Estudos de caso: Ásia e Oceania
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Estudos de caso: Ásia e Oceania
Local: City of Ryde, Sydney, Australia
Ano de criação: 2020
Categoria: Distrito de Inovação
Especialidade: educação, saúde, biofarmacêutica, tecnologia e telecomunicações
Área: 680 ha
O Connect Macquarie Park Innovation District (CMPID) é um distrito de inovação localizado no norte de Sydney, ancorado pela Macquarie University e conta com uma rede robusta de empresas e instituições de pesquisa. Operando como uma organização sem fins lucrativos, o distrito possui um conselho de governança composto por acadêmicos, representantes do setor empresarial e atores governamentais. O CMPID desempenha um papel fundamental no crescimento econômico regional, gerando mais de 63.000 empregos e movimentando cerca de AUD$ 700 milhões anuais em atividades de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D). Atualmente, abriga 180 grandes empresas dos setores de ciências da vida, tecnologia e digital, além de 200 pequenos negócios. Está localizado a 12 quilômetros do Distrito Central de Negócios de Sydney (Sydney’s Central Business District) e a 30 minutos do Aeroporto de Sydney. Sua conectividade é reforçada por uma ampla rede de transporte público, que inclui serviços de ônibus, estações ferroviárias e um serviço de transporte gratuito que liga o distrito ao Macquarie Centre. Ao longo do tempo, a área passou por diversas transformações no uso do solo, desde terras indígenas até zonas rurais, evoluindo para um espaço urbano de uso misto. Além disso, abriga o Lane Cove National Park, uma importante área verde dentro do perímetro do distrito. O planejamento urbano do distrito prevê a criação de 23 hectares de novos espaços públicos, conforme identificado no Plano Diretor de Macquarie Park, com a meta de alcançar 25% de cobertura arbórea.
Autoria: Silvia Stuchi
Visita técnica realizada em fevereiro de 2024.
Local: Hong Kong, China
Ano de criação: 2002
Categoria: Parque Tecnológico
Especialidades: TIC e IA
Área: 4,5 ha
O Cyberport é um parque tecnológico de 2a geração, resultante de uma parceria entre o governo e o setor privado, porém com menos conexões com universidades e maior envolvimento com o mercado imobiliário. Localiza-se na ilha de Hong Kong, a cerca de uma hora do centro antigo da cidade por transporte público (metrô e ônibus). Desde 1999, o projeto visava o desenvolvimento de tecnologias ligadas à Internet e à multimídia, mas sua implementação foi marcada por denúncias de favorecimento por parte do governo à Pacific Century Group. A PCG construiria edifícios de escritórios, um shopping center e um hotel para o governo, em troca de terras nas vizinhanças do parque para a construção de torres residenciais, algumas de alto luxo, com cerca de 2.800 apartamentos. Outra polêmica foi a falta de transparência e de participação popular no projeto de um parque a beira-mar pela incorporadora. O projeto do parque consiste em uma sequência de edifícios conectados por uma grande galeria comercial de dois pavimentos, com restaurantes e comércio. O parque pertence ao governo de Hong Kong e oferece programas de micro-financiamento, incubação e acleleração, além de laboratórios compartilhados de IA e de super computadores.
Autoria: Gabriela Celani, Milena Serafim e Emilia Rutkowski
Visita técnica realizada em março de 2025.
