Após o término deste exercício, o aluno deve ser capaz de:
discutir aspectos relativos ao rápido estabelecimento de um sistema nacional de vigilância para uma doença recentemente identificada e ainda pouco conhecida;
discutir o desenvolvimento de uma definição de caso;
descrever os elementos do delineamento de uma pesquisa e as vantagens e desvantagens de um estudo tipo caso-controle versus estudo de coorte;
discutir alguns vieses que poderiam ter influenciado estes estudos;
calcular e interpretar o risco relativo, “Odds Ratio” e percentual do risco atribuível;
listar e avaliar os critérios de validação de nexo causal.
Em 30 de outubro de 1989, o Departamento de Saúde e Ambiente do Estado de Novo México (EUA) recebeu, de um médico local, a notificação de 3 pacientes com eosinofilia periférica e severas mialgias: todos os casos haviam tomado um preparado oral à base de L-Triptofano (LT).
O quadro clínico em cada um dos três pacientes era o de uma mulher previamente saudável tomando Triptofano por via oral, na qual se desenvolveram fortes dores musculares e fraqueza, lesões mucocutâneas e dor abdominal variável.
A avaliação laboratorial revelou eosinofilia acentuada, função hepática levemente anormal, níveis séricos de aldolase ligeiramente elevados e taxas de hemossedimentação normais.
Essas três mulheres diferiam dos pacientes com características clínicas e laboratoriais da síndrome hipereosinofílica, a maioria dos quais eram homens com doenças caracterizadas por anormalidades cardíacas, pulmonares e neurológicas, envolvimento cutâneo e taxas rápidas de sedimentação, além de eosinofilia .
A doença nos nossos três pacientes tem alguma semelhança com a síndrome da fasceíte eosinofílica descrita em 1975, mas essa síndrome é caracterizada por um início menos agudo, mais rigidez muscular e menos dor, e pouco envolvimento hepático ou pulmonar.
A biópsia muscular do paciente 2 revelou um infiltrado perimisial idêntico ao do paciente descrito por Lakhanpal et al., e posteriormente foi descoberto que aquela paciente estava tomando triptofano antes do aparecimento dos sintomas em 1986 (Duffy J: comunicação pessoal).
Apesar da avaliação clínica pormenorizada e dos testes a que foram submetidos os pacientes, esta doença não se assemelhava a nenhuma patologia conhecida. A notificação deste agregado de casos apresentando um quadro clínico aparentemente incomum, fez com que, rapidamente, outros Estados informassem casos semelhantes.
O Estado do Novo México iniciou um sistema ativo de vigilância e convidou, em 8 de novembro de 1989, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) a participar da investigação.
O LT é um aminoácido essencial normalmente ingerido como um componente da dieta proteica. Durante anos, foram usados por várias razões preparados industrializados desse aminoácido, por exemplo, como suplemento nutricional ou para combater alguns sintomas como insônia, ansiedade, depressão e síndrome pré-menstrual. Apesar de seu uso frequente em terapêutica, o LT foi classificado como um suplemento alimentar e, como tal, não foi regulado pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão da administração sanitária norte-americana que controla alimentos e medicamentos.
QUESTÃO 01 - RESPOSTA NO CLASSTIME
a) Com fundamento nas informações acima, justifica-se a implantação de um sistema nacional de vigilância? Se sim, justifique.
b) Em caso afirmativo, quais as vantagens de um sistema estadual versus um sistema nacional de vigilância?
c) Este sistema deveria ser ativo ou passivo?
A Tabela 1 descreve as características clínicas de 14 moradores do estado de Novo México que informaram apresentar síndrome semelhante.
Tabela 1 - Características clínicas dos primeiros 14 pacientes com síndrome mialgia-eosinofilia (SME), Novo México, outubro/novembro de 1989.
QUESTÃO 02 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Desenvolva uma definição de caso para o sistema de vigilância. Você incluiria o uso de LT na sua definição de caso ?
QUESTÃO 03 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Que tipo de questões você incluiria na ficha de notificação do caso?
