Habilidade: (EF08HI06) Aplicar os conceitos de Estado, nação, território, governo e país para o entendimento de conflitos e tensões, no contexto das independências americanas.
O mapa acima representa a transformação do território dos Estados Unidos. A Inglaterra colonizou a região desde 1660. O que conhecemos atualmente como Estados Unidos eram até 1776 chamados de TREZE ESTADOS, domínio dos Ingleses. Localize no mapa acima o território que era chamado de Treze Estados.
Após a Independência americana em 1776 (ou seja, o território que era dominado pelos ingleses faz uma revolução e se transforma em um país independente), as Treze Colônias (ou Treze Estados), passam a se chamar ESTADOS UNIDOS, porque eles se uniram contra os ingleses, e então passam a anexar territórios (através de compras ou guerras), até adquirir a extensão territorial (tamanho) que tem hoje.
Em uma aldeia muito antiga [1], fundada pelos holandeses vivia, há muitos anos, quando os Estados Unidos ainda eram um domínio da Inglaterra, um homem simples e bom chamado Rip Van Winkle. O grande defeito de Rip era estar sempre pronto para cuidar dos negócios de quem quer que fosse, exceto dos dele próprio.
O pobre Rip se viu por fim quase reduzido ao desespero; e sua única alternativa para escapar do trabalho da fazenda e da gritaria da mulher era pegar sua espingarda e perambular pelas florestas com Wolf (seu cachorro).
Numa dessas longas andanças, num belo dia de outono, tinha escalado, sem dar por isso, uma das partes mais altas das montanhas Catskill. Estava entretido em seu esporte favorito — caçar esquilos. A ponto de descer, ouviu uma voz chamando-o: “Rip Van Winkle! Rip Van Winkle!”
Era um velho baixo, com cabelo comprido e barba branca. Vestia-se à antiga moda holandesa. Carregava aos ombros um barril, que parecia cheio de licor, e fazia sinais a Rip para que ele se aproximasse e ajudasse. Rip o ajudou e foi com ele a um anfiteatro, onde encontrou outros sujeitos estranhos como aquele, que bebiam do licor do barril.
Pouco a pouco o medo de Rip diminuiu. Até se aventurou, quando nenhum olhar estava fixado nele, a saborear o licor, que tinha o gosto das melhores bebidas holandesas e logo se viu tentado a repetir a dose. Um gole leva a outro, ele bebeu tanto que, por fim, seus sentidos se enfraqueceram, seus olhos se fecharam, sua cabeça foi gradualmente tombando e ele caiu num sono profundo. Ao acordar, descobriu-se na colina verde de onde tinha visto pela primeira vez o velho que vinha subindo a montanha. Esfregou os olhos — era uma esplêndida manhã ensolarada. “Com certeza”, pensou Rip, “não devo ter dormido aqui a noite toda”. Recordou o que acontecera antes de adormecer. O homem estranho com um barril de licor, o barranco, o retiro selvagem entre as rochas, o triste jogo de bola, o garrafão. “Oh!, aquele garrafão! Maldito garrafão!”, pensou Rip, “quantas desculpas eu devo pedir à Senhora Van Winkle!”
Procurou por sua arma, mas em seu lugar encontrou apenas uma espingarda toda corroída de ferrugem. Suspeitava agora de que os homens da montanha tinham lhe pregado uma peça: depois de o embebedar com o licor, tinham roubado sua espingarda.
Também Wolf, seu cachorro, tinha desaparecido, mas bem podia ter corrido atrás de um esquilo. Assobiou chamando-o e gritou seu nome, mas tudo em vão.
Ao se aproximar da aldeia, encontrou algumas pessoas, mas nenhuma conhecida, o que o surpreendeu bastante, pois achava que conhecia todos na região. As pessoas estavam vestindo roupas de um tipo diferente daquele com o qual ele estava acostumado. Todos olhavam fixamente para ele, com os mesmos sinais de espanto, e coçavam o queixo. A repetição constante desse gesto levou Rip a fazer involuntariamente o mesmo e foi quando, para sua surpresa, descobriu que sua barba tinha crescido!
Toda a aldeia tinha mudado. Estava maior e mais povoada. Havia fileiras de casas que ele jamais tinha visto antes e as que lhe eram familiares tinham desaparecido. Havia nomes desconhecidos sobre as portas, rostos desconhecidos às janelas; tudo era desconhecido. Duvidava do seu próprio juízo; começou a achar que talvez ele e o mundo a sua volta estivessem enfeitiçados. Certamente está era sua aldeia natal, que ele deixara na véspera. Foi com alguma dificuldade que encontrou o caminho para sua casa, da qual ele se aproximou com medo silencioso, esperando a cada momento ouvir a voz estridente da Senhora Van Winkle.
Encontrou a casa em ruínas: o teto caído, as janelas arrebentadas e as portas fora das dobradiças.
