Mundial no Qatar sim ou não?
O Campeonato Mundial de futebol , no Qatar, trouxe à ribalta problemas graves que perduram há vários anos.
Na nossa opinião, realizar este Mundial em dezembro, no Médio Oriente, foi um erro grosseiro causado pelo poder do dinheiro e, sobretudo, por capricho. Esse erro até pode ser corroborado pelas afirmações de Joseph Blatter, ex-presidente da FIFA na altura da votação, o qual admitiu, recentemente, que foi “uma má escolha”.
O Qatar foi acusado de pagar mais de três milhões de euros em subornos a funcionários da FIFA para garantir o seu apoio. A acusação foi recusada firmemente e, mais tarde, foi ilibada pelo Comité de Ética da FIFA. Apesar disso, as suspeitas mantêm-se e diversos membros do Comité Executivo da FIFA foram suspensos ou, mesmo, banidos do futebol.
Todavia, esse dinheiro não apaga as polémicas que se sucederam, sobretudo no que diz respeito à violação dos direitos humanos, nomeadamente a exploração do trabalho dos migrantes em situação de precariedade laboral para a construção dos estádios. Em dezembro de 2010, desde que foi anunciado como o país acolhedor do Mundial, muitos foram os preparativos e investimentos para receber este megaevento e o Qatar, sendo um país com a terceira maior reserva de petróleo e de gás natural em todo o planeta, não poupou meios. Foram doze anos de muitas manifestações, polémicas, escândalos, perdas humanas, violência física e verbal, desigualdade das mulheres e da comunidade LGBT, bem como restrições à liberdade de imprensa e de expressão. Por outras palavras, o sonho do Mundial só se tornou possível com o pesadelo dos trabalhadores que o transformaram em realidade. Mesmo assim, 1,2 milhões de pessoas não perderam tempo a viajar para o Qatar e por lá ficarem os vinte e oito dias a assistir aos diferentes jogos, usufruindo de todas as condições e estruturas de acolhimento dos qataris. Não obstante, sabe-se que a falta de alojamento levará a que muitos adeptos fiquem alojados em países vizinhos.
Assim, parece-nos que este Campeonato Mundial de Futebol ficará para a História como um evento desportivo maior manchado de sangue, em que os espetadores foram cúmplices de um gravíssimo desrespeito pelos direitos básicos de muitas pessoas enquanto cidadãos e trabalhadores, contrariando os princípios que norteiam o futebol , o “desporto-rei” que mais une as pessoas em todo o mundo.