Apresentamos nesta seção algumas teorias de aprendizagem que embasaram a metodologia proposta neste site e que consideramos essenciais para que o professor reveja todas a vezes que achar necessário a fim de desempenhar seu trabalho com qualidade.
O desenvolvimento cognitivo em Piaget
Aumento de conhecimento:
Para compreendermos o conceito de aumento de conhecimento (que podemos relacionar com a noção de aprendizagem) proposta por Piaget, é necessária a apresentação de alguns termos presentes em sua obra:
- assimilação: processo de incorporação da realidade aos esquemas mentais, ou estruturas cognitivas, criados pelo organismo impondo-se ao meio. Nesse processo, não há modificação do organismo;
“Por exemplo, quando se diz que uma grandeza física é vetorial, incorpora-se essa grandeza ao esquema “vetor”. Outro exemplo: quando se mede uma distância, usa-se o esquema de “medir” para assimilar a situação”. (Moreira M. , 1999, p. 100)
- acomodação: processo de modificação dos esquemas mentais, ou da estrutura cognitiva, da pessoa quando não é possível a assimilação em determinada situação. Vale frisar que não existe a acomodação sem a assimilação, pois podemos entender que na acomodação acontece a reestruturação da assimilação;
- adaptação: equilíbrio harmônico entre a assimilação e a acomodação frente às novas situações;
Experiências acomodadas dão origem, posteriormente, a novos esquemas de assimilação e um novo estágio de equilíbrio é atingido. Novas experiências, não assimiláveis, levarão a novas acomodações e a novos equilíbrios (adaptações) cognitivos. Este processo de equilibração prossegue até o período das operações formais e continua na fase adulta, na idade adulta, em algumas áreas da experiência do indivíduo. (Moreira M. , 1999, p. 100)
- equilibração majorante: processo reequilibrador decorrente reestruturação do organismo na acomodação (da estrutura cognitiva) a fim de atingir novo equilíbrio. A equilibração majorante é considerado o fator principal no desenvolvimento mental;
Na medida em que as estruturas intelectuais disponíveis se tornam insuficientes para operar com uma nova situação, ocorrem contradições ou discrepâncias em seu conhecimento atual, acarretando desequilíbrio. Procedendo num movimento espiral, naturalmente, essas estruturas começam a se adaptar às novas circunstâncias, indo em direção a um estado superior e mais complexo de equilíbrio. Piaget denomina esse movimento de “equilibração majorante”, uma vez que ao longo dele, as perturbações cognitivas são superadas. É por meio desse processo interminável de desequilíbrios e novas equilibrações superiores que, no entender de Piaget, ocorrem a construção e a progressão do conhecimento. (Palangana, 2015, p. 27)
Dessa forma, podemos dizer que para Piaget a aprendizagem, ou o aumento de conhecimento do indivíduo, se efetiva quando o esquema de assimilação sofre acomodação no processo de equilibração majorante.
Desenvolvimento e aprendizagem:
Para Piaget, os processos de desenvolvimento (que são biológicos) e de aprendizagem são independentes, pois o indivíduo, através da maturação, passará invariavelmente pelos estágios de desenvolvimento cognitivos: sensório motor, o pré-operatório, o operatório concreto e por fim, o operatório formal (de Souza Filho, 2008).
Vale destacar que, de acordo com Piaget, a aprendizagem de determinado assunto depende da maturação do organismo (da mente), ou seja, do estágio de desenvolvimento cognitivo da pessoa, assim, o desenvolvimento deve preceder a aprendizagem (Jófili, 2002). Ainda com relação à aprendizagem, é importante ressaltar que Piaget é considerado um autor interacionista, pois de acordo com seus trabalhos a aprendizagem depende da interação entre sujeito e objeto (Palangana, 2015).
Sem dúvida, Piaget assumiu uma postura interacionista ao analisar a relação entre desenvolvimento e aprendizagem. Basta lembrar que o conhecimento, segundo ele, seria construído na interação do sujeito com o mundo externo (objeto e pessoas). (Palangana, 2015, p. 88).
O desenvolvimento cognitivo em Vygotsky
Desenvolvimento cognitivo:
Podemos dizer que para Vygotsky o desenvolvimento intelectual de uma pessoa é fortemente influenciado pelas interações sociais que realiza ao longo da vida. Palangana (2015) comenta que para Vygotsky:
Os fatores biológicos preponderam sobre os sociais apenas no início da vida. Aos poucos, o desenvolvimento do pensamento e o comportamento da criança passam a ser orientados pelas interações que ela estabelece com pessoas mais experientes. (Palangana, 2015, p. 102)
As interações sociais são promovidas pela linguagem, que têm um peso muito significativo na estruturação dos processos cognitivos da criança.
