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Gerir as coleções de um pequeno museu escolar com poucos recursos é um desafio enriquecedor, mas que exige uma regra de ouro: o foco deve ser sempre a conservação preventiva (travar a degradação e proteger) e a limpeza não invasiva, em vez de tentativas de restauro profundo que possam ser irreversíveis. A peça deve conservar a patine do seu uso ao longo do tempo, contar uma história. Não queremos que fique como nova, perderia todo o seu interesse museológico.
Nas áreas como as ciências naturais (espécimes taxidermizados ou conservados em formol) ou a física e química (instrumentos científicos de metal, madeira, ebonite e baquelite), a prioridade é a estabilização das peças com materiais acessíveis e seguros.
Antes de manusear qualquer peça, especialmente as mais antigas, precisamos de nos proteger:
Luvas de nitrilo: Essenciais. Evitar o látex, que se rasga facilmente e pode reagir com alguns metais.
Nota de Alerta: Espécimes de taxidermia antigos (séculos XIX e início do século XX) eram frequentemente tratados com pós de arsénio ou cloreto de mercúrio para evitar pragas. Nunca os manipule sem luvas e máscara.
Máscaras FFP2 ou FFP3: Cruciais para evitar a inalação de pó antigo, esporos de fungos acumulados ou resíduos químicos dos processos de preservação do passado.
A maior parte da conservação em contexto escolar faz-se "a seco", removendo a sujidade superficial que retém a humidade:
Pincéis de cerdas macias e trinchas:
De vários tamanhos (desde pincéis finos de aguarela até trinchas macias de pintura). São as melhores ferramentas para espanar o pelo ou penas dos animais e limpar as engrenagens dos instrumentos de física sem riscar.
Aspirador com regulação de potência:
Utilizado à distância ou adaptando uma rede fina (como uma meia de nylon) na boquilha com um elástico. Isto garante que, se alguma parte pequena da peça (uma garra, um parafuso solto) se desprender, fica retida na rede e não vai para o depósito.
Palitos de madeira (preferencialmente de bambu) e cotonetes:
Excelentes para remover sujidade incrustada em cantos, ranhuras e parafusos de instrumentos científicos, sem riscar o metal ou a madeira.
Produtos fáceis de adquirir em supermercados, farmácias ou drogarias:
Água destilada:
A água da torneira contém cloro e sais minerais que aceleram a corrosão dos metais. A água destilada é usada para limpezas pontuais muito controladas. Se existirem equipamentos de desumidificação nas instalações (fortemente aconselhado) a água recolhida pode ser reutilizada para estes fins.
Álcool Isopropílico ou Álcool Etílico Absoluto (99%):
Ideais para desengordurar superfícies metálicas e limpar vidro. Como evaporam quase instantaneamente, minimizam o risco de oxidação nos metais ou de deformação na madeira.
White Spirit ou Água Raz (Líquido de limpeza mineral):
Um solvente muito seguro na conservação para limpar resíduos de gordura, ceras antigas ou sujidade persistente em metais e madeiras envernizadas, sem atacar as patinas originais.
Para garantir que o objeto não volta a degradar-se após a limpeza:
Cera Microcristalina:
Se houver margem para investir num único produto ligeiramente mais especializado, escolha este. É uma cera neutra, estável e segura para aplicar em metal (latão, bronze, ferro) e madeira. Cria uma barreira invisível contra a humidade e a acidez do toque das mãos. Além disso, é 100% reversível.
E um tipo de cera mineral derivada da refinação do petróleo bruto, e a componente base da famosa Renaissance Wax, amplamente utilizada para proteger metais, moedas antigas, madeira, mármore e couro, mas é bastante dispendiosa.
Cera de abelha pura (neutra):
Uma alternativa mais económica. Diluída num pouco de white spirit, ajuda a nutrir e proteger superfícies de madeira muito ressequidas e protege o metal da oxidação.
