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Dia 22, às 17h10
Dia 22, às 17h10
Ananda Karla Alves Neundorf
Orientadora: Profª. Drª. Lucelia Donatti
Laboratório de Biologia Adaptativa
A Bacia Hidrográfica do Rio Guaraguaçu (BHG), localizada no litoral do Paraná, apresenta ao seu redor desde áreas bem preservadas até regiões com grande influência antrópica, o que pode refletir na qualidade do ambiente aquático. A presença de aterros sanitários e o descarte de efluentes domésticos, e.g., possibilita a entrada de diferentes contaminantes ao longo da bacia, que tornam-se disponíveis para bioacumulação e biomagnificação, representando uma ameaça aos ecossistemas aquáticos. A partir dessa perspectiva, o presente trabalho propõe avaliar o impacto da antropização na ictiofauna da BHG, utilizando diferentes parâmetros biológicos. Será analisada a concentração de microplásticos no trato gastrointestinal de diferentes espécies de peixes coletadas na BHG (>10 indivíduos/espécie/setor), previamente dividida em 4 setores, de acordo com suas características ambientais. Também serão analisados biomarcadores do estresse oxidativo e alterações histopatológicas em Deuterodon langei (n=12/ponto), Hyphessobrycon reticulatus (n=12/ponto) e Geophagus iporangensis (n=12/ponto), coletados em três pontos diferentes da BHG: P1, área mais preservada do Rio Guaraguaçu; P2, no Rio das Pombas, área com maior presença antrópica, mas ainda preservada (exceto G. iporangensis) e; P3, no Rio Pery, área visivelmente antropizada, próximo ao Aterro Sanitário de Pontal do Paraná. Parâmetros físico-químicos da água e o sedimento, para detecção de poluentes orgânicos persistentes (POPs) e metais traço, foram coletados. O P3 apresentou maior concentração de sólidos totais dissolvidos e menor concentração de oxigênio em relação aos demais pontos. A concentração de POPs analisados, para todos os pontos, estão abaixo do limiar definido pela resolução CONAMA N° 454/2012 como capazes de criar efeitos adversos à biota. As análises de parâmetros biológicos serão realizadas a partir de agosto. Nossa hipótese é que a concentração de microplásticos, a resposta dos biomarcadores do estresse oxidativo e as alterações histopatológicas serão maiores em peixes coletados nas áreas mais antropizadas.
Palavras-chave: Alterações Histopatológicas, Contaminação ambiental, Efluentes domésticos, Estresse oxidativo.
Financiamento: CAPES e CNPq.
Camila Naomi Lermen
Orientadora: Profª. Drª. Márcia Cristina Mendes Marques
Laboratório de Ecologia Vegetal
A biodiversidade sustenta a maioria das funções e serviços ecossistêmicos que são essenciais para a vida humana. A qualidade de habitat diz respeito à capacidade de um ecossistema de fornecer condições e recursos adequados para a sobrevivência de indivíduos ou populações. A biodiversidade e qualidade de habitat são intimamente relacionadas, sendo uma relação positiva, onde áreas com maior qualidade de habitat sustentam uma maior biodiversidade. A preservação da biodiversidade tem se tornado cada vez mais um tema presente em todas as esferas da sociedade. Ainda assim, governos e formuladores de políticas têm tido dificuldade em entender como manter um equilíbrio entre o desenvolvimento socioeconômico e a conservação da biodiversidade e serviços ecossistêmicos. Nesse contexto, o objetivo desse trabalho é avaliar a qualidade de habitat no Estado do Paraná, através da identificação de áreas vulneráveis a impactos antropogênicos. Nós utilizaremos o mapa de uso e cobertura do solo (UCS) do Paraná de 2021, disponibilizado pelo MapBiomas. As classes de UCS serão analisadas qualitativamente em termos dos seus possíveis efeitos como ameaça ou favorecimento à biodiversidade de guildas de organismos chave (abelhas, árvores e gramíneas) dependentes de floresta ou campo/cerrado. Para espacializar as ameaças e as áreas de alta qualidade de habitat vamos usar o módulo de “qualidade do habitat” do software InVEST (Integrated Valuation of Environmental Services and Tradeoffs). Os resultados obtidos através do InVEST, podem fornecer informações valiosas para gerentes e formuladores de políticas, como mapeamento e avaliação dos serviços ecossistêmicos relacionados à qualidade do habitat. Esperamos que os resultados deste trabalho sejam úteis para orientar decisões e para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à conservação e restauração da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.