Local: Shenzhen, China
Ano de criação: 2018 (idealização)
Categoria: Cidade da Ciência
Especialidades: indústria inteligente, novos materiais, ciências da vida
Área: 99 Km2
Guangming é um distrito de Shenzhen criado em 2007 como "área funcional", com a missão de se tornar uma Cidade da Ciência de nível mundial, promovendo a ciência básica e a inovação. Em 2018 teve início o planejamento e a construção de uma importante infraestrutura científica e tecnológica, além de uma infraestrutura urbana. A porção norte foi definida como Área de Aglomeração de Equipamentos, e nela está sendo construído um acelerador de partículas de 4a geração para produção de luz síncrotron (Shenzhen Innovation Light-source Facility - SILF) . A parte central contém o Parque Científico, a Zona de Turismo Rural Urbano, edifícios residenciais e uma Área Urbana de Lazer, e a parte sul possui a Área de Transformação Industrial. O distrito possui diversos atrativos turísticos, como o Parque Hongqiao, projetado pelos escritórios holandês LOLA e espanhol Taller, além de um enorme museu de ciências projetado pelo escritório de Zaha Hadid. O projeto urbano do distrito apresenta preocupações com o meio ambiente, como estruturas-piloto de uma cidade esponja, sendo portanto um distrito de 4a geração. A área é servida por metrô e por uma linha de trem rápido que permite ir a Hong Kong em apenas 30 minutos. Guangming possui diversos pequenos Parques Científicos e Tecnológicos com temas específicos, como por exemplo o Weiguang Life Science Park, que funciona como incubadora para o desenvolvimento de terapias genéticas. Próximo a ele encontra-se o Sétimo Hospital Afiliado da Universidade Sun Yat-sen, com previsão para 4.000 leitos quando estiver totalmente concluído, o que permite a rápida realização de testes clínicos. A conjunção de atração de talentos internacionais, acesso a equipamentos de pesquisa e financiamento e parque industrial permite a aceleração do processo de inovação, com menor tempo da invenção até o produto no mercado. É importante acrescentar que Shenzhen faz parte do segundo maior cluster de inovação do mundo (Shenzhen–Hong Kong–Guangzhou) pela WIPO em 2024.
Autoria: Gabriela Celani, Milena Serafim e Emilia Rutkowski
Visita técnica realizada em março de 2025.
Local: Hong Kong, China
Ano de criação: 2004
Categoria: Parque Tecnológico
Especialidades: Empresas de alta tecnologia
Área: 60 ha
O Hong Kong Science and Technology Park situa-se em uma franja urbana, a aproximadamente 40 minutos em transporte público (metrô e ônibus) a nordeste do centro antigo de Hong Kong. No entanto, ele fica muito próximo ao campus da Chinese University of Hong Kong e em local em que há diversos conjuntos residenciais, sendo possível morar próximo ao parque. Além disso, o parque possui um edifício de 18 pavimentos de co-working e co-living (InnoCell), que visa aproximar jovens talentos que lá trabalham. O terreno onde o parque se situa foi ganho ao mar pelo governo de Hong kong em 1999, e em 2001 foi fundada a empresa Hong Kong Science and Technology Parks Corporation, que administra o parque. A construção das instalações, que envolveu grande investimento do governo local, e a primeira etapa, com 9 edifícios, foi entregue em 2004. O parque possui empresas de alta tecnologia de diferentes tamanhos e promove a colaboração entre elas. Possui também diversos espaços de uso comum, como auditórios, salas de exposição, espaços públicos ao ar livre, espaço para pets e uma área de demonstração de veículos autônomos. Os diferentes edifícios são conectados por um amplo corredor no pavimento térreo com espaços de estar e áreas de alimentação. No centro do parque localiza-se o "ovo dourado", um auditório no primeiro pavimento em forma oval, que virou o símbolo do parque. Trata-se de um parque tipicamente de 2a geração.
Autoria: Gabriela Celani, Milena Serafim e Emilia Rutkowski
Visita técnica realizada em março de 2025.
Local: Hong Kong, China
Ano de criação:
Categoria: Centro de inovação
Especialidade: Indústria criativa
Área: 10.000 m2 (com 9 andares)
O Jockey Club Creative Arts Centre foi instalado em uma antiga fábrica de vestuário da década de 1970, localizada no antigo "rag district" da cidade. A conversão foi concluída em 2008, pela Universidade Batista de Hong Kong. O centro oferece 131 estúdios de 24 m2 com aluguel acessível para pequenas empresas de pintura, escultura, cerâmica, fotografia, arte em vidro, design multimídia, arte popular, cinema e vídeo arte, música, dança, performance multimídia, arte comunitária e educação artística. Além disso, oferece infraestrutura de apoio, como um Black Box Theatre, duas galerias de exposição, um pátio central para atividades e uma galeria de arte comercial, além de cafeteria e uma casa de chá chinesa. Trata-se de um centro de economia criativa de 2a geração, envolvendo apenas uma Universidade e as micro-empresas instaladas no local, pela intermediação de uma instituição privada (Hong Kong Jockey Club). O centro é auto-financiado e sem fins lucrativos, promovendo o desenvolvimento profissional dos artistas e o oferecimento de atividades abertas ao público.
Autoria: Gabriela Celani, Milena Serafim e Emilia Rutkowski
Visita técnica realizada em março de 2025.
