Os minicursos da 33ª Semana de Letras estão divididos em três grupos.
Grupo 1: dias 4 e 5/10, das 14h às 15h30.
Grupo 2: dias 6 e 7/10, das 8h30 às 10h.
Grupo 3: dias 6 e 7/10, das 21h às 22h30.
Inscritos na modalidade parcial podem participar de um dos três grupos. Inscritos na modalidade total podem participar de todos os grupos.
ATENÇÃO: Devido a problemas técnicos com a plataforma StreamYard, os primeiros dias de todos os minicursos* do Grupo 1 serão realizados via sala no Google Meet.
*o Minicurso 04 terá seu primeiro dia realizado no dia 05/10, no horário previsto.
(MC01) DISCURSO, HORROR E QUADRINHOS DE AUTORIA FEMININA
FERNANDES, Fernanda S. (UEG)
Resumo: Este minicurso se propõe a discutir sobre as histórias em quadrinhos (HQ’s) de autoria feminina, a partir do olhar da Análise de Discurso, pois compreende-se que as HQ’s se constituem em um excelente lugar para compreender, a partir de diferentes materialidades, como os sentidos são produzidos de/sobre diferentes questões sociais, históricas e ideológicas. Assim, este minicurso apresentará, a partir dos conceitos de discurso, condições de produção, formações discursivas, análises de como se materializa nas histórias em quadrinhos os sentidos sobre o monstro e corpo, sentidos constituídos nas HQ’s brasileiras de autoria feminina. Assim, em um primeiro momento abordaremos conceitos base da Análise de Discurso com Análise de Discurso: princípios e procedimentos de Eni P. Orlandi (2007) e “Papel da memória” (PÊCHEUX, 2007). E também adentraremos nos estudos quadrinísticos e de autoria feminina com autores como Bárbara Postema (2018) em Estrutura narrativa nos quadrinhos; com os estudos de Mulheres e quadrinhos, livro organizado por Laluña Machado e Dani Marino (2019); Mulher ao quadrado de Selma Regina Nunes Oliveira (2007). No segundo momento, apresentaremos a noção de monstro com base em “A cultura do monstro: sete teses” de Cohen (2002) e “Corpo anormal” de Courtine (2011), passando para as análises de obras Dora de Bianca Pinheiro (2014) e Papa-capim - noite branca de Marcela Godoy e Renato Guedes (2016), obras que colocam em funcionamento a imagem do monstro, como também discutem sobre a condição da mulher. Para apresentar essas relações utilizaremos de slides com os conceitos e recortes dos objetos analisados, para apresentação e discussão das análises.
Dia 1: https://youtu.be/fNyY1chlqTo / https://meet.google.com/nsi-tpkr-hbe
Dia 2: https://youtu.be/86QdKV5Z860
MC02: HAMLET NO HOLODECK: PERCURSOS LINGUÍSTICOS E POÉTICA EM TEXTOS INTERATIVOS
RODRIGUES, Matheus. (UFC)
Resumo: Este minicurso busca apresentar as ideias exprimidas no livro “Hamlet no holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço” (MURRAY, 1997), elevando a narrativa interativa, produzida em computadores, a uma forma de arte não apenas aditiva, mas também expressiva, dotada de poética e códigos específicos, tais quais os do cinema e da literatura. Através da análise do jogo digital Clock Tower (1995) e do projeto de narrativa colaborativa SCP Foundation (2007), busca-se expor os alunos as especificidades linguísticas dessas formas relativamente novas de narrativa, além de fomentar a compreensão do sincretismo de linguagens que as constroem e de suas características únicas que, por sua vez, começam a se manifestar em textos literários e cinematográficos, retroalimentando-se. Valendo-se das definições de HUIZINGA (1938) em Homo Ludens, e descrito em sua forma digital por CRAWFORD em The Art of Computer Game Design (1982) e BARWOOD em The 400 project rule (2006), o curso apresentará o jogo digital sobre a ótica dos estudos de Literatura e Cinema, compreendendo que o pesquisador deve manter-se em constante renovação e observar a evolução do seu objeto de estudo, que encontra novas maneiras de manifestar-se e incorpora para si códigos de outras linguagens. Além disso, deve reforçar não só seu significado como produção artística e cultural, como proposto em Cultura da Convergência (JENKINS, 2009), mas também seu valor como objeto de estudo independente, assim como descrito em A literatura como conhecimento (BARBOSA, 2003), dada a análise de sua construção poética e efeitos estéticos. Com isso, procura-se levar o aluno ao entendimento de que identificar as divergências e confluências das linguagens literária e cinematográfica com a linguagem do texto jogável é abrir espaço para um embasamento teórico-metodológico para futuras pesquisas que levem em consideração a interatividade na produção do sentido.
Dia 1: https://youtu.be/QoK7NTYlhTc / https://meet.google.com/def-qfpp-dop
Dia 2: https://youtu.be/jELthOSbnRA
MC03: INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO CINEMA: OS PRECURSORES DAS IMAGENS EM MOVIMENTO
Integrante: OLIVEIRA, Marília Corrêa Parecis de. (UNESP/IBILCE)
Resumo: O presente minicurso tem como objetivo demonstrar um panorama geral da história do que pode ser compreendido como o cinema primeiro, bem como entender a diversidade estética desses primeiros filmes produzidos entre o final do século XIX e o início do séc. XX (precisamente, desde a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumière no final do séc. XIX até a década de 1910), assim como os seus contextos sociais e culturais de origem. Sabe-se que o início do cinema culminou com uma tendência de reproduzir sensações vívidas e intensas. De acordo com Charney e Schwartz (2004), desde muito cedo, os filmes centravam-se em torno de uma “estética do espanto”, em relação tanto à forma quanto ao conteúdo dessas produções artísticas. Logo, esse início do cinema, por meio de seus primeiros realizadores, possibilitou que ele se tornasse uma arte detentora de uma linguagem própria e de uma grande diversidade estética. Nesse sentido, propomo-nos, por meio da exibição de alguns dos primeiros filmes produzidos no período, apresentar os precursores dessa arte, com o intuito de estabelecer uma compreensão geral de como constituiu-se historicamente a estética inicial da arte cinematográfica. Desse modo, nossas discussões serão guiadas pela bibliografia principal do curso, por meio da exploração dos escritos teóricos que acompanharam tais práticas estéticas, particularmente as reflexões de Thompson e Bordwell em Film History: An Introduction (2009), e de Xavier em A Experiência do Cinema (2008). As aulas serão expositivas, incluindo a projeção de filmes (ou excertos) e momentos de discussão que possibilitem a participação sustentada dos alunos.
Dia 1: https://youtu.be/6f_T64XxcjA / https://meet.google.com/kqj-vgyo-pjp
Dia 2: https://youtu.be/3RxdTtqv92Y
MC04: MULTIMODALIDADE EM PRÁTICAS: TEORIA E ANÁLISES
Integrante: AMOÊDO, Rafael Seixas de. (UEA).
Resumo: Nas novas dinâmicas do contexto contemporâneo, os textos e as suas respectivas práticas de produção passaram a agregar além do modo verbal (oral e escrito), outras modalidades semióticas para fazer significado (entonação, tipografias, cores, imagens, movimento e até mesmo cheiros), os textos são multimodais. A seleção destes modos não é arbitrária e parte do interesse dos atores sociais para que um determinado evento discursivo seja ativado na prática. O objetivo deste minicurso é apresentar ao público a nova abordagem de estudos de texto, a multimodalidade, a partir da perspectiva Semiótica Social (KRESS; 2010) e a formulação da Gramática do Design Visual (GDV) (KRESS, van LEEUWEN, 2006), um inventário ocidental para o tratamento de eventos textuais-discursivos multissemióticos. Como práticas de análise, a partir de estudos realizados nos últimos quase cinco anos, este minicurso ilustrará em diversos gêneros: memes, livro didático, capas de revistas, curta-metragem e propagandas políticas, a importância da multimodalidade tanto em contexto acadêmico e analítico quanto no sistema educacional que cada vez mais impele por práticas de multiletramento (AMOÊDO; SOARES, 2018, 2019, 2020; AMOÊDO, 2021). Este painel se subdividirá em dois momentos: Em um primeiro momento, a exposição teórica dessa abordagem, incluindo as categorias analíticas da GDV dos significados: representacional, interacional e composicional; Em um segundo momento, a exposição prática a partir de pesquisas já desenvolvidas e publicadas. Quanto aos recursos, devido ao formato remoto, faz-se uso da plataforma digital, bem como de slides em PowerPoint e vídeos como instrumentos com valor expositivo. Espera-se que com este minicurso, de forma didática, apresentar essa nova perspectiva de leitura, interpretação e produção de textos, agregando novos pesquisadores e professores a essas novas práticas.
