Prof. Dr. Rodrigo Borba
(UFRJ)
Título: Linguagem neutra e os limites do CIStema
Resumo: Instrumentos legais que visam proibir o uso de linguagem neutra têm proliferado no Brasil. Com o objetivo de proteger a língua portuguesa e a tradição linguística do país, essas propostas, em sua grande maioria, se baseiam em equívocos conceituais sobre o fenômeno, não encontrando lastro em sua realidade empírica. Nesta apresentação, analiso o Projeto de Lei 5248/20 que tramita na Câmara dos Deputados com vistas a dissipar brumas sobre linguagem neutra e os pânicos morais que setores conservadores do país têm mobilizado. Para tanto, contrasto as propostas do PL a pesquisas empíricas sobre linguagem neutra e fenômenos correlatos em diversas línguas. Tais pesquisas evidenciam que não se trata de um processo de mudança linguística, mas sim de coocorrência sociolinguística sistemática. Com isso, argumento que tentativas de proibir a linguagem neutra têm objetivos muito mais perniciosos do que se percebe à primeira vista. Trata-se de um movimento coordenado que visa, isto sim, legislar contra mudanças sociais. A proteção da língua portuguesa é utilizada como um subterfúgio para reavivar sentimentos conservadores atávicos contra direitos LGBTQIA+. Dessa forma, argumento que as celeumas sobre linguagem neutra no Brasil nada têm a ver com a proteção sistema da língua contra uma suposta degradação (que, de fato, não ocorre). O que está em jogo é a defesa, via aparato estatal, da cisgeneridade.
Profa. Dra. Silvia Cavalcante
(UFRJ)
Título: A morfologia de gênero neutro e a mudança acima do nível consciência
Resumo: A linguagem neutra caracteriza-se pelo uso de formas pronominais e afixos que designam neutralidade da identidade de gênero, para incluir pessoas que não se identificam nem com o gênero feminino nem com o gênero masculino, configurando-se como uma mudança linguística acima do nível da consciência. Essa questão tem levantado debates na literatura sobre o assunto por diversos motivos. Nesta apresentação, vamos tratar a questão a partir de dois pontos de vista: o morfológico e sociolinguístico. Do ponto de vista morfológico, defendemos que as novas variantes neutras (aluno, aluna, alune) servem para marcar o gênero neutro; do ponto de vista sociolinguístico, defendemos que esse uso é uma forma de identificação.
4/10, às 19h | Link: https://youtu.be/P_ESXeCBDLE
Profa. Dra. Alessandra El Far
(UNIFESP)
Título: Leitura e leitores nas últimas décadas do século XIX
Resumo: Esta apresentação terá como objetivo explorar o universo da leitura nas últimas décadas do século XIX no Rio de Janeiro, período em que o livro, graças às novas tecnologias de impressão, se torna um objeto mais acessível ao grande público. A ideia seria, então, mostrar a presença da leitura nas diferentes camadas sociais contrapondo a visão de que o ato de ler seria uma prática pertencente unicamente à elite letrada. Esse cenário está intrinsecamente relacionado ao enraizamento de um campo literário bastante heterogêneo, que contou com a presença de uma série de autores e gêneros narrativos que pouco a pouco foram deixados de lado pela crítica e pela história da literatura brasileira.
Profa. Dra. Vera Teixeira de Aguiar
(PUC)
Título: Formação de leitores no Brasil
Ideias-chave: A comunicação humana em diferentes linguagens; Atividade leitora como experiência de diálogo e tomada de posição frente aos variados posicionamentos do ambiente social; A especificidade da leitura literária e sua abrangência; Papel criativo do leitor, entre o fictício imaginário; Panorama histórico das práticas de formação de leitores no Brasil; Questões atuais.
5/10, às 10h30 | Link: https://youtu.be/Pe3UfQcna_0
Profa. Dra. Andréa Machado
(CPEDI)
Título: O papel das funções executivas no processo de ensino aprendizagem e seu gerenciamento para inclusão
Resumo: A educação subsidiada por achados neurocientíficos deve ser aquela que se aproxime de solucionar problemas que impactam o modo com o cérebro assimila o mundo, e mais importante ainda, aquela que expresse o fazer criativo a ponto de sinalizar novas perspectivas de ensino e de formação de pessoas para o processo de ensino e aprendizagem. Diante disso discutiremos o papel das funções executivas no desenvolvimento infantil, bem como sua importância no processo inclusivo.
Profa. Dra. Carina Rondini
(UNESP)
Título: Superdotação: o que os números do Censo Escolar revelam sobre os estudantes superdotados no Brasil?
