Artigos
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Realizamos um estudo com mulheres camponesas do Quilombo Campo Grande, organizadas pelo MST, em Minas Gerais, Brasil. O objetivo foi analisar as estratégias adotadas pelas mulheres sobre as sementes e sua relação com a construção da agroecologia. Utilizamos observação participante, entrevistas semiestruturadas e grupo focal. Percebemos que o agronegócio e financeirização são centrais para a compreensão das relações de poder no atual sistema alimentar. Por outro lado, a agroecologia tem possibilitado as bases para diversas estratégias na contramão do modelo hegemônico. Quer saber mais? Acesse o link abaixo!
O objetivo deste trabalho foi analisar as estratégias adotadas pelas famílias camponesas do Quilombo Campo Grande-MG, quanto às sementes e a sua relação com a produção de alimentos e agroecologia. Realizamos observação participante, vivências e entrevista semiestruturada. Argumentamos que o controle sobre as sementes é estratégico para a promoção da agroecologia e têm possibilitado a produção de alimentos com base na diversificação produtiva e na estratégia alimentar e econômica das famílias, ampliando a sua capacidade de resistência e autonomia. Quer saber mais? Acesse o link abaixo!
Objetivamos neste artigo investigar como as ideias e as práticas introduzidas na implementação das certificações socioambientais de café foram assimiladas e integradas em padrões diversos que influenciam as práticas de cultivo de café na região do Macizo Colombiano, especialmente no município de La Vega, Cauca. Apresenta-se, com base em duas representações locais, o que pode ser interpretado como a ressignificação das certificações pelo campesinato do Macizo. Discutimos neste trabalho: i) como o discurso do desenvolvimento alternativo é o ponto de interseção que nos permite entender as certificações de café na região; ii) como, durante a implantação e a consolidação dos mecanismos de certificação, há uma reelaboração de práticas modernizadoras, remontadas nas práticas locais enquanto forma de persistência na tradição.
Este artigo é fruto da tese de doutorado de Diana C. Cadena Bastidas.
Nos últimos dias foi publicado o artigo "'Spaces of Inclusion' in territorial governance: the legacy of Brazilian territorial development policies in the empowerment of smallholder farming", de autoria de Wolney F Antunes Junior, Ricardo Serra Borsatto e Vanilde Ferreira de Souza Esquerdo. O texto saiu no Journal of Social and Economic Development, que proporciona um fórum para análises das transformações sociais, econômicas, políticas/institucionais, demográficas e ambientais que ocorrem nos países em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina.
Especificamente, o estudo publicado aborda o legado dos programas brasileiros de promoção do desenvolvimento territorial, implementados entre os anos de 2003 e 2016, no fortalecimento das organizações da agricultura familiar em espaços de governança.
O artigo demonstra que as ações realizadas por mais de uma década pelos programas, que articulavam universidades, representantes ministeriais, agências do poder público e sociedade civil, conseguiram organizar os grupos de agricultura familiar e fortalecê-los para os espaços de negociação e discussão no âmbito territorial. Enquanto os programas estiveram em vigor, eles promoveram um processo coletivo de aprendizado institucional, simbolizado na capacidade de lidar com regras, normas e procedimentos, direcionados à inserção em estruturas de governança e à reivindicação de demandas e anseios. Os autores problematizam, entretanto, que o modelo de governança territorial estabelecido pelos programas brasileiros fortaleceu e incluiu as organizações de agricultura familiar, especialmente em arenas de competição por recursos e políticas públicas específicas, sem avançar em questões mais estruturantes, como a reforma agrária. Este artigo se soma ao corpo de contribuições teóricas, empíricas e analíticas desenvolvidas pelo Laboratório de Extensão Rural e Agroecologia da Unicamp (LERA) no âmbito do desenvolvimento rural.
ARTIGO
O objetivo desta pesquisa foi identificar o perfil dos produtores orgânicos do estado de São Paulo, analisando a distribuição espacial, o sistema de avaliação da conformidade orgânica adotada e a diversidade produtiva.
A agricultura orgânica no estado de São Paulo está concentrada nas regiões com predominância da agricultura familiar. Em regiões com forte presença da cana-de-açúcar, há o menor número de produtores orgânicos. Existem produtores orgânicos registrados pelo MAPA em 97,7% dos municípios paulistas. A maioria dos produtores orgânicos é composta por homens com idade superior aos 41 anos.
