Um papo sincero sobre a procrastinação
Quebrando a quarta parede entre escritora e leitor, venho aqui abrir meu coração sobre um assunto pelo que, acredito eu, todos já passaram ou irão passar.
Me apresentando, sou uma aluna do terceiro ano do ensino médio, e bem nessa situação te afirmo que há uma pressão social de produtividade para com o vestibulando, seja nos estudos ou na vida de um modo geral. E quando ocorre de procrastinar é como se o peso da culpa duplicasse sobre meus ombros.
Descobri que minha essência procrastinadora estava muito atrelada a fatores emocionais, principalmente a falta de amor-próprio. A procrastinação estava afetando diversas áreas da minha vida, a escola, minhas relações; o fato de deixar meus afazeres para a última hora me deixava estressada e cansada. Esperava pelo dia milagroso, onde eu teria uma superenergia para fazer tudo o que precisava, mas a verdade é que esse dia não chega.
Nenhum comportamento que temos é à toa, aquelas ações frequentes têm um porquê. Então me deparei comigo deixando para depois o que eu realmente precisava fazer em troca de um agora preguiçoso. Trocar as atividades que exigem mais do meu corpo e da minha determinação, em troca do comodismo que as redes sociais, por exemplo, nos dão. Um conforto imediato, mas momentâneo.
Mas qual a relação do autocuidado com a procrastinação? A verdade é que o autocuidado vai além de fazer skincare uma vez por semana; nosso amor próprio se faz presente nos mínimos detalhes.
Quando se tratava dos compromissos que eu tinha com os outros, largava tudo o que estava fazendo e dispunha do meu melhor para ajudar o próximo. Por que quando se trata de outras pessoas eu me doo, mas quando se trata de mim mesma, eu não faço até as coisas mais básicas? Eu não tinha comigo mesma o mesmo compromisso que tinha para com os outros.
A realidade era que eu achava que amor-próprio era muitas coisas, menos cuidar de mim, menos cuidar da pessoa que eu quero me tornar. Amor-próprio não é só se submeter a dietas mirabolantes ou cortar laços tóxicos, mas amor-próprio também é cuidar de mim, e das coisas que eu valorizo, como a literatura. Eu negligenciava muito minhas leituras, colocava-as em segundo plano, pois mentia para mim mesma dizendo não ter tempo, sendo que é uma prioridade e me faz bem.
Falando em literatura, ela é fundamental para que, ao mergulharmos em uma narrativa, nos identifiquemos com personagens e até mesmo autores. É uma arte que nos dá liberdade para sermos quem somos e, caso ainda não saiba, se descobrir. Descobrir novas culturas, novas realidades, novas línguas.
Assim, assumi comigo mesma o compromisso da vida, como eu assumia com as pessoas à minha volta; eu precisava assumir um compromisso comigo de cuidar de mim também. Enfim, espero que tenha sido realista para vocês porque eu acho que o principal é a gente pensar na procrastinação e na produtividade de uma maneira realista; sermos realistas com o que a gente pode mudar, pensar no que a gente pode fazer de diferente.
Portanto, caro leitor, independentemente de você ser um estudante do ensino médio, professor, ou nenhum dos casos, o autocuidado é um processo e nunca é tarde para dar o primeiro passo nessa jornada.
Redatora: Maria Clara Bento (3ª série do EM).