Estudos de caso: Europa
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Estudos de caso: Europa
Local: Barcelona
Ano de criação: 2000
Categoria: Distrito de inovação
Especialidade: Diversas, com foco em TICs
Área: 200 ha
No final do século XX, a cidade de Barcelona passou por grandes transformações, a partir de sua escolha como sede dos Jogos Olímpicos de 1992. Já noo final dos anos 1990, a antiga área industrial de Poblenou (conhecida como Manchester catalã desde o final do séc.XIX), que já entrara em decadência desde os anos 1960, com o fechamento de muitas fábricas, passou a ser alvo de um grande projeto urbano, com a aprovação da criação de um distrito de inovação no ano 2000. Nasce assim um projeto que viria a se tornar um importante modelo para muitas cidades do mundo, em especial aquelas que também dispunham de distritos industriais obsoletos e que buscavam impulsionar a economia do conhecimento. No 22@ houve uma atração de instituições de pesquisa, universidades e empresas de alta tecnologia, viabilizada pela renovação da infraestrutura e inovação urbana, por meio de parcerias público-privadas, como galerias subterrâneas de redes elétricas e de fibra ótica, coleta pneumática de resíduos, sistemas de aquecimento e arrefecimento de bairro, transporte coletivo e espaços públicos de lazer, calçadas amplas e ciclovias, e projetos de habitação para diferentes faixas de renda. A prefeitura instalou diversos centros de formação continuada e de empreendedorismo, como o MediaTIC e o Barcelona Activa, juntamente com iniciativas como o Parc Barcelona Media, da Universidade Pompeu Fabra, para promover o empreendedorismo e a requalificação da mão de obra para o mundo digital, visando fortalecer a economia local. O 22@ tem sido atualmente local de experimentações de urbanismo tático como resposta às mudanças climáticas.
Autoria: Gabriela Celani e Marcela Noronha
Visita técnica realizada em setembro de 2025.
Local: Valencia, Espanha
Ano de criação: 2002
Categoria: Parque Científico de la Universitat Politècnica de València (UPV)
Especialidade: TICs, IA, Biotecnologia, Agroalimentar, Nanotecnologia, Ciencias Sociais, Energia, Transportes, Meio Ambiente, Arte, Arquitetura, Tecnologias de Fabricação e Materiais, Matemática.
Área: 3 ha 140.000 m2
A CPI está organizada en institutos de de pesquisa liderados pelos professores da UPV, acolhendo mais de 3.000 pesquisadores. Foi criado com o intuito de promover o empreendedorismo a comunidade acadêmica e possui área para empresas, startups e spinoffs de professores, estudantes e egressos da UPV, a partir de resultados de pesquisa da Universidade. O IDEASUPV promove a cultura de inovação entre os alunos e egressos. A gestão do parque e da propriedade intelectual e transferência de tecnologia é feita pela Fundación Ciudad Politécnica de la Innovación, entidade sem fins lucrativos, que também oferece consultoria em inovação, além de assessoria tecnológica (por meio de seu Servicio i2t de Promoción y Apoyo a la Investigación, Innovación y Transferencia), e de um sistema de investimento participativo para spin-offs, o CROWDEQUITY UPV. Promove a inovação aberta, colaborando com os setores público e privado para a promoção da inovação, estando associada à INNOTRANSFER, iniciativa multisetorial de innovação abierta promovida pela Red de Parques Científicos Valencianos. A CPI ocupa uma área na porção sudeste do campus da UPV, de modo que os professores e alunos podem circular facilmente entre laboratórios, empresas e faculdades. O edifício é compacto, com 140.000m2 distribuídos em 12 blocos com altura máxima de 7 pavimentos, conectados entre si por meio de grandes terraços que funcionam como espaços de encontro. O projeto foi desenvolvido pelo arquiteto Luís Manuel Ferrer Obanos, professor da Escuela Técnica Superior de Arquitectura da UPV.
Autoria: Gabriela Celani
Visita técnica realizada em setembro de 2025.