As práticas agrícolas afetam diretamente a biodiversidade, de tal forma que se faz necessária a busca por práticas mais sustentáveis que combinem produção e conservação ambiental. Quando comparada com o modelo de agricultura convencional, a agricultura biológica é comprovadamente mais benéfica para a conservação da biodiversidade; no entanto, os processos sociais de troca de conhecimentos, cooperação, solidariedade e responsabilidade colectiva relacionados com a agricultura biológica podem influenciar a agrobiodiversidade presente nos sistemas de produção biológica. Este estudo teve como objetivo investigar se a produção agrícola realizada pelos produtores participantes dos Sistemas Participativos de Garantia (SGP) é agrobiodiversa. Para tanto, comparou-se a média da diversidade de itens orgânicos produzidos pelos produtores participantes do SPG com a de produtores terceiros certificados, ambos do estado de São Paulo, Brasil. Foi desenvolvida uma pesquisa documental, analisando o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos do Brasil. A média da diversidade produtiva do SPG foi de 58,8 itens por produtor, enquanto a média por produtor no terceiro foi de 22,2 itens. Aproximadamente 25% dos produtores orgânicos do estado de São Paulo certificados por terceiros tinham apenas um item produtivo cadastrado. A riqueza de espécies vegetais encontrada entre os produtores de SPG foi de 292 espécies, das quais 12% eram nativas e 12% eram plantas utilizadas para fins medicinais. Os resultados evidenciados contribuem para as discussões sobre a agrobiodiversidade, apresentando o SPG como um sistema que tem um papel importante na promoção da agrobiodiversidade na agricultura orgânica.
Neste trabalho buscamos analisar, a partir do caso da Red de Productores y Consumidores “Comida Sana y Cercana”, se a certificação participativa pode contribuir com a territorialização da agroecologia na perspectiva crítica de transformação dos sistemas agroalimentares.
A Red investigada está localizada no município de San Cristóbal de Las Casas, no estado de Chiapas, México, e usa a certificação participativa há mais de 12 anos. A experiência da Red Comida Sana y Cercana mostra que a certificação participativa é uma metodologia que tem a capacidade de atravessar os cinco níveis de transição agroecológica, sendo um potencial instrumento para a territorialização da agroecologia.
O artigo é resultado da pesquisa realizada durante a Bolsa de Estágio de Pesquisa no Exterior – BEPE, da doutoranda Tayrine Parreira Brito, no @Ecosurmx. A bolsa foi financiada pela Fapesp @Agenciafapesp.
Neoliberal agenda and the dismantling of socially-efficient public food procurement programs: An emblematic case
O Programas de compras públicas de alimentos (PFP) têm sido cada vez mais implementados em todo o mundo como um instrumento para ajudar os países a cumprir seus compromissos com os ODS. Por outro lado, governos comprometidos com uma agenda neoliberal podem dificultar o desenvolvimento de programas baseados em PFP devido à sua defesa da austeridade fiscal e da eficiência do livre mercado. A experiência brasileira na implementação e desmantelamento de programas de PFP pode fornecer lições importantes para pesquisadores e formuladores de políticas interessados no assunto. Com base na análise de dados secundários, investigamos o desmantelamento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA ) , um programa baseado em PFP, para entender as estratégias usadas por governos neoliberais para desmantelar programas de PFP. Nossos resultados revelam as diferentes maneiras que governos com uma agenda neoliberal podem usar para desmantelar um programa de PFP e apontam para os riscos que as políticas baseadas em compras públicas enfrentam sob governos neoliberais.
Agroecology and public policies in global scientific literature: a bibliometric analysis. Discover Sustainability
A agroecologia emergiu como um campo multidimensional na literatura científica internacional, cuja expansão depende da articulação de vários fatores, incluindo políticas públicas. Este estudo apresenta uma análise bibliométrica da produção científica na intersecção entre agroecologia e políticas públicas, com base em 779 publicações indexadas na Web of Science entre 2014 e 2023. Critérios de inclusão rigorosos foram aplicados e os dados foram validados manualmente. Utilizamos os softwares VOSviewer e Bibliometrix® para mapear redes de coautoria, coocorrência de palavras-chave, distribuição geográfica, periódicos e indicadores como o índice h e a Lei de Bradford. Os resultados revelam um crescimento significativo nas publicações entre 2020 e 2023 (60,6%), ressaltando a natureza interdisciplinar do campo, que abrange 52 áreas, com predominância em ciências agrárias, ambientais e ecológicas. Autores de 102 países contribuíram para este conjunto de trabalhos, com os Estados Unidos, França e Brasil sendo os contribuidores mais proeminentes. No entanto, as redes colaborativas permanecem, em grande parte, confinadas a clusters nacionais ou institucionais. Termos recorrentes incluem "agroecologia", "sustentabilidade" e "segurança alimentar", enquanto termos emergentes como "sistemas alimentares" e "diversidade" indicam abordagens de pesquisa em evolução. Estudos recentes destacam como as inovações agroecológicas estão sendo incorporadas às políticas públicas para enfrentar as crises climática e socioambiental. No entanto, ainda existem desafios, especialmente no fortalecimento da cooperação internacional para ampliar o impacto global da agroecologia.