Sacos de plástico herméticos e um congelador:
O método mais barato e ecológico para combater pragas (traças na taxidermia ou bicho-da-madeira).
Se detetar serradura ou sinais de insetos ativos, feche a peça hermeticamente no saco (retirando o ar) e coloque-a num congelador durante 14 dias. O choque térmico elimina ovos e larvas sem necessidade de pesticidas tóxicos. A famosa Maison Deyrolle recomenda colocar uma vez por ano no congelador, durante 5 dias, os espécimes entomológicos, como método preventivo contra os parasitas.
Restaurar, por exemplo, um globo antigo exige um cuidado redobrado, pois estamos lidando com materiais que reagem de forma diferente à humidade e ao tempo. O gesso é poroso e o papel antigo costuma estar quebradiço.
Para este tipo de restauro, a regra de ouro é usar uma cola reversível e que não cause manchas ácidas.
Não usar cola branca para madeira:
A maioria das colas de madeira é ácida (PH baixo) para "morder" as fibras da madeira. Num mapa antigo, essa acidez vai acelerar o processo de amarelecimento e tornar o papel quebradiço (efeito de "queima" química). Outra agravante é que o processo é irreversível: estas colas são feitas para serem permanentes e penetrarem profundamente. Se o papel ficar torto ou com uma bolha, será quase impossível removê-lo sem destruir a superfície do gesso ou rasgar o papel. E ao secar, a cola de madeira torna-se muito rígida. Como o gesso e o papel dilatam de forma diferente com a humidade do ar, essa rigidez pode causar novas fissuras ou fazer com que o papel descole novamente em placas.
A solução barata e aconselhada:
A cola de amido (ou grude) é a técnica favorita dos restauradores de livros e documentos porque é suave com as fibras do papel e permite correções. É neutra, extremamente barata e, se errar, pode ser removida com um pano húmido.
Proporção: 1 colher de chá de amido de milho para 1 chávena pequena de água.
Cozedura: Misture o amido na água fria primeiro para não criar grumos. Leve ao lume brando, mexendo sempre até que a mistura passe de leitosa a transparente e espessa (tipo um gel).
Arrefecimento: Deixe arrefecer completamente. Se criar uma "nata" por cima, remova-a. A cola deve estar lisa. Atenção, este preparado não se pode conservar muito tempo (dois ou três dias no máximo).
A. Limpeza e Humidificação Prévia
O papel antigo está seco e rígido. Se aplicar a cola diretamente, ele pode absorver a humidade de forma irregular e rasgar. Passe um pincel macio no gesso para tirar o pó. Se o papel estiver muito ressequido, use um vaporizador de água (muito ao de leve e de longe) para que ele fique minimamente flexível antes de receber a cola.
B. "Pintar" o Papel
Aplique uma camada fina e uniforme de cola no verso do papel (a parte que vai encostar no gesso), usando um pincel macio. Aguarde cerca de 30 segundos. Isto permite que as fibras do papel se expandam. Se colar imediatamente, o papel expandirá em cima do globo, criando rugas.
C. A Técnica do Centro para as Bordas
Posicione o papel. Comece a pressionar do centro para fora. Como o globo é curvo, use movimentos radiais (em forma de estrela) para expulsar o ar.
D. O Alisamento
Coloque um pedaço de papel vegetal (ou plástico limpo) sobre a zona que acabou de colar. Use uma espátula de plástico, o dorso de uma colher ou até o polegar para alisar suavemente por cima do papel vegetal. Isto evita que o atrito do seu dedo rasgue o mapa húmido.
Não use secadores de cabelo: O calor súbito faz o gesso e o papel contraírem a velocidades diferentes, o que pode rachar o restauro. Deixe secar naturalmente à sombra.
Limpeza de excessos: Se sair um pouco de cola pelas bordas, limpe imediatamente com um cotonete apenas ligeiramente humedecido em água morna.