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As coleções do Museu da Escola Sá de Miranda (MESM) integram o património histórico acumulado desde a fundação do Liceu Nacional de Braga, em 1836, até à atualidade. A instalação do Liceu no atual edifício, em 1921, possibilitou também a incorporação do acervo pertencente ao extinto Colégio do Espírito Santo, que aqui desenvolvera a sua atividade entre 1872 e outubro de 1910.
Pequeno Gabinete de Curiosidades: um espaço remodelado no átrio do 1.º piso
O que têm em comum um sapo-parteiro e uma pedra parideira? Na verdade, nada. A não ser o facto de ambos serem verdadeiras curiosidades da natureza. O primeiro, porque o macho transporta no dorso, até à eclosão, os ovos fecundados pela fêmea, protegendo assim a sua prole. A segunda, por ser um fenómeno geológico único da Serra da Freita (Arouca), onde um afloramento de granito "expele" pequenos nódulos escuros à medida que a rocha sofre a erosão natural.
Um ovo de avestruz pintado, um cavalo-marinho desidratado, besouros-diamante, uma ténia conservada em frasco, o rostro de um peixe-serra e uma amostra dos amendoins que deram origem ao nome do óleo Fula são outras das atrações expostas no armário do átrio do piso 1 da ESM. Um pequeno gabinete de curiosidades, sem pretensões, para abrir o apetite para uma visita mais demorada ao nosso Museu.
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Gabinetes de Ciências Naturais e de Física do Liceu de Sá de Miranda - 1928
Salão de Exposições do MESM - 2026
O MESM reúne uma coleção científica de material didático e pedagógico representativo de diversas áreas do conhecimento, nomeadamente Biologia, Eletrotecnia, Etnografia, Física, Geografia, Geologia, História e Química.
A maior parte deste acervo é proveniente dos antigos Gabinetes de Geologia, História Natural, Físico-Química e Geografia do Liceu Nacional de Braga, testemunhando quase dois séculos de atividade letiva e científica. Estes conjuntos, atualmente fora de uso regular nas salas de aula, preservam testemunhos materiais de práticas educativas e científicas de diferentes épocas.
O exemplar mais antigo identificado data de 1858 — uma bobina de Ruhmkorff — testemunhando a introdução precoce de dispositivos eletromagnéticos no ensino experimental.
Destaca-se também uma notável coleção de exemplares da casa francesa Deyrolle (Paris), fundada em 1831 e reconhecida internacionalmente pela produção de materiais didáticos e pela especialização em taxidermia. O incêndio ocorrido a 1 de fevereiro de 2008, nas suas instalações, conferiu especial relevância aos espólios distribuídos mundialmente — entre os quais o do MESM — pela sua raridade e valor histórico.
O MESM integra mais de mil objetos inventariados e mil e quarenta ilustrações parietais, constituindo um conjunto representativo da cultura material do ensino experimental em Portugal.
No seu conjunto, o espólio configura um sistema material de mediação do conhecimento científico, permitindo compreender a consolidação do ensino experimental entre os séculos XIX e XX.
No átrio de entrada das instalações da Direção do Agrupamento encontra-se um armário expositor que reúne alguns instrumentos utilizados no ensino da Físico e Química, bem como um notável globo planetário Émile Bertaux, destinado às aulas de Geografia. Este exemplar encontra-se já referido no inventário de 1910 do então Lyceu Nacional Central de Braga.
Na denominada Sala da Mesa Oval, atualmente utilizada para reuniões, encontram-se dois armários expositores que albergam artefactos etnográficos oriundos de África.
O expositor localizado no átrio do piso 1 destina-se à apresentação de objetos de natureza diversa. As exposições aí realizadas assumem caráter temático e temporário.
A partir do mês de junho de 2026 está aí patente a exposição "Pequeno Gabinete de Curiosidades".
A coleção, recentemente renovada, em exposição no grande armário do Salão Nobre é dedicada à Ornitologia, particularmente a aves de grande porte.
Na parte inferior do expositor podem ser apreciados dois objetos de grande valor histórico: a maquinaria completa do antigo relógio e uma urna em madeira que servia, aparentemente, para depositar informações de forma anónima.
No recentemente restaurado armário expositor, instalado no corredor dos Laboratórios, está a ser preparada uma coleção dedicada à Metrologia em Química. Balanças analíticas, balanças de Westphal-Mohr, densímetros e outros instrumentos do nosso espólio, especificamente dedicados à medição em química, estão a ser selecionados e preparados para este novo núcleo.