Local: Zaragoza, Espanha
Ano de criação: 2013
Categoria: Centro de inovação
Especialidade: arte digital, videogames, TICs
Área: 16.000 m2
No início do século XXI, a chegada do trem de alta velocidade, a construção de uma nova estação ferroviária, a liberação de uma área de 100 ha e a realização da Expo 2008, Zaragoza viu a oportunidade de realizar a transição da economia industrial para a economia do conhecimento. Assim nasceu o projeto Milla Digital, um projeto do governo central, da comunidade de Aragão e da prefeitura local, com o apoio de grandes empresas de tecnologia e comunicação, que tinha como objetivo atrair empresas de tecnologia, cultura e serviços avançados, fomentar atividades de pesquisa e educação, e estabelecer um local permanente para os cidadãos se conectarem e aprenderem sobre as novas tecnologias da informação (living lab), criando um cluster de inovação e creatividade. O Etopia (originalmente Centro de Artes e Tecnologia; hoje Centro de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia) – era um dos edifícios planejados para a Milla Digital. Inaugurado em 2013, ele foi concebido para acolher artistas residentes e promover projetos, exposições e eventos nas áreas de multimídia, videogames e arte e design digital. Sua fachada é uma grande tela urbana que, à noite, exibe projetos visuais desenvolvidos no centro. Seu auditório principal foi batizado com o nome de William Mitchell, professor do MIT e autor do livro Etopia que, junto com Manuel Castells, contribuiu com a formulação teórica do Centro. Ao lado do Etopia situa-se La Terminal, uma incubadora de empresas da Prefeitura de Zaragoza.
Autoria: Gabriela Celani e Marcela Noronha
Visita técnica realizada em setembro de 2025.
Local: Valencia
Ano de criação: 2010
Categoria: Distrito de inovação
Especialidade: TICs, logística e biotech
Área: 2.500 ha, incluindo o porto de Valência
Originalmente de costas para o mar, a cidade de Valência começa a se apropriar de sua costa a partir do início do séc. XXI, com a realização da Copa américa de vela em 2010. Para isso, foi construído o edifício Veles et Vents, e deu-se início a uma aproximação entre a área portuária e o centro urbano. A Ciudad de las Artes y las Ciencias, projetada pelo arquiteto Santiago Calatrava e construída entre os anos 1990 e 2006, também contribuiu para essa ligação, assim como a apropriação, pela prefeitura da cidade, de antigos armazéns no bairro portuário de El Grao (Las Naves e La Harinera), com finalidade de estimular o empreendedorismo social e tecnológico. A área da Marina fica ao lado do Porto de Valencia, onde se situa a Fundação Valenciaport, um centro de investigação vinculado à Autoridade Portuária e reconhecido internacionalmente como uma liderança em inovação, gestão aplicada e logística portuárias. Na região, estão presentes diversas organizações ligadas ao empreendedorismo e inovação, em sua maioria privadas: The Terminal Hub, antigo terminal de passageiros do Porto de Valência, convertido em espaço de empreendedorismo privado, com coworking e algumas áreas para grandes empresas de tecnologia, como a Microsoft, atendendo sobretudo a clientes do norte da África; EDEM - Escuela de Negocios privada; Lanzadera, aceleradora de empresas privada; Angels, financiadora privada de startups (as três últimas pertencentes ao grupo Mercadona); Innsomnia Business Accelerator, aceleradora de empresas privada; Biohub, comunidade empresarial da área biotech; Startup Valencia, organização sem fins lucrativos que promove a inovação e a colaboração entre startups e a indústria, entre outras. O Cabanyal, antigo vilarejo de pescadores um pouco mais ao norte, já começa a sofrer pressões do mercado imobiliário, pois encontra-se entre La Marina e o campus da UPV. A região é ligada ao centro da cidade por ônibus e VLT.
Autoria: Gabriela Celani
Visita técnica realizada em setembro de 2025.