Local: Liverpool, Sydney, Australia
Ano de criação: Em implementação (iniciado em 2017)
Categoria: Distrito de Inovação
Especialidade: saúde e biotecnologia
Área: 30 ha
O Liverpool Innovation Precinct (LIP) é um distrito de inovação voltado para a saúde, ancorado pelo Hospital de Liverpool e que integra prestadores de serviços de saúde, pesquisadores, investidores e representantes do governo. A governança é conduzida por um comitê gestor, estabelecido em 2017, o Liverpool Collaboration Area Stakeholder Group, responsável pelas principais decisões estratégicas e pelo acompanhamento do planejamento e execução do distrito. Além disso, a construção do Aeroporto Internacional de Western Sydney (Nancy-Bird Walton) e o desenvolvimento do Bradfield City Centre representam um investimento de AUD$ 20 bilhões, que fortalecerá a conectividade regional e impulsionará a diversificação econômica. A população de Liverpool deve crescer 77% até 2036, o que exigirá a criação de 16.200 novos empregos e 18.800 novas moradias, sendo que o setor de saúde já representa 11,9% do emprego local. A integração do aeroporto de Western Sydney e do Aerotrópole deve atrair investimentos em logística, tecnologia e manufatura avançada, impulsionando ainda mais o crescimento do distrito. Parte do território do LIP ainda é de uso rural ou recreativo. Há um plano para conectar o Bigge Park ao rio Georges por meio de uma Wellness Green Zone próxima ao hospital.
Autoria: Silvia Stuchi
Visita técnica realizada em fevereiro de 2024.
Local: Pangyo, Coreia do Sul
Ano de criação: 2011
Categoria: Parque tecnológico
Especialidade: Geral, com ênfase no setor tecnológico
Área: 66 ha (+43ha na fase 2)
Conhecido como Vale do Silício da Coreia, o Pangyo Techno Valley localiza-se na região metropolitana de Seoul, a cerca de uma hora de distância em metrô e trem suburbano da capital coreana. O parque inclui instalações para pesquisa, habitação temporária (guest houses), moradia estudantil, uma escola de pós-graduação, um centro de treinamento profissional, um centro internacional de P&D, salas de conferências e um showroom para expor inovações desenvolvidas localmente. O parque fomenta a criação de startups nas áreas de tecnologia da informação e comunicação, biotecnologia e tecnologias para a indústria criativa/cultural (como a indústria de jogos eletrônicos), apoiadas pelo governo por meio de medidas como isenções de impostos e financiamentos a juros baixos. Embora esteja conectada por transporte público, oferece também grandes áreas de estacionamento de veículos. A fase 2 do Pangyo Techno Valley adicionou mais 43ha ao empreendimento. A fase 2 também inclui áreas residenciais, comerciais e áreas verdes (modelo "live-work-play"), com uma boa densidade urbana e passagens de pedestres no miolo das quadras, o que incentiva os deslocamentos a pé. 86% do total de empresas em ambas as fases são pequenas ou médias, o que contribui para o desenvolvimento local.
Autoria: Gabriela Celani, Milena Serafim e Emilia Rutkowski
Visita técnica realizada em setembro de 2022.
Local: Shenzhen, China
Ano de criação: 2020
Categoria: Distrito de inovação/Zona econômica especial
Especialidade: Atração de talentos em diversas áreas
Área: 14 Km2 (boa parte dela conquistada ao mar)
Qianhai Shenzhen-Hong Kong Modern Service Industry Cooperation Zone é uma grande zona de livre comércio na parte leste do distrito de Nanshan, em Shenzhen. A área possui políticas especiais para o desenvolvimento e conômico e a inovação, como impostos reduzidos e incentivos para a atração de talentos. Alguns exemplos de hubs de inovação no local são Qianhai International Talent Hub e o Qianhai SZ-HK Fund Town. O primeiro é um centro ligado aoQianhai Service Group, responsável por gerenciar serviços públicos para talentos estrangeiros de alto nível que trabalham em Shenzhen (Shenzhen tem uma forte política de atração de talentos). O edifício abriga, entre outros institutos e empresas, o Shenzhen Institute of Data Economy da CUHKS. O segundo é uma espécie de vila de empresas e startups, com edifícios relativamente baixos, construídos sobre uma área pertencente à companhia Ferroviária. Nele também se encontra a Shenzhen Reform and Opening up Executive Leadership Academy, que tem como objetivo contribuir para a abertura da economia chinesa e a modernização de seu socialismo. A área é circundada por edifícios com comércio, hoteis e residências, com diversas estações de metrô. Além disso, a região de Qianhai recebeu investimentos para tornar-se mais resiliente, sustentável, representando o típico distrito de 4a geração, com projetos como o Guiwan Park, do escritório FOA, que recebeu o prêmio LILA - Landezine International Landscape Award, o projeto de espaços públicos e infraestrutura verde da Menghai Avenue, do escritório HOPE, e o Bao'an Cultural Park, dos escritórios SWA e AUBE. Um novo empreendimento da empresa Tencent, a maior empresa de telecominicações chinesa, com projeto do escritório nbbj, ocupará cerca de metade da ilha em que se encontra o porto de Qianhai. A chamada "Net City" será uma cidade do futuro, com espaços prioritariamente de pedestres, veículos autônomos e muitos parques, ocupando uma área de 2 milhões de metros quadrados.