Dia 1 (05/10): https://youtu.be/Of5AVqoqq04
Dia 2 (08/10): https://youtu.be/fkkl0K9djL0
MC05: A PRAGMÁTICA DO EXPLÍCITO E DO IMPLÍCITO NAS IMPLICATURAS ESCALARES: NEO-GRICEANOS E TEORIA DA RELEVÂNCIA
Integrante: VIEIRA, Renato Caruso. (UFRGS)
Resumo: As implicaturas escalares vêm se consolidando nas últimas décadas como tema de destaque em trabalhos e debates acadêmicos no campo da pragmática, dando origem não apenas a disputas teóricas mas, também, a trabalhos experimentais com foco psicolinguístico e neurolinguístico. Implicaturas escalares são tradicionalmente definidas como interpretações upper-bound de termos escalares fracos, nas quais estes assumem a máxima força informacional de suas escalas, negando termos mais informativos (e.g. "somente alguns mas não todos") por obra da primeira submáxima de Quantidade de Grice: "faça sua contribuição tão informativa quanto requerido". Uma importante cisão teórica no entendimento do fenômeno é aquela encontrada entre a abordagem mais formalista neo-griceana (por exemplo, de Horn e Levinson) e a mais cognitivista da Teoria da Relevância. Tópicos centrais de tal debate teórico incluem a necessidade de postulação das máximas griceanas, a existência de implicaturas geradas por default ("generalizadas") e os limites entre o que pode ser considerado inferência implícita (implicatura) e o que deve ser atribuído ao campo dos enriquecimentos pragmáticos sobre sentidos explícitos (nos termos da Teoria da Relevância, explicaturas). O objetivo do minicurso é o de apresentar uma introdução a temas que, apesar de fomentarem rica literatura científica multidisciplinar internacional, ainda são objeto de produção muito discreta de pesquisadores brasileiros, sobretudo, nas áreas de aproximação entre pragmática e ciências cognitivas e em discussões acerca da Teoria da Relevância. O conteúdo do minicurso se concentrará nos seguintes temas e no indicado referencial bibliográfico básico: i) Grice, neo-griceanos e as implicaturas escalares (MATSUMOTO, 1995); ii) Teoria da Relevância, explicaturas e as implicaturas escalares (NOVECK & SPERBER, 2007 ); e iii) estudos experimentais de implicatura escalar e suas consequências para as disputas teóricas (BREHENY, KATSOS & WILLIAMS, 2005). As aulas contarão com apresentação de slides para ilustração do conteúdo transmitido.
Dia 1: https://youtu.be/k167yStjvc8 / https://meet.google.com/reo-wmpf-pev
Dia 2: https://youtu.be/RNvVAtI_KcM
MC06: TECENDO HISTÓRIAS E REVOLUÇÕES: KATE CHOPIN E A LITERATURA FEMININA FINISSECULAR
Integrantes: ZANATTA, Deisi Luzia. (UPF); FINATTI, Rosemary Elza. (UNESP/Fclar)
[MINICURSO CANCELADO]
Resumo: Kate Chopin, poeta, contista, romancista, ensaísta, tradutora e uma mulher à frente de seu tempo, cuja obra literária se apresenta como um observatório de recursos estilísticos da prosa realista do século XIX, produção estética que mostra a condição da mulher na sociedade creole de Nova Orleans durante esse período. Dentre as temáticas polêmicas como o preconceito racial, o divórcio e as dificuldades do relacionamento conjugal, a questão da mulher na sociedade em busca de emancipação e liberdade tornou-se o tema fulcral abordado pela autora em seu multiverso ficcional. Sob essa perspectiva, a escrita chopiniana questiona as fronteiras de dominação patriarcal. E, enquanto produto da cultura, essa literatura se configura como um espaço de representação de formas maquiadas de repressão feminina, mas também da mulher em busca de sua autorrealização pessoal, conjugal e profissional. Nesse sentido, o presente minicurso tem por objetivo contextualizar o viés revolucionário da literatura de Kate Chopin, traçando, por sua vez, um percurso sobre a vida e a obra da escritora, bem como realizar uma leitura e análise da construção da individualidade feminina no conto Um par de meias de seda (2011) e no romance O despertar (1994). A escolha das obras justifica-se pelas temáticas que comungam de nuances de crítica social a respeito da condição feminina. A protagonista do conto experimenta, pela primeira vez, a epifania sinestésica do prazer e da liberdade ao toque das meias de seda, revelando que os papéis de mãe e esposa provocam a anulação da feminilidade da mulher. Já a heroína da obra-prima de Chopin desperta para seus impulsos de liberdade e autoafirmação através do mergulho no mar de Grand Isle, para viver conforme suas próprias regras. Para tanto, as análises serão norteadas pelos postulados de Per Seyersted (1980), Bernard Kolosky (2009), Joyce Dyer (1993), entre outros autores.
MC07: ELES DEIXÔ DE BEBER CERVEJA”: INTRODUÇÃO À VARIAÇÃO E MUDANÇA LINGUÍSTICA
Integrantes: PREZOTTO JÚNIOR, José Roberto (UNESP/IBILCE); GHESSI-ARROYO, Rafaela Regina (UNESP/IBILCE)
Resumo: A Teoria da Variação e da Mudança Linguística (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 1968) e o Funcionalismo da Costa Oeste americana (GIVÓN, 2001; HOPPER; TRAUGOTT, 2003; BYBEE, 2016) passaram, cada vez mais, a buscar correlações entre estrutura e uso da língua, contrapondo às teorias que privilegiavam somente descrições formais e estruturais. Sob esta perspectiva, ao considerar as situações reais de comunicação, os fenômenos de variação e mudança são processos heterogêneos, contínuos e graduais ao longo dos espectros linguístico e social (GÖRSKI; TAVARES, 2013). Assim, compreendendo a língua como sistema complexo e dinâmico que está em constante adaptação aos contextos inter e extralinguísticos (BYBEE, 2016), este minicurso almeja mostrar que os processos de variação e mudança são inerentes às línguas naturais e, ao investigá-los, conseguimos entender o porquê a língua é como é no estado sincrônico atual e como ela se modificou nos estágios diacrônicos. Para isso, aborda-se, primeiramente, um estudo que tem como objeto o fenômeno variável de concordância verbal de 3ª pessoa do plural (“eles foram na festa” ~ “eles foi na festa”) (GHESSI, 2020), evidenciando os mecanismos reguladores da variação e sua interação com outros fatores de ordem linguística e social, que podem levar à mudança; em seguida, aborda-se um estudo de mudança sobre construções auxiliares aspectuais com deixar e parar (“deixei de comer chocolate”, “parei de beber cerveja”) na história do português (PREZOTTO JR., 2020). Portanto, com este minicurso, espera-se que os participantes compreendam a importância de se considerar o uso e os contextos sócio-históricos para a descrição linguística.