A Sala de Geografia é um espaço situado no piso 2, usado diariamente para aulas, que alberga o nosso famoso mapa orográfico de Portugal continental. Com relevos em gesso pintado, o seu autor, José Estevam Cacela de Victoria Pereira (1877-1952), aplicou uma técnica cartográfica comum: o Exagero Vertical. Assim, percebem-se claramente os relevos concordantes do Noroeste, a Cordilheira Central e as planícies do Alentejo, facilitando a compreensão de como o relevo influencia o clima e a ocupação humana.
O grande armário, que ocupa toda a parede do fundo da sala, está a ser remodelado para expor alguns dos nossos instrumentos e equipamentos para o ensino da Geografia e Astronomia.
A nossa biblioteca histórica deve o seu nome a José Joaquim Pereira Caldas (1818–1903), professor, jornalista, arabista, arqueólogo e figura cultural do distrito de Braga. Foi um defensor de ideias liberais e republicanas.
Pereira Caldas doou em testamento ao liceu, onde foi professor, uma coleção bibliográfica valiosíssima, contendo obras raras de literatura, filosofia e ciência. O livro mais antigo e valioso guardado no reservado desta biblioteca é uma edição de 1540 da Íliada de Homero (Poetarum omnium seculorum longe principis, impressa em Basileia, na Suíça)
Situada no 3.º piso do edifício principal, é aqui que se concentra o fundo bibliográfico histórico da escola, guardando relíquias que vão desde o século XVI até à primeira metade do século XX, e algum mobiliário escolar antigo.
O armazém do Museu, com uma área aproximada de 90 metros quadrados, distribuída por duas salas, conserva a maior parte do acervo das áreas de Biologia e de Física e Química, em ambiente com controlo de humidade.
Localizado na cave do edifício principal da Escola Secundária Sá de Miranda, é neste espaço que se realizam as operações de catalogação e registo fotográfico do espólio, o qual continua a crescer mediante incorporações e doações, nomeadamente de antigos alunos do Liceu.
Os dois depósitos do arquivo do Agrupamento acolhem grande parte do acervo em suporte de papel pertencente ao Museu. Entre este material destacam-se mil e quarenta mapas e ilustrações parietais, acondicionados em tubos individuais e conservados numa atmosfera controlada.
O Liceu de Braga foi criado em 1836, por iniciativa de Passos Manuel, durante o reinado de D. Maria II. Ao longo de quase dois séculos, a instituição adaptou-se a diferentes contextos políticos e sociais, acompanhando as transformações do país em estreita ligação com os seus alunos, professores e funcionários. Muitos dos seus antigos membros mantêm até hoje um vínculo afetivo e institucional através da Associação Cultural Sá de Miranda.
A trajetória do Liceu atravessa a Monarquia, a República, o Estado Novo e a Democracia. Entre 1840 e 1845, as aulas decorreram no Seminário de S. Pedro, no Campo da Vinha. De 1845 a 1921, a instituição ocupou o antigo convento da Congregação do Oratório, no Campo de Santana (atual Avenida Central). No início ano letivo 1921-1922, o Liceu de Braga instalou-se definitivamente no edifício atual — o antigo Colégio da Congregação do Espírito Santo.
Durante o Estado Novo, o edifício foi ampliado para responder ao crescente número de alunos provenientes de toda a região Norte, consolidando o prestígio do Liceu como um dos mais importantes do país. O ensino aqui ministrado refletia a exigência académica e a relevância cultural que marcaram a história da educação liceal portuguesa.
A Revolução de Abril de 1974 trouxe profundas transformações ao ensino. A reorganização das estruturas curriculares e das práticas pedagógicas pôs fim à distinção entre Liceus e Escolas Técnicas, dando origem à Escola Secundária Sá de Miranda. Este novo modelo refletia a democratização do acesso à educação e a renovação dos valores pedagógicos.
Atualmente, a Escola integra o Agrupamento de Escolas Sá de Miranda, que reúne a Escola Secundária e o antigo Agrupamento de Palmeira. Esta comunidade educativa partilha um vasto património humano e histórico que se procura preservar, valorizar e divulgar, estabelecendo uma ligação contínua entre o passado, o presente e o futuro.
O Projeto Educativo orienta a ação do Agrupamento para a formação integral e o desenvolvimento pessoal dos seus alunos, promovendo a convivência e o respeito mútuo. Estrutura-se em torno de três eixos de intervenção fundamentais:
Sucesso e acompanhamento dos alunos
Complemento das aprendizagens
Formação para a cidadania
Como recorda Edgar Morin, “a Escola deve proporcionar uma cultura que possibilite a compreensão da humanidade e forme cidadãos livres, autónomos e pensadores.”