O CDC decidiu estabelecer um sistema de vigilância nacional e, em 9 de novembro do mesmo ano, as Secretarias estaduais de saúde foram contatadas para serem informadas desta nova síndrome identificada. Considerando as informações iniciais sugerindo que a eosinofilia e a severa mialgia eram os sintomas mais frequentes da doença, optou-se pela designação de síndrome da mialgia e eosinofilia (SME); por outro lado, a definição de caso utilizada para a investigação foi a seguinte:
contagem de eosinófilos periféricos > ou = 1.000 células/mm3;
mialgia generalizada em algum momento da doença, levando o paciente a perder sua habilidade em realizar suas atividades diárias;
nenhuma infecção ou neoplasia que pudesse ser responsável pelos critérios referentes aos itens 1 ou 2.
Para melhorar a caracterização da síndrome, foi elaborada uma ficha de notificação de casos com instruções padronizadas para coletar informações referentes aos dados demográficos, data do início da doença, sinais clínicos e sintomas, história de ingestão de LT, ou uso de outros medicamentos ou de suplementos alimentares.
Em 15 de novembro, o sistema de vigilância introduziu o uso de meios rápidos de comunicação para divulgar as informações disponíveis (internet, correio etc). Os médicos foram solicitados a voluntariamente informar à Secretaria Estadual de Saúde, os casos suspeitos de SME. Por sua vez, as Secretarias Estaduais de Saúde encaminham o total de casos e as fichas de notificação preenchidas ao CDC.
Em 17 de novembro, havia 287 casos de SME notificados, incluindo 1 caso bem documentado de óbito ocorrido em Nova York, distribuídos em 37 Estados e no Distrito de Columbia. Mais de 98% dos pacientes tinham usado LT antes do início da doença.
QUESTÃO 04 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Agora que o sistema de vigilância efetivamente conseguiu acumular dados de todo o país, por que meios e com que frequência você disseminaria as informações analisadas? Para quem você encaminharia essas informações?
A implementação da vigilância requer que os responsáveis pela coleta das informações e por tomada de decisões, no nível local, mantenham-se bem informados sobre a evolução das investigações. O MMWR (boletim epidemiológico do CDC), em 17 de novembro de 1989, publicou a descrição inicial e o reconhecimento do problema no Estado do Novo México; em 24 de novembro do mesmo ano, publicou os resultados preliminares das primeiras investigações. Foram publicados relatos adicionais em dezembro, janeiro e fevereiro de 1990.
O CDC estabeleceu uma linha telefônica de contato a fim de que o público pudesse ter acesso a informações atualizadas referentes ao número de casos notificados. Durante o primeiro mês da investigação, os dados relativos ao total de casos notificados eram atualizados diariamente; nos 6 meses seguintes a atualização foi semanal e, posteriormente, mensal. As Secretarias Estaduais de Saúde eram informadas com frequência a respeito do número de casos e evolução da investigação. Esta informação era encaminhada por intermédio de computadores ou por fax.
Um folheto contendo descrições da síndrome e sua associação com LT e com produtos que o contêm, assim como condutas terapêuticas, foi redigido nas duas primeiras semanas, distribuído por meio da rede de computadores e encaminhado pelo correio aos médicos que solicitavam informação sobre a SME. Foi também publicado em 5 de janeiro de 1990, em revista científica de grande circulação entre médicos, artigo a respeito da SME, como medida adicional para se informar esses profissionais. Finalmente, os dados obtidos pela vigilância foram apresentados em conferências nacionais e publicados em importantes revistas científicas.
A análise preliminar dos 235 casos notificados, efetuada pelo CDC, revelou o seguinte:
variação da idade dos pacientes entre 14 a 76 anos, com a mediana de 46 anos;
97% dos casos eram brancos; 2% eram negros, e 1% hispânicos;
83% dos casos eram do sexo feminino;
os casos foram notificados em todas as regiões dos Estados Unidos da América e, embora não incluídos nos dados da vigilância, foram também registrados casos no Canadá, Europa e Oriente Médio);
em 88% dos casos notificados os sintomas tiveram início durante ou após o mês de julho de 1989;
99% dos casos apresentaram história de ingestão de LT antes do início dos sintomas.