Artigo sobre Valencia (em breve)
Local: Valencia
Ano de criação: 2012/2023
Categoria: Centro de inovação urbana/Centro de empreendedorismo
Especialidade: indústria criativa/incubadora de empresas
Área: 8.000 m2/4.200 m2
Estes dois centros de empreendedorismo se localizam no bairro do Grao, onde também se encontra La Marina, porém possuem objetivos diferentes desse distrito em que predominam os investimentos privados. O Las Naves Espacio de Creación Contemporánea (depois Centro de Inovação) foi criado pela prefeitura de Valência na vigência do governo anterior (socialista), a partir da requalificação de um galpão industrial abandonado, tendo como objetivo original incentivar a indústria criativa e a inovação urbana e social. La Harinera, outro edifício industrial próximo a Las Naves, seria originalmente um polo de indústria criativa de videogames, mas após as últimas eleições, mas a obra ficou pronta apenas 2023, e com a ascenção do Partido Popular, um partido conservador, esses objetivos foram redirecionados e o espaços acabou se convertendo em uma incubadora de empresas, com salas para cursos de capacitação e atualização oferecidos pela prefeitura. A área tem recebido outros investimentos públicos, como a recente requalificação do Mercado del Grao. A região é ligada ao centro da cidade por ônibus e VLT.
Autoria: Gabriela Celani e Marcela Noronha
Visita técnica realizada em setembro de 2025.
Artigo sobre Valencia (em breve)
Local: Málaga, Espanha
Ano de criação: 1992
Categoria: Parque tecnológico
Especialidade: Geral, com ênfase no setor tecnológico
Área: 150 ha
A história do Parque Tecnológico de Andalucia (PTA), hoje denominado Málaga Tech Park, tem início no final dos anos 1980, idealizado pela Universidad de Málaga e por engenheiros da Fujitsu Málaga. A Junta de Andalucia atende à demanda do governo local, e em 1990 cria o parque, que inicia suas atividades em 1992. O local escolhido foi o distrito de Campanillas, 15 km a noroeste do centro da cidade e a 10km do campus universitário da Universidad de Málaga, onde as terras eram mais disponíveis e de menor custo. A Oficina de Transferencia de Resultados de Investigación (OTRI) da Universidade de Málaga instala-se no parque em 1994, com o objetivo de promover colaborações entre as duas instituições. Em 2015 , o PTA instala-se na Universidade de Málaga, com a criação do edifício Rayo Verde, uma incubadora para estudantes. Com um número crescente de estudantes internacionais ou de outras regiões da Espanha, esse tipo de iniciativa incentiva esses jovens a permanecer na cidade ou retornar a ela depois de formados, sabendo que encontrarão um ambiente propício ao empreendedorismo e a inovação. A implantação do PTA em Málaga coincide com um momento histórico em que a cidade enfrentava o desemprego e a decadência urbana, nos anos 1990. Nos anos 1990, a prefeitura de Málaga vê a oportunidade de tranformar a cidade em um território do conhecimento e capta investimentos para a requalificação do centro e instalação do metrô. Contudo, não chega até o PTA e o acesso é feito sobretudo por automóveis privados. Com o aumento da qualidade de vida e melhora na qualificação da mão de obra, Málaga tornou-se mais competitiva na atração de talentos e de empresas intensas em conhecimento tanto para o PTA como para a cidade. A prefeitura cria também um programa de incubadoras de bairro (ProMálaga) e a cidade possui uma aceleradora da Junta de Andalucia (La Farola).
Autoria: Gabriela Celani e Patrícia Mariuzzo
Visita técnica realizada em abril de 2024.