Dia 1: https://youtu.be/cOcz0WTZ-M8 / https://meet.google.com/cfi-ijik-dhw
Dia 2: https://youtu.be/a5c1MY1qyWg
MC08: A TRADUÇÃO COMENTADA E ANOTADA: O TRADUTOR COMO MEDIADOR ENTRE A OBRA LITERÁRIA ESTRANGEIRA E O LEITOR EM PORTUGUÊS BRASILEIRO
Integrantes: BRAGA, Ariane. (UFSM); ASTIGARRAGA, Gelen. (UFSM); MONTEMEZZO, Luciana .(UFSM)
Resumo: A tradução, entendida por Carvalhal (2003, p. 219) como “ato de comunicação e de intermediação de culturas”, é uma atividade realizada por um tradutor que atua como mediador entre a língua fonte (LF) e a língua meta (LM). Além dos conhecimentos linguísticos, o tradutor deve conhecer os aspectos culturais, sociais, históricos e, no caso da tradução literária, específicos da literatura e do autor a ser traduzido. É por meio da tradução literária que podemos ter acesso às obras escritas em outros idiomas. Cabe ao tradutor literário refletir a respeito das possibilidades de tradução, buscando as alternativas que o levem à reflexão sobre recursos estilísticos e literários utilizados pelo autor da obra literária em LF. Neste minicurso, temos como objetivo explicitar como nós, tradutores literários, podemos realizar uma tradução comentada e anotada de uma obra literária, explicitando nosso modo de trabalho e auxiliando na leitura, seja em relação às escolhas linguísticas realizadas ou, ainda, no que se refere aos aspectos culturais da cultura de partida (CP) que devem ser levados ao leitor da comunidade de chegada (CC) para auxiliá-lo em sua leitura do texto estrangeiro. Focaremos, por exemplo, na importância do espaço de manifestação do tradutor por meio das notas tradutórias, como é exposto nas pesquisas de Mittmann (2003). Como tradutoras de Espanhol, trabalharemos com exemplos práticos de traduções comentadas e anotadas Espanhol/Português realizadas em nossas pesquisas, buscando aliar algumas ideias teóricas dos Estudos da Tradução à prática da tradução comentada e anotada como exercício tradutório. Nossas referências bibliográficas, na área dos Estudos de Tradução, são, principalmente, os estudos realizados por Antoine Berman, Lawrence Venutti, Solange Mittmann, Tânia Franco Carvalhal e Valentín García Yebra.
Dia 1: https://youtu.be/F-O8gn5o_zI / https://meet.google.com/rhk-kdon-tyd
Dia 2: https://youtu.be/jwpnRQvX8Es
MC09: UMA PROPOSTA TRANSMÍDIA DE ANÁLISE DA TRANSCRIAÇÃO DA OBRA LITERÁRIA THE GODFATHER E O GAME HOMÔNIMO
Integrante: MASETTO, Yan. (UFSCAR)
Resumo: O presente trabalho tem como objetivo analisar o processo de transcriação (TÁPIA, 2013) entre o game de Playstation2 The Godfather (2002) a partir de uma perspectiva transmídia aos moldes de Jenkins (2009) e também Ryan (1991; 2013), que trabalha com a transficcionalidade e a questão de mundos possíveis. Para que seja possível executar tal análise, observar-se-á cenas do enredo da obra literária presentes no game consideradas capitais para o desdobramento da trama: (a) o atentado contra Vito Corleone; (b) o assassinato de Sony Corleone; (c) o assassinato executado por Michael Corleone no restaurante; (d) a ascensão de Michael Corleone a Don Corleone. Estas cenas são relevantes para o estudo, pois, quando o protagonista no game perpassa por estes momentos como um elemento “extra” ao que a ficção literária constrói, fica a dúvida se existe, de fato, por parte do jogador uma participação ficcional, ou apenas é uma transcriação que mantém o enredo mais fiel ao romance de Mario Puzzo sem ser afetado pela jogatina – isto é, a agentividade do jogador/protagonista não afeta o cerne da obra game. Porém, resta uma dúvida: o jogo seria, então, apenas um compilado de movimentos que levariam a ver cenas já existentes no filme ou descritas no livro? É aí que tudo se torna ainda mais intrigante: o papel do protagonista, ainda que em missões principais seja “perpassar” a linha da história transcriadas, é mostrar o que os outros membros da família fazem durante aqueles ocorridos. Seria como deixar posto o pressuposto. Sabe-se que os Corleone controlam cassinos e afins na cidade, mas não se vê isso; sabe-se da tentativa de extorsão de outras famiglias e do aceite de um ou outro proprietário. Tudo sempre pressuposto, nada está na tela. E o jogo abre este precedente, um suplemento ao enredo. A proposta responderá que há expansão (RYAN, 2013) apenas no enredo do game.
Dia 1: https://youtu.be/Yy5Iydvpdao / https://meet.google.com/knn-dfhi-zmc
Dia 2: https://youtu.be/lqAGYLZ6NIc
MC10: AS FACES DA POESIA DE SAMUEL BECKETT
Integrantes: VESCOVI, Gabriela Ghizzi. (UNICAMP)
Resumo: Este minicurso se propõe como uma introdução à poesia de Samuel Beckett, apresentando o recorte da obra a partir de três principais eixos: (i) a questão idiomática, considerando o bilinguismo e a autotradução característicos do autor; (ii) a questão dos gêneros literários e da interdiscursividade, trazendo à discussão alguns temas, alusões e figuras recorrentes nos poemas; e a questão de sua poética, destacando a tendência ao silêncio e ao esgotamento da linguagem. O conteúdo consiste em desdobramento da pesquisa dedicada à tradução comentada e ao estudo da poesia pós-guerra de Beckett (mestrado defendido em 2020 na Unicamp). As análises feitas então interseccionam-se com a pesquisa de doutorado em andamento, que visa analisar a influência do gênero distópico e dos espaços dantescos na prosa beckettiana. Para tal, serão usados como referenciais os estudos de Lawrence Harvey, Fábio de Sousa Andrade, Eleanor Bryce e Jean-Michel Rabaté sobre Beckett, bem como as proposições de Theodor Adorno, Gilles Deleuze, Félix Guatarri e Susan Sontag acerca da produção do autor; para desenvolver a questão das distopias, Carlos Berriel e Gregory Claeys serão tomados como base. A obra poética completa de Beckett está reunida em The Collected Poems of Samuel Beckett (2012), editada e comentada por Seán Lawlor e John Pilling, cujas notas serão usadas para contextualização. Nas aulas, pretende-se apresentar as questões a partir da leitura e da análise dos poemas de diferentes fases da obra beckettiana, a exemplo do conjunto Echo’s Bones and Other Precipitates (1935), suas primeiras publicações, “Hôrs Crane”/ “Something There” e “Comment Dire”/ “What is the word” – alguns dos últimos escritos pelo autor. Serão apresentadas traduções para o português e para o espanhol. Com o curso, espera-se que os alunos possam conhecer melhor essa face menos explorada da literatura de Beckett, sua poesia.
Dia 1: https://youtu.be/sT9DAJbh6ok / https://meet.google.com/zin-vtau-cjc
Dia 2: https://youtu.be/FPswHmgeScA
MC11: A ETERNA GUERRA DE TROIA: RELEITURAS MODERNAS DE UMA HISTÓRIA MILENAR
Integrante: SILVA, Gelbart Souza. (UNESP/IBILCE)
Resumo: A Guerra de Troia é uma das histórias mais representadas nas artes, em variados gêneros textuais. Dos textos gregos em papiros fragmentados a livros ilustrados, das paredes romanas de Pompeia às plataformas de streaming, a assim chamada “matéria troiana” tem sido recontada no seu mais amplo universo de personagens, conflitos e símbolos. Não só se relata como mortífera guerra eclode por causa da bela Helena, mas também outros episódios recebem desenvolvimentos, como as andanças de Odisseu em retorno à casa e o destino do troiano Eneias em fundar uma nova Troia. Neste minicurso, pois, propomos um passeio panorâmico e não exaustivo por esse universo narrativo. Em um primeiro momento, far-se-á uma contextualização das obras consideradas fundadoras desse universo, a saber, Ilíada e Odisseia, de Homero. Ainda na Antiguidade, comentar-se-ão brevemente outros gêneros que tiveram como conteúdo a matéria troiana, como a tragédia, a retórica e o romance antigo. Discutir-se-á, com base principalmente nas contribuições de Arthur M. Young (1948) e Diane Thompson (2004), como essa tradição permaneceu desde a Antiguidade até a modernidade. No segundo momento, por meio de recursos audiovisuais, dedicamo-nos a ler e analisar algumas releituras da Guerra de Troia, com o fito de discutir quais procedimentos de apropriação e de adaptação são empreendidos nessas obras modernas. Serão comentados, a princípio, os livros A Guerra de Troia, de Lindsay Clarke; A Odisseia de Penélope, de Margaret Atwood; o filme Troia (2004); o livro ilustrado Futebolíada, de José Santos; e a série Troy: fall of a city (2018). No entanto, não estão descartadas outras inserções. Objetiva-se demonstrar que a narrativa milenar da Guerra de Troia permanece viva porque travamos com ela, enquanto consumidores e produtores de histórias, prolífero diálogo, de uma troca simbólica entre passado e presente, que provoca uma significante e inelutável atualização da matéria troiana.