QUESTÃO 05 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Quais os possíveis efeitos exercidos sobre o desempenho da vigilância pela publicidade a respeito da SME e de sua provável associação com o uso de LT?
QUESTÃO 06 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Até esse momento, que tipo de delineamento de estudo você proporia para testar a hipótese de que LT está associada à SME? Por quê?
Devido ao grande número de casos de SME identificados, epidemiologistas do Estados de Novo México e Minesota rapidamente efetuaram um estudo tipo caso-controle, para estimar as possíveis associações entre exposição e desenvolvimento da doença.
QUESTÃO 07 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Quais efeitos a publicidade a respeito da SME e LT pode ter exercido no estudo tipo caso-controle?
QUESTÃO 08 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Se você estivesse planejando um desses estudos tipo caso-controle, de qual população você selecionaria seu grupo controle?
No estudo tipo caso-controle realizado em Novo México, os casos (n=12) foram identificados por meio de uma revisão de registros de 9 laboratórios localizados em Albuquerque, Santa Fé e Los Alamos, e a eosinofilia deveria ter sido registrada entre 10 de maio e 11 de novembro de 1989, ou seja, anterior à publicidade dos casos feita pela mídia. Os casos foram comparados com os controles (dois controles para cada caso), pareados segundo idade, sexo e bairro de residência. Todos os casos e 2 controles (8%) utilizaram produtos contendo LT (“Odds Ratio” não calculável, p = 6,9 x 10-6). Não houve diferenças estatisticamente significantes entre casos e controles para outros 32 potenciais fatores de risco estudados.
No estudo tipo caso-controle, levado a efeito em Minesota, os casos (n=12) foram identificados através de um inquérito realizado entre os reumatologistas, patologistas, clínicos e neurologistas infantis, com o objetivo de identificar pacientes com diagnóstico recente de doença semelhante à SME. Os casos foram comparados com os controles, sendo um controle para cada caso, pareando-os segundo idade, sexo e bairro de residência. Todos os casos e nenhum controle usaram LT (“Odds Ratio” não calculável, p=8x10-4) durante o mês que precedeu o início da doença, nos casos e por período similar para os controles. Nove casos (75%) e quatro controles (33%) tomaram algum medicamento de prescrição (sem diferença estatisticamente significante após ajustado para LT). A doença não foi associada com o consumo de vitaminas e suplementos alimentares, produtos à base de peixe ou carne não cozida ou medicamentos que não necessitam prescrição.
QUESTÃO 09 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Interprete os dados
Os resultados obtidos pela vigilância e aqueles dois estudos tipo caso-controle fizeram com que o FDA retirasse o LT de circulação, em 17 de novembro de 1989 (MMWR de 24 de novembro de 1989). Os dados sugerem uma relação causal entre SME e a ingestão de produtos contendo LT, mas a razão exata para esta associação não está clara. Quase 200 diferentes produtos contendo LT foram apontados pelos pacientes em diferentes regiões do país, motivo pelo qual não se conseguiu associar uma fonte única de LT à doença. Resultados preliminares dos estudos tipo caso-controle realizados nos Estados do Oregon e de Minesota, contudo, sugerem, associação específica da SME com a ingestão de LT, ainda que em produtos de diferentes marcas (MMWR de 24 de novembro de 1989).
As figuras 1 e 2 na página seguinte mostram o início da doença e do uso de LT associado a casos de SME, segundo mês e ano, informados nacionalmente.
QUESTÃO 10 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Que hipóteses a respeito de causalidade são consistentes para estes dados?
QUESTÃO 11 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Como você faria para testar estas hipóteses?
Concentrados de LT são produzidos por meio de processos químicos ou bacteriológicos. Seis companhias japonesas produzem todo o volume de LT disponível no mercado mundial. As companhias americanas importam o concentrado de LT que é utilizado na formulação de inúmeros produtos (fármacos e suplementos) através da adição de excipientes (ingredientes inertes).