Local: Cerdanyola Del Vallès, Espanha
Ano de criação: em implantação
Categoria: Distrito de inovação
Especialidade: Não há
Área: 408 ha
O Parc de L’Alba é um projeto de urbanização que tem como objetivo constituir uma nova zona de centralidade no âmbito metropolitano de Barcelona, na cidade de Cerdanyola Del Vallès. No Plano metropolitano de 1976, a região já havia sido declarada como de especial interesse público, mas ganhou força com o planejamento do acelerador Synchrotron, inaugurado em 2010. O Plano Diretor Urbanístico do parque se baseia na vocação científica e tecnológica da região e busca agregar a ela ideais de urbanização voltada à saúde e à qualidade de vida, além da preservação ambiental e da criação de corredores ecológicos. Sua elaboração e implantação é de responsabilidade de um consórcio formado pelo Incasòl (Instituto Catalão do Solo) e pelo Conselho de Cerdanyola Del Vallès. O objetivo desta iniciativa pública é promover a inovação científica, a coesão cidadã e a sustentabilidade do ambiente natural. O Parque se enquadra na quarta geração de parques tecnológicos, tendo como modelo de inovação a quíntupla hélice, ou seja, os atores envolvidos são o meio ambiente, atuando desde a ideologia do projeto nos pilares da sustentabilidade e tratamento do terreno por ser uma antiga área contaminada por conta dos aterros sanitários; as empresas, como um parque científico e tecnológico, algumas empresas já se instalaram no local e há espaço para mais empresas com foco em inovação e tecnologia; a sociedade, atuando na participação popular desde 2017; a academia, atuando no apoio do desenvolvimento tecnológico; e o governo, atuando na iniciativa do projeto.
Autoria: Andressa Medeiros, Mariana Adão, Tiago Daniel Madureira
Disciplina AQ106/IC750 FECFAU 2023 Knowledge-based urban developments: Estudos de caso em franjas urbanas.
Local: Barcelona
Ano de criação: 1987
Categoria: Parque tecnológico
Especialidade: Novas tecnologias em TIC, agricultura, biologia, quínica, eletrônica, etc.
Área: 58 ha
O PTV foi um dos primeiros parques tecnológicos a serem estabelecidos na Espanha, com o objetivo de incubar empresas e instituições voltadas às novas tecnologias. Localizado próximo às cidades de Cerdanyola e Sant Cugat, encontra-se separado de Barcelona pelas montanhas e parque natural de Collserola, mas possui boa conexão com a capital catalã por trem e ônibus. O parque foi criado originalmente pelo governo da Catalunya, mas hoje participam também de sua gestão as prefeituras das duas cidades mencionadas acima, além de um consórcio de Barcelona e a Universidade Autonoma de Barcelona (UAB). Suas instalações são típicas de um parque de segunda geração, com galpões industriais, ainda que com certa densidade. Mesmo encontrando-se a apenas 1km do centro de Cerdanyola e a 2,5km do campus da UAB, o acesso é feito em geral por automóvel, embora haja boa infraestrutura de transportes públicos e ciclovias. O parque está ao lado da área em que está sendo implantado o Parc de l’ Alba, que terá características mais próximas a um distrito de inovação, com previsão de habitação e terceiros lugares.
Autoria: Gabriela Celani e Marcela Noronha
Visita técnica realizada em setembro de 2025.
Local: planalto de Saclay, França
Ano de criação: 2010
Categoria: Distrito de inovação
Especialidade: Geral
Área: 650 ha
O Campus Urbano Paris-Saclay localiza-se no planalto de Saclay, localizado a sul de Paris. Embora a região já apresentasse, além de atividades agrícolas, uma alta concentração de institutos de pesquisa, universidades e empresas, esses estabelecimentos foram implantados de forma independente e dispersa pelo território. Assim, a operação urbana Établissement Public d’Aménagement Paris-Saclay (EPAPS), iniciada em 2010 pelo estado francês, tem como objetivo integrar essas instituições, conectando-as ao transporte público metropolitano. Trata-se de um ambicioso projeto de interesse nacional para impulsionar a pesquisa e a indústria francesas. O campus estende-se por quase 8 km de comprimento e aproximadamente 650 ha, organizando-se em torno de três novos distritos: École Polytechnique (230ha), Moulon (330ha) e Corbeville (90ha). As diretrizes de implantação do campus são o adensamento, o uso misto, a diversidade habitacional, a promoção de mobilidade ativa, a diminuição da emissão de carbono e estratégias energéticas com o intuito de responder aos desafios climáticos. Tudo isso contribui para a criação de espaços animados onde as pessoas trabalhem, vivam, divirtam-se e criem seus filhos, enquanto se mitiga a expansão urbana desordenada. Considera-se fundamental o respeito à paisagem natural e às atividades agrícolas, protegidas por legislação específica. O projeto de Paris-Saclay se desenvolve em parceria com as autoridades locais de Île-de-France, com a Universidade de Paris-Saclay, com os centros de pesquisa público-privados e com as empresas ali presentes. Além disso, considera a participação de representantes da sociedade e de agricultores nas decisões projetuais. Dessa forma, seu modelo de inovação se caracteriza como hélice quíntupla, a qual considera as sinergias entre academia, indústria e governo, a participação da comunidade e, ao mesmo tempo, tem o ambiente natural como potencial fator de desenvolvimento, o que permite classificá-lo como distrito de inovação de quarta geração.