A aquisição de um sistema linguístico organiza todos os processos mentais da criança, dando forma ao pensamento. Mas isso não é tudo. Além de nomear um objeto do mundo externo, a palavra também especifica as principais características desse objeto, generalizando-as para, em seguida, relacioná-las em categorias. Daí a importância da linguagem no desenvolvimento do pensamento: ela sistematiza a experiencia direta da criança e orienta seu comportamento, propiciando-lhe condições de ser tanto sujeito como objeto desse comportamento. (Palangana, 2015, p. 102)
Uma vez que toda linguagem pertence a certo contexto histórico e social, o desenvolvimento cognitivo de um indivíduo é fortemente influenciado pelas experiências socioculturais que são oportunizados a ele.
É possível constatar que o ponto de vista de Vygotsky é que o desenvolvimento humano é compreendido não como uma decorrência de fatores isolados que amadurecem, nem tampouco de fatores ambientais que agem sobre o organismo controlando seu comportamento, mas sim através de trocas recíprocas, que se estabelecem durante toda a vida, entre indivíduo e meio, cada aspecto influenciando sobre o outro. (Rego, 2014, p. 95).
Nesse quesito, em comparação com Piaget, podemos dizer que Vygotsky apresenta um contraponto importante, pois ele sugere que a aprendizagem (que é decorrência das interações sociais) é fator essencial no desenvolvimento cognitivo. Segundo Jófili (2002, p. 192), “no primeiro aspecto, temos, por um lado, a convicção de Piaget de que o desenvolvimento precede a aprendizagem e, por outro, a afirmação de Vygotsky de que a aprendizagem pode (e deve) anteceder o desenvolvimento”.
Zona de desenvolvimento proximal - ZDP:
Para Vygotsky, a aprendizagem somente se realiza quando acontece dentro da zona de desenvolvimento imediato, ou proximal do indivíduo (ZDP). Essa zona é entendida como a diferença entre o nível de desenvolvimento real do indivíduo, que é explicitada pela capacidade de resolver problemas de forma independente, e o nível de desenvolvimento potencial, no qual o indivíduo resolve problemas apenas com a ajuda de alguém mais capaz (Moreira M. , 1999).
Aprendizagem significativa e organizadores prévios na teria de Ausubel
Aprendizagem significativa:
David Ausubel, em sua teoria de aprendizagem, apresenta o conceito de “aprendizagem significativa” como sendo muito mais relevante do que a costumeira “aprendizagem mecânica”. Essa última é a que mais acontece no contexto escolar, sua ênfase se dá memorização de conteúdos que são cobrados em provas. Porém, essa aprendizagem é volátil, e logo os estudantes esquecem o que aprenderam (Moreira M. , 2013).
A “aprendizagem significativa” acontece quando uma nova informação é ancorada aos subsunçores. Os subsunçores, ou conceitos subsunçores, são os conhecimentos preexistentes no indivíduo, ou seja, que formam a sua estrutura cognitiva e que servem como suporte para a assimilação de novos conceitos. Vale destacar que nesse processo de aprendizagem cognitiva, os subsunçores acabam sofrendo modificações, ou seja, a estrutura cognitiva se modifica – se amplifica (Moreira M. , 1999).
Organizadores prévios:
Quando o estudante não tem os subsunçores necessários para aprender determinado assunto, podem-se utilizar os organizadores prévios, que são entendidos como:
Organizador prévio é um recurso instrucional apresentado em um nível mais alto de abstração, generalidade e inclusividade em relação ao material de aprendizagem. Não é uma visão geral, um sumário ou um resumo que geralmente estão no mesmo nível de abstração do material a ser aprendido. Pode ser um enunciado, uma pergunta, uma situação-problema, uma demonstração, um filme, uma leitura introdutória, uma simulação. Pode ser também uma aula que precede um conjunto de outras aulas. As possibilidades são muitas, mas a condição é que preceda a apresentação do material de aprendizagem e que seja mais abrangente, mais geral e inclusivo do que este. (Moreira M. , 2013, p. 14).
Dessa forma, os organizadores prévios são facilitadores para a aprendizagem de conteúdos com o quais os estudantes podem não ter familiaridade.