Isabella Neves Passoni
Orientador: Prof. Dr. André Andrian Padial
Laboratório de Análise e Síntese em Biodiversidade
As comunidades de biofouling são formadas a partir do assentamento das larvas de diversas espécies em diferentes tipos de substratos, sendo compostas por organismos bentônicos de substratos naturais consolidados. Com o aumento do processo de urbanização, observa-se um crescimento no número de estruturas construídas nas regiões costeiras, como píeres, plataformas, marinas e portos, que podem servir como superfícies artificiais para o estabelecimento de uma variedade de organismos. Além dos novos substratos para incrustação, o alto tráfego de embarcações em portos tem sido apontado como vetor para introdução de espécies exóticas, transportadas enquanto incrustadas em seus cascos ou na própria água de lastro. A introdução de espécies não nativas vem sendo relacionada ao processo de homogeneização biótica em diferentes tipos de ambientes, levando à redução da variação na composição entre as comunidades formadas por um pool regional de espécies. Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo avaliar os padrões de diversidade beta entre comunidades de biofouling impactadas e não impactadas por estruturas portuárias em quatro regiões estuarinas do Sudeste e Sul do Brasil, além de uma comparação sazonal na estrutura da metacomunidade entre verão e inverno. Os pontos amostrais abrangem as áreas de Cananéia/SP, Baía de Paranaguá/PR, Baía de Guaratuba/PR e Baía da Babitonga/SC. Em cada um dos pontos, 12 placas de polietileno foram submersas durante 3 meses para colonização. Espera-se maior homogeneização nas placas de ambientes impactados por portos, devido à maior susceptibilidade às espécies invasoras. Espera-se também uma maior heterogeneidade nas comunidades entre estuários do que dentro dos estuários, principalmente naqueles não impactados por portos. Em relação à sazonalidade, é esperado que a estrutura da metacomunidade seja mais estocástica durante o verão, enquanto no inverno os processos que as moldam sejam mais determinísticos.
Palavras-chave: Biofouling, Diversidade beta, Homogeneização biótica, Substrato artificial.
Financiamento: Sem financiamento.
Fellip Rodrigues Marcondes
Orientador: Prof. Dr. Walter Antônio Pereira Boeger
Laboratório de Toxicologia e Avaliação Ambiental
O processo de dispersão de espécies exóticas no ambiente invadido pode ou não ter influências antrópicas. Quando uma espécie é introduzida em um novo habitat, gerando algum tipo de desequilibro no ecossistema, esta espécie é considerada invasora. Limnoperna fortunei (Dunker, 1857), também conhecido como mexilhão-dourado, é um bivalve originário do sudeste asiático que iniciou seu processo de invasão na América Latina em 1991, no Rio de La Plata, proveniente de água de lastro de navios oriundos da Asia. Em pouco tempo, a espécie disseminou-se pelas bacias dos países da América do Sul, chegando no Brasil em 1998. Devido seu comportamento gregário e incrustante, além de outras características comuns a organismos invasores de ambientes aquáticos, L. fortunei tem causados diversos problemas sociais, econômicos e ecológicos onde se instala. Assim, o presente estudo visa determinar o cenário atual da distribuição e dispersão de L. fortunei, em diferentes bacias do Brasil, utilizando marcadores genômicos derivados de Genotyping By Sequencing (GBS). Para a realização do estudo, indivíduos adultos serão coletados em cinco diferentes bacias. Os indivíduos coletados terão seu DNA extraído, avaliado sua integridade e quantificado, passará, posteriormente, pelo processo de descoberta de SNPs de alto rendimento e genotipagem simultânea em múltiplas amostras de DNA. O GBS combina a redução da complexidade através do uso de enzimas de restrição associada com a capacidade de sequenciamento de alto rendimento das plataformas Illumina para identificar marcadores aleatórios em um genoma inteiro. Fragmentos de DNA mitocondrial podem ser analisados paralelamente para comparação com estudos prévios. Os processos de coleta e padronização do protocolo de extração já foram iniciados, obtendo resultados satisfatórios. Ao final do processo, espera-se que seja possível entender melhor o processo de dispersão e colonização de novas regiões pelo mexilhão dourado, a fim de fundamentar medidas de controle.
Palavras-chave: Bioinvasão, Mexilhão-dourado, Técnicas moleculares, Variabilidade genética.
Financiamento: ANEEL, LACTEC e Neoenergia.
Msc. Ana Paula Nascimento Corrêa
Orientadora: Profª. Drª. Lucelia Donatti
Laboratório de Biologia Adaptativa
Efluentes urbanos provenientes do esgoto doméstico carregam diversos componentes que juntos formam uma mistura complexa e de efeitos ainda não totalmente conhecidos. Esse esgoto mesmo quando tratado de acordo com as exigências da legislação brasileira, ainda não recebe o tratamento adequado para a retirada de contaminantes emergentes, por exemplo. Estes chegam aos corpos hídricos e se tornam uma fonte de poluição que podem acarretar em impactos para a biota. É previsto pelo CONAMA que o descarte de efluente nos corpos hídricos não pode acarretar nenhum impacto aos organismos e para avaliar isso faz-se necessário os estudos ecotoxicológicos. Estes estudos servirão para avaliar os efeitos de diferentes contaminantes nos organismos aquáticos, bem como, levantam o questionamento sobre os parâmetros de qualidade de água atualmente aceitos na legislação brasileira. Dentre os organismos impactados, podemos citar os peixes e crustáceos. Estes participam de processos ecológicos essenciais para os ambientes aquáticos, mas também são essenciais para o ser humano, participando da alimentação e economia, por exemplo. Dessa forma, buscamos avaliar como os peixes: Geophagus brasiliensis e Deutorodon langei e os crustáceos: Ucides cordatus e Macrobrachium potiuna são afetados pelas misturas complexas provenientes de esgoto tratado e não tratado. Para isso, peixes e crustáceos (12 indivíduos por espécie) serão expostos a água de esgoto com tratamento e a água de esgoto sem tratamento por períodos de 2, 6, 24 e 96 horas caracterizando exposição aguda e por tempos de 7, 14 e 21 dias caracterizando exposição crônica. Posteriormente será avaliado os biomarcadores de defesa antioxidante, metabolismo de carboidratos e proteínas, perfil bioquímico plasmático e análises morfológicas de tecido. Além disso, serão coletadas amostras de água e sedimento para avaliar os parâmetros físico-químicos, e presença de contaminantes emergentes. As coletas ocorrerão em 4 postos distribuídos ao longo do rio Pery e Guaraguaçu, Pontal do Paraná, Paraná, Brasil.