Estes produtos, geralmente apresentados na forma de tabletes ou cápsulas, são então distribuídos sob diferentes marcas e denominações, por meio de uma complicada rede de vendas a atacado e de varejo, até chegarem ao consumidor.
Os três prováveis agentes responsáveis pela doença sob investigação são:
o próprio LT;
uma impureza ou contaminação na produção do concentrado de LT;
um excipiente (ingrediente inerte) adicionado após a fabricação do LT.
Estudos intensivos foram conduzidos por vários Estados para averiguar como era essa rede de distribuição do LT e, na grande maioria das vezes, com assessoria do CDC e FDA. Foi necessário determinar o número do lote específico para cada etapa do processo de distribuição, seguindo retrospectivamente do vendedor a varejo até o produto original japonês.
No Estado de Oregon, os pacientes (casos) que usaram LT foram comparados com controles que eram usuários de LT e assintomáticos. A tabela abaixo mostra associação entre a SME e LT produzido por diferentes fornecedores japoneses.
A tabela seguinte, relativa a um estudo tipo caso-controle efetuado em Nova York, apresenta a associação entre a SME e o consumo de LT produzido por diferentes fornecedores japoneses.
QUESTÃO 12 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Calcule a medida de associação apropriada.
Estes dados parecem ser mais consistentes com a hipótese de a contaminação ter origem no local de fabricação do concentrado de LT, ou seja, no Japão. Se a origem do problema estivesse associada a um dos excipientes (ingredientes inertes), verificaríamos o problema associado a uma variedade enorme de suplementos alimentares ou o envolvimento de uma única marca de produtos contendo o LT nos Estados Unidos. Porém, não houve predomínio de nenhum desses dois casos. A ausência da doença associada a outros produtores de LT faz supor que o LT seja o único agente etiológico.
A fábrica japonesa envolvida usou, durante muitos anos, o método de fermentação bacteriana, mas em fins de 1988 houve mudanças na tecnologia, fato que provavelmente desempenhou algum papel na epidemia de SME, ocorrida em 1989.
QUESTÃO 13 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Baseando-se nas informações acima, você consegue calcular o risco de desenvolver a SME entre usuários de LT? Em caso negativo, que informações adicionais você necessitaria para este cálculo?
Por sorte, um médico da Carolina do Sul era um grande defensor do uso terapêutico de LT e, por isso, prescreveu-o para 505 dos 654 pacientes que havia examinado durante o ano de 1989. Desses 505 pacientes que utilizaram o LT, em 1989, 418, ou seja, 83% foram incluídos num estudo de coorte de usuários de LT (os outros 87 não foram encontrados ou se recusaram a participar da pesquisa). Destes 418 pacientes, 47 se enquadraram na definição de caso de SME (definição adotada pelo CDC); outros 68 se enquadraram parcialmente no critério de definição de caso de SME. Dentre os 47 incluídos como caso pelo CDC, 45 pessoas tinham usado um produto específico contendo LT (produto A); dos 418 pacientes da coorte, 157 fizeram uso do mesmo produto.
QUESTÃO 14 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Você continuaria a usar a mesma definição de caso estabelecida pelo CDC para o sistema de vigilância? Ou você elaboraria outra definição de caso para este estudo de coorte?
QUESTÃO 15 - RESPOSTA NO CLASSTIME
Usando a definição de caso proposta pelo CDC, calcule a taxa de ataque dos usuários de LT desta coorte e, em seguida, calcule a taxa de ataque para os que usaram o produto A. O que estes dados sugerem a respeito da exposição e da hipótese descrita na Parte VI ?
Os dados apresentados na Tabela 2 resumem os resultados do estudo de coorte efetuado na Carolina do Sul.
Tabela 2 - Resultados do estudo de coorte realizado no Estado da Carolina do Sul.
