Congresso de Agricultura Orgânica na Unicamp
O congresso teve como objetivo geral reunir e dar visibilidade ao maior número possível de trabalhos científicos e técnicos produzidos por instituições estratégicas, como a Embrapa, institutos estaduais de pesquisa, universidades e profissionais atuantes no setor orgânico. Ao promover esse encontro, o evento contribui para a integração de conhecimentos ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a produção até a comercialização, fortalecendo a base técnico-científica necessária à expansão e qualificação do setor. Além disso, a sistematização e posterior distribuição desses conteúdos técnicos aos agricultores de todo o país reforçam o caráter extensionista e democratizador do conhecimento gerado.
A participação do Laboratório de Estudos Rurais e Agroecologia (LERA/FEAGRI) no Congresso de Agricultura Orgânica (o primeiro evento desse gênero realizado no Brasil) representa um marco significativo na consolidação de espaços de articulação entre ciência, política pública e práticas sociais voltadas ao fortalecimento da agricultura orgânica no país.
Nesse contexto, a atuação do LERA se destaca por sua contribuição em múltiplas frentes. Primeiramente, o lançamento de um policy brief evidencia o compromisso do grupo com a incidência em políticas públicas, traduzindo resultados de pesquisa em recomendações acessíveis e estratégicas para gestores, formuladores de políticas e atores do desenvolvimento rural. Essa iniciativa reforça a importância da interface entre ciência e tomada de decisão, especialmente em um campo como a agricultura orgânica, que demanda marcos institucionais robustos e coerentes com seus princípios.
Além disso, a apresentação de trabalhos científicos pelo LERA/FEAGRI contribui para o debate qualificado no evento, trazendo reflexões e evidências empíricas relacionadas à agroecologia e à transição agroecológica. Essas contribuições ampliam o repertório teórico e metodológico disponível, ao mesmo tempo em que dialogam com experiências concretas de agricultores e territórios.
Por fim, a participação do LERA/FEAGRI na organização do congresso demonstra seu protagonismo na construção de espaços coletivos de intercâmbio e produção de conhecimento. Ao atuar na articulação do evento, o laboratório fortalece redes de pesquisa e extensão, contribuindo para a consolidação de uma agenda nacional em torno da agricultura orgânica.
Assim, a presença do LERA/FEAGRI no congresso não apenas reafirma seu papel acadêmico e científico, mas também evidencia seu compromisso com a transformação social, a promoção da agroecologia e o fortalecimento de sistemas alimentares mais sustentáveis e inclusivos no Brasil.
Durante o evento, a Ministra Mariana Silva e o produtor rural e ator Marcos Palmeira, se fizeram presentes.
Durante o período de 20 a 28 de fevereiro de 2026, em Cartagena – Colômbia, participamos de uma intensa agenda internacional de debates e articulações em torno da Reforma Agrária, reafirmada como tema estratégico frente às transformações contemporâneas. Em um contexto marcado pelo agravamento das mudanças climáticas, pelas disputas em torno dos sistemas alimentares, pela necessidade de fortalecimento da juventude rural e pelo protagonismo histórico das mulheres do campo, as discussões evidenciaram a centralidade da terra como fundamento da justiça social, da soberania alimentar e da sustentabilidade socioambiental.
A programação teve início com a Conferência Acadêmica Internacional “Tierra, Vida y Sociedad” (pré-CIRADR+20), realizada de 20 a 22 de fevereiro. Nesta Conferência participamos do painel “Land, Food, and Agroecology: Building Sovereign and Sustainable Food Systems”, que destacou o papel da agroecologia e do acesso democrático à terra na construção de sistemas alimentares resilientes e sustentáveis. No dia 22/02, integramos o GT “Visiones sobre la reforma agraria”, apresentando o trabalho “¿Regularización o privatización? La Política de Tierras del estado de São Paulo en el contexto neoliberal”.
Paralelamente à Conferência Acadêmica, ocorreu o Foro Povos e Movimentos Sociais pela Terra, pelos Territórios, Água e Dignidade, espaço fundamental de articulação política e construção coletiva de propostas, no qual movimentos sociais, povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações camponesas reafirmaram a reforma agrária como eixo estruturante para enfrentar as desigualdades, promover a transição ecológica e garantir direitos territoriais.
Na sequência, de 24 a 28 de fevereiro, realizou-se a II Conferência Internacional de Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR+20), retomando e atualizando o legado da primeira edição, ocorrida em Porto Alegre, em 2006. Vinte anos depois, a conferência reafirmou a urgência da reforma agrária para o desenvolvimento rural ancorada na justiça agrária, na sustentabilidade ambiental e na inclusão social.
O encontro reuniu representantes de governos de mais de 100 países, organizações internacionais, movimentos rurais, povos indígenas, comunidades camponesas e pesquisadores de diversas partes do mundo, evidenciando o caráter global das disputas em torno da terra e dos territórios.
Para mais informações sobre os eventos e a Declaração de Cartagena, acesse o perfil oficial da ICARRD+20: @icarrdcolombia.
Integrantes do LERA participam da “V Feira Nacional da Reforma Agrária” em São Paulo
Entre os dias 8 e 11 de maio de 2025, o Parque da Água Branca, em São Paulo, recebeu a “V Feira Nacional da Reforma Agrária”, evento que evidenciou a força da agricultura camponesa e a importância da reforma agrária para a soberania alimentar no Brasil.
A feira reuniu cerca de 300 mil visitantes e se consolidou como um grande encontro entre campo e cidade, articulando cultura, agroecologia, solidariedade e resistência.
No dia 9 de maio, integrantes do Laboratório de Extensão Rural e Agroecologia (LERA) acompanharam as atividades, dialogando com agricultores, agricultoras e representantes de movimentos sociais de diversas regiões do país.