Dia 1: https://youtu.be/_fjKM-wIoR8
Dia 2: https://youtu.be/S7-SgzzO_CQ
MC12: COM QUANTOS FIOS NARRATIVOS SE FAZ UM ROMANCE DE JAMES JOYCE? UM CONVITE À LEITURA DE ULYSSES
Integrante: PERDIGÃO, Hêmille. (UFOP)
Resumo: O romance Ulysses, do escritor irlandês James Joyce, quando de sua publicação em 1922, causou grande impacto nos estudos literários. Se por um lado houve o reconhecimento de ser uma obra relevante, por outro surgiram os comentários de se tratar de um romance sem sentido. É o que lemos em Carl Jung, contemporâneo de Joyce, que se refere ao romance do irlandês como “uma torrente impiedosa e ininterrupta [que] vai rolando e passando. [...] Este vazio inteiramente sem esperanças é a nota dominante de todo o livro. Ele não só começa e acaba do nada, mas também consiste apenas de nadas. Tudo é infernalmente nulo” (JUNG, 1985, p. 95). Embora tenham se passado noventa e nove anos desde sua publicação, Ulysses, ainda hoje, é precedido por uma fama que se assemelha muito às impressões de Jung. Para compreender o porquê de opiniões como essa ainda perdurarem, convém analisarmos ao que, no estilo de James Joyce, se deve a fama de ser uma obra incompreensível. O objetivo deste minicurso é analisar as características do estilo do autor que dificultam o entendimento do romance, a saber, o emprego do discurso indireto livre e o fato de, apesar de os acontecimentos externos serem corriqueiros, Joyce deixar seus leitores soltos dentro dos fluxos de consciência de seus personagens, cujos pensamentos alcançam locais que os seus pés jamais conseguiriam, mesmo em todas as andanças do dia 16 de junho de 1904. Em contraponto às dificuldades do estilo de Ulysses, proponho uma forma de leitura a partir dos fios narrativos que o compõem. Utilizarei, como referências bibliográficas, trabalhos dos seguintes autores: Richard Ellmann, Caetano Galindo, Anthony Burgess, Declan Kiberd, Stuart Gilbert, Hugh Kenner, William Tindall.
Dia 1: https://youtu.be/nXYukLP1RQw
Dia 2: https://youtu.be/Xqozw-yCB3k
MC13: INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA DE CORPUS: NOVOS CAMINHOS NA LINGUÍSTICA
Integrante: ROCHA, João Victor Pessoa. (UFMG)
Resumo: O desenvolvimento da Linguística de Corpus (LC) está estritamente relacionado à revolução tecnológica e, por isso, ela traz avanços expressivos para a descrição da linguagem (ZILIO, 2010). Tendo isso em vista, o autor explica que a LC tem ganhado muito espaço no meio acadêmico. Por esse motivo, este minicurso tem como objetivo principal introduzir a discussão teórica e metodológica acerca da LC. Para tanto, será apresentada e discutida a definição de corpus, o qual é um conjunto de textos autênticos escolhidos minuciosamente e representativos de uma comunidade para fins de pesquisa (SARDINHA, 2000). Além disso, levantaremos a reflexão sobre o nome “linguística de corpus” como área independente, metodologia e/ou abordagem (CONRAD, 2011; DAVIES, 2011). Na parte seguinte do minicurso, os participantes serão expostos a alguns corpora altamente conhecidos, como o Corpus of Contemporary American English (DAVIES, 2008-) da língua inglesa e o C-ORAL BRASIL (RASO; MELLO, 2012) do português brasileiro, bem como serão introduzidos alguns trabalhos que usaram esses e outros corpora para análises linguísticas. Em seguida, faremos uma apresentação de ferramentas computacionais de fácil manuseio e que são utilizadas nas pesquisas de LC. Para a realização deste minicurso, os materiais necessários serão: (i) apresentação de slides para guiar a discussão; (ii) os sites dos corpora a serem apresentados; e (iii) os software previamente instalados no computador do apresentador. Para os participantes, é importante que eles tenham (iv) computador/notebook, (v) espaço na memória do dispositivo, caso queiram instalar as ferramentas durante os encontros, e (vi) internet estável. Ao final do minicurso, os participantes terão uma visão geral da Linguística de Corpus e conseguirão propor estudos englobando essa área.
Dia 1: https://youtu.be/Kd8Sn6hYwLU
Dia 2: https://youtu.be/zxBnpZRkmg8
MC14: PRÁTICAS DE LEITURA E O LETRAMENTO LITERÁRIO: A FORMAÇÃO DO LEITOR EM DEBATE
Integrante: LEAL, Luciana Ferreira. (UNESPAR)
Resumo: O minicurso discutirá a importância da literatura para a formação humana e os desafios para a formação do leitor literário. Para a formação do leitor literário, o minicurso proporá a análise e a tematização de práticas de leitura que devem ser priorizadas, discutindo as estratégias metodológicas das práticas: leitura em voz alta, leitura compartilhada, leitura simultânea e leitura individual. Como apoio teórico para a discussão da formação do leitor literário destaca-se Maria da Glória Bordini e Vera Teixeira de Aguiar (1988), Rildo Cosson (2020) e Isabel Solé (1992). Bordini e Aguiar (1988), em Literatura: a formação do leitor/Alternativas metodológicas, destacam cinco métodos de trabalho com o texto literário, definidos a partir de concepções teóricas distintas. Entre eles, encontra-se o Método Recepcional, cuja base teórica é a Estética da Recepção, de Hans Robert Jauss, destacando-se, entre os demais, por colocar em evidência a recepção do texto literário pelo leitor e colocar este aspecto como ponto central do trabalho com a literatura. Rildo Cosson (2020), em Letramento literário: teoria e prática, apresenta uma proposta de trabalho com o texto literário na escola básica, com base em estudos e pesquisas realizados ao longo de vários anos. Trata-se de uma proposta de letramento literário levando em conta a escolarização da literatura. Isabel Solé em Estratégias de leitura (1992) ajuda educadores e profissionais a promover a utilização de estratégias de leitura que permitam interpretar e compreender os textos escritos. A leitura é um processo de interação entre o leitor e o texto para satisfazer um propósito ou finalidade. A metodologia do curso privilegiará o saber conceitual e metodológico do conhecimento específico: as práticas de leitura e a formação do leitor literário. A relação teoria e prática estará presente no próprio desenvolvimento metodológico de cada conteúdo, por meio de explanação oral e tematização de práticas de leituras.
Dia 1: https://youtu.be/vLG-8wW6eY8
Dia 2: https://youtu.be/uQpv586Vsjc
MC15: O ROMANCE DE FORMAÇÃO FEMININA NA LITERATURA INGLESA DO SÉCULO XIX: UMA INICIAÇÃO À OBRA DAS IRMÃS BRONTË
Integrante: AZEVEDO FILHO, Moisés Silva de. (UFRN)
Resumo: A emergência do romance de formação (Bildungsroman) na literatura tem origem alemã e se deu durante o período de consolidação da burguesia no século XVIII. O termo Bildungsroman foi cunhado pelo professor e filólogo Karl Mongestern, em 1810, e inserido no meio acadêmico por Wilhelm Dilthey, em 1870. O romance de formação foca no longo, gradual e conflituoso processo de autoconhecimento e aprendizagem de seu protagonista, com o pretexto de que sua formação e aptidão beneficiariam a sociedade (KUNRATH, 2018). A princípio, o bildungsroman era uma produção inteiramente masculina, pois a mulher não tinha a liberdade de ter contato com experiências múltiplas para contribuir para o desenvolvimento do seu autoconhecimento. Contudo, o romance de formação também passou a ser adotado por escritoras, cujas obras compreendiam suas perspectivas acerca da formação da mulher e seus papéis sociais, foram fundamentais para a consolidação do gênero no século XIX (FLORA, 2005). O bildungsroman feminino também colaborou para o reconhecimento da autoria feminina e para a crescente visibilidade da mulher como escritora nos séculos XIX e XX (GALBIATI, 2011). Dentre as principais autoras, pode-se destacar Jane Austen, Louisa May Alcott, Virginia Woolf, e as irmãs Charlotte, Emily e Anne Brontë. O referente minicurso tem como objetivo propor uma discussão aprofundada das origens do romance de formação feminina e identificar seus elementos composicionais mais especificamente na obra das irmãs Brontë. Para tal, no primeiro encontro serão discutidas as linhas teóricas do romance de formação e a emergência do bildungsroman na perspectiva feminina na literatura ocidental do século XIX. No segundo encontro, será feita uma iniciação à vida e obra das irmãs Brontë, e serão estudadas as seguintes obras: Jane Eyre (1847), de Charlotte Brontë, O Morro dos Ventos Uivantes (1847), de Emily Brontë; e A Inquilina de Wildfell Hall (1848), de Anne Brontë.