QUESTÃO 16 - ENUNCIADO E RESPOSTA NO CLASSTIME
Assumindo que os usuários do Produto A estavam mais expostos do que os usuários de outros produtos de LT, calcule o risco de SME, o risco relativo e a percentagem do risco atribuível para cada categoria de exposição. O que significa cada uma dessas medidas ?
QUESTÃO 17 - ENUNCIADO E RESPOSTA NO CLASSTIME
Por que o estudo tipo caso-controle foi realizado primeiro? Por que efetuar um estudo caso-controle adicional? E por que um estudo de coorte ?
QUESTÃO 18 - ENUNCIADO E RESPOSTA NO CLASSTIME
Elabore uma lista de critérios de validação de nexo causal. Indique se esses critérios são encontrados nestes estudos de SME e LT.
Até 2 de julho de 1991, um total de 1.543 casos de SME, incluindo 29 mortes, foram notificados ao CDC pelas Secretarias Estaduais de Saúde. Casos esporádicos ainda têm sido registrados, geralmente envolvendo pacientes que continuaram a utilizar LT, apesar da publicidade a respeito do problema e de sua retirada do mercado pela FDA. Os procedimentos de retiradas de um produto do comércio são complexos, pois o mercado negro pode continuar vendendo o produto, permitindo a continuidade da ocorrência da doença.
A investigação a respeito do espectro clínico da doença associada à ingestão de LT é uma das prioridades da pesquisa. Os conhecimentos atuais indicam que há uma grande variedade de manifestações clínicas na doença associada ao LT, manifestações estas não incluídas totalmente na definição de caso de SME pelo CDC. Isto ocorreu provavelmente porque a doença era nova, com pouco conhecimento a seu respeito, o que levou o CDC a elaborar uma definição de caso de SME com maior ênfase na especificidade do que na sensibilidade. Provavelmente o número de casos foi bem acima do relatado; é possível que o total de casos seja duas a três vezes superior. Os resultados do estudo de coorte realizado no Estado da Carolina do Sul demonstram que a exposição de LT não é diferente entre homens e mulheres. O estudo desta coorte demonstrou, também, que o risco em adquirir a SME aumentava à medida que aumentava a dose ingerida de LT de uma específica marca comercial.
Análises laboratoriais continuam a buscar a identificação de contaminantes. Muitos picos são consistentemente extraídos em cromatografia, e o trabalho é direcionado para identificar os componentes responsáveis por esses picos. Indóis e substâncias semelhantes à bacitracina, por exemplo, têm sido identificados em vários casos associados a amostras de LT, mas o significado destes achados ainda é obscuro. Embora várias substâncias estejam sendo encontradas e apresentem impurezas desses produtos, o seu papel em relação ao desenvolvimento da SME ainda não foi determinado. Um contaminante, o 1,1’etilidine bis (L-triptofano) foi identificado e sintetizado e está sendo aplicado em testes efetuados em animais. Até que seja disponível um modelo animal para estudos do SME em laboratório ou um teste laboratorial “in vitro” com bom desempenho, a identificação de um agente etiológico específico é pouco provável. Esforços continuam sendo realizados para melhorar os ensaios “in vitro” e em animais.
Finalizando, esta epidemia teve uma grande repercussão nos regulamentos elaborados pelo FDA. O episódio de LT sugere que suplementos alimentares e possivelmente drogas, obtidos de organismos geneticamente alterados em processos de fermentação, podem levar a baixas concentrações de impurezas biologicamente ativas. Para podermos prevenir episódios semelhantes no futuro, é necessário um melhor e mais profundo conhecimento a respeito.
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Fonte: CENTERS FOR DISEASES CONTROL AND PREVENTION - EIS/CDC, 1992.
Material traduzido no Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, pelo Prof. Eliseu Alves Waldman e pela Dra. Chang C.S. Waldman.
Copyright© 1999 da tradução em português: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.
Autorizada a reprodução deste texto, desde que citada a fonte
Hertzman, P A et al. “Association of the eosinophilia-myalgia syndrome with the ingestion of tryptophan.” The New England journal of medicine vol. 322,13 (1990): 869-73. doi:10.1056/NEJM199003293221301