Correu para o seu velho refúgio, a pousada da aldeia — mas ela também tinha desaparecido. Estava em seu lugar uma construção de janelas largas, sobre cuja porta estava pintado:
“Hotel União, de Jonathan Doolittle”. Ao invés da grande árvore que costumava proteger a calma pousada holandesa, havia um mastro com uma bandeira; nela, uma estranha mistura de estrelas e listras — tudo isso era incompreensível e estranho.
Havia, como sempre, uma multidão de pessoas perto da porta, mas nenhuma que Rip reconhecesse.
Rip, com sua longa barba grisalha, sua espingarda enferrujada, sua roupa grosseira logo atraiu a atenção dos homens do hotel. Cercaram-no, olhando-o dos pés à cabeça com grande curiosidade. Perguntaram em quem ele tinha votado. Rip arregalou os olhos, sem entender nada. Um homem puxou-o pelo braço e perguntou se ele era federalista ou democrata. Rip não conseguia entender a pergunta. Por fim um velho lhe perguntou, em tom grave, o que ele fazia numa eleição com uma arma ao ombro e uma multidão a segui-lo e se ele queria liderar uma revolta na aldeia.
“Ai!, senhores”, exclamou Rip, “eu sou um pobre coitado, pacífico, natural deste lugar”. E o pobre homem assegurou, humildemente, que não pretendia armar confusão mas que viera ali apenas para procurar alguns dos seus vizinhos, que costumavam reunir-se naquele lugar.
“Bem, quem são eles?”, ouviu-se perguntar, “Diga seus nomes”.
Rip pensou por um momento e indagou: “Onde está Nicholas Vedder?”
Houve silêncio por um instante, até que um velho respondeu: “Nicholas Vedder? Está morto e enterrado há dezoito anos! Havia uma lápide de madeira, no cemitério, que contava tudo sobre ele, mas apodreceu e sumiu”.
“Onde está Brom Dutcher?”
“Oh, alistou-se no exército, logo no começo da guerra; uns dizem que ele morreu em combate, outros que se afogou. Não sei, ele nunca mais voltou”.
“Onde está Van Bummel, o mestre-escola?”
“Alistou-se também, foi um grande general e agora está no Congresso”.
Não tinha coragem de perguntar por outros amigos, mas gritou desesperado: “Ninguém aqui conhece Rip Van Winkle?”
“Oh, Rip Van Winkle!”, exclamaram dois ou três, “Oh, claro!
Aquele ali, encostado na árvore, é Rip Van Winkle”.
Rip olhou e avistou uma escultura exata de si mesmo no tempo em que ele subiu a montanha. O pobre coitado estava agora completamente confuso. Duvidava de sua própria identidade, sem saber se era ele mesmo ou um outro qualquer. Em meio a essa confusão, perguntaram-lhe quem ele era e qual era seu nome.
“Só Deus sabe”, exclamou.”
Nesse momento, uma bela mulher abriu caminho na multidão para dar uma olhada no velho de barba grisalha. Trazia nos braços uma criança gorducha, que, assustada com o olhar de Rip, começou a chorar. “Quieto, Rip”, gritou ela, “quieto, seu bobinho; o velho não vai machucar você”. O nome da criança, a aparência da mãe, o tom de sua voz, tudo despertava um monte de recordações na mente de Rip. “Qual é o seu nome, minha boa mulher?”, perguntou.
“Judith Gardiner”.
“E o nome do seu pai?”
“Ah, pobre homem, Rip Van Winkle era seu nome, mas faz vinte anos que ele saiu de casa com sua espingarda e nunca mais se ouviu falar dele... Seu cachorro voltou para casa sozinho, mas se ele se matou ou se os índios o raptaram, ninguém pode dizer. Na época, eu era uma garotinha”.
Rip só tinha mais uma pergunta a fazer, mas a fez com a voz tremendo:
“Onde está sua mãe?”
Havia naquilo uma ponta de consolo. Não pôde se conter mais. Abraçou sua filha e o filho dela. “Sou seu pai!”, gritou.
“Jovem Rip Van Winkle, em outros tempos...velho Rip Van Winkle, agora!...Ninguém reconhece o pobre Rip Van Winkle?”
Custou-lhe muito compreender os acontecimentos que tinham se passado 20 anos, que houvera um revolução, que o país havia se livrado da dominação da velha Inglaterra, e que, em vez de ser um súdito de sua Magestade George III [2], agora ele era um cidadão livre dos Estados Unidos.
[1] No atual estado de Nova York. O nome do personagem é de origem holandesa, uma alusão aos fundadores e primeiros povoadores de Nova York. Em 1664, Nova York foi conquistada pelos Ingleses.
[2] George III, rei da Grâ-Bretanha de 1760 a 1820. No seu reinado ocorreu a independência dos Estados Unidos.
1) Retire do texto uma parte da história que você acredita que NÃO ACONTECEU? Explique.
2) Quem escreveu essas história, e em qual período?
3) Onde o personagem principal Rip vivia?
4) Quantos anos se passaram enquanto Rip van Winkle dormia?
5) O que aconteceu neste tempo em sua terra?
6) O que estava acontecendo em Nova York no dia em que Rip acordou?
7) Explique a diferença entre ser um súdito e ser um cidadão livre.