A MESMA RIMA, A MESMA DOR (Letra: Ana Cláudia Música: Júlio Saldanha)
Hoje eu canto a tristeza ontem eu cantava o amor
tristeza é a marca mais certa de quem hoje só tem a dor
Mas tão doce é ser amado vale a pena qualquer dor
pior é nunca ter tatuado o peito com um grande amor
Hoje eu canto a tristeza amanhã, quem sabe, um novo amor
mesmo com o fim e a certeza que a rima é sempre a mesma dor.
CANÇÃO PARA NINAR ANA TERRA (Letra: Ana Cláudia Música: Júlio Saldanha)
O sol e a lua no céu a namorar
Enquanto isso meu neném a sonhar
Sonha, sonha, sonha neném.
A Ana Terra nos braços a embalar
Sonhos, desejos de o mundo mudar
DECISÃO (Ana Cláudia e Júlio Saldanha)
Eu disse sim pra ela mas ela quis mais que um sim
com ciúme do meu violão ela me obrigou a uma decisão
ou ela ou minha canção que terrível situação
posto que ela é minha inspiração
Minha canção sem ela que sina? não quero não
desatinar a vida desafinar a canção
eu vou ficar com a minha solidão
O DESCOBRIMENTO DO BRASIL (Ana Cláudia / Júlio Saldanha)
Cabral gritou: é terra a vista minha gente
mas hoje a gente sabe que não era bem assim
Cabral gritou: é terra a vista minha gente
mas hoje a gente sabe que não era bem assim
Não foi, não foi, não foi, não foi Cabral quem descobriu nosso Brasil
esta terra encantada coroada de riquezas tantas matas, tantas vidas
tantas cores, tantos rios por Tupa abençoada e pelos indios habitada
Cabral saiu pelos mares navegando e nessas praias veio aportar
não houve vento que trouxesse quem já sabia o que havia
por detrás dessa cortina de fumaça
ô ô Cabral, o vento forte da ciência a calmaria de alguns planos
soprando ate hoje tantos danos
Vaz caminha descreveu ao rei de Portugal toda nudez de nossa terra sem pudor
e pra espantar tantos demônios decidiram exorcizar dessa terra todo mal
Cobrir os corpos e vestir nova cultura do pau-brasil sangrar tingir essa loucura
agora resta argumentar que a terra a vista pra quitar precisa ser negociada.
ESCURO DE NÓS MESMOS (Ana Cláudia e Júlio Saldanha)
Às vezes, ao te olhar
te vejo, tão inteiro
Que até me assusto de pensar
Que mais da metade do tempo
Vivemos no escuro de nós mesmos
Quando eu te vejo, então
percebo que não te conheço
e que somos tão sós,
e que somos nada
espelhos refletindo o próprio mistério
medo e encantamento...
espelhos refletindo o próprio mistério
prazer e estranhamento
GABRIELA(Ana Cláudia e Júlio Saldanha)
Venha, Gabriela, abre logo a janela
canta que é lua cheia não espera clarear
que o seu pai pode acordar logo o galo começa a cantar
venha logo me amar
Corre, Gabriela é verão na mata adentro
calor, corpos sedentos acabou a primavera
é preciso pular a cerca antes que a lua desapareça
Gabriela não espera
Anda logo Gabriela faz as malas bem ligeira
vem pro braços de quem lhe espera vem amar a noite inteira
vem falar qualquer besteira pra este pobre mensageiro do amor
trovador da lua cheia
M E U N E G O (Ana Cláudia e Júlio Saldanha)
Meu nego, eu venho descendo, descendo a ladeira
Eu venho sem minha tristeza pro samba poder cantar
Deixei no barraco o menino, deixei o destino
Que eu nunca quis encontrar
Meu nego, é tempo de folia e de fantasia
No samba que vai na avenida eu quero poder lhe abraçar
Com a gente sofrida de rei e rainha vestida
Cantar pra nunca mais chorar
Meu nego, mas como esquecer a barriga vazia
Na quarta tiro a fantasia o menino começa a chorar
Meu nego, apesar da agonia nem tudo é só mal
Afinal, é preciso gritar: hoje é carnaval!