Dia 1: https://youtu.be/Vj-ahrFjDlM
Dia 2: https://youtu.be/jDQ04BWoqnM
MC16: CAMINHOS DA SUBVERSÃO: TEORIAS E CRÍTICAS LITERÁRIAS FEMINISTAS
Integrantes: ALVES, Yasmin de Andrade. (UFPB); Milanez, Maria Luiza Diniz. (UFPB)
Resumo: O cânone literário, por seu caráter masculino, reforça, muitas vezes, a suposta demora das mulheres para entrar no mundo da escrita e da participação política na comunidade. Assim, tem-se o crescimento dos estudos literários que têm como foco textos de autoria feminina e que buscam resgatar, tentando (re)construir a História, as produções dessas mulheres escritoras que foram negligenciadas pela ideia androcêntrica de Literatura. Considerando o contexto patriarcal inerente às produções artísticas e literárias ao longo dos séculos, este minicurso tem como objetivo geral promover maior visibilidade às teorias e críticas literárias feministas que tiveram seu reconhecimento nos anos mais recentes, partindo de discussões e análises de textos teóricos e literários de autoria feminina. Assim, busca-se estabelecer, através de uma linha temporal, relações entre a formação da consciência feminista e a eclosão do feminismo enquanto teoria(s) e crítica(s) literária(s), materializando-se de forma plural. Neste sentido, parte-se do conceito de Arqueofeminismo (ROVERE, 2019) como metodologia para resgate de obras de autoria feminina antes não reconhecidas pelo cânone, sobretudo situados no período medieval, a fim de trabalhar as origens da crítica literária feminista a partir de Alós e Andreta (2020) e as utopias protofeministas (DEPLAGNE, 2019). No mesmo caminho, este minicurso abordará questões em torno da escritora e sua ansiedade de autoria (GILBERT; GUBAR, 2017), indo em direção às preocupações com uma escrita genuinamente feminina e com as questões emancipatórias do sujeito feminino. Sendo assim, serão contemplados trechos de Beauvoir (2016), Woolf (2019) (1990) e Rich (1980), chegando aos feminismos decoloniais de Spivak (2010), Hooks (2017), Gonzalez (2020) e Lugones (2020). Por fim, para efetivação das atividades, serão utilizados recursos audiovisuais online durante as aulas, tais como vídeos, imagens e músicas, e pastas compartilhadas com a bibliografia no Google Drive para maior acessibilidade dos matriculados.
Dia 1: https://youtu.be/XFLxwA5TVaI
Dia 2: https://youtu.be/JeSw82k2hUY
MC17: PANORAMA DA LITERATURA DO TIMOR-LESTE EM LÍNGUA PORTUGUESA
Integrante: MELO, Luís Carlos Alves de. (UERJ)
Resumo: A Lei 10.639/03, ao instituir a cultura e a literatura africanas como matéria obrigatória no ensino brasileiro, leva-nos a concluir pela necessidade cada vez mais premente do ensino de outras literaturas e culturas lusófonas nas escolas e universidades do Brasil. Nessa ordem de considerações, propõe-se um minicurso sobre a literatura – no seu modo lírico e narrativo - do Timor-Leste, que seja introdutório, panorâmico e sistemático, mas não simplista. O Timor-Leste está situado no sudeste asiático e foi colonizado, entre outros países, por Portugal. Examina-se, pois, a literatura timorense, veiculada em língua portuguesa, seja em solo timorense, seja na diáspora, destacando-lhe os escritores mais representativos e ressaltando-lhe as particularidades identitárias, temáticas, estilísticas, históricas e ideológicas mais relevantes. Para tanto, emprega-se como teoria de base o Pós-Colonialismo, principalmente com vistas a refletir sobre os seguintes aspectos na literatura do Timor: a opressão colonial, a questão identitária, a questão do outro e da alteridade; a realidade da diáspora; o pertencimento cultural; a questão da língua do colonizado; a literatura engajada; o eurocentrismo; os mitos criados sobre o nativo; a descolonização e o neocolonialismo. O curso será desenvolvido em parte por meio de aula expositiva e, sobretudo, por leitura e análise de obras de escritores timorenses, cujos textos serão disponibilizados pelo professor no dia da atividade. Entre os escritores examinados, destacam-se os seguintes: Alberto Osório de Castro, Ruy Cinatti, Jorge Lauten, Fernando Sylvan,, Francisco Borja da Costa, Xanana Gusmão, Afonso Busa Metan, João Aparício, Luis Cardoso, entre outros. Para apoio sobre a literatura do Timor-Leste, empregaremos como guia o livro Manual de Literaturas de Língua Portuguesa: Portugal, Brasil, África Lusófona e Timor-Leste, de autoria de João Adalberto Campato Jr.
Dia 1: https://youtu.be/Bo_pSrhFOTQ
Dia 2: https://youtu.be/UqCiy754rGw
MC18: ROMPENDO O MEDO DE ESCREVER: AS MÚLTIPLAS FORMAS DE SE BUSCAR INSPIRAÇÃO PARA A ESCRITA
Integrante: SILVA, Joyce Nascimento. (UERJ)
Resumo: O minicurso tem como objetivo explorar as múltiplas alternativas do ato da criação escrita por meio das pinturas de Salvador Dalí em “A persistência da memória” e “O sono”. Irá utilizar também fragmentos de textos do escritor Machado de Assis do livro Dom Casmurro (2002) e da escritora Clarice Lispector do conto “Amor” da obra Laços de família (2009); além de objetos que se encontrarão próximos do participante e, de seu conhecimento inato. A proposta será baseada no modelo de ensino apresentado pelo filósofo e educador Paulo Freire, da obra Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa (1996): “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” (FREIRE, 1996, p.47). Com isso, pretende-se desmistificar a ideia de que somente os dotados por um dom, da escrita, são capazes de produzir textos poéticos e/ou prosaicos apenas vindos de inspiração de si mesmos, sendo totalmente interna, deixando de lado os estímulos (visuais, sensoriais etc.). Desse modo, será mostrado na prática que as inspirações externas também podem auxiliar na produção escrita rompendo com o medo de escrever. As imagens utilizadas e os trechos dos textos serão fornecidos aos participantes que farão seus próprios escritos a partir do contato com esses objetos artísticos para a realização de uma poesia em verso livre e um miniconto. Todas as produções serão lidas no decorrer do minicurso pelos seus próprios criadores e os materiais necessários para a realização de tais atividades serão: caneta e folhas para as anotações, ou um dispositivo que permita a digitação.
