Gabriel Lopes Justino
Orientador: Prof. Dr. Juliano Morimoto
Grupo de pesquisa INSECTs
Em 2022 o planeta alcançou oito bilhões de habitantes. Associado ao aumento populacional, o desenvolvimento tecnológico e a expansão do agronegócio fizeram com o homem avançasse sobre o ambiente, utilizando diferentes ecossistemas de forma não sustentável. Esse processo de expansão causou a fragmentação de hábitats e perda da biodiversidade. Dentre os grupos animais, os insetos são afetados e pouco documentados na literatura. É estimado que, em algumas décadas, 40% das espécies de insetos sejam extintas, colocando em risco os serviços ecossistêmicos prestados pelo grupo. Assim, faz-se necessário atuar nas políticas públicas de conservação ambiental, subsidiando as tomadas de decisões para conservar a biodiversidade, mostrando para a sociedade a importância do referido grupo. O objetivo deste estudo é analisar as políticas públicas de conservação de biodiversidade do Brasil e avaliar as estratégias utilizadas na conservação da classe Insecta, em regiões de mata de araucária. Serão utilizadas listagens de espécies, em específico a IUCN de 2023 e as portarias do Ministério do Meio Ambiente publicadas no ano de 2022, para verificar as espécies alvos de conservação e como estão sendo priorizadas. A partir desses documentos serão elencadas as espécies que apresentam o status com algum tipo de risco. Será calculado, para cada ordem da classe Insecta, o número de espécies esperadas de serem protegidas pelas políticas de conservação e posteriormente, comparar com o número de espécies disponíveis nas listas utilizadas. As comparações entre valores observados e valores obtidos serão feitas com o teste do qui-quadrado com valor de P simulado com o teste Monte-carlo. Por fim, para a visualização dos resultados será plotado em um scatter plot com uma linha diagonal. Nossos resultados serão comparados com outros grupos animais (répteis, aves e mamíferos) para identificar problemas nas políticas de conservação entre os grupos.
Palavras-chave: Conservação, Insetos, Mata de araucária, Políticas de conservação.
Financiamento: Sem financiamento.
Msc. Fernando de Campos Guerreiro
Orientador: Prof. Dr. Ciro Alberto de Oliveira Ribeiro
Laboratório de Toxicologia Celular
Estudos dentro da temática de Ecotoxicologia com moluscos límnicos vem crescendo nos últimos anos, no entanto, ainda não há uma espécie nativa Brasileira que possa ser utilizada como sentinela ou bioindicadora em ambientes aquáticos continentais. O presente projeto trata-se de um levantamento de moluscos de água doce presentes no Rio Iguaçu, com ênfase em seus reservatórios. Considerando que o rio Iguaçu é o segundo rio mais poluído do Brasil, é necessário conhecer o papel dos poluentes presentes no rio e que colocam em risco a sua biota. Estudos ecotoxicológicos com diferentes espécies e variados níveis tróficos ajudam a compreender a causa dos efeitos e danos observados nos organismos aquáticos pela exposição aos micropoluentes. Através de um levantamento de malacofauna nos reservatórios do rio Iguaçu, e com a adaptação de protocolos de análises de biomarcadores bioquímicos, neurotóxicos, imunotóxicos e genotóxicos, o principal objetivo desse projeto é propor a nova espécie como sentinela ou bioindicadora de poluentes ambientais para a bacia do Rio Iguaçu. Ainda, o presente projeto busca estabelecer uma nova linha de pesquisa no Laboratório de Toxicologia Celular, em Imunotoxicologia de invertebrados, possibilitando avançar de forma importante no diagnóstico de áreas impactadas, visto que os danos encontrados no sistema imunológico, podem favorecer um diagnóstico mais preciso quanto ao risco de exposição na base da cadeia alimentar, a fim de compreender efeitos e possíveis consequências de exposição a contaminantes de níveis tróficos basais, sendo possível analisar potenciais danos ao ecossistema aquático.
Palavras-chave: Biomarcadores, Biomonitoramento, Ecotoxicologia, Moluscos.
Financiamento: CAPES e Fundação Araucária.
