RESENHA
Um quarto para ela é um romance feito pela escritora australiana Helen Garner, foi publicado em 2008, lançado no Brasil em 2011 pela editora Alfaguara. O livro foi baseado na própria vida da escritora, tanto que o nome de uma das personagens é Helen.
O livro narrado em primeira pessoa conta sobre uma amizade entre duas senhoras Helen e Nicola. Helen receberá sua grande amiga Nicola em sua casa, na qual, está lutando contra um câncer de intestino que já se espalhou para os ossos e fígado, infelizmente, já foi desenganada pelos médicos. Helen faz absolutamente tudo para que sua amiga seja recebida da melhor forma possível. Prepara um quarto para ela, compra tapete novo, arruma cama, espelho e toalhas para que Nicola se sinta totalmente confortável. Nicola é uma senhora sozinha e sem filhos, mas extremamente otimista, acredita que indo para a casa de Helen em Melbourne, poderá fazer tratamento em uma clínica chamada Theodore Institute, onde trabalham com medicina alternativa, sem comprovações científicas. Entretanto, Nicola tem tanta convicção que irá ser curada que acaba se submetendo a tratamentos incomuns e duvidosos, alguns deles são gotas de peróxido, ozônio, altas doses de vitamina C, entre outros. Nicola têm reações muito fortes a esses tratamentos, passa madrugadas em claro com dores, tremores, enjoos, e Helen sempre ao seu lado lhe ajudando. A rotina de Helen muda por completa com a chegada de sua amiga, ela se vê sem esperança e exausta, sofre ao ver Nicola com as reações e acredita que esses tratamentos podem ser enganação para tirar dinheiro de quem está tão angustiado com uma doença. Helen não acredita no instituto, chama os possíveis médico de charlatões, tenta sempre alertar sua amiga, contudo, ela não aceita e sempre diz que na metade da semana que vem estará curada. Entre idas e vindas da clínica, durante as três semanas em que Nicola fica hospedada, das várias noites em claro, trocando os lençóis da cama, mudando o colchão e tratando as dores dela, Helen acaba se sentindo doente psicologicamente e sente que a casa toda está adoecida também, ela precisará urgentemente tomar uma decisão: ou continua fazendo tudo por sua amiga e adoecendo junto ou a deixava com outra responsável.
Nesse livro é possível identificar e compreender o lado das duas personagens:
Helen é uma senhora de 64 anos que se coloca a disposição de ajudar sua amiga, a todo momento ela quer o melhor para Nicola e faz tudo para que isso aconteça. Porém, a rotina de cuidados de uma pessoa com câncer não é nada fácil, é desgastante e extremamente cansativa, principalmente quando esta pessoa não quer fazer os cuidados mais adequado e confiáveis. Quando Helen pensa em deixar Nicola, não quer dizer que não ame sua amiga, mas que ela própria precisa de cuidados e está cansada psicologicamente e fisicamente.
Nicola é uma mulher divertida que ver o mundo com bons olhos, que busca a qualquer custo ficar curada desse mal. É fácil entender todo positivismo dela, o fato de já estar em estado terminal é o principal motivo de acreditar em si mesma e em uma possível cura. Não é fácil para ninguém aceitar a morte, ninguém quer morrer, conviver com uma doença já é difícil, pior seria se ela se entregasse ainda mais para a morte.
A terapia ao ler este livro é a emoção de buscar entender o lado de cada um, de saber que uma pessoa doente afeta toda família e amigos, mas que também é necessário acreditar em algo melhor e nunca se render fácil.