Autoria: Adriane Eloah da Costa, Alexandre Saul de Siqueira, Jully de Paiva.
Disciplina AQ106/IC750 FECFAU 2023 Knowledge-based urban developments: Estudos de caso em franjas urbanas.
Local: Valência, Espanha
Ano de criação: 1990
Categoria: Parque Tecnológico
Especialidade: em definição
Área: 70 ha
Este parque pertence à primeira leva de parques tecnológicos criados na Espanha a partir do final dos anos 1980. Trata-se de um parque de 2ª geração, criado com apoio do governo autônomo da Comunidade Valeciana, e que tinha como objetivo original a atração de grandes empresas de alta tecnologia internacionais. No entanto, como não havia, no início, tantas empresas desse tipo interessadas no parque, foram abertas exceções, e hoje o parque possui, além desse tipo de empresas, galpões logísticos e plantas industriais de baixa incomodidade. O parque possui também diversos institutos tecnológicos públicos e privados, os quais fazem transferência de tecnologia para as empresas. Mais recentmenete, foram se instalando no parque também pequenas empresas, muitas vezes compartilhando espaços menores em edifícios subdivididos, uma vez que as glebas são relativamente grandes. A 15km do centro da cidade de Valência, o parque é acessado sobretudo por automóvel particular, o que causa grandes congestionamentos. A administração conseguiu recentemente a contratação, pela Prefeitura, de novas linhas de ônibus direto do centro da cidade para o parque, e vem tentanto implementar outras estratégias, como um shuttle até a estação mais próxima de metrô e uma faixa expressa para carros com 2 ou mais pessoas na estrada que dá acesso ao parque. No que se refere ao maio ambiente, a administração vem atuando na qualificação das áreas verdes e espaços de convício, e planeja criar rotas sombreadas para melhorar a caminhabilidade. Toda a área do Parque se encontra ocuapada atualmente, e ele é delimitado por uma estrada, por um condomínio residencial e pelo limiite do município de Paterna.
Autoria: Gabriela Celani
Visita técnica realizada em setembro de 2025.
Artigo sobre Valencia (em breve)
Local: Sevilha, Espanha
Ano de criação: 1993
Categoria: Parque tecnológico
Especialidade: Geral, com ênfase no setor tecnológico
Área: 120 ha
Enquanto a cidade de Sevilla ainda planejava a implantação da Exposição Universal de Sevilha de 1992 na ilha da Cartuja, já se havia tomado a decisão de aproveitar as instalações desse grande evento para o que viria a ser o maior parque científico e tecnológico da Andaluzia. O Parque Científico y Tecnológico Cartuja pode ser considerado de 2a geração, pois foi criado segundo o modelo de inovação market pull. No entanto, possui um elevado grau de maturidade, apresentando uma ocupação de praticamente 100% de seu território, além de uma enorme diversidade de instituições, incluindo empresas e instituições de ensino superior públicas e privadas, um hospital, autarquias do governo e serviços comuns, como um centro de aceleradores de partículas, a administração do parque e edifícios de incubadoras. Embora o parque tenha sido criado tendo a hélice tríplice como base, nota-se uma preocupação ambiental por meio de alguns projetos mais recentes, como a instalação de ciclovias, de áreas sombreadas para o controle da temperatura urbana, e a construção de um auditório bioclimático, em uma de suas diversas praças, como um laboratório vivo de tecnologicas de mitigação das mudanças climáticas. O parque também possui diversas cafeterias e restaurantes, mas é cercado e não possui edifícios residenciais nem comércio. A conexão com as cidade é feita em grande medida por veículos privados, embora haja um VLT (veículo leve sobre trilhos) e diversas linhas de ônibus ligando a ilha da Cartuja ao centro da cidade. A administração central oferece diversos programas para escolas, incluindo um específico para incentivar as meninas a seguirem carreiras científicas.
