“Você tem nas mãos um outro olhar para a cidade que me acolheu e na qual construí minha própria história. Meu desejo é que isso o motive a também construir seu próprio olhar sobre ela.”
— Daniel Munduruku, em “Crônicas de São Paulo”
Você já parou para olhar São Paulo de verdade? Para perceber os rios visíveis ou escondidos e os nomes de ruas que guardam histórias? Quem passou por ali? O que existia antes? O que permanece?
Movido por essas perguntas, o 3º ano se aventurou a descobrir outras camadas da cidade: a presença indígena e seus territórios, as histórias negras, suas resistências e os encontros entre culturas que transformam a cidade.
Nesse percurso, os rios também ganharam protagonismo. Escondidos sob avenidas, lembram que a paisagem nem sempre foi como a conhecemos e que aquilo que não vemos continua a existir.
A cada descoberta, novas perguntas surgiram, revelando que um lugar nunca é apenas um espaço: guarda memórias e histórias que nem sempre aparecem nos mapas, mas permanecem nos territórios.
Assim, o chão da sala se transformou em mapa vivo – tecido pelas pesquisas, fotografias, desenhos e descobertas das crianças. Mais do que representar São Paulo, reuniu diferentes tempos, vozes e memórias, revelando uma cidade feita de muitas cidades.
Ocaguassu, expressão associada à ideia de uma grande aldeia de “muitas gentes”, nos convida a pensar São Paulo como um território de muitos povos, histórias e memórias, que carrega as marcas daqueles que a habitaram e seguem habitando.
Ana Chinellato, Rita Andrade, Agatha Pires e João Pereira