Palavras-chave: Biodiversidade, InVEST, Mudança no uso do solo, Serviços ecossistêmicos.
Financiamento: CAPES.
Msc. Eduarda Roberta Bordin
Orientadora: Profª. Drª. Marta Margarete Cestari
Laboratório de Citogenética Animal e Mutagênese Ambiental
As nanopartículas de óxido de zinco (NPs-ZnO) são utilizadas para diversos fins, destacando-se para aplicação na área biomédica. Visando sua utilização como agentes antimicrobianos, o processo de dopagem é empregado com o intuito de aprimorar as características das NPs-ZnO. Dentre os dopantes, os elementos terras raras Cério (Ce) e Érbio (Er) possuem potencial para aplicação nanomédica. Dessa forma, o objetivo desse estudo foi avaliar a ecotoxicidade das nanopartículas de ZnO não dopadas (NPs-ZnO) e dopadas com os elementos terras raras Cério (NPs-ZnO-Ce) e Érbio (NPs-ZnO-Er) no modelo biológico Allium cepa. Para tanto, sementes de Allium cepa foram expostas às soluções contendo nanopartículas nas concentrações de 0,02; 0,2; 2; 20 e 200 mg/L. O ensaio foi realizado em triplicata, com duração de 120 h e renovação das soluções a cada 24 h. Ao final do experimento a toxicidade foi avaliada através do índice de germinação e crescimento radicular. Além disso, raízes foram coletadas para análise da citotoxicidade, avaliada através do índice mitótico, da genotoxicidade, avaliada através do índice de anormalidades cromossômicas e nucleares, e da frequência de micronúcleos. A germinação das sementes de Allium cepa não foi afetada pela exposição às NPs-ZnO não dopadas e dopadas com os elementos terras raras Cério e Érbio, em todas as concentrações testadas. Entretanto, o crescimento radicular foi significativamente inibido (p < 0,05) na maior concentração (200 mg/L). Não foram verificados efeitos de citotoxicidade, genotoxicidade e aumento da frequência de micronúcleos após exposição as nanopartículas não dopadas e dopadas, em todas as concentrações testadas (0,02; 0,2; 2 e 20 mg/L). Os resultados indicam que essas nanopartículas podem ser empregadas como agentes bactericidas, até a concentração de 20 mg/L, por não causarem efeitos neste bioindicador de ecotoxicidade terrestre. Porém, mais estudos devem ser realizados com o objetivo de confirmar a ecotoxicidade desses nanomateriais para demais organismos.
Palavras-Chave: Anormalidades cromossômicas, Ecotoxicologia, Nanotoxicidade, Micronúcleo.
Financiamento: CAPES.
Msc. Elielson Lucas Ferreira
Orientador: Prof. Dr. Marcos Bergmann Carlucci
Laboratório de Ecologia Funcional e Comunidades
Inside the Atlantic Forest and Pampa, grassland and forests coexist in the highlands. These ecotones are the result of current climate and fire regimes, and also of past climate changes. Since the Pliocene, climate oscilations have contributed to forest expansion over grasslands during warmer and wetter periods and grassland expansion during cooler and drier periods. Under the warming caused by human global changes, it’s highly necessary to understand this dynamic of expansion and retraction to allow the conservation of species occurring in the mosaics. Since grasslands are more exposed to fire and cold temperatures than forests, we expect that grassland communities of woody plants have different species composition from the forest communities. Additionally, we expect a variation in species composition between regions, since the ecotones are submitted to different climates and influences from other biomes. We used a dataset comprising ecotonal woody communities from the Pampa (PA), the highlands of South Brazil (SH) and the Mantiqueira mountains (MA). Forest communities where available for all regions, while grassland communities where just available for PA and SH. We conducted a nMDS and a PERMANOVA to visualize and calculate the effect of habitat and region on the studied communities. The greater part of the variation in species composition was explained by region (R2 = 11,2%, P < 0,001), followed by habitat (R2 = 2,9%, P < 0,001) and the interaction between them (R2 = 2,0%, P < 0,001). Grassland communities were more dispersed in the nMDS space than forests (stress = 0.093). PA communities were more distinct from the others, and SH communities apparently formed two separated groups. The lack of a latitudinal pattern and the separation of SH communities, aligned with the higher variation in grasslands, suggest that neighbour biomes like Cerrado may have distinct contributions to the flora of the regions.