Dia 1: https://youtu.be/7JQSqxOPgi4
Dia 2: https://youtu.be/PAlWDoZe8xU
MC19: POESIA E PERFORMANCE: UMA INTRODUÇÃO
Integrantes: ESTRELLA, Annelise. (UNICAMP); MOURA, Fadul. (UNICAMP); Maria Vitória Grisi (Ohio State University)
Resumo: Em Performance, recepção e leitura (2007), o crítico francês Paul Zumthor detecta que a virada epistemológica das ciências humanas no século XX permitiu um cruzamento transdisciplinar dos saberes. Isso impacta o campo dos estudos literários, uma vez que abre espaço para investigações que ultrapassem o caráter grafocêntrico da literatura e que alcancem outras formas de atuação. Desse modo, é a noção de performance, relacionada comumente às artes, que Zumthor estende aos estudos literários, a fim de compreender diferentes formas de presença do corpo em contato com a literatura. Aqui buscaremos apresentar as ideias trabalhadas por Zumthor no livro referido e, então, relacioná-las a diferentes formas literárias brasileiras, nas quais se visualizam marcas performativas caracterizadas mais pela reiteração do que pelo registro escrito. Serão abordadas as seguintes vozes poéticas: a) a de Luiz Bacellar, poeta representante da modernidade no Amazonas na virada dos anos 50 para os 60; b) a de Hélio Oiticica, artista carioca que desestabilizou as classificações tradicionais de arte; e c) a dos poetas do Sertão do Pajeú, região de Pernambuco conhecida pela efervescência da poesia popular nordestina. Com tais presenças, pretendemos demonstrar a diversidade cultural do Brasil e, ao mesmo tempo, perceber como a presença do corpo em cada uma é fulcral, o que parece aproximá-las. Para a participação no minicurso é necessário que o(a) inscrito(a) tenha acesso a um computador com conexão de internet. Os encontros serão realizados de forma síncrona por meio de uma plataforma de vídeo-chamada e os materiais bibliográficos serão enviados digitalmente. Não é necessária leitura prévia do material teórico nem o conhecimento da produção desses autores para participação.
Dia 1: https://youtu.be/1NpkpH6afZ8
Dia 2: https://youtu.be/oPLCFMJg0yg
MC20: DO EMPÍRICO AO FORMAL: UMA INTRODUÇÃO À TEORIA DAS OPERAÇÕES PREDICATIVAS E ENUNCIATIVAS
Integrantes: SOUSA, Isael da Silva. (UNEMAT); OLIVEIRA, Viviane Garcêz de. (UFPI)
Resumo: Neste minicurso apresentaremos, de forma introdutória, alguns dos construtos teóricos da Teoria das Operações Predicativas e Enunciativas (doravante TOPE) de Antoine Culioli (1990, 1999a, 1999b, 2018) e seus seguidores como, por exemplo, Rezende (2000), Pria (2009), Franckel (2011), De Vogué (2011), Paillard (2011), Cumpri (2012) e Lima (2013). Para essa teoria a linguagem e as línguas naturais caminham juntas e, por isso, estão interrelacionadas. Assim, a linguagem é vista sob um viés construtivista, o que faz com que os sentidos das unidades lexicais não sejam pré-estabelecidos, mas construídos no e pelo enunciado. Ou seja, os sentidos de uma dada unidade lexical são construídos nas relações estabelecidas com as demais unidades no enunciado. Assumimos o enunciado como uma sequência, ou encadeamento de unidades lexicais, que só se torna interpretável pela estabilização de um ou outro de seus contextos, os quais não são exteriores ao enunciado, todavia, são engendrados por ele. Posto isso, o nosso objetivo é, na medida em que apresentarmos a TOPE, promover uma reflexão acerca do funcionamento da linguagem em uma perspectiva construtivista. Dessa forma, trataremos do redimensionamento culioliano do objeto de estudo da Linguística da língua, na visão saussuriana, para a atividade de linguagem apreendida através da diversidade dos textos orais e escritos; a Linguagem enquanto uma atividade de Representação, Referenciação e Regulação; e, por último, a Noção e Domínio Nocional. Para melhor compreensão dos conteúdos ministrados, e finalização deste minicurso, traremos uma amostra de análises de enunciados. Assim, para alcançarmos os objetivos propostos, utilizaremos uma apresentação de slides e um conjunto de enunciados em pdf para a atividade de reflexão e análises.
Dia 1: https://youtu.be/Gn7WB641Bkg
Dia 2: https://youtu.be/Ey1YUehFXKI
MC21: AS INTERFACES DA POESIA CONTEMPORÂNEA
Integrantes: TELES, Eva Maria Testa. (UFMS); MATOS, Manoela Fernanda Silva de. (UFMS); SOUZA, Sonia Fátima Leal de. (UFMS)
Resumo: O presente minicurso propõe uma análise do cenário poético contemporâneo a partir da poesia de Ana Martins Marques, Edmilson de Almeida Pereira e Manoel de Barros, observaremos as características da contemporaneidade presentes nas obras desses autores com o objetivo de vislumbrarmos marcas de um movimento ainda em construção. Nas palavras de Agambem, a contemporaneidade guarda “uma singular relação com o próprio tempo, que a este adere e, ao mesmo tempo, dele toma distâncias.” (AGAMBEM, 2009, p. 59). Marques, em sua poesia, dialoga com a tradição por meio da retomada da personagem mitológica Penélope, segundo Enzensberger “o contato entre diferentes camadas do tempo não conduz ao retorno da mesma coisa, mas a uma interação que, todas às vezes, produz algo novo em ambos os lados. Nesse sentido, não é apenas o futuro que é imprevisível. O passado também está sujeito a mudança contínua, transforma-se sem cessar.” (ENZENSBERGER, 2003, p. 20). A estética poética de Edmilson de Almeida Pereira trafega entre o popular e o erudito, sua escrita emaranha-se na cultura popular através das festas populares de origem afro-brasileira, em especial, a Congada, que se fortaleceu em Minas Gerais através da Comunidade Negra dos Arturos, pois “a festa se apresenta, portanto, como um espaço social, político e pedagógico propício para o desenvolvimento dos processos de ensino-aprendizagem.” (PEREIRA, 2010, p. 87). Na fortuna crítica do poeta Manoel de Barros é frequente os estudiosos apontarem em seu fazer poético o tema da infância, os “despropósitos” e as peraltices criativas e inventadas. Entretanto, neste trabalho, buscaremos o conceito de infância transitando entre a poética de Barros e a linha humanizadora da Teoria Histórico Cultural cujo enfoque se dá pela concepção de vivência na presente abordagem. Portanto, este minicurso busca compreender as interfaces da poesia contemporânea brasileira em sua pluralidade, dentro de suas diversas manifestações poéticas.
Dia 1: https://youtu.be/ytsYAQLl204
Dia 2: https://youtu.be/YRRYh6FOZCc
MC22: O NATURALISMO ÀS AVESSAS: A CARACTERIZAÇÃO DO RELACIONAMENTO (HOMO)AFETIVO E O FINAL TRÁGICO NO ROMANCE “BOM-CRIOULO”, DE ADOLFO CAMINHA
Integrante: SILVA, Rian Lucas da. (IFPB)
[MINICURSO CANCELADO]
Formulário de substituição: https://forms.gle/RyF51D2vVhVEbxWh7
Resumo: A literatura, concebida enquanto manifestação artística e cultural, pode ser problematizadora de questões sociais, culturais, históricas e políticas. Em virtude de possuir esse caráter, muitas obras literárias apresentam em sua composição temas ainda considerados como tabus e/ou polêmicos, dentre os muitos existentes, pode-se citar a questão do homoerotismo. Na Literatura, surge, portanto, o Naturalismo brasileiro, que visava à observação da realidade nua e crua, explorando os problemas humanos e sociais, de modo que esse movimento funcionou como um retrato objetivo da sociedade e, por causa disso, várias são as temáticas encontradas nas obras de autores naturalistas. Dentre vários exemplos, pode-se citar o escritor Adolfo Caminha, que inaugurou a literatura brasileira ao escrever “Bom-Crioulo” – o primeiro romance cujo foco incide na apresentação exclusiva de um relacionamento homoerótico. Nesse contexto, este minicurso objetiva, primordialmente, analisar como ocorre, na narrativa, a relação homoafetiva entre os dois personagens homossexuais, Amaro e Aleixo, na obra naturalista “Bom-Crioulo”, de Adolfo Caminha. Antes mesmo da análise propriamente dita, serão realizados os seguintes apontamentos: 1º) situar-se-á as proximidades – ou distanciamentos? – entre a temática do Homoerotismo com a Literatura; 2º) explorar-se-á uma breve contextualização acerca do enredo, do autor, da obra e, sobretudo, do movimento naturalista, a fim de situar o público quanto aos debates que serão realizados; e, por fim, 3º) mostrar-se-á a recepção crítica à obra Bom-Crioulo, revelando não só as críticas negativas, assim como as positivas. Durante a apresentação, serão utilizados os recursos de slides, criados no programa Microsoft PowerPoint pelo próprio autor. Para a realização deste minicurso, serão utilizados os pressupostos teóricos de alguns autores, como Mendes (2003), Howes (2005), Barcellos (2006), Bosi (1970), Bataille (1987), Fry e MacRae (1985) e Pereira (1973).
