Centro de Referência Intelectual do IFCH
Tradição e prática: um estudo etnográfico do benzimento em Campestre (MG)
Ano: 2017
ISSN Impresso: 22369759
No âmbito da religiosidade popular, são vivenciados diversos rituais através dos quais a crença do povo toma cor e forma. Dentre eles, e na fronteira
entre a Religião e a Medicina Popular, ocorre uma modalidade de cura pela fé, presente no habitus das gentes, chamada de “benzimento”: atuando como feiticeiros, os agentes populares da cura são procurados para que subtraiam um mal do cliente, no momento em que ele exterioriza seu sofrimento é feito o diagnóstico. A prática de benzimento é tida pelos envolvidos como um dom divino, que pode se desenvolver através de transmissão hereditária, a partir da tradição oral – principalmente entre mulheres – ou através da revelação religiosa. Cada profissional conta com uma técnica exclusiva, podendo ou não variar de acordo com o mal, e a eficácia do ritual se relaciona com a crença no poder do benzedor/benzedeira, bem como no poder de Deus, que será mobilizado por um processo simbólico de manipulação de elementos sagrados. No momento ritual, os objetos utilizados adquirem caráter mágico e, através deles, o benzedor ou a benzedeira alcança seu objetivo – a extinção de um sofrimento físico ou psíquico. Levando em conta as trajetórias e narrativas dos profissionais do benzimento, porém, sem desconsiderar o que é dito por sua clientela, é possível levantar aspectos da memória – religiosa – coletiva, acessando a experiência e a realidade dos indivíduos, além de mobilizar os reflexos desse universo em sua prática, no momento etnográfico.
Autora: Mariana de Carvalho Ilheo