João Vitor Rodrigues Pereira
Orientador: Prof. Dr. Marcelo Pedrosa Gomes
Laboratório de Fisiologia de Plantas sob Estresse
A construção de wetlands artificiais para o tratamento de ambientes poluídos utiliza plantas e outros organismos visando remover substâncias potencialmente tóxicas da água. O habitat resultante torna-se refúgio para diversas espécies, porém algumas, como os mosquitos da família Culicidae, podem ser indesejados. Esses insetos desenvolvem parte de seu ciclo de vida em ambientes aquáticos, e são possíveis vetores de agentes etiológicos para humanos e animais domésticos - além de causarem incômodo devido à sua hematofagia. A avaliação das espécies presentes e dos fatores que influenciam sua diversidade e densidade é fundamental para garantir a segurança e conforto da população que habita ou transita por esses ambientes, bem como para orientar estratégias que minimizem o incômodo causado pelos mosquitos. Este estudo tem como objetivo avaliar a ocorrência de larvas de mosquitos em wetlands artificiais construídas na estação de esgoto ETE Padilha Sul (Sanepar). Coletas serão realizadas ao longo de um ano para investigar o impacto das variações climáticas, meteorológicas, operacionais e das características físico-químicas da água sobre as larvas presentes nas wetlands. Além disso, o estudo buscará investigar as respostas ecotoxicológicas das larvas de mosquito expostas a antidepressivos presentes no efluente da estação de tratamento. Serão conduzidos bioensaios agudos para avaliar as respostas metabólicas, bem como alterações nas taxas de sobrevivência e emergência do estágio adulto entre as larvas expostas. Este estudo não apenas contribuirá para averiguar se as wetlands construídas em estações de tratamento de esgoto podem se tornar criadouros de agentes epidemiológicos para a população local, mas também fornecerá informações relevantes sobre a ecotoxicidade dos antidepressivos. Tendo em vista o aumento significativo do consumo desses medicamentos após a pandemia da SARS-CoV-2 (COVID-19), tais dados serão essenciais para entender os potenciais impactos ambientais associados a esses compostos e subsidiar decisões de manejo e tratamento adequados.
Palavras-chave: Antidepressivos, Culicidae, Ecotoxicidade, Wetlands.
Financiamento: CAPES e Fundação Araucária.
15h - INTERVALO
Msc. Larissa Faria
Orientador: Prof. Dr. Jean Ricardo Simões Vitule
Laboratório de Ecologia e Conservação
Biological invasions are among the leading causes of global biodiversity loss, and the number of introduced species tends only to grow in the future. Due to the context-dependency of the invasion process, predicting which non-native species (NNS) will cause more impact to prioritize investments for their management and rapid detection becomes a challenge. The comparison of functional response (FR) – the relationship between consumption rate and resource availability – has been proposed as a universal methodology for quantifying and predicting invasive species impacts. A systematic review was conducted to understand the state-of-the-art of using FR in invasion science. Studies conducted in the Northern Hemisphere investigating predator-prey interactions in freshwater habitats were far more common, mainly using invertebrates and fish consumers. From a subset of 54 studies that compared FRs of native and NNS, a meta-analysis was conducted to test the hypothesis that NNS generally have higher feeding rates than trophically analogous native species. Non-native invertebrates presented higher feeding rates than native species; however, this pattern was not observed for fish. The review also evidenced that FR is classically applied to quantify the consumptive effects of NNS. Nevertheless, non-lethal effects of predators (i.e., ecology of fear) can be as crucial as consumptive effects, resulting in trophic cascades. Thus, the comparative FR approach was applied to investigate the non-lethal effects of a globally invasive top predator, the black bass (Micropterus salmoides), on consumption rates of native (Pacifastacus leniusculus) and non-native species of crayfish (Faxonius rusticus, Faxonius virilis, and Procambarus clarkii). Crayfish were exposed to either predator cue treatment or control while preying on native snails. All species showed Type II destabilizing FR in both treatments. However, consumption rates were lower when predator chemical cues were present. This demonstrates that the non-consumptive effects of NNS should also be considered when predicting their impacts.
Palavras-chave: Invasion ecology, Predation risk, Risk and impact assessments, Trophic interactions.
Financiamento: CAPES e Prêmio Doctoral Dissertation Research Award da Comissão Fulbright Brasil.
Barreiras à exploração na polinização por beija-flores: experimento de manipulação do tamanho da corola
Heloisa Ribeiro
Orientadora: Profª. Drª. Isabela Galarda Varassin
Laboratório de Interações e Biologia Reprodutiva
A correspondência morfológica entre polinizadores e plantas é um fenômeno amplamente observado e estudado em sistemas de polinização. O ajuste morfológico pode favorecer a ocorrência de interações e a efetividade da polinização entre espécies compatíveis. De outra forma, a falta de ajuste pode gerar barreiras à exploração do recurso floral, impedindo a interação com espécies de polinizadores menos eficientes (“ligações proibidas”). Além disso, barreiras podem instigar o aumento de visitas ilegítimas à flor (pilhagem ou roubo de recursos), reduzindo o recurso disponível para polinizadores legítimos. Portanto, barreiras contribuem para moldar as interações e, em conseqüência, a estrutura da rede mutualística de polinização. O objetivo desse trabalho é investigar o efeito de barreiras morfológicas sobre a freqüência e legitimidade das interações entre beija-flores e plantas. A pesquisa será realizada através de um experimento de manipulação de aumento do tamanho da corola de flores naturais em campo. É esperado que o aumento do tamanho da corola diminua a freqüência total de visitas legítimas e aumente a freqüência total de visitas ilegítimas. É esperado também que o aumento do tamanho da corola altere a composição das espécies de beija-flores que fazem visita legítima, favorecendo a interação com espécies de bico mais longo. O experimento será realizado com três espécies de plantas que possuem gradiente natural de tamanho da corola (curta, média e longa). As interações entre beija-flores e plantas serão registradas através de câmeras de monitoramento com sensor de movimento e a pilhagem será verificada pelas imagens registradas e também através de inspeção visual nas flores. O levantamento da riqueza e da abundância da comunidade de beija-flores e suas fontes de néctar, no local do experimento, serão realizados através de censo mensal. O experimento será realizado em área de reserva natural de mata atlântica, localizado na Reserva Natural Salto Morato em Guaraqueçaba/PR.