Afinal, é preciso gritar: hoje é carnaval!
O CASAMENTO DO MANÉ DA VILA (Ana Cláudia e Júlio Saldanha)
Vai lá Mané que hoje é dia, hoje é o seu dia, dia de casar
Lá na igreja o padre anuncia: É o casamento do Mané da Vila.
Quem denuncia? quem silencia?
Mas quem diria? sorria, Mané!
Vai lá Mané que a mulher Hoje não quer saber mais de esperar
Amanhã sim, e outro dia e a boemia sim, há de esperar
Deixe a cachaça pare de olhar
Pra toda moça que passa, Mané!
Vai lá Mané esquece a folia e na família comece a pensar
Não fique aflito vá! Deus te abençoa
Vai faz bonito lá com a patroa
Vai te estrepar, Mané vai te enforcar, Mané
Vai te entregar, Mane vai te danar, Mané
Vai se casar
O SOL (Ana Cláudia/Francisco Wellington)
O sol nasceu, para mim, para o mundo também
Falou de paz, de amor, do amor que nasceu
Vem comigo ver, de fato o sol nasceu
É preciso crer no que aconteceu
O sol nasceu, ensinou que é preciso sorrir
Fez renascer um conjunto de tudo que eu quis
Vem comigo cantar, vem comigo viver
uma vida que nunca tem fim; é viver
é preciso saber ser feliz pra cantar
que o amor faz o homem mais homem feliz
O sol é amigo de quem a esperança persiste
é companhia de quem a solidão não permite
Vem comigo ver, de fato o sol nasceu
É preciso crer no que aconteceu.
PESCADOR (Ana Cláudia e Francisco Wellington)
Pescador, lança a rede neste mar
faz nascer a esperança em cada olhar
Pescador, lança a rede neste mar
faz nascer a esperança em cada olhar
sem doutrina ou filosofia vã
vendo na rede a forma de o mundo mudar
Pescador o importante é ensinar a pescar
da mesma forma que amando se aprende a amar
Pescador, lança a rede neste mar
faz nascer a esperança em cada olhar
Pescador, lança a rede neste mar
faz nascer a esperança em cada olhar
o futuro é escuro e medo nos dá
mas estando sem rede
acreditamos estar
No encontro das águas em busca do mar
está a essência que é a razão de se pescar.
RODA DA FOGUEIRA(Ana Cl udia/J£lio Saldanha)
Pipoca, pipoca na panela
Na noite de São João.
Reza o povo Queima a vela
Povo devoto, Viva São João!
Beija a fita da bandeira
Sobe pro céu São jôão
Na terra o povo festeja
tudo regado a quentão.
Ah São João
na roda da fogueira eu achei meu coração
Ah São João
na roda da fogueira eu achei meu coração
SALMO DE CONFIANÇA (Ana Cl udia e Júlio Saldanha)
Minha alma está em comunhão contigo
e as tuas bençãos se derramam sobre mim todos os dias
Meu coração pulsa o amor que me ensinaste
e minhas mâos buscam na terra o alimento farto
Meu corpo sente ao redor os teus mistérios
e minha voz canta a tua presença certa
ao nascer o dia fortalece minha vida
ao chegar a lua teu manto abraça os meus medos
Espero em ti todos os dias
até‚o dia do abraço eterno.
SAUDADE DO SAMBA (Ana Cláudia e Júlio Saldanha)
- O samba morreu?
- Morreu não senhor!
- Pra onde ele mudou?
- Não sei não senhor!
Ai, que saudade do samba do morro
tão cheio de amor
o gingado o balanço da morena-flor
que tomava a avenida por onde encontrar
ai, que saudade da ingenuidade
de um carnaval
mostrando magia com raça e suor,
eu quero de novo meu samba sambar.