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As visitas ao Museu da Escola Sá de Miranda encontram-se suspensas até 20 de fevereiro para remodelação da exposição permanente
As coleções do Museu da Escola Sá de Miranda (MESM) integram o património histórico acumulado desde a fundação do Liceu Nacional de Braga, em 1836, até à atualidade. A instalação do Liceu no atual edifício, em 1921, possibilitou também a incorporação do acervo pertencente ao extinto Colégio do Espírito Santo, que aqui desenvolvera a sua atividade entre 1872 e outubro de 1910.
Gabinetes de Ciências Naturais e de Física do Liceu de Sá de Miranda - 1928
Salão de Exposições do MESM - 2026
O MESM reúne uma coleção científica de material didático e pedagógico representativo de diversas áreas do conhecimento, nomeadamente Biologia, Eletrotecnia, Etnografia, Física, Geografia, Geologia, História e Química.
A maior parte deste acervo é proveniente dos antigos Gabinetes de História Natural, Físico-Química e Geografia do Liceu Nacional de Braga, testemunhando quase dois séculos de atividade letiva e científica. Estes conjuntos, atualmente fora de uso regular nas salas de aula, preservam testemunhos materiais de práticas educativas e científicas de diferentes épocas.
O acervo integra igualmente objetos oriundos do extinto Colégio do Espírito Santo, outrora pertencentes ao respetivo Gabinete de História Natural, que funcionou entre 1872 e outubro de 1910, nas atuais instalações da Escola Secundária Sá de Miranda.
Destaca-se, no espólio do Museu, uma notável coleção de exemplares da casa francesa Deyrolle (Paris), fundada em 1831 e reconhecida internacionalmente pela produção de materiais didáticos e pela especialização em taxidermia. O incêndio ocorrido a 1 de fevereiro de 2008, nas suas instalações, conferiu especial relevância aos espólios distribuídos mundialmente — entre os quais o do MESM — pela sua raridade e valor histórico.
No átrio de entrada das instalações da Direção do Agrupamento encontra-se um armário expositor que reúne diversos equipamentos utilizados no ensino da Físico-Química, bem como um notável globo de vidro com planetário, destinado às aulas de Geografia. Este exemplar encontra-se já referido no inventário de 1910 do então Lyceu Nacional Central de Braga.
Na denominada Sala da Mesa Oval, atualmente utilizada para reuniões, estão instalados dois armários expositores que albergam artefactos de caráter etnográfico.
O armazém do Museu, com uma área aproximada de 90 metros quadrados, distribuída por duas salas, conserva a maior parte do acervo das áreas de Biologia e de Físico-Química, em ambiente com controlo de humidade.
Localizado na cave do edifício principal da Escola Secundária Sá de Miranda, é neste espaço que se realizam as operações de catalogação e registo fotográfico do espólio, o qual continua a crescer mediante incorporações e doações, nomeadamente de antigos alunos do Liceu.
O depósito do arquivo do Agrupamento acolhe grande parte do acervo em suporte de papel pertencente ao Museu. Entre este material destacam-se mil e quarenta mapas e ilustrações parietais, acondicionados em tubos individuais e conservados numa atmosfera controlada.
O Liceu de Braga foi criado em 1836, por iniciativa de Passos Manuel, durante o reinado de D. Maria II. Ao longo de quase dois séculos, a instituição adaptou-se a diferentes contextos políticos e sociais, acompanhando as transformações do país em estreita ligação com os seus alunos, professores e funcionários. Muitos dos seus antigos membros mantêm até hoje um vínculo afetivo e institucional através da Associação Cultural Sá de Miranda.
A trajetória do Liceu atravessa a Monarquia, a República, o Estado Novo e a Democracia. Entre 1840 e 1845, as aulas decorreram no Seminário de S. Pedro, no Campo da Vinha. De 1845 até ao ano letivo de 1921‑1922, a instituição ocupou o antigo convento da Congregação do Oratório, no Campo de Santana (atual Avenida Central). A partir dessa data, instalou-se definitivamente no edifício atual — o antigo Colégio da Congregação do Espírito Santo.
Durante o Estado Novo, o edifício foi ampliado para responder ao crescente número de alunos provenientes de toda a região Norte, consolidando o prestígio do Liceu como um dos mais importantes do país. O ensino aqui ministrado refletia a exigência académica e a relevância cultural que marcaram a história da educação liceal portuguesa.
A Revolução de Abril de 1974 trouxe profundas transformações ao ensino. A reorganização das estruturas curriculares e das práticas pedagógicas pôs fim à distinção entre Liceus e Escolas Técnicas, dando origem à Escola Secundária Sá de Miranda. Este novo modelo refletia a democratização do acesso à educação e a renovação dos valores pedagógicos.
Atualmente, a Escola integra o Agrupamento de Escolas Sá de Miranda, que reúne a Escola Secundária e o antigo Agrupamento de Palmeira. Esta comunidade educativa partilha um vasto património humano e histórico que se procura preservar, valorizar e divulgar, estabelecendo uma ligação contínua entre o passado, o presente e o futuro.
O Projeto Educativo orienta a ação do Agrupamento para a formação integral e o desenvolvimento pessoal dos seus alunos, promovendo a convivência e o respeito mútuo. Estrutura-se em torno de três eixos de intervenção fundamentais:
Sucesso e acompanhamento dos alunos
Complemento das aprendizagens
Formação para a cidadania
Como recorda Edgar Morin, “a Escola deve proporcionar uma cultura que possibilite a compreensão da humanidade e forme cidadãos livres, autónomos e pensadores.”