Autoria: Gabriela Celani e Patrícia Mariuzzo
Visita técnica realizada em abril de 2024.
Local: Valência, Espanha
Ano de criação: 2009
Categoria: Parque Científico
Especialidade: Sem áreas específicas
Área: 20 ha
Criado pelo governo da Comunidade Autônoma Valenciana e pela UV em 2009, o Parque Científico de la Universidad de Valencia (PCUV) tem como objetivo aproximar a Universidade do setor produtivo, fomentando a inovação e a transferência do conhecimento, principalmente nas áreas de biotecnologia e TICs. Além de espaço para suas instalação, o Parque oferece às empresas acesso aos laboratórios de diversos institutos de pesquisa, aos talentos da Universidade e a prestação de serviços de pesquisas por parte de spin-offs universitárias. O Parque também conta com uma incubadora para promover a criação de novas empresas de base científico-tecnológica. Ele se situa na região noroeste de Valência, ao lado de um dos campus da UV (justamente o campus em que estão cursos como Química, Biologia, Matemática e Engenharias) e se conecta ao centro da cidade por uma linha de VLT. O acesso à infraestrutura esportiva e às publicações científicas da Universidades são considerados também valores importantes pelas empresas que se instalam no Parque, que atualmente ocupa cerca de 40% da área total, com potencial para crescimento.
Autoria: Gabriela Celani
Visita técnica realizada em setembro de 2025.
Artigo sobre Valencia (em breve)
Local: Almeria, Espanha
Ano de criação: 2009
Categoria: Parque tecnológico
Especialidade: Inovação voltada para a agroindústria local
Área: 120 ha
O Parque Científico-Tecnológico de Almeria, o PITA, foi criado há cerca de 10 anos por uma iniciativa conjunta da junta da Andalucia com dois bancos privados. Ele tem ainda como acionistas minoritários a prefeitura e a universidade locais. O parque fica a 12km da cidade, numa área de transição próxima a um parque natural. Trata-se de um parque tecnológico típico de 2a geração, e foi criado com o objetivo de abrigar tanto plantas de produção como escritórios de empresas de tecnologia. Essas duas funções são agrupadas em lados opostos do parque, e a parte central tem equipamentos comuns, como restaurante, creche e um edifício com auditorio, salas de reuniões e espaços que podem ser usados por startups. Nesse prédio também fica a administração do parque. Ainda há reserva de espaços para a instalação de edificios institucionais, principalmente para a formação de pessoas. O acesso ao parque é feito principalmente por veículos privados e há grande oferta de vagas de estacionamento. O que mais nos chamou a atenção nesse parque foi a forte relação que ele tem com a economia local. Almeria é um grande centro de produção de alimentos em estufas, e no PITA são desenvolvidas, por exemplo, tecnologias para a produção de combutível a partir do reuso do plástico que é usado para cobrir essas estufas. Outro exemplo é um projeto em parceria com a Universidade de Almeria de biofertilizantes feitos a partir de algas marinhas. Embora o parque fique longe do campus da Universidade, há bastente colaboração entre eles. Outra instituição com a qual existe colaboracao é uma aceleradora da junta de Andalucia situada no centro da cidade, El Cable. Nela vimos um projeto de câmera robotica para ser instalada nas estufas para detectar pragas por meio de visão espectral.
Autoria: Gabriela Celani e Patrícia Mariuzzo
Visita técnica realizada em abril de 2024.
