Aline Almeida Fonseca
Orientadora: Profª. Drª. Karla Magalhães Campião
Laboratório de Interações Biológicas
Invasões biológicas são fenômenos globais onde novas espécies podem alcançar comunidades através de introdução intencional ou acidental, provocando consequências dramáticas na diversidade e na estrutura das comunidades. Um dos impactos causados pelas espécies invasoras é a alteração na dinâmica de interação entre as espécies nativas e invasoras com espécies de parasitos. Existem três possíveis cenários hipotéticos de mudanças na interação entre parasitos e hospedeiros. Um dos cenários é a introdução de novas espécies de parasitos nos locais invadidos, Spillover. Por outro lado, pode ocorrer a aquisição de parasitos nativos pela espécie invasora no novo habitat, Spillback. Por fim, o Enemy realese, ocorre quando a espécie invasora perde parasitos ao chegar no novo ambiente. Lithobates catesbeianus, é uma rã introduzida no Brasil que devido ao alto potencial invasor está distribuída em muitas localidades no país. A maioria dos registros ocorrem na Mata Atlântica, bioma com condições climáticas favoráveis ao estabelecimento de populações. Por este motivo a presença da rã-touro representa grande risco para as comunidades nativas. Lithobates catesbeianus pode ser vetora do Ranavirus, causador de ranavirose, patógeno apontado como entre as maiores causas de declínio de anfíbios no mundo. Além disso, a espécie invasora é parasitada por muitos macroparasitas em seu ambiente de origem, no entanto, não sabemos como ocorre a interação destes parasitos com as espécies nativas brasileiras. Assim, o objetivo deste trabalho é compreender a dinâmica de infecção e transmissão de macroparasitos helmintos e patógeno entre espécies de anuros nativos e a rã-touro, comparar os parâmetros de infecção de comunidades de anuros nativos em áreas onde a rã-touro não ocorre. Identificar se há transmissão do ranavírus na presença de girinos de espécies nativas e girinos da rã-touro, através de análises para observar parâmetros de infecção em campo, e em fase experimental pelos patógenos citados e dos macroparasitas encontrados.
Palavras-chave: Biologia da Invasão, Macroparasitos, Rã-touro, Ranavirus.
Financiamento: CNPq.
Msc. Mateus Peressuti Batista dos Santos
Orientador: Prof. Dr. André Andrian Padial
Laboratório de Análise e Síntese em Biodiversidade
As invasões biológicas estão entre as influências antrópicas que mais ameaçam a diversidade de ecossistemas aquáticos continentais. É reconhecido que espécies invasoras promovem a diminuição da quantidade de espécies nativas e alteram as propriedades do ecossistema. A gramínea Urochloa arrecta está entre as espécies invasoras de ambientes aquáticos nos Neotrópicos que se destacam pelo grande impacto nos ecossistemas. Apesar de ser bem estudada, ainda não foi estimado o efeito dessa espécies no processo de da homogeneização e ainda pouco se conhece de seu potencialeneização biótica para as diferences bacias hidrográficas brasileiras, como engenheira de ecossistemas e as espécies que ela acaba permitindo a co-ocorrência, além da possível distribuição futura da espécie, que pode levar esses efeitos a outros locais do Brasil futuramente. Por isso, observaremos se esta espécie promove a homogeneização biótica em na escala to território nacional, utilizando estimativas da expansão dessa espécies com modelos baseados em nicho. Além disso, investigaremos como essa espécie altera as propriedades dos ecossistemas e quais outras espécies de plantas aquáticas são vulneráveis e quais são promovidas pela invasão de U. arrecta.
Palavras-chave: Co-ocorrência, Homogeneização, Modelagem de nicho, Urochloa arrecta.
Financiamento: CAPES e Fundação Araucária.
