Resenha do livro: Uma Estranha em Casa.
Autora: Shari Lapena.
Editora: Record.
Tradução: Márcio El-Jaick
Sinopse
“Uma vida inteira apagada da memória. Um passado do qual não se consegue fugir.”
“Por que você fugiria de casa se tem uma vida feliz?”
Karen Krupp acorda no hospital, sem ter a menor ideia de como foi parar nele. Tom, seu marido, diz que a porta estava destrancada quando ele entrou em casa, as luzes acesas, e que a esposa provavelmente saiu às pressas quando estava preparando o jantar, pelo que ele viu na cozinha.
Karen perdeu o controle do carro enquanto dirigia a toda a velocidade e bateu de frente num poste. O mais estranho: o acidente aconteceu num dos bairros mais perigosos da cidade.
A polícia suspeita de que Karen esteja envolvida em algo obscuro, mas Tom tem certeza de que não. Ele está casado com ela há dois anos, conhece muito bem a mulher. Será mesmo? Vai perguntar tudo a Karen quando chegar ao hospital, depois de dizer que a ama e que está feliz por ela ter sobrevivido, é claro.
Mas Tom não obtém resposta nenhuma… porque ela não se lembra de absolutamente nada.
Resenha
Em particular, prefiro os gêneros de aventura e romance histórico como os livros de Ramson Riggs (O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares) e Tessa Dare (Série Spindle Cover). Mas este mês, saí da minha rotina literária para algo que não é comum em minhas leituras: o suspense e mistério. Apesar do mistério criminalístico escrito por Shari Lapena em Uma Estranha Ao Lado, que está em foco nesta resenha, o que chama a atenção é o fato de que o final do livro é dito no começo dele, isso é um GRANDE spoiler, excluindo esse fato, não tem como não ficar curioso (a).
A escrita de Shari Lapena é autentica, envolvente, sobretudo porque é possível perceber a situação psicológica de cada personagem, do ambiente situacional, e do modo em como Karen aparenta ser a protagonista principal do livro, (sshhh...é spoiler, não vou contar), e em alguns casos a própria autora de maneira implícita, deixa claro quem rouba as cenas na metade do livro.
A trama se divide em 4 partes, ao meu ver é claro: Retomada pós-acidente, Sherlock Holmes e Wattson, A Vizinha, e a Descoberta. De Maneira Implícita por ser bem delimitado e objetivo cada capítulo.
Em a Retomada Pós-Acidente ocorre após o prólogo (que apesar de retratar os sentimentos de Karen e o mistério principal do acidente automovilistico, são acontecimentos considerados “comuns”) e o primeiro capítulo. Karen é apresentada como uma mulher carismática, inofensiva, organizada e
“Não era tão relapsa assim.” (Tom Krupp, o marido).
Então Tom não acreditou quando soube que a própria esposa dirigia o carro, um Honda Civic, nas partes mais perigosas de uma cidade, como louca, e colidiu com um poste.
Também nos é apresentada a melhor amiga de Karen, Brigid, a esposa de Bob. Brigid é vizinha do casal e ambas são amigas a ponto de uma conseguir emprego para a outra na empresa do marido. É importante ressaltar, que Brigid é doce, amigável e prestativa, mas, entretanto, porém, todavia, aos poucos Shari Lapena solta o passado e o caráter psicótico da vizinha doce, o que fica perceptível a sua obsessão pela vida do casal quando observa a casa deles pela janela, sentada na poltrona da sala com panos de crochê.
Nesse momento, eu pensei: “uau, a mulher deve ter uns 50 (cinquenta) anos, fofinha igual aquelas avós de hollywood”, mas NÃO, a mulher vai a terapia e Bob sempre checa pra saber se ela foi mesmo, mas ele é tipo de marido que no começo fica preocupado, mas depois ‘larga de mão’ e só pergunta por questão de rotina, (a parte da terapia é bom pra quem se identifica com a Brigid, mas a parte mais bizarra é que...ALERTA DE SPOILER, ALERTA DE SPOILER...você foi avisado...a terapia todinha da mulher é sobre a vida que ela observava entre Karen e Tom pela janela e por outras coisas que um sociopata faria se tivesse a Síndrome do Imposto, mais afrente Shari Lapena diz o porquê disso).
Com o acidente sendo considerado comum e Karen tendo que arcar com as consequências dele, tanto jurídica quanto monetária, a trama ganha uma reviravolta impressionante, principalmente em capítulos de números pares (outro padrão bizarro que eu acho que autora colocou por mera coincidência pelo número de pessoas que mais aparecem na trama) com a descoberta de um corpo por 4 garotos em um galpão, ironicamente os garotos roubaram os pertences do falecido (não riam, a cena deveria ser séria pelo modo como Shari a descreveu, mas esse fato me fez rir, não sei porque). Vale ressaltar que, os garotos não denunciaram o ocorrido, e o corpo foi descoberto novamente por um casal ilegal (o cara tinha 18-19 anos, e a menina recém 15 anos feitos, abuso infanto-juvenil faz sentido quando se trata de envolvimento com uma menor de idade?).
Por fim, descobriram o corpo depois de duas semanas e é aí que a primeira parte finaliza e a segunda se inicia: Sherlock Holmes e Wattson. Neste caso, os detetives são os detetives Rasbach e Kirton, apesar do Policial Fleming ajudar os dois, ele apresenta destaque por ter encontrado o carro de Karen após o acidente e ter ido informar Tom.
Por falar em Tom, ele tem um destaque desde o começo, porque é o personagem que mais aparece do ponto de vista de terceira pessoa (sinto lhes informar, mas aqui tudo é narrado em 3ª pessoa). Tom sempre tenta defender a mulher, principalmente quando os detetives tentam relacionar Karen, o corpo no galpão, e o acidente de carro.
Tom é apresentado como um marido reservado, carinhoso, defensor, um pouco desorganizado, e extremamente preocupado com a saúde mental e física da mulher. Totalmente o contrário de Bob para com Brigid.
É fundamental dizer que a terceira parte: A Vizinha, são capítulos que dão uma ênfase maior para Brigid. E são descobertas importantes ao longo do livro, ressaltando o importante. Tom no começo do livro é exibido como alguém que quer manter distancia da vizinha, se ele pudesse vela a mil quilômetros longe dele, compraria uma passagem pra outro país do outro lado do oceano.
Não obstante, a autora cria um círculo vicioso entre saber porque que Tom não gostava da amizade entre a esposa e Brigid, os detetives “enxeridos”, e a relação dele com o irmão. Existe um avanço considerável quanto a isso quando chegamos nos últimos capítulos.
Neste âmbito, entramos na última parte: A Descoberta. É aí que Karen descobre um segredo devastador pra ela, isso a faz decidir se vai quere continuar o relacionamento deles, ou terminar de vez em um divórcio. Não tem como não ficar curioso nessa parte. Não esperava esse tipo de segredo, e fica bem evidente quando uma situação ruim acaba acontecendo quando Karen ainda estava presa por um suposto crime que “não cometeu”.
Recomendo consideravelmente que desconfiem de todos quando forem ler um thriller, mesmo esse, no qual o suspeito é bastante óbvio, e ainda assim, chama a atenção a trama.