Palavras-chave: Corolla length, Exploitation barrier, Forbidden links, Hummingbird pollination, Mutualistic network.
Financiamento: ERC, EPHI Brazil.
Aves e mamíferos nos biomas brasileiros: Recursos vegetais-chaves, defaunação e conservação
Msc. Liliane Keren Deringer
Orientador: Prof. Dr. Fernando Camargo Passos
Laboratório de Biodiversidade, Conservação e Ecologia de Animais Silvestres
O Brasil é o maior país tropical do mundo, nele são encontrados seis biomas terrestres com várias similaridades e distinções, desde densas florestas chuvosas e pântanos sazonais até ambientes semiáridos e estepes. Nesses biomas existem recursos vegetais-chaves indispensáveis para o funcionamento do sistema, bem como a sustentação da fauna de aves e mamíferos. Por sua vez, esses biomas estão altamente ameaçados, pela defaunação. Com isso, o presente trabalho tem por objetivos: (1) Identificar e mensurar os atributos ecológicos — redundância temporal (TR); grau de especificidade do consumidor (CS); confiabilidade (RR); e abundância de recursos (RA) — de potenciais espécies vegetais-chaves e quantificar as interações tróficas com vertebrados ao longo dos biomas brasileiros; (2) Avaliar e quantificar a defaunação a ecologia da guilda de interações entre os frugívoros e os granívoros e espécies vegetais-chaves para todos os biomas brasileiros; (3) Discutir metas de conservação e restauração nos biomas brasileiros a partir do dados gerado do objetivo 2. Para isso, iremos realizar a coleta de dados através da literatura, onde será avaliado a estrutura espaço-temporal das comunidades de aves e mamíferos, por meio de análises de redes e descritores clássicos de diversidade.
Palavras-chave: Dispersão de sementes, Frugivoria, Interação animal-planta, Restauração.
Financiamento: CAPES, CNPq e PG Ecologia e Conservação UFMS.
Msc. Lucas Abbadi Ebling
Orientador: Prof. Dr. André Andrian Padial
Laboratório de Análise e Síntese em Biodiversidade
O conceito de metacomunidade reconhece que a composição das comunidades locais depende de variações influenciadas tanto por questões locais (e.g. interações bióticas e tolerância ambientais) quanto por questões regionais (e.g. dispersão e fragmentação de habitat). A visão clássica do conceito de metacomunidade negligencia o fato que os diferentes organismos dentro das comunidades podem variar amplamente conforme aspectos ambientais e espaciais encontrados na paisagem e aspectos biológicos, como por exemplo, as interações biológicas. Para suprir esta lacuna de conhecimentos, foi recentemente proposta uma nova forma de avaliar a estrutura de metacomunidades, chamada de estrutura interna de metacomunidades, que considera as contribuições por locais e pelo táxon dos organismos e relaciona com variáveis preditoras ambientais (e.g. filtros ambientais), efeitos espaciais (e.g. dispersão) e com as interações biológicas. Nesse sentido, avaliar a estrutura interna da metacomunidades de invertebrados aquáticos pode fornecer informações relevantes para compreender aspectos ecológicos desse grupo, como por exemplo, preferências ambientais específicas, autocorrelação espacial, covariância e dispersão, considerando a individualidade de cada táxon. Dessa forma, o objetivo geral da tese é avaliar a organização e a estrutura interna da metacomunidade de invertebrados aquáticos amostrados em ecossistemas de água doce no litoral do Paraná. A tese será estruturada em três capítulos. O primeiro capítulo será realizado ao longo do Rio Guaraguaçu e apresentará como objetivo geral investigar a estrutura interna da metacomunidade de invertebrados aquáticos ao longo de um gradiente ambiental e de impacto antrópico. O segundo capítulo também será desenvolvido no Rio Guaraguaçu, e apresentará como objetivo geral investigar o efeito da presença de gramínea aquática invasora sobre a estrutura interna da metacomunidade de invertebrados aquáticos. O terceiro capítulo será desenvolvido na Reserva Natural Salto Morato e apresentará como objetivo geral analisar o efeito de uma barreira física sobre a estrutura interna da metacomunidade de invertebrados aquáticos.
Palavras-chave: Barreira física, Ecologia aquática, Gradiente ambiental, Invasão biológica.