Palavras-chave: Campos, Beta-diversidade, Ecótono, Expansão Florestal.
Financiamento: PRPPG.
Isabela Pivetta Trentini
Prof. Dr. Fernando de Camargo Passos
Laboratório de Biodiversidade, Conservação e Ecologia de Animais Silvestres
O Axis axis (Erxleben, 1777) é uma espécie exótica de cervídeo introduzida na Argentina e Uruguai que avançou sobre a fronteira com o Brasil e tem aumentado sua distribuição no país. As ocorrências se concentram na região sul, área que compreende a distribuição de espécies nativas como Ozotoceros bezoarticus, Mazama jucunda e Subulo gouazoubira. Em função da alta plasticidade de dieta e uso de habitats pelo A. axis, o aumento de sua área de ocorrência pode gerar impactos negativos para espécies cervídeos nativos devido ao uso de recursos limitantes. Sabendo que invasões biológicas tem sido uma das maiores ameaças à biodiversidade, o objetivo do trabalho é investigar o potencial de impacto do cervídeo exótico através da sobreposição de nicho ecológico. Com esse fim, foi elaborado um modelo de distribuição de espécies (SDMs) para prever a potencial expansão de A. axis no Brasil. A sobreposição entre espécies será inferida através de análises unificadas de para medir a sobreposição de nicho ecológico. Foram coletadas ocorrências de A. axis, M. jucunda, S. gouazoubira e O. bezoarticus a partir da literatura, INaturalist e registros não publicados do Núcleo de Pesquisa e Conservação de Cervídeos. Ainda, análises isotópicas a partir de amostras fecais de cada espécie, próximas ao Rio Grande do Sul (Brasil), utilizadas para caracterizar o nicho isotópico através da concentração de δ13C e δ15N. Variáveis bioclimáticas e cobertura florestal foram obtidas pelo Worldclim e Global Forest Watch, respectivamente. O SDM indica concentração da espécie invasora nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com esse resultado, esperamos alta taxa de sobreposição de nicho ecológico com as espécies nativas O. bezoarticus e S. gouazoubira, evidenciando o potencial competitivo da espécie invasora, resposta a ser confirmada através da sobreposição de nicho.
Palavras-chave: Cervídeo, Invasão, Isótopos estáveis, Nicho.
Financiamento: CAPES.
Jose Carlos Ricardo-Molina
Prof. Dr. Fernando de Camargo Passos
Laboratório de Biodiversidade, Conservação e Ecologia de Animais Silvestres
As redes de interação ecológica são representações gráficas das relações entre espécies por meio de diferentes tipos de mecanismos. Esses mecanismos podem ser entendidos como processos coevolutivos das espécies envolvidas. Estudos indicam que o processo de diversificação das mariposas (ordem Lepidoptera) foi simultâneo à diversificação das plantas angiospermas das quais elas se alimentam, envolvendo processos complexos de adaptação biológica, ecológica e evolutiva, formando uma complexa rede de interação. Nesse complexo de coevolução, as lagartas do gênero Lonomia (família Saturniidae) se adaptaram para utilizar várias espécies de angiospermas como recurso alimentar, sendo considerados como generalistas, no entanto, pouco se aprofundou sobre as redes de interação e o contexto ecológico para essas espécies. O objetivo do presente projeto é identificar a estrutura da rede de interação planta-herbívoro em larvas do gênero Lonomia (Saturniidae – Lepidoptera) para a região Neotropical, para assim conhecer a riqueza de espécies envolvidas, juntamente com o comportamento estrutural dos organismos na montagem deste tipo de interações. Foi feita uma revisão de literatura científica e criado um banco de dados das espécies de plantas alimentícias para espécies do gênero Lonomia, utilizando plataformas científicas como Scopus, PubMed, ScienceDirect e Google Scholar. Também foi construída uma matriz binária de presença e ausência da interação entre as espécies identificadas para desenvolver a estrutura da rede junto aos cálculos de métricas no nível do grupo. As análises foram feitas no software R. Como resultados parciais, na revisão foram identificadas 9 espécies de Lonomia interagindo com 86 espécies de plantas alimentícias. A rede sugere uma estrutura modular com grupos pouco conectados entre si, sendo Hampea appendiculata e Lonomia obliqua as espécies com maior número de interações registradas. A estrutura modular da rede pode ser explicada por forças seletivas divergentes, o que pode representar unidades coevolutivas restringidas pela história evolutiva, distribuição geográfica ou aspetos bioclimáticos das espécies envolvidas. Também as espécies envolvidas nessa interação respondem a grupos alimentares típicos das florestas neotropicais, os quais além de sincronizar aspectos fenológicos juntamente com o estágio larval de Lonomia, pela sua distribuição e abundância na região neotropical podem aumentar a probabilidade de interação na procura de recursos em áreas convergentes.