Dia 1: https://youtu.be/a19Xlf1Z1Pw Dia 2: https://youtu.be/uqJOrNlrjkY
MC23: A LITERATURA BRASILEIRA DE AUTORIA FEMININA: A POESIA DE GILKA MACHADO E OS CONTOS DE CLARICE LISPECTOR
Integrantes: PINHEIRO, Amanda Oliveira. (UFU); DAVID, Caroline Buratti. (UNESP/FCL)
Resumo: O presente minicurso tem como objetivo discutir a autoria feminina no século XX utilizando como base as poesias de Gilka Machado e os contos de Clarice Lispector. A partir de uma breve construção temporal, pretende-se entender as características que marcam a produção de uma literatura firmada como feminina e os reflexos na produção de Gilka Machado e de Clarice Lispector. Ainda, busca-se reconhecer o espaço singular ocupado por cada uma delas, compreendido na produção de uma literatura nacional. Gilka Machado marca a literatura brasileira por sua forte presença na escrita que transita entre o simbolismo e o modernismo, ao mesmo tempo que percorre contornos femininos através da sua ligação com a natureza. Sua poesia influencia na construção de um novo olhar a literatura, especialmente a escrita feminina, assim como Clarice Lispector que deixa sua marca, sobretudo na escrita destinada a produção de romances e contos, tendo em vista sua trajetória proeminentemente autobiográfica. Ao expor sua realidade, Clarice Lispector construiu uma literatura que sempre se encontra com suas experiências pessoais, marcada por perdas, fome e conquista de um espaço não destinado a mulheres na década de 1960 e 70. As autoras são fundamentais para o desenvolvimento de uma trajetória da autoria feminina que reflete os dias de hoje. O referencial teórico utilizado como base conta com o trabalho de Bonnici e Zolin (2009) intitulado Literatura de autoria feminina que contribui na compreensão da trajetória de autoria feminina e o trabalho de Showalter (1994) intitulado A crítica feminista no território selvagem que afirma o enlace entre a crítica feminista e a produção feminina na literatura. Os recursos utilizados contam com a apresentação elaborada em PowerPoint e/ou PDF e a leitura e exposição de referenciais teóricos e, sobretudo, a análise e exposição dos trabalhos de Gilka Machado (2017) e Clarice Lispector (2019).
Dia 1: https://youtu.be/1KQQFAbg31I
Dia 2: https://youtu.be/sehVG4a30SY
MC24: MÚSICA(NDO) EM SALA DE AULA
Integrante: FACCIONI, Flávio Zancheta. (UFMS)
Resumo: A música é uma forma de discurso que envolve sentidos e emoções. Por meio da linguagem musical, os sujeitos fazem representações dos outros e de si, registram a história e possibilitam, por meio da memória discursiva (ACHARD, 2015), interdiscursos (PÊCHEUX, 2002). Neste minicurso, quer-se trabalhar a música, enquanto discurso, em sala de aula, observando os aspectos da subjetividade, da emoção e os efeitos de sentido. Para isso, utiliza-se a Análise do discurso de linha francesa para problematizar os enunciados e, assim, construir possibilidades didáticas em sala de aula a partir dos efeitos de sentido que das canções saltam. Utiliza-se a arqueogenealogia foucaultiana (FOUCAULT, 2017) para construir condições de produção dos enunciados, para desestabilizá-los e, em conjunto, fazer emergir os sentidos, no texto e no além-texto; o silenciamento tratado por Orlandi (2007); os interdiscursos, os já-ditos e a memória de Pêcheux (2002; 2015); a opacidade da língua(gem), a incompletude do sujeito e as representações, conceitos discutidos por Coracini (2007; 2013; 2014; 2015); e as formações discursivas de Foucault (2017). Para este minicurso, as músicas dos mais variados gêneros musicais são bem-vindas, por isso, solicita-se aos interessados que elejam, antecipadamente, uma música (individual, de livre escolha e em língua portuguesa) para escavá-la durante os encontros virtuais. A partir das diversas teorias que atravessam a Análise do discurso, caracterizada como transdisciplinar e integrante da Linguística Aplicada, espera-se desenvolver propostas didáticas para utilização em sala de aula, motivando as discussões sobre a heterogeneidade e a subjetividade da linguagem, e, por fim, observa os vários caminhos para um gesto interpretativo.
Dia 1: https://youtu.be/xoOSx28Y8u8
Dia 2: https://youtu.be/Py1t9dOrl4Q
MC25: O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA COM OS STICKERS DO WHATSAPP
Integrante: GONÇALVES, Lethicia Roberta Barros. (UERJ)
Resumo: O minicurso propõe o ensino das funções da linguagem analisando as figurinhas do WhatsApp, os stickers. As funções da linguagem estão relacionadas com os estudos da linguagem e da comunicação, e se torna indispensável para a interpretação de texto e produção textual, elementos estruturais básicos da Língua Portuguesa. Busco trazer a possibilidade de trabalhar com esse gênero presente no nosso dia a dia, de maneira transparente, a fim de criar um espaço acolhedor para o levantamento de dúvidas, soluções e mostrar o quanto é fascinante e divertido esse processo de criação de textos e sua compreensão. É inegável a disseminação desse gênero e sua capacidade de proliferação, e como o aluno está em contínuo contato com esse meio de comunicação, percebemos como é fértil esse campo para um processo interativo, tornando a produção de textos fundamentada em atividades discursivas e uma escrita espontânea. Ainda identificamos a questão de interação com o outro contida no texto criado, isto é, o desejo que a mensagem seja entendida. O ensino textual passa a impulsionar a criatividade do sujeito, possibilitando um pensamento analítico, podendo trazer a discussão para o dinamismo e o imediatismo de informações, o que tem muito a contribuir para as propostas para o ensino de língua e sua produção de texto e sua interpretação. O minicurso será apresentado com o auxílio de slides contendo uma linguagem clara e apresentando stickers que tratem da função referencial, da função poética, da função fática, da função conativa, da função emotiva e da função metalinguística. O aporte teórico desse minicurso se encontra no estudo de gênero discursivo (BAKHTIN, 2011), os sentidos do texto (CAVALCANTE, 2012) e gêneros discursivos híbridos (SANTAELLA, 2014).
Dia 1: https://youtu.be/RF0RGz2ZfcQ
Dia 2: https://youtu.be/YiaswfI5un0
MC26: MARGINALIDADE E PERSONAGENS MARGINAIS (OU MARGINALIZADAS) NO TEATRO BRASILEIRO
Integrante: RODRIGUES, Sérgio Manoel. (USP)
Resumo: A partir do século XX, o comportamento experimental das peças teatrais tornou-se uma das principais marcas da ruptura ocorrida à literatura dramática contemporânea. No Brasil, uma nova dramaturgia surgiu e inseriu como protagonistas personagens que, até então, eram representadas superficialmente ou de forma estereotipada nos palcos. Logo, essas encenações enfocaram como os seres ficcionais, considerados pertencentes a uma classe desprestigiada ou vistos como minorias, agem conforme suas vontades e desejos, perante a sociedade excludente. Portanto, diante da forma como as personagens marginais (ou marginalizadas?) foram e são colocadas em cena no teatro nacional, esse minicurso tem como proposta traçar um panorama do teatro no Brasil, tendo como enfoque o chamado “teatro marginal”, suas particularidades e a análise da escritura de alguns de seus principais dramaturgos, como: Gianfrancesco Guarnieri, Plínio Marcos e Mário Bortolotto. Por meio de apresentações, propor-se-á, também, leituras de fragmentos de textos dos mencionados autores, bem como a comparação entre a obra de cada um deles, a fim de perceber como se procede dramaticamente a marginalidade e a marginalização da personagem teatral.