Resumo: Os estudantes com altas habilidades/superdotação (AH/SD), segundo a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, são aqueles que demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse. Ademais, estes estudantes são considerados público-alvo da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, tendo por direito a identificação de seus comportamentos superdotados para o recebimento de serviços educacionais especializados às suas necessidades. A literatura específica da área indica um mínimo de 3% a 5% de estudantes identificados com AH/SD, o que na Educação Básica, com aproximadamente 48 milhões de estudantes, esperar-se-ia algo em torno de 1.440.000 e 2.400.000 cadastrados com AH/SD. Todavia, os registros desse alunado junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), descortinam a fragilidade dos procedimentos de identificação, uma vez que indicam estarmos distantes do mínimo apresentado pela literatura e com grandes diferenças entre os estados brasileiros; além disso, revelam tendência de redução na proporção de matrículas de estudantes superdotadas, apontando que concernente a um público tão invisibilizado como o das AH/SD, existem nichos ainda mais marginalizados.
6/10, às 10h30 | Link: https://youtu.be/EBG-UNpinGk
Profa. Dra. Silvia Alves Siqueira
(UECE)
Título: O feminicídio de matronas romanas e a conivência do silêncio da história (séc I e II d.C.)
Resumo: A violência contra as mulheres até a sua expressão última, o assassinato em decorrência do gênero, não é um fenômeno exclusivo da sociedade moderna. No mundo romano as mulheres estavam expostas à violência doméstica, frequentemente indefesas e submetidas ao paterfamilias, que poderia ser o pai, o marido ou até mesmo o sogro. Não obstante os casos registrados apenas recentemente tem sido produzidos estudos que abordam o problema do feminicídio. Assim a nossa contribuição é dar voz e desnudar os silêncios da história, registrar os nomes e a memória de vítimas de um mundo que tem pouco apreço pelo feminino e pelas mulheres.
Profa. Dra. Flávia Santos de Araújo
(UFPB)
Título: Do Dizer Insubmisso: Escritoras Negras no Brasil e na Afro-Diáspora das Américas
Resumo: Esta apresentação vai abordar a escrita de mulheres negras brasileiras e da afro-diáspora nas Américas, buscando percorrer uma trajetória de construção da linguagem político-literária fundamentada em atos de insubmissão. De Maria Firmino dos Reis à Conceição Evaristo, passando por Harriet Jacobs, Audre Lorde e Victoria Santa Cruz, o fazer literário-artístico de mulheres negras das Américas nos ensinam sobre a estética da ousadia, o compromisso com a liberdade, e visões transformadoras para um mundo pleno. Armadas por um dizer insubmisso, as escritoras negras insistem em aquilombar palavras e nos convidam a contemplar caminhos possíveis em tempos de destruição.
6/10, às 19h | Link: https://youtu.be/gVm6VhYR3mA
Prof. Dr. Jean Pierre Chauvin
(USP)
Título: Sátira em Cartas: Tomás Antônio Gonzaga
Resumo: Nesta fala, recordam-se os preceitos que determinam a produção da sátira (representação inferior dos homens, descrição de ações vis, emprego do estilo baixo), com vistas a demonstrar como as regras formuladas por Aristóteles e Horácio teriam sido aplicadas por Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) na invenção, disposição e elocução das Cartas Chilenas. Parte-se da hipótese de que o gênero (satírico) se adequa perfeitamente à espécie (carta), levando-se em conta que o poeta recorre a um enunciador que simula escrever para um amigo. Decorre daí o emprego da linguagem familiar: pretexto para a dicção intimista sugerida pelo teor das treze correspondências que Critilo remetera a Doroteu.
Prof. Dr. Pedro Marques Neto
(UNIFESP)
Título: Saques & Sacanagens: ou saqueagens
Resumo: Saques & Sacanagens (2021), de Pedro Marques, é um livro de sátiras com certas peculiaridades. Alternando linguagens artísticas e científicas, os versos são saques cometidos a cartas, tratados, crônicas ou sermões principalmente do período colonial. Assim como os invasores europeus saquearam o território no passado, eu saqueei os textos por eles produzidos graças ao processo de espoliação de recurso naturais e humanos disto que se tornou o Brasil. Ao mesmo tempo que se depara com uma síntese crítica e distorcida da história brasileira, o leitor joga com os poemas-ensaios, decidindo o que dali é autoral e/ou pilhagem. Os desenhos de Paulo Ito também sacaneiam a iconografia da época, reforçando que o roteiro de misérias inaugurado em 1500, de lá para cá, talvez tenha se aperfeiçoado mais do que o tal projeto civilizatório.
8/10, às 10h30 | Link: https://youtu.be/IhuvDzpAQ2c