Palavras-chave: Interação planta-herbívoro, Lonomia, Lepidoptera, Neotrópico.
Financiamento: CAPES.
Josué Bardi Araldi
Orientador: Prof. Dr. Marcos Bergmann Carlucci
Laboratório de Ecologia Funcional e Comunidades
A Floresta de Araucária foi reduzida a uma fração mínima de sua distribuição original. Como resultado, a espécie originalmente dominante, Araucaria angustifolia, foi levada à beira da extinção. Compreender a ecologia dessa espécie é crucial para salvar a espécie da extinção e desenvolver planos de conservação para restaurar os remanescentes da Floresta de Araucárias. Neste estudo, abordaremos um assunto amplamente discutido: a dependência de A. angustifolia da luz solar e sua capacidade de regeneração em áreas de sub-bosque sombreadas. Araucaria angustifolia pode ser classificada como pioneira de longa vida ou como uma espécie seral. A primeira indica uma necessidade muito forte de luz solar para crescer e recrutar indivíduos para a população, enquanto a última indica que a espécie é capaz de regenerar sua população no interior das florestas. Neste projeto, testaremos hipóteses de que a necessidade de A. angustifolia por luz solar é uma preferência em vez de uma necessidade. Suas plântulas são capazes de sobreviver e crescer em condições de sombra por até 18 meses. Entretanto, existem lacunas de conhecimento sobre se os indivíduos juvenis com mais de 18 meses conseguem sobreviver no sub-bosque sombreado até atingirem o dossel. Isto seria evidência para a classificação de A. angustifolia como uma espécie seral. Pretendemos encontrar indivíduos em estágio de muda e juvenis ocorrendo em um gradiente de condições luminosas, medindo a abertura do dossel, declividade e aspecto solar como variáveis ambientais que afetam os atributos funcionais. Os atributos funcionais medidos para cada indivíduo serão: comprimento do galho, arquitetura da copa, diâmetro à altura do peito, altura, área foliar, área foliar específica e conteúdo de massa seca foliar. Também mediremos a razão de Carbono para Nitrogênio nas folhas dos indivíduos. Prevemos que os indivíduos sombreados apresentarão menor comprimento do galho, diâmetro à altura do peito e altura, maior área foliar e área foliar específica e menor conteúdo de massa seca. Também esperamos uma razão de Carbono para Nitrogênio menor, assim como uma alteração na arquitetura da copa.
Palavras-chave: Condições ambientais, Dependência de luz, Espécie ameaçada de extinção, Morfologia vegetal.
Financiamento: CNPq e financiamento FUNPAR.
