Resenha do livro: O garoto do cachecol vermelho
Autora: Ana Beatriz Brandão.
Uma história surpreendente que conta a história da Melissa que é uma garota negra, com cabelos longos, cacheados e extremamente rica, egocêntrica e sem senso nenhum de empatia. Seu maior sonho é se tornar uma grande bailarina formada por uma das maiores academias de dança do mundo, a Juilliard, e para realizar esse sonho a Mel se empenha muito e não importa o que ela tenha que fazer para realizar esse sonho: dietas, dormir tarde, e ensaiar quantas vezes for necessário em busca da perfeição. O que não parece ser um problema para ela, afinal, ela praticamente mora sozinha, pois sua mãe é uma cirurgiã muito famosa e dificilmente fica em casa.
A mudança na vida da nossa protagonista começa em uma noite de ano novo, onde ela está na rua comemorando com os amigos e esperando a tão esperada contagem regressiva para a virada. Quando finalmente esse momento começa, ela percebe uma movimentação estranha no final da rua, pessoas gritando, pulando com latas de tintas nas mãos e um garoto loiro com um cachecol vermelho no pescoço. Intrigada com a situação, Melissa decide verificar de perto o que estão fazendo; ao chegar mais perto percebe que estão fazendo uma pintura que ela resolve chamar de “ato de vandalismo”. A Mel acaba exigindo que eles parem com aquilo e por não ser atendida decide derrubar a tinta sob a pintura para “sair por cima” da situação, mas acontece totalmente ao contrário, para o garoto do cachecol vermelho, ela apenas melhorou a pintura.
Algum tempo depois, se inicia o semestre na faculdade da Melissa e ela acaba se atrasando no primeiro dia, o que para ela é imperdoável, afinal, ela quer uma bolsa de estudos para a Juilliard. Quando ela chega na faculdade, ela vê uma aglomeração de calouros para o trote solidário que é levar os alunos para conhecer a AbrELA (Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica) que todo ano é liderada pelo filho da reitora, Daniel( O garoto do cachecol vermelho).
A Mel nunca havia notado o Daniel na escola e nem ninguém, porque para ela eram todos inferiores, então fica surpresa ao vê-lo e discutindo também; o que faz ela entrar atrasada na aula. Como se não fosse o bastante, o Daniel segue ela e pede para o professor para dar um comunicado: “Este ano, uma aluna desta sala, Melissa Azevedo Garcia, decidiu contribuir com o nosso trote [...] ela se ofereceu para ir com a gente.” ela acaba aceitando, por pensar que negar poderia prejudicar ela no processo de conseguir a bolsa para a escola de dança.
Daniel tem plena consciência que a Melissa é materialista, preconceituosa, egoísta e antipática, mas ele acredita que todo mundo merece uma segunda chance. Então, após o trote solidário o Dani faz um acordo com ela: andar com ele durante um mês para todos os lugares que ele for, em uma tentativa de mostrar para a Melissa que o mundo não gira em torno dela e que as pessoas devem ser tratadas com respeito.
Desse ponto, eles acabam se encontrando todos os dias; a Mel passa a frequentar os ensaios para uma peça de final de ano que tem na faculdade e ela acaba convivendo com pessoas gordas, baixas, portadores de deficiência física, etc.
No início é um choque para ela e muito difícil, a Melissa na história muda aos poucos.
No decorrer do livro, também descobrimos várias problemáticas da vida da Mel, o relacionamento ruim com a mãe, o pai que morreu quando ela era pequena, abuso sexual que ela sofreu, entre outras causas. Isso de certa forma, leva a compreender os motivos dela ser do jeito que é; não que seja o certo; mas tem uma história por trás e como o próprio Daniel diz no livro: todo mundo merece uma segunda chance.
Também descobrimos mais sobre a história do Daniel, o motivo dele sempre estar com um cachecol vermelho, o pai dele que tem ELA, e tudo o que motiva ele a ser uma pessoa boa, em querer ajudar os outros, não ter preconceito e sempre tentar viver como se fosse o último dia.
Para o fim da história, Melissa acaba mudando o seu jeito de pensar em muitos assuntos. Ela e o Daniel acabam se apaixonando e ficando juntos até o fim.
Minhas considerações:
Eu acredito que li O garoto do cachecol vermelho no tempo certo. No período ao qual vivemos, está muito relacionado à valorização da vida. Quando paramos para pensar que não sabemos quando é o nosso último dia, as pequenas coisas se tornam importantes. O livro me levou a fazer várias reflexões sobre: será que não estou reclamando demais? Estou valorizando o privilégio de ter meus pais? Estou cuidando de mim? ou valorizando o fato de ter mais um dia? São questões que no decorrer do livro a gente vai se fazendo.
Sobre a AbrELA, eu não sabia da existência dessa doença e muito menos que ela não tinha cura; a Ana conseguiu juntar a realidade de pessoas que sabem que literalmente a qualquer momento podem morrer por uma doença, mais mesmo assim são felizes; com a da garota rica e mimada que não consegue ver nada além de si mesma. Quando essas realidades se encontram, a Mel passa a ver a vida com outros olhos.
Por fim, eu tive a oportunidade de conhecer a autora do livro e no meu autógrafo ela colocou: “Que o Dani te mostre o mundo com mais cores!” e foi exatamente isso que aconteceu; de certo modo, isso deveria acontecer com o mundo para as pessoas terem mais empatia, respeito e valorização com a vida.