Bodas de Ouro do coro, o livro funciona como um inventário histórico e documental, detalhando a evolução da música sacra e erudita na região desde o século XIX. Entre registros de regentes, quadros estatísticos e relatos de apresentações marcantes, a obra preserva o patrimônio imaterial da cidade e a identidade de uma comunidade que se uniu através da arte. É uma fonte primária essencial para pesquisadores da história mineira e amantes da tradição coral.
Em Lídimo Tempo, a autora Ana Cláudia SSaldanha deixa de lado o rigor da historiadora para abraçar a subjetividade da alma em um inventário poético sobre a natureza da existência. Estruturada sobre os pilares do tempo, da memória e da paisagem mineira, a obra personifica as horas e confronta o amadurecimento diante do espelho. Através de metáforas potentes, como a vida tecida como um fio de aranha e o silêncio que rege a orquestra da vida, o livro explora a busca pelo "lídimo": o tempo puro e autêntico. Entre o cotidiano de uma cidade mineira e a metafísica do sagrado, a poesia surge como a única ferramenta capaz de eternizar o instante e "lograr" a finitude.
Olhares 4x1 é uma construção coletiva que reúne quatro ícones da literatura de Pará de Minas (Ana Cláudia SSaldanha, Déa Miranda, Júlio Saldanha e Padre Geraldo Gabriel), onde a escrita de Ana Cláudia SSaldanha atua como uma janela para a alma mineira e suas tradições. Entre memórias de infância, a fé das procissões e a identidade regional, Ana Cláudia preserva o patrimônio imaterial através de crônicas e poesias que dialogam diretamente com os minicontos de Júlio Saldanha. Essa parceria cria um ritmo único na obra, intercalando o fôlego emocional da memória com a precisão da ficção rápida. O resultado é um caleidoscópio literário que transforma o regional em universal, celebrando o tempo, as raízes e a ancestralidade.
Quase de Mentira, de Ana Cláudia SSaldanha, é uma narrativa sensível que dá voz à cadela Lua para contar sua jornada do abandono à adoção. Atuando como "tradutora" da língua dos cães, a autora une memórias e direitos animais em um relato emocionante sobre superação, onde o afeto transforma uma "assombração" das ruas em um ser pleno de amor. Uma obra que celebra a pureza canina e defende que todo animal merece um lar.
ZULLL! Começo, Meio e Sem Fim, de Ana Cláudia SSaldanha, é uma celebração poética do universo lúdico, onde a brincadeira é a ferramenta principal de descoberta do mundo. Unindo memórias de brinquedos clássicos como a amarelinha a elementos modernos como o videogame, a obra utiliza uma linguagem musical e ritmada para mostrar que o aprendizado e a imaginação não têm fim. É um convite sensível para que crianças explorem seus sentimentos e adultos reencontrem sua própria criatividade através do balanço das palavras.
Em A Praga do Seu Juvenal, um gato cantor transforma as madrugadas da vizinhança em verdadeiros concertos felinos, até que o impaciente Seu Juvenal, cansado de tanto miado, resolve lançar uma praga daquelas de arrepiar bigode. O que ele não esperava era que suas palavras ganhassem força e mudassem o rumo da história de maneira surpreendente e divertida. Com humor, ritmo e um toque de fantasia, o livro brinca com o poder da fala, das crenças e das consequências, mostrando às crianças que toda palavra lançada ao vento pode, sim, criar asas — ou até mesmo… barba!
LANÇAMENTOS DE LIVROS