Julia Anselmo da Luz Rico
Orientadora: Profª. Drª. Karla Magalhães Campião
Laboratório de Interações Biológicas
A rã-touro (Lithobates catesbeianus) é hospedeira do ranavírus, um patógeno associado a alta mortalidade em anuros. Os espécimes adultos podem apresentar resistência ao ranavírus, e assim, atuar como reservatórios, dispersando o patógeno no ambiente. Apesar disso, as informações sobre o impacto da rã-touro na transmissão desse vírus aos anuros nativos ainda são escassas. Desse modo, o presente estudo visa investigar a dinâmica de transmissão de ranavírus em comunidades de anuros nativos da Floresta Atlântica, através de modelagem ecológica. Nosso modelo foi fundamentado no modelo epidemiológico SIS, que divide a população hospedeira em suscetíveis e infectados. Além disso, dividimos a população por estágio de vida (girinos e adultos), e foi combinado com as classes epidemiológica, gerando 4 grupos. Como o vírus é transmitido, principalmente, pela água, essas classes são conectadas por uma rede de contato mediada por um corpo hídrico, influenciando a probabilidade de infecção. A partir dos parâmetros do modelo, foram simuladas redes de interação na ausência e na presença da rã-touro em uma comunidade composta por oito espécies de anuros nativos com hábitos ecológicos diferentes, com o objetivo de testar o modelo. Foi calculada a prevalência de infecção por ranavírus nos girinos e adultos. Na presença da rã-touro, a prevalência nos girinos nativos variou entre 0,19 e 0,26, enquanto nos girinos invasores foi de 0,12. Já a prevalência nos adultos nativos variou entre 0,13 e 0,27, e nos adultos invasores foi de 0,33. Na ausência da rã-touro, a prevalência de ranavírus nos girinos nativos variou entre 0,021 e 0.032, enquanto a prevalência do vírus nos adultos nativos variou entre 0.014 e 0.027. Esses resultados sugerem que a presença da rã-touro amplificou a infecção de ranavírus no ambiente. Contudo, alguns parâmetros do modelo ainda estão sendo ajustados para serem mais condizente com a realidade.
Palavras-chave: Espécie invasora, Modelo SIS, Patógeno Emergente, Rede de Contato.
Financiamento: CAPES.
Julia Caroline Prade de Souza Cabral
Orientador: Prof. Dr. Mauricio Osvaldo Moura
Laboratório de Dinâmicas Ecológicas
Introdução: A Mata Atlântica abriga diversos rapinantes, incluindo o gavião-pombo-pequeno (Amadonastur lacernulatus, Temminck, 1827), endêmico do Brasil e Vulnerável à extinção em nível mundial e nacional. A espécie ocupa principalmente Floresta Ombrófila Densa e Matas de Baixadas, porém, apresenta alguns registros em Floresta Ombrófila Mista, Floresta Ombrófila Aberta e restingas arbóreas. Ao considerar a distribuição do sul da Bahia ao nordeste do Rio Grande do Sul, as pressões antrópicas e as mudanças climáticas, é possível que o seu status de conservação atual seja alterado. Objetivo: Determinar o efeito das mudanças climáticas na distribuição de A. lacernulatus. Métodos: Para a base de dados, utilizamos as plataformas WikiAves e GBIF. Clima atual: Realizamos análises de correlação entre 19 variáveis climáticas para evitar multicolinearidade, selecionando: temperatura média mensal, temperatura média do trimestre mais seco, precipitação anual e precipitação do mês mais seco. Clima futuro: Utilizamos as variáveis: média mensal da temperatura mínima, média mensal da temperatura máxima, precipitação mensal total e variáveis bioclimáticas. Processamento: Os modelos de nicho foram ajustados no pacote flexsdm. O modelo de circulação global HadGEM3-GC31-LL foi selecionado por ser amplamente utilizado. Selecionamos a abordagem ensemble forecast, com os modelos GAU, GBM e GLM. Resultados: A modelagem de nicho atual mostra dois centros principais de ocorrência, um entre baixadas e serras do sudeste e sul do país, abrangendo São Paulo, Paraná e Santa Catarina e outro no Nordeste, região sul da Bahia. Apesar de alguns registros ocorrerem fora destes pontos, as taxas de adequabilidade climática mostram a Floresta Ombrófila Densa como mais apropriada para a espécie. Nas projeções futuras, percebe-se um grau de isolamento maior entre os centros de ocorrência, perdendo a conectividade de clima adequado. Conclusão: podemos considerar que a área climaticamente adequada para Amadonastur lacernulatus sofrerá redução e isolamento, mesmo em projeções mais brandas de alterações climáticas.
Palavras-chave: Aves de rapina, Conservação, Floresta Ombrófila Densa, Mudanças climáticas.
Financiamento: CAPES.