De acordo com dados divulgados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a feira apresentou números expressivos:
580 toneladas de alimentos saudáveis, oriundos da agricultura familiar e de assentamentos de reforma agrária;
1.920 tipos de produtos, incluindo 11 lançamentos;
40 toneladas de doações solidárias destinadas a comunidades em situação de vulnerabilidade;
12 mil mudas de árvores e 970 kg de sementes crioulas distribuídos;23 cozinhas com 143 pratos típicos, valorizando a diversidade gastronômica regional;
35 oficinas e seminários, que promoveram a troca de saberes e experiências;
357 artistas e 2 mil militantes envolvidos na programação cultural;
Exposição de 7 máquinas agrícolas, demonstrando tecnologias voltadas ao fortalecimento da produção camponesa.
A presença dos integrantes do LERA reforça seu compromisso com o diálogo entre pesquisa, extensão e movimentos sociais, reconhecendo a Reforma Agrária Popular e a Agroecologia como caminhos fundamentais para a construção de sistemas alimentares justos e sustentáveis.
X Jornada de Estudos em Assentamentos Rurais Consolida diálogo sobre futuro do campo brasileiro
Entre os dias 25 e 27 de junho de 2025, a Faculdade de Engenharia Agrícola da UNICAMP (FEAGRI) sediou a X Jornada de Estudos em Assentamentos Rurais, evento promovido pelo Laboratório de Extensão Rural e Agroecologia (LERA). Reafirmando a trajetória iniciada em 2003, a Jornada se consolidou como um dos principais espaços de debate crítico e colaborativo sobre a questão agrária, os assentamentos rurais e o desenvolvimento rural sustentável no Brasil.
O evento reuniu um público diversificado, composto por pesquisadores, estudantes, profissionais e representantes de movimentos sociais, fortalecendo a missão do LERA de integrar o conhecimento científico com os saberes populares para inspirar caminhos de transformação no campo.
Uma programação intensa e plural
A décima edição foi marcada por discussões profundas e relevantes. A conferência de abertura, ministrada pelo Prof. Dr. Sergio Leite, trouxe a reflexão “Velhos e novos desafios da questão fundiária: digitalização, financeirização e estrangeirização da terra”, conectando processos históricos e tendências contemporâneas.
Ao longo dos três dias, mesas-redondas temáticas aprofundaram debates cruciais:
A Mesa I, “A Questão Agrária no Brasil: desafios e perspectivas”.
A Mesa II, “Mudanças Climáticas e Produção de Alimentos”.
O encerramento, na sexta-feira, foi dedicado à exibição dos documentários “Travessias em Busca da Agroecologia”, de Beto Novaes, e “Marielle, entre o fogo e a vida”, de Sandy Arguelho, seguidos de um debate sobre agroecologia, território e resistência.
Destaque também para as Sessões Organizadas, que enfatizaram a importância de dados precisos, como os do Censo Agropecuário, e o papel transformador da Extensão Rural Agroecológica na construção de agroecossistemas sustentáveis.
Grupos de Trabalho e a construção coletiva do conhecimento
Um dos pilares da Jornada, os seis Grupos de Trabalho (GTs), foram espaços vibrantes de aprofundamento e troca. Eles reuniram participantes em torno de temas centrais:
Construção do Conhecimento Agroecológico;
Gênero e Geração;
Comercialização e Políticas Públicas;
Questão Agrária e Movimentos Sociais do Campo;
Sistemas Agroalimentares e Segurança Alimentar e Nutricional;
Assistência Técnica e Extensão Rural.
Os GTs consolidaram-se como ambientes férteis para o diálogo entre saberes, a partilha de experiências e a formação de novas parcerias e redes de colaboração.
Feira e Lançamento de Livros: sabores e saberes em destaque
Para além dos debates teóricos, a X Jornada ofereceu experiências práticas e sensoriais. A Feira da Agricultura Familiar apresentou a diversidade e a força da produção camponesa, conectando saberes e sabores, e reforçando a importância das redes de comercialização solidária para a soberania alimentar.
Um momento especial de celebração do conhecimento foi o lançamento coletivo de nove livros, realizado na noite do primeiro dia. As obras, que dialogam com agroecologia, sustentabilidade e resistência camponesa, representam a riqueza da produção acadêmica engajada com as realidades rurais. Foram lançados títulos como “A Dialética da Sustentabilidade” (Wagner Gervazio), “Agroecologia em Assentamentos da Baixada Fluminense” (Igor Simoni Homem de Carvalho) e “Agricultura Familiar e Políticas Públicas em SP” (Regina Camargo et al.), entre outros.
A X Jornada de Estudos em Assentamentos Rurais reafirmou, mais uma vez, seu papel fundamental como arena de construção coletiva de conhecimentos e estratégias que contribuem para a resiliência dos sistemas socioecológicos e influenciam a formulação de políticas públicas voltadas para um campo brasileiro mais justo, diverso e agroecológico.
Programa Terra
O programa terra foi criado a partir dos GT´s da RAU ( Rede de Agroecologia da Unicamp)
Aulas Abertas em AGRECOLOGIA
Projeto que nasceu em 2012 na UNICAMP, com o intuito de promover debates e reflexão em temas do mundo agroecológico.
Sonia Maria Pessoa Bergamasco
"Fazer a bionota de uma pessoa tão querida, batalhadora e corajosa como a Sonia, com a qual convivemos durante muitos anos, nos honra e traz imensa alegria. Quão gratificante é o convívio não apenas intelectual, mas também familiar e afetivo com alguém valente, guerreira e fiel aos seus princípios!" (Vanilde F. de Souza-Esquerdo)
Acesse:
https://sbsociologia.com.br/project/sonia-maria-pessoa-pereira-bergamasco/