Desigualdade ou isonomia?
Giovanna Lourenço
Giovanna Lourenço
Desigualdade ou isonomia?
Na atualidade, com a crise político-econômica na Venezuela e a pandemia do Covid-19, o Brasil tem enfrentando problemas em lidar com os refugiados venezuelanos, que vêm para solo brasileiro em busca de escapar do regime venezuelano e adquirir melhores condições de vida. Sabe-se infelizmente que nosso país não presta um tratamento adequado para os emigrados, sendo a maioria obrigada a trabalhar de forma informal e viver em péssimas condições. Um absurdo para um país tão grande e rico, que dificilmente teria problemas em alocar esses estrangeiros.
Em princípio, uma nação tão vasta não teria problemas em dividir e designar os refugiados para as 27 unidades federativas, porém, segundo os dados da CONARE, aproximadamente 70% dos refugiados venezuelanos registrados vivem no estado de Roraima, sendo o estado do Amazonas lar para a segunda maior população com 19%, sendo os dois estados mais próximos da fronteira detentores de quase 90% dos habitantes estrangeiros. Com isso, a falta de uma distribuição equivalente de imigrantes, o que acaba por sobrecarregar os serviços públicos dos estados e por prejudicar os venezuelanos refugiados. Que antes mesmo da crise sanitária já se encontravam a maioria vivendo de solidariedade, tendo que trabalhar na informalidade ou em situações análogas à escravidão, já que segundo um levantamento feito pela Repórter Brasil, em São Paulo, 93% das mulheres resgatadas em situação de trabalho escravo são imigrantes. O que mostra que o governo brasileiro falha em proteger seus refugiados e suas políticas públicas são ineficientes.
Diante disso, é necessária uma redistribuição geral de novos imigrantes e criação de novas políticas públicas, cujo objetivo seja acolher e amparar os refugiados, criando oportunidades para a inserção de imigrantes no mercado de trabalho e melhora das condições de vida, já que é um absurdo um país cheio de riquezas e oportunidades incapaz de dar dignidade.