Msc. Juliana Rosa Matias Ciccheto
Orientadora: Profª. Drª. Sabrina Borges Lino Araujo
Laboratório de Interações Biológicas
Understanding the mechanisms and processes that shape biodiversity patterns is essential for comprehending species responses to global changes. Landscape strucutre, characterized by its spatial arrangment and land-use patterns, can act as a significant physical barrier influencing speciation dynamics. In this study, we employ an individual-based model with explicit space and genetically modeled individuals to investigate the influence of landscape structure on the evolutionary history of species. The model is based on the Aguiar et al. (2009) formulation, where the genome of haploid individuals is encoded as binary strings, and reproduction is influenced by genetic similarity. By testing different levels of spatial autocorrelation, we explore the interplay between landscape configuration (Landscape Range) and species dispersal capacity (D) on ecological and evolutionary scenarios. Our results reveal that a limited dispersal capacity (D= 2) leads to higher species richness but lower population abundance. Additionally, we observed an increase in species richness as spatial autocorrelation decreases. Conversely, populations with higher dispersal capacity (D= 6) rarely speciate under high landscape autocorrelation. Furthermore, unlike D= 2, the minimal landscape autocorrelation is not the one that most favor the speciation events but an intermediate autocorrelation. We found that the configuration of the landscape is important for individuals speciation dynamics. Intermediate levels of connectivity between patches play a facilitating role in movement and parapatric speciation. In this context, the dispersal capacity of individuals becomes crucial in interpreting the landscape, as it can either restrict or enable their exploration of the space.
Palavras-chave: Dispersion, Individuals Based Model, Land use, Speciation.
Financiamento: CAPES.
Luana Meister
Orientadora: Profª. Drª. Márcia Cristina Mendes Marques
Laboratório de Ecologia Vegetal
A distribuição dos serviços ecossistêmicos é influenciada por diferentes aspectos ecológicos e sociais, o que sujeita a produção dos diferentes serviços às configurações espaciais. A interação entre os serviços ecossistêmicos pode implicar na ampliação ou redução da provisão, e considerar a ocorrência simultânea de diferentes serviços pode contribuir para o planejamento espacial dos recursos naturais. Com esse objetivo, realizou-se o levantamento e mapeamento de oito serviços ecossistêmicos (estoque de carbono, conservação do solo, balanço hídrico, biodiversidade, produção de commodities, feijão, mandioca e café) no estado do Paraná. Foram analisadas as correlações e as possíveis interações entre os serviços a partir de oito indicadores. Posteriormente, cada serviço foi categorizado a partir da similaridade dos dados, possibilitando o agrupamento das observações e espacialização de cada serviço para os municípios do estado (n = 399). A correlação dos serviços nos municípios do estado do Paraná demonstrou correlação positiva entre biodiversidade, conservação do solo, estoque de carbono e balanço hídrico. Para a agricultura, a produção de feijão e commodities (trigo, soja e milho) apresentaram correlação positiva, mas negativa entre café e a mandioca. A conservação do solo e o estoque de carbono também apresentaram correlação negativa com a produção de café e commodities. Bem como a produção de mandioca, que apresentou trade-offs com o balanço hídrico e estoque de carbono. Os resultados demonstram que serviços de regulação, como balanço hídrico, estoque de carbono e conservação do solo são amplificados quando ocorrem em conjunto no espaço. As culturas que baseiam o sistema de agricultura local afetam a distribuição e provisão dos serviços, inclusive entre a produção dos diferentes cultivos. Ao captar a distribuição espacial dos serviços ecossistêmicos o direcionamento das ações de planejamento acerca dos recursos naturais, deve ser em busca de maximizar as sinergias e reduzir os trade-offs e deve fazer parte das estratégias públicas de ação às mudanças climáticas.
Palavras-chave: Mata Atlântica, Provisão, Serviços ecossistêmicos, Sinergias.
Financiamento: CAPES e Fundação Araucária.
