O iluminado de Stephen King foi minha primeira experiência de leitura com o terror, de fato me fez experimentar sentimentos aos quais não estava preparada, além de me fazer descobrir um lado medroso e muito imaginativo em mim mesma. O livro em si aparenta ser extenso, porém quando a leitura começa e o terror começa a ser implantado aos poucos é quase impossível de parar, mesmo que o medo esteja presente. Uma grande obra que provavelmente eu nunca teria lido se não tivesse nesse grupo de leitura, pois foge demasiadamente da minha zona de conforto literária, porém me fez abrir a mente para como o terror pode ser uma experiência primorosa se tratando da literatura.
O autor construiu um livro com poucos personagens, entretanto neste caso ele fez estes poucos personagens com uma qualidade muito aprofundada. A história gira em torno da família Torrence, no qual retrata Jack, o pai de família que está se recuperando do alcoolismo e dos momentos que a raiva vai além da razão, a esposa e mãe Wendy que está em constante evolução no decorrer do livro, e o filho Danny que é o iluminado, um menino com grandes poderes quase que inexplicáveis. A história é narrada em terceira pessoa, e os poucos personagens são descritos com riquezas de detalhes, o que faz com que o leitor se sinta muito próximos a eles, quase como se fossem pessoas reais, e antes que se note, estamos fervorosamente torcendo para eles e para seu final feliz.
Em alguns momentos da história chega a ser desesperador saber que acontecimentos piores ainda estão por vir, quando tudo para que torcemos é calmaria e alegria para a Família Torrence, então a proximidade com os personagens fictícios nos faz temer por eles e pelo que estar por vir. As cenas de terror são descritas de forma fantástica no qual conseguimos imaginar cada pequeno detalhe (felizmente ou infelizmente para os medrosos), e nos vemos agarrados ao livro transbordando emoção, e esse despertar de várias emoções chega a ser prazeroso, se tratando de uma leitura.
O pai Jack Torrence, que sofria de alcoolismo e acessos de raiva, viu como um recomeço para a família o novo emprego no Hotel Overlook, no qual seria a grande chance de reparar os vários erros do passado, e tentar uma vida tranquila e uma reaproximação com a família, além de salvar o casamento que estava quase fadado ao fim devido as intermináveis noites de bebedeiras de Jack. E por um momento, mesmo se tratando de uma obra de terror, nos pegamos torcendo para que esse recomeço dê certo, mesmo que o livro ainda não tenha chegado a metade, nos vemos ignorando a razão e pensando com a emoção, aspirando que a família consiga passar por cima do passado.
Entretanto, o misterioso Hotel Overlook com seu extenso histórico cheio de acontecimentos trágicos, dos quais alguns foram bem escondidos, os afeta quase que diretamente, não tão rápido, mas percebemos as mudanças e os momentos acontecerem um por um. Jack pouco a pouco, se vê como alcoólatra novamente, com as mesmas manias e gestos repetitivos, e os acessos de raiva estão quase que incontroláveis, e assim tudo que ele almejava deixar no passado, ressurge aos poucos, fazendo a família passar por momentos complicados. Jack que lutara durante muito tempo para não perder o controle, perde aos poucos, até perder totalmente a insanidade, o hotel conseguira o controlar e possuir usando seu vício em álcool.
O autor mostra Wendy como uma personagem que inicialmente é um tanto medrosa e sem o poder de decisões importantes, mas com o passar do tempo ela evolui e se torna gradualmente alguém forte o bastante para proteger Danny, e luta com todas as forças para manter seu filho bem.
O livro aborda assuntos importantes como: alcoolismo, mãe narcisista, problemas psicológicos, vícios, e frisa a importância de escutar as crianças e estimular que ela seja transparente e saiba se expressar. De fato, o iluminado é uma leitura magnifica, a qual traz vários sentimentos a tona, e ainda mistura-os, eu particularmente indicaria as pessoas que querem sair da zona de conforto literária, e experimentar os mais diferenciados sentimentos que um livro pode trazer à tona.