Local: Córdoba, Espanha
Ano de criação: 2001
Categoria: Parque tecnológico
Especialidade: Originalmente voltado ao setor agropecuário; atualmente também ao setor tecnológico
Área: 150 ha
Nos anos 1990, a cidade de Córdoba começou a transferir suas faculdades para o Campus Rabanales, da antiga escola técnica rural (Universidad Laboral), que havia sido criado nos anos 1950 em uma gleba 8km a leste do centro cidade, conectada a ela pela linha férrea. Em 2001, decidiu-se criar o Parque Tecnológico de Córdoba, inicialmente denominado Rabanales 21, em área contígua a oeste desse campus, delimitada pela linha do trem e com acesso por uma importante estrada. Ao sul situa-se o polígono industrial da cidade. O Parque foi criado por iniciativa da Universidad de Córdoba, mas conta com o respaldo de otras institições e empresas privadas. A administração do parque possui 3 edifícios, sendo um administrativo, um laboratorio e uma incubadora. Toda a área do parque já está urbanizada, com ruas, calçadas, ciclovias e arborização. No entanto, apenas uma parte dos lotes encontram-se ocupados atualmente. O parque pode ser enquadrado na categoria de segunda geração de parques tecnológicos, baseados no modelo market pull. Dentre as ações voltadas ao meio ambiente, observa-se placas fotovoltaicas como cobertura para veículos em alguns dos estacionamentos e a presença de ciclovias internamente ao parque. Apesar da presença da estação de trem nas proximidades, nota-se que a grande maioria dos usuário do Parque o acessam com automóveis próprios. O Parque possui uma cafeteria/restaurante no edifício de incubadoras, mas não existem muitos espaços públicos de convivência ao ar livre, como praças e jardins. O vazio urbano que ainda existe entre o parque tecnológico e a cidade é atualmente objeto de discussão para a elaboração de uma nova legislação urbanísitca, que permitirá seu desenvolvimento com uso misto (habitação, comércio e serviços), que poderão atender à demanda do parque.
Autoria: Gabriela Celani e Patrícia Mariuzzo
Visita técnica realizada em abril de 2024.
Local: Granada, Espanha
Ano de criação: 1997
Categoria: Distrito de inovação
Especialidade: Inovação em saúde
Área: 130 ha
O Parque Tecnológico da Saúde, em Granada, surgiu a partir da necesidade de ampliação do hospital universitário, que se encontrava no centro histórico, e da construção do novo hospital em uma área na franja urbano-rural sul da cidade, próxima a um importante entroncamento rodoviário. Em seguida, foram também transferidas para esse novo campus as demais faculdades da área da saúde, que estavam espalhadas pela cidade. Essa etapa inicial não esteve livre de críticas e de falta de consenso com relação à remoção de equipamentos importantes do centro da cidade em direção à nova área. A partir de 2004, esse campus passa a atrair também empresas das áreas farmacêutica, de biotecnologia e outras afins, formando-se então um cluster que reúne a universidade pública e empresas privadas, com um forte financiamento de infraestrutura urbana da junta de Andalucia, mas também com a presença de investimentos imobiliários privados. Isso resultou em um ambiente completo, com oferta de habitação, comércio, serviços, áreas verdes e áreas esportivas, além de um VLT (veículo leve sobre trilhos), que liga o parque ao centro e à região norte da cidade; enfim, uma nova centralidade urbana. O parque de Granada, que já atingiu 95% de ocupação, apresenta um traçado contíguo ao tecido urbano a norte, sem muros e com boa integração com a cidade, mas enfrenta agora um novo desafio, que é expandir seu território, já que é delimitado a sul pela rodovia. Uma de suas peculiaridades é que ele está implantado na divisa entre os municípios de Granada e de Armillla, dependendo agora da alteração das leis urbanísticas de uma dessas prefeituras para poder decidir para que lado fará sua expansão. Existem planos também para a construção de um grande acelerador de partículas síncrotron na área, o que deverá impulsionar ainda maiis as pesquisas.