Msc. Marina de Souza Santos Falkowski
Prof. Dr. Fernando de Camargo Passos
Laboratório de Biodiversidade, Conservação e Ecologia de Animais Silvestres
A biodiversidade brasileira vem sofrendo um grande declínio ao longo dos anos, tendo como sua principal causa as ações antrópicas como perda de habitat, degradação ambiental e caça, por exemplo. Os zoológicos ao longo do tempo vêm desempenhando um papel importante na conservação das espécies, uma vez que muitos passaram de uma abordagem de apenas exposição de animais para atores em programas de conservação. O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é uma espécie pertencente à família Myrmecophagidae da ordem Pilosa. Classificada como vulnerável (VU) na IUCN e alocada na lista nacional de espécies ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente (MMA) como vulnerável, esta espécie vem sofrendo principalmente com alastramento de fogo, sobretudo por sua pelagem ser altamente inflamável. Além disso, seu declínio se deve também por ser uma das espécies com maior registro de atropelamento em estradas. Recentemente uma estruturação entre as populações do Cerrado e da Floresta Amazônica foi identificada, ressaltando a importância de diferentes planos de manejo para cada população. O primeiro capítulo busca avaliar a diversidade genética, estrutura populacional e a quais linhagens da natureza os indivíduos cativos pertencem. Através de coleta de pelo e fezes o DNA será amplificado para marcadores mitocondriais e nucleares, que junto com sequências adicionais de indivíduos das populações naturais destes marcadores, disponíveis na plataforma NCBI/GenBank, serão testados perante árvores bayesianas, redes haplotípicas e análises tradicionais de genética populacional. Já no segundo capítulo busca-se testar a qualidade dos recintos diante de aspectos genotóxicos utilizando o teste de micronúcleo com amostras de indivíduos cativos e selvagens. As coletas de ainda estão em andamento. As análises mais robustas desses capítulos estão previstas para ocorrerem no ano que vem. Com esse estudo, espera-se poder contribuir com a obtenção de importantes informações biológicas da espécie, de maneira a poder propor ações para o manejo e conservação ex-situ dos tamanduás-bandeira do Brasil.
Palavras-chave: Cativeiro, Conservação, Genética, Tamanduá.
Financiamento: CAPES.
Paula Valeska Stica
Orientador: Prof. Dr. Marcio Roberto Pie
Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais
O presente projeto de mestrado tem como foco a ecologia do DNA ambiental (eDNA) com o objetivo de contribuir para o aprimoramento da detecção e monitoramento de espécies aquáticas. A análise do eDNA tem revolucionado a forma como avaliamos a biodiversidade, permitindo a identificação de organismos em ampla escala e com detalhamento taxonômico sem precedentes. O eDNA é frequentemente tratado como uma unidade homogênea, mas pesquisadores têm começado a considerar suas frações, intracelular (iDNA) e extracelular (exDNA), que podem fornecer informações adicionais sobre os organismos. Os organismos aquáticos liberam eDNA no ambiente através de fragmentos de tecido, sangue, muco, fezes e decomposição. Após a liberação, o eDNA se degrada e converte gradualmente de iDNA para exDNA devido às condições ambientais. A proporção entre essas frações encontradas nas amostras pode ser utilizada como uma estimativa da proximidade temporal da fonte do eDNA. Este projeto tem como objetivo verificar a hipótese de que a proporção de iDNA/exDNA está correlacionada com a distância da fonte do material genético. A dissertação será dividida em dois capítulos. O primeiro terá como foco a maximização da obtenção de eDNA e suas frações. Serão realizados experimentos testando diferentes materiais de filtro e tamanhos de poro para concentração de eDNA do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) em um sistema artificial e natural. Um protocolo otimizado será criado, incluindo a extração diferencial das frações do eDNA. O segundo capítulo aplicará o protocolo validado para avaliar o potencial do uso das frações do eDNA na obtenção de informações adicionais sobre os organismos. Experimentos de mesocosmo serão realizados com o mexilhão-dourado e a tilápia (Oreochromis niloticus) para caracterizar as proporções de iDNA e exDNA liberadas por essas espécies em condições controladas. Além disso, o comportamento das frações ao longo do tempo após a liberação será estudado para verificar a viabilidade de utilizar sua proporção nas amostras como um indicador da idade do eDNA. Esse estudo busca avançar nosso conhecimento sobre a ecologia do DNA ambiental, fornecendo informações relevantes para o monitoramento e conservação das espécies aquáticas. A análise das frações do eDNA pode trazer uma nova perspectiva para a detecção e rastreamento desses organismos, contribuindo para a compreensão e preservação dos ecossistemas aquáticos.
Palavras-chave: Biodiversidade aquática, DNA ambiental, Ecologia do DNA, Frações do eDNA.
Financiamento: CAPES.