Palavras-chave: Contaminação da água, Estresse oxidativo, Poluição da água.
Financiamento: CAPES e CNPq.
15h - INTERVALO
Msc. Amabily Bohn
Orientadora: Profª. Drª. Marcia Cristina Mendes Marques
Laboratório de Ecologia Vegetal
Desvendar padrões de distribuição e diversidade dos organismos é um dos grandes objetivos de diversas áreas e, recentemente, sua importância tem sido ampliada ao considerar o impacto das mudanças climáticas sobre as comunidades. Samambaias e licófitas são duas linhagens distintas que compartilham um ciclo de vida único dentre as plantas vasculares. A Mata Atlântica é um bioma importante para a diversificação destes e outros organismos, já que é composta por uma variedade de habitats promovido pela sua grande extensão latitudinal e longitudinal, clima e geomorfologias bastante diversas e um histórico de mudanças climáticas ocorridas no Quaternário. Das 1389 espécies de samambaias e licófitas presentes no Brasil, 934 ocorrem na Mata Atlântica e destas, cerca de 340 são endêmicas do bioma. Grande parte dos estudos desses organismos focam apenas na riqueza de espécies e em escalas locais ou regionais, impedindo um entendimento abrangente dos seus padrões e processos. A fim de preencher essa lacuna de conhecimento, propomos uma integralização de diferentes estratégias. Na primeira abordagem, utilizamos range-diversity plots para investigar e comparar os padrões de riqueza, tamanho da distribuição, covariância em composição e beta-diversidade entre as linhagens. Além disso, identificamos hotspots de conservação e avaliamos se o tamanho da distribuição está relacionado com a plasticidade de hábito. A segunda abordagem foca em uma investigação multidimensional. Utilizamos Modelos de Nicho Ecológico para identificar áreas de alta adequabilidade para samambaias da Mata Atlântica no presente e no futuro. As diversidades taxonômica, filogenética e funcional foram calculadas através de Hill Numbers e comparados entre si. Além disso, acessamos se áreas de alta diversidade das diferentes dimensões estão protegidas por Unidades de Conservação e calculamos perdas e ganhos de área em dois cenários futuros. Com este trabalho, esperamos contribuir nos esforços para desvendar padrões ecológicos e história evolutiva de samambaias e licófitas da Mata Atlântica.
Palavras-chave: Conservação, Diversidade Filogenética, Diversidade Funcional, Mudanças Climáticas.
Financiamento: CAPES.
Msc. Letícia Siman Bora
Orientador: Prof. Dr. André Andrian Padial
Laboratório de Síntese e Análise em Biodiversidade
As macrófitas exóticas invasoras representam uma séria ameaça para a biodiversidade aquática. Com o objetivo de compreender padrões relacionados à invasividade dessas plantas, concentramos nossos esforços na espécie invasora Urochloa arrecta, conduzindo diversos experimentos em mesocosmos. Nossa pesquisa buscou estimar a resistência dessa espécie a fatores estressantes, como períodos de seca e inundação, além de investigar seu padrão de crescimento em diferentes tipos de substratos. Nossos resultados revelaram que a U. arrecta apresenta uma notável resistência à seca, especialmente quando já estabelecida no sedimento. Os propágulos da espécie também demonstraram alta resistência à inundação, indicando sua capacidade de sobreviver a pulsos repentinos de água e adaptar-se às variações no regime de cheias e secas em áreas de planícies de inundação e rios. Além disso, a espécie exibiu crescimento semelhante quando cultivada em diferentes tipos de substratos, sugerindo que pode proliferar tanto sobre sua própria matéria orgânica em decomposição quanto em substratos artificiais, permitindo sua colonização em partes mais profundas dos ecossistemas aquáticos. Realizamos também uma revisão científica abrangente sobre os atributos funcionais de espécies de macrófitas invasoras, estabelecendo conexões entre esses atributos e o sucesso do processo de invasão. Notavelmente, aproximadamente 70,4% dos atributos funcionais citados mostraram-se relacionados ao êxito das invasões, destacando-se os traços morfológicos e reprodutivos como fatores mais frequentemente associados ao sucesso de colonização, quando comparados com traços de macrófitas nativas. Ao aprofundar o conhecimento sobre a espécie invasora U. arrecta e fornecer novas informações sobre os atributos funcionais relacionados à invasividade de macrófitas, nossa pesquisa complementa revisões existentes sobre o tema. Além disso, nossas descobertas são de grande importância para o desenvolvimento de possíveis futuras ações de manejo e medidas preventivas direcionadas ao controle de U. arrecta e outras espécies invasoras de macrófitas.
Palavras-chave: Desenvolvimento em massa, Invasão Biológica, Invasividade, Macrófitas aquáticas.
Financiamento: CAPES.