Autoria: Gabriela Celani e Patrícia Mariuzzo
Visita técnica realizada em abril de 2024.
Local: Cote d'Azur, França
Ano de criação: 1969
Categoria: Parque tecnológico
Especialidade: Computação, electrônica, telecommunicações, farmacologia e biotecnologia
Área: 2.400 ha
Implantado em 1969, na Cote d'Azur, sul da França, Sophia Antipolis é o parque tecnológico mais antigo da Europa. Em seu território, estão várias empresas internacionalmente renomadas (como AirFrance, Bosch e Toyota), além de importantes instituições acadêmicas (como Polytech Nice Sophia - University of Côte d’Azur, e SKEMA Business School). Ao longo dos mais de 50 anos desde a implantação do parque, suas instituições de governança realizaram uma série de eventos e atividades com o intuito de ampliar a abrangência, atratividade e modernização de Sophia Antipolis. Atualmente, busca-se, por meio da Agenda SOPHIA 2040, superar o desafio de renovação que consiste em alinhar as perspectivas tecnológicas e operacionais do parque às questões atuais relacionadas ao meio ambiente e sociedade, a fim de reafirmar sua (já consolidada) condição de relevância global. Inicialmente implantado conforme a 2a geração de parques tecnológicos (atuação da indústria, universidade e governo e um modelo de inovação market pull - desenvolvimento tecnológico orientado pelas demandas do mercado), Sophia Antipolis se caracteriza, atualmente, como um parque de terceira geração (acréscimo da sociedade aos anteriores agentes atuantes), visto que ao longo dos anos desde sua implantação foram desenvolvidos novos processos e movimentações de modo que não somente se buscassem novas alternativas de inovação e integração global mas, também, que a sociedade civil participasse destes processos e pudesse desfrutar dos elementos resultantes do sucesso do parque tecnológico. Observam-se, ainda, algumas medidas (implantadas e previstas) que visam condicionar o parque à 4a geração, de maneira que, principalmente, sejam contempladas questões de saúde, conforto e sustentabilidade ambiental.
Autoria: Ana Flávia Azeredo, Marcelo Dias Campos, Maria Estela Ribeiro Mendes, Vitória Ribeiro.
Disciplina AQ106/IC750 FECFAU 2023 Knowledge-based urban developments: Estudos de caso em franjas urbanas.
Local: Cote d'Azur, França
Ano de criação: 1969
Categoria: Parque tecnológico
Especialidade: Computação, electrônica, telecommunicações, farmacologia e biotecnologia
Área: 2.400 ha
O Parque Tecnológico de Sophia Antipolis, situado nos Alpes Marítimos, na Riviera Francesa, é o mais antigo da Europa e abrange cinco municípios: Antibes, Biot, Mougins, Valbonne e Vallauris. Implantado em um planalto árido, hoje abriga mais de 2.500 empresas, aproveitando sua localização estratégica próxima a rodovias, ao aeroporto de Nice e a outros meios de transporte. Apesar de seu sucesso, a configuração inicial privilegiou o uso do automóvel e careceu de espaços públicos, o que impactou a integração urbana e social. Com o tempo, Sophia Antipolis incorporou importantes instituições acadêmicas e científicas, como Mines ParisTech, Eurecom, Skema Business School, ESC Lille e a Universidade de Nice Sophia-Antipolis (UNSA), além de centros de pesquisa como CNRS, INRA, INSERM e CSTB. A região hoje possui uma das maiores concentrações de escolas e universidades internacionais da França, com destaque para programas de excelência em saúde. Com mais de 50 anos, o parque passou da 2ª para a 3ª geração de parques tecnológicos, incluindo a sociedade civil no processo de inovação. A Agenda SOPHIA 2040 busca conduzi-lo à 4ª geração, com foco em sustentabilidade, mobilidade e inclusão. Apesar dos desafios persistentes, os gestores trabalham para tornar Sophia Antipolis uma referência também em inovação social e ambiental.
Autoria: Vitória Ribeiro
Visita técnica realizada em abril de 2023.