Autoria: Gabriela Celani, Milena Serafim, Emilia Rutkowski
Visita técnica realizada em abril de 2024.
Local: Shenzhen, China
Ano de criação: 2019
Categoria: Cluster de economia criativa
Especialidade: indústria criativa
Área: 1,1 ha
Vencedor de um prêmio de arquitetura verde, o projeto consiste em uma grande praça verde, em meio a edifícios altos, sob a qual se desenvolvem espaços fechados, corredores amplos e pátios abertos, com grande diversidade formal, cada um desenvolvido por um escritório de arquitetura diferente. Essas perfurações levam luz e ventilação natural a 3 andares no subsolo. O projeto está localizado no distrito de Nanshan em Shenzhen, e inclui escritórios e oficinas de pequeno a médio porte, além de espaços de exposição, auditórios, makerspaces, cafés e restaurantes. Foi sede da Maker Fair em 2023. Por essas características, atrai sobretudo empresas das áreas criativas, como escritórios de arquitetura, design, moda, etc. Faz parte de um projeto maior chamado Cloud City, liderado pela Vanke, uma grande empreendedora imobiliária chinesa. O projeto, desenvolvido pela Urbanus (empresa de arquitetura chinesa) em colaboração com outras firmas locais, foi divulgado em portais como Dezeen e ArchDaily como um experimento urbanístico.
Autoria: Gabriela Celani, Milena Serafim, Emilia Rutkowski
Visita técnica realizada em abril de 2024.
Local: Bradfield, Australia
Ano de criação: Under planning (started in 2020)
Categoria: Distrito de Inovação
Especialidade: tecnologia, ciência e indústria criativa
Área: 114 ha
O Western Sydney Aerotropolis (WSA), com foco no Bradfield City Centre, representa um dos maiores projetos de planejamento urbano e inovação da Austrália. Em implementação desde 2020, o WSA conta com um investimento governamental de AUD$1 bilhão e tem como âncora o Aeroporto Internacional Nancy-Bird Walton. O projeto busca estabelecer um ecossistema de alta tecnologia, com a expectativa de fornecer 10.000 novas moradias e criar 20.000 empregos. Além disso, o aeroporto deve gerar aproximadamente 35.000 empregos até 2035, podendo chegar a 60.000 no longo prazo. A área de Bradfield, que serviu como instalação de defesa ao longo do século passado, é predominantemente coberta por campos abertos e algumas áreas remanescentes de vegetação nativa. Localizado nas bacias hidrográficas de Wianamatta-South Creek, Thompsons Creek e Moore Gully, o Bradfield City Centre tem como objetivo estabelecer um novo padrão de "Designing with Country", uma abordagem que integra o conhecimento e as perspectivas dos povos indígenas australianos no planejamento urbano. O desenvolvimento da cidade priorizará a preservação dos cursos d'água e vegetação, além da implementação de um plano de reflorestamento para regeneração ambiental. O distrito contará com espaços culturais e educativos que promovem a conexão com o território, formando um circuito verde natural e cultural ao longo da cidade. Além disso, busca implementar limites de velocidade de 40 km/h ou menos em toda a área urbana, criar zonas compartilhadas e desenvolver uma ampla rede cicloviária, acompanhada de um projeto ambicioso de arborização. A acessibilidade e a mobilidade sustentável também são prioridades, com a inclusão de estações ferroviárias e linhas de ônibus para garantir um transporte público eficiente e seguro.
Autoria: Silvia Stuchi
Entrevista realizada com o Department of Planning, Housing and Infrastructure de NSW realizada em fevereiro de 2024.