Dia 1: https://youtu.be/9OGoMhSP6nY
Dia 2: https://youtu.be/1x-mQFCLYG8
MC27: VIDA E OBRA DE CAIO FERNANDO ABREU: O RETRATO DA EPIDEMIA DO VÍRUS HIV NA DÉCADA DE 1980 PELOS OLHOS DE UM DOS MAIORES CONTISTAS DO BRASIL
Integrantes: MARTINS, Lucas Matos. (UNESP/IBILCE); PAULA, Ana Cristina Alves de. (UNESP/IBILCE)
Resumo: Três vezes vencedor do “Prêmio Jabuti de Literatura”, considerado o mais importante e agraciado prêmio literário brasileiro, Caio Fernando Abreu, jornalista, dramaturgo e escritor, por meio de uma linguagem simples, transgressora e nada convencional, rompeu padrões literários e se consagrou como um dos maiores contistas de todo o país. Num estilo bem econômico e pessoal, suas obras tratavam de assuntos como o sexo, o medo, a morte, a angústia. À época, timidamente retratada por escritores brasileiros, a epidemia do vírus HIV, grave e mortal, assolava a humanidade e se tornava um doloroso estigma da década de 1980, sendo retratada em inúmeros meios de comunicação importantes do país e do mundo como a “peste gay”. Caio Fernando Abreu, homossexual, portador do vírus, assumiu o desafio de levar o assunto para o mundo da ficção em suas obras sublimes. Com a escrita de suas crônicas, depois de sua contaminação, quando o biográfico aflorou em sua pele em plena força, a temática da AIDS se tornou explícita em suas obras. Trará este minicurso uma abordagem da vida e de obras de Caio Fernando Abreu que retrataram, em “estágios”, a angústia e o sofrimento de pacientes que foram diagnosticados com a doença, bem como o cotidiano deles nos hospitais e as reflexões a respeito da morte que tomavam conta dos enfermos. Fara-se essencial uma abordagem e uma contextualização das crônicas escritas por Caio para o jornal O Estado de S. Paulo, mais claramente três chamadas “Primeira, Segunda e Terceira Carta Para Além Dos Muros”. Serão utilizados materiais para a exposição oral como o Microsoft Office Power Point para apresentação de slides.
Dia 1: https://youtu.be/HZv26ndKmrQ
Dia 2: https://youtu.be/VG6NqViS86Q
MC28: CONHECENDO O TRABALHO COM LÍNGUAS INDÍGENAS NA GRADUAÇÃO
Integrante: MESQUITA, Amanda. (UFPA)
[MINICURSO CANCELADO]
Formulário de substituição: https://forms.gle/RyF51D2vVhVEbxWh7
Resumo: Estima-se que, na chegada dos portugueses ao Brasil, existira por volta de 1.200 línguas indígenas em todo o território, porém, com o passar dos séculos, este número sofreu uma redução considerável, contabilizando no século atual, cerca de 180 línguas indígenas. Conforme Moore et al. (2008, p. 1), “Embora 180 venha sendo repetido com freqüência como sendo o total de línguas indígenas brasileiras, pelo critério de inteligibilidade mútua, a soma dificilmente ultrapassa 150”. Embora os estudos linguísticos realizados com línguas indígenas tenham apresentado um avanço considerável nos últimos anos, a questão do desaparecimento de línguas indígenas ainda se apresenta de forma recorrente, tendo em vista que um número considerável de línguas apresenta uma descrição ainda incipiente ou nenhuma descrição, o que implica em um desconhecimento por grande parte da população brasileira e até mesmo pelos estudantes de linguística nas universidades. Diante disto, este minicurso visa apresentar o trabalho com línguas indígenas a alunos de Letras que tenham interesse sobre o tema, discutindo questões como: preconceito linguístico, documentação e descrição de línguas em extinção, conceitos de tronco e família linguística, a importância da preservação das línguas para a manutenção da cultura de um povo, a importância do trabalho na graduação e o papel do jovem pesquisador no futuro das línguas indígenas no Brasil. Para isto, serão utilizados recursos como: textos base que abordam o assunto a ser ministrado, a exemplo de Moore et al. (2008) e Brandão e Zezokiware (2018), dados oriundos do projeto desenvolvido com as línguas Enawene Nawe e Paresi (Aruák), línguas com as quais a realizadora deste minicurso trabalha, possuindo experiência com pesquisa de campo e coleta de dados com falantes nativos, entre outros.
MC29: DESENVOLVENDO O LETRAMENTO MULTIMODAL À LUZ DAS METAFUNÇÕES INTERATIVA E COMPOSICIONAL DA GRAMÁTICA DO DESIGN VISUAL
Integrantes: SOUSA, Dulcimar Albuquerque de. (UECE); SAMPAIO, Klausney Muniz. (UECE)
Resumo: Com o crescente acesso à internet e as práticas cada vez mais sofisticadas de construção de sentidos em textos, é exigido da população leitora não somente o letramento digital, mas também o letramento visual e multimodal. Diante dessa realidade, em que os gêneros multimodais operam em vários suportes, propomos um minicurso focado no desenvolvimento da habilidade leitora de textos multimodais pertencentes ao gênero campanha publicitária que circulam no espaço urbano e no meio digital a partir das categorias analíticas da metafunção interativa e composicional da Gramática do Design Visual de Kress e Van Leeuwen (2006). Conforme Fernandes e Almeida (2008), a metafunção interativa define mecanismos de aproximação ou afastamento entre produtor e leitor por meio de conexões imaginárias que são realizadas pelas categorias de contato, distância social, perspectiva e modalidade; a metafunção composicional, por sua vez, é responsável pela organização e combinação de elementos visuais na imagem para provocar efeitos de sentidos pretendidos pelo autor do texto imagético. Para a execução do minicurso serão utilizados como recursos slides para a exposição da teoria e das imagens selecionadas. Por meio de uma aula expositiva e analítica, apresentaremos as categorias analíticas de contato, distância social, perspectiva e modalidade da metafunção interativa e as categorias valor de informação, saliência e enquadramento da metafunção composicional para descrever e investigar as imagens que compõem o nosso corpus. Em seguida, será requerido dos participantes, por meio da prática compartilhada, a análise e discussão de textos selecionados com o objetivo de desenvolver do letramento visual e multimodal. Após a aplicação dos procedimentos adotados, esperamos que o público-alvo amplie suas habilidades e competências para aguçar o olhar crítico durante a leitura de textos dotados de uma pluralidade de artefatos semióticos e que circulam nas telas e fora delas.
Dia 1: https://youtu.be/pOSueNqa7vI
Dia 2: https://youtu.be/c12sgOefyJ4
MC30: A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NA IMPRENSA PORTUGUESA DO SÉCULO XIX.
Integrante: SANTIAGO, Maria Luísa Taborda. (Universidade do Porto/Portugal)
Resumo: O objetivo deste minicurso é debater sobre a participação das mulheres na imprensa portuguesa do século XIX e refletir sobre a autoria feminina. No século XIX, a imprensa desempenhava um papel absolutamente incontornável é impossível pensarmos no universo sociocultural de oitocentos sem nos referirmos aos periódicos daquela época. A imprensa estava presente no dia a dia da população e entrava nas casas das classes médias e alta, numa altura em que não havia rádio, televisão e internet, podemos dizer que a imprensa cumpria todos estes papéis. Era a possibilidade de conectar as pessoas, debater e informar. No que diz respeito a literatura, podemos confirmar que os grandes escritores do século XIX português tiveram participação ativa nos periódicos, como por exemplo Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós. Além disto, muitos romances foram escritos a partir de folhetins. Desta forma, a questão que pretendemos responder ao longo deste minicurso é como isto funcionava para as mulheres e de que forma este período reflete no tempo presente. Assim, traremos o contexto cultural e histórico deste período, discutiremos sobre escritoras pouco conhecidas, atualmente, mas que naquela época eram presença constante nos periódicos portugueses como Ana Augusta Plácido e Francisca Wood. Como referencial teórico utilizaremos alguns periódicos do século XIX, A Voz Feminina, O Mundo Elegante, O Nacional, dentre outros relevantes deste período. Os estudos de Cláudia Pazos Alonso sobre escritoras do século XIX serão fundamentais. Utilizaremos ainda a pesquisa A construção social da feminilidade, Séculos XVI-XIX de Teresa Joaquim e estudos sobre critica feminista com especial destaque para os estudos de Elaine Showalter e Judith Butler.
Dia 1: https://youtu.be/T6hJ8QSi0Xo
Dia 2: https://youtu.be/UM8SGfDQHmU