Msc. Tawane Yara Nunes
Orientador: Prof. Dr. André Adrian Padial
Laboratório de Análise e Síntese em Biodiversidade
A biodiversidade é fundamental na manutenção dos ecossistemas e a compreensão dos fatores que a moldam pode subsidiar ações de monitoramento e conservação. Os padrões de diversidade observados em diferentes escalas estão relacionados a distribuição espacial das espécies e aos processos envolvidos. Localmente as espécies que ocupam determinada área e interagem entre si constituem as comunidades, e estas, por sua vez, estão agrupadas regionalmente em metacomunidades. A estruturação destas comunidades depende de múltiplos ‘filtros’ bióticos e abióticos que atuam sob os níveis do ‘pool de espécies’ e determinam a capacidade de ocupação. Cada espécie reage de forma diferente a estes filtros em locais distintos, desta forma é importante avaliar esta contribuição individual para obter informações mais detalhadas da relação entre processos e padrões, inferindo assim sobre a ‘estrutura interna da metacomunidade’. Ainda, variações ambientais extremas podem modificar a distribuição de espécies mais sensíveis e alterar a estrutura da metacomunidade da qual fazem parte. Sendo assim, simulações de múltiplos cenários em relação às mudanças climáticas são úteis para entender seus possíveis efeitos sob a distribuição destas espécies, estrutura e dinâmica das metacomunidades no futuro. Vale ressaltar que diferentes ecossistemas apresentam estruturas distintas, devido às particularidades de seus gradientes ambientais e interações intra e interespecíficas existentes. Desta forma, ecossistemas marinhos constituem oportunidades ainda pouco exploradas na ecologia de metacomunidades, devido às variações dos fatores abióticos e da presença de espécies com alta capacidade de dispersão como os tetrápodes marinhos (aves, mamíferos e tartarugas). Neste contexto, o presente estudo visa avaliar a estrutura interna das metacomunidades em tetrápodes marinhos no sudeste e sul do Brasil em diferentes escalas espaço-temporais e inferir sob potenciais efeitos de mudanças climáticas na distribuição das espécies. Isto contribui para entender a dinâmica das metacomunidades e fornece informações para a tomada de decisões na preservação dos ecossistemas marinhos.
Palavras-chave: Cenários futuros, Comunidades, Distribuição, Diversidade.
Financiamento: CAPES e CNPq.
15h - INTERVALO
Msc. Rubia Tatiana Secco
Orientadora: Profª. Drª. Márcia Cristina Mendes Marques
Laboratório de Ecologia Vegetal
A remoção da vegetação para a conversão em áreas de pastagem gera uma grave perturbação dos ecossistemas, os quais apenas podem ser recuperados através de estratégias eficientes de restauração ecológica. Uma das maneiras de otimizar os ganhos em estrutura e função das áreas em restauração é aplicar os conceitos de teorias ecológicas que explicam a assembleia de espécies em áreas naturais. Na teoria de “efeitos de prioridade” indivíduos que chegam primeiro em um ambiente tendem a afetar positiva ou negativamente outros indivíduos que chegarem posteriormente, influenciando assim a comunidade de espécies. Neste estudo está sendo avaliada a restauração de pastagens abandonadas no domínio da Floresta Atlântica, buscando compreender de que forma os efeitos de prioridade podem afetar o sucesso da restauração, em três diferentes capítulos: 1) meta-análise global dos efeitos da restauração em áreas de pastagem abandonada; 2) experimento de campo em área de pastagem abandonada, testando os efeitos de prioridade de diferentes grupos funcionais de árvores; e, 3) experimento de campo para avaliar atributos morfológicos e fisiológicos foliares das espécies arbóreas plantada em (2). No capítulo (1) foram levantados 518 artigos (48 atenderam aos propósitos do estudo), dos quais foram extraídos 1.054 indicadores de sucesso de restauração ecológica, nas seguintes categorias: Biodiversidade – Flora (43% dos indicadores), Biodiversidade – Fauna (8%), Biomassa e Crescimento (15%), e Solo (34%). A meta-análise revelou um efeito positivo e significativo das áreas restauradas em relação às áreas degradadas e uma semelhança em relação à área de referência, com efeito significativo apenas no indicador Solo. No capítulo (2), o experimento está ainda em andamento, com previsão de conclusão de coleta de dados em janeiro de 2023. Até o momento os resultados preliminares indicaram efeito de prioridade positivo em relação ao volume de copa de indivíduos plantados sob o grupo funcional de espécies Não Leguminosas de Sombreamento Ruim. Finalmente, no capítulo (3), foram realizadas todas as coletas de dados de atributos funcionais foliares que serão considerados na análise, faltado agora apenas uma última coleta de dados fisiológicos.
Palavras-chave: Eficiência do Uso da Água, Pastagem, Priority effects, Restauração ecológica.
Financiamento: CNPq e PRINT/Ribima.