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PRÉDIO MUSEU CALDAS JÚNIOR
O prédio do Museu Antropológico Caldas Júnior foi construído em 1820, perto do marco inicial da cidade, na Av. Borges de Medeiros, Cidade Alta.
A casa tem estilo de construção luso-açoriano. Suas paredes externas são de pedra grês, chegando a quase 50 centímetros de espessura. As paredes internas (divisórias) são feitas de madeira entrelaçada e preenchida com barro, o chamado “estuque”.
O primeiro morador da casa foi o Alferes Francisco Xavier da Luz. Como casa do Presidente da Câmara de Vereadores hospedou o Imperador D. Pedro I, em 1826.
Na década de 1870, foi moradia da família do Juiz Francisco Antônio Vieira Caldas, pai de Caldas Júnior, fundador do jornal Correio do Povo, que aqui viveu dos quatro aos 12 anos de idade.
Por volta de 1928 passou a residir nessa casa a família de Bernardino Coelho Ramos, que possuía um “cartório de cível e crime”. Foi nessa época que a casa recebeu dois bonecos, um retratando um jardineiro e outro um guarda, presentes do Sr. Bernardo Luz que os trouxe de uma moradia em Porto Alegre, onde os mesmos ornavam o jardim. Desde então, os dois passaram a fazer parte do imóvel, colocados sobre os pilares laterais do portão da casa, até o ano de 1991, quando foram derrubados e depredados, restando inteiro somente o guarda. O “corpo” do jardineiro foi encontrado soterrado no terreno ao lado, mas sua cabeça não foi localizada.
Já na década de 1940, mais ou menos em 1947, habitou essa residência a família do Sr. Miguel Pereira dos Santos. Nascido em Dores de Camaquã no dia 08 de maio de 1885, chegou à Santo Antônio da Patrulha lá por 1926. Veio para cá fugindo da escassez de água que afetava sua atividade: o plantio de arroz. Miguel, sua esposa Alverina Rodrigues de Assis e os filhos trouxeram junto consigo implementos agrícolas e 200 juntas de bois. Eram seis carretas, cada uma puxada por quatro juntas de bois, transportando arados, grades, arrastões e outras ferramentas. Construiu o primeiro açude no município, sendo pioneiro também no cultivo do arroz irrigado. Morou em várias localidades do interior do município e durante alguns anos, estabeleceu residência na Borges de Medeiros. Uma de suas netas, Donatila Pereira Ramos, disse que uma das coisas que se lembra da casa do avô era que tinha uma espécie de laguinho junto à palmeira e que ali havia muitos peixinhos vermelhos.
Entre os anos de 1951 e 1952, veio residir na casa que levava o número 409 o senhor João Batista Teixeira com sua família, vindos de Evaristo. Natural da localidade de Pedra Branca nasceu em 1910, filho de Antônio Batista da Rosa e de Maria José Teixeira. Casou-se com Elcina Oliveira Teixeira, nascida em Evaristo, com quem teve os filhos: Isabel, Martha, Loide, Helena, Eunice, Smirna, Esther, Ruth, Léa, Esaú e Raquel, a única nascida nessa casa. João Batista era dentista prático e cirurgião. Aqui fez seu consultório dentário e atendia grande clientela. Segundo reportagem do jornal O Patrulhense, de 17 de fevereiro de 1953, cerca de 30% dos clientes eram atendidos gratuitamente quando não tinham condições de pagar pelos serviços. Dona Elcina administrava a casa e auxiliava o esposo no consultório dentário, fazendo as próteses. Suas filhas contam que muitas pessoas que vinham do interior para atendimento com o Sr. João Batista acabavam passando o dia todo em sua casa. Dona Elcina sempre providenciava muitos quitutes, tais como: pães sovados e de milho, sequilhos, fartes, roscas de polvilho, merengues, tudo assado no forno de barro que havia nos fundos da residência para poder alimentar a família e os pacientes do consultório. Além do forno, havia no pátio dos fundos muitas árvores frutíferas, galinheiro e chiqueiro. Dona Elcina também fabricava cervejas, que ficavam guardadas na antiga senzala da casa. Suas filhas lembram que eram orientadas a não entrarem no depósito, pois as garrafas podiam estourar e causar acidentes. A casa ganhou um anexo por volta de 1958. A cozinha e a sala de jantar foram transferidas para esse anexo. A antiga cozinha passou a ser o quarto do pai do Sr. João Batista, que veio residir com a família depois de perder a esposa. A antiga sala de jantar ganhou uma divisória e passou a ser o quarto do Esaú. Das lembranças marcantes do período em que viveu aqui, Dona Eunice Teixeira Renck nos relatou que seu casamento civil foi nesta casa, na sala da frente. Dona Léa contou que as meninas que ocupavam o quarto das donzelas podiam ficar com a luz acesa até mais tarde, pois já eram mocinhas. Dona Ruth se lembra dos penteados que fazia nas irmãs, com coques de todos os modelos. Conta que certa vez o município recebeu o Embaixador de Portugal e que sua esposa procurava alguém para fazer um penteado para um jantar de gala. Dona Ruth ficou nervosa com a responsabilidade, mas aceitou o desafio. Lembram também da bomba de água que existe até hoje. Contam que a água da cisterna tinha que ser bombeada para alcançar a caixa d´água e que eram necessárias 476 “bombeadas” para enchê-la. As filhas do Sr. João Batista falam com muito carinho dessa casa. Lembram-se da família reunida na sala onde ficava o rádio para ouvir “A Hora do Brasil”. Importante registrar também que o Sr. João Batista Teixeira foi o fundador do primeiro diretório do Partido Trabalhista no município.
No ano de 1974, o Prefeito Gelso Marcelo Bier desapropriou a casa para receber o Museu Caldas Júnior, criado pela Lei Municipal nº 1.293, de 30 de dezembro de 1974. Para abrir as portas à comunidade, foi necessária uma reforma na casa.
O Museu Caldas Júnior foi inaugurado em 14 de outubro de 1982. Era sua presidente na época a Sra. Beatriz Tedesco. Depois de uma década, o Museu fechou novamente as portas, agora para um restauro propriamente dito. Entre os anos de 1992 e 1993 a casa foi fechada para restauro, sob responsabilidade da Secretaria de Obras do Estado e mão-de-obra da Prefeitura Municipal. Reabriu em 1993, sempre participando dos movimentos culturais da comunidade. Após ter ficado fechado de março de 2020 até fevereiro de 2021 em virtude da pandemia de COVID-19, o prédio bicentenário foi interditado no mês de outubro de 2021, dessa vez por problemas estruturais. Com isso, criaram-se novos espaços expositivos no prédio anexo, junto à antiga reserva técnica que agora é chamada de Sala de Acervo e também na antiga Sala do Presidente, que receberam móveis e objetos para compor o Gabinete dos Prefeitos. O acervo do dentista João Batista Teixeira também recebeu destaque e agora ocupa a sala superior do anexo, junto com a lápide e as telas de Dom Pedro I e Dom Pedro II.
Fotos: Acervo - Divulgação, João Albé, Jaime Müller, Tiago Vargas e Rafael Barcela.