Como ver a Terra do espaço pode transformar a sua vida, segundo três astronautas - BBC Brasil
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Richard Hollingham BBC
Image caption Impressão artística da sonda europeia Rosetta em órbita ao redor da Terra, em novembro de 2009 | Foto: ESA
"Minha primeira vista da Terra foi alguns segundos após o lançamento", diz a cientista Helen Sharman, a primeira astronauta britânica.
"Assim que a carenagem se separou do foguete, a luz invadiu a cabine pela janela e eu tive uma vista do Oceano Pacífico. Foi absolutamente divino, maravilhoso."
Sharman tinha 27 anos quando foi lançada ao espaço para passar oito dias na estação espacial soviética Mir, em 1991.
Durante a missão, passou todo o tempo possível observando o Planeta Azul pelas portinholas da estação.
Na sua última noite em órbita, deixou a persiana aberta para assistir ao nascer do sol repetidamente a cada 90 minutos, enquanto a estação espacial girava ao redor do planeta.
Image caption Experiência é reveladora, afirmam os astronautas | Foto: Nasa
Sharman falou à BBC para nova série em vídeo 360 graus e realidade virtual, em que astronautas descrevem suas impressões ao olhar a Terra do espaço.
Enquanto os telespectadores flutuam (virtualmente) na órbita terrestre, Sharman, o americano Ron Garan e o italiano Luca Parmitano descrevem a sensação de estar no espaço e as lições que podemos aprender com essa experiência.
Os vídeos foram produzidos para marcar o lançamento da caminhada espacial em realidade virtual da BBC. A experiência interativa está disponível para download por meio das lojas virtuais Steam e Oculus.
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O astronauta Luca Parmitano, da Agência Espacial Europeia, botou o pé para fora da Estação Espacial Internacional pela primeira às 8h02 da manhã de terça-feira, 9 de julho de 2013.
Para a caminhada espacial - ou no jargão astronáutico, atividade extraveicular - ele se acorrentou a um dos braços robóticos da espação para ser transportado até sua área de trabalho.
"Tive o privilégio e o luxo que muito poucos astronautas tiveram", conta Parmitano.
"Eu estava carregando equipamento, por isso não pude tirar fotos ou ir a lugar nenhum - por seis minutos, não havia nada mais que eu pudesse fazer a não ser olhar."
A caminhada espacial estava programada para ocorrer durante a aurora. O sol nasceu no momento em que a estação espacial cruzava o Atlântico.
"É uma explosão de luz", conta Parmitano. "Eu estava sobrevoando a África Ocidental nessa explosão de luz - tudo de uma vez, amarelo, rosa, vermelhos, as cores do nascer do sol."
"Em primeiro plano estava o azul profundo, profundo do oceano lá embaixo... o branco das ondas quebrando na areia... depois as cores do deserto, ocres e terracota... Tudo isso vindo de uma só vez, não é uma descoberta aos poucos: é uma explosão, e é de tirar o fôlego."
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O ex-astronauta da Nasa (a agência espacial americana) Ron Garan passou 178 dias no espaço. Foram mais de 27 horas do lado de fora do ônibus espacial e a Estação Espacial Internacional ao longo de quatro caminhadas espaciais.
As experiências transformaram sua vida: Garan dedica desde então uma boa parte de sua carreira a ensinar o que ele chama de "perspectiva orbital" por meio de livros, pintura e filme.
Em agosto de 2017, ele apresentou no Serviço Mundial da BBC o programa de rádio Voyager Missions, Space 1977 ("Missões Voyager, Espaço 1977"), sobre as sondas gêmeas de mesmo nome lançadas naquele ano.
"Ver o nosso planeta do espaço, especialmente em uma caminhada espacial, é uma experiência emocional", descreve Garan.
"O que eu experimentei foi um profundo sentimento de gratidão. Gratidão por poder ver o planeta a partir dessa perspectiva e gratidão pelo planeta que recebemos para morar."
Curiosamente, diz, "estar distante fisicamente do único mundo que conheci na vida me fez sentir profundamente conectado com todas as pessoas nele."
"A Estação Espacial Internacional é talvez a mais complexa estrutura já construída. O que me tocou foi pensar que pudemos chegar a esse nível de colaboração. Se conseguíssemos fazer o mesmo aqui na superfície da Terra, quanto progresso não poderíamos fazer, como espécie, na resolução dos nossos desafios mais importantes?"
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"Gostaria de dizer às pessoas quão desimportante as coisas materiais são para nós", diz Sharman, recebendo a produção da BBC em sua sala na universidade Imperial College London.
"Não estou dizendo que é errado ter um carro vermelho maravilhoso ou a última versão do que você quiser - cada qual no seu cada qual. Mas a vida não é isso."
"O que aprendi olhando a Terra do espaço foi que os relacionamentos humanos são a coisa que mais importa na vida. Desde que você tenha o mínimo para sobreviver, a coisa mais importante são os relacionamentos que possuímos: no fim, a família e os amigos são mais importantes que qualquer outra coisa no mundo."
Telescópio Hubble faz registro sem precedentes de uma das galáxias mais antigas do Universo - BBC Brasil
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Paul Rincon BBC News
Direito de imagem Empics
Image caption Fenômeno conhecido como lente gravitacional permitiu observar detalhes inéditos de galáxia | Foto: NASA/Esa/B. Salmon (StScI)
O telescópio Hubble fez um registro com detalhes sem precedentes de uma das galáxias mais antigas do Universo.
Objetos espaciais deste tipo costumam aparecer apenas como um ponto vermelho nas imagens captadas por telescópios, mas, neste caso, a imagem foi ampliada e esticada por um fenômeno natural conhecido como lente gravitacional.
Essa distorção ocorre quando a luz contorna um corpo de grande massa que fica no caminho entre um objeto, no caso esta galáxia surgida apenas 500 milhões de anos após o Big Bang, e seu observador, o Hubble.
Na astronomia, a distância e a idade de um corpo celeste estão interligados. Por causa do tempo que a luz leva para percorrer uma grande distância, esta galáxia está sendo observada como existia há mais de 13 bilhões de anos. Os detalhes observados neste registro permitirão aos cientistas testar teorias sobre a evolução de galáxias.
"Praticamente toda galáxia que fica a uma distância assim aparece como um simples ponto. É uma questão de sorte que uma galáxia seja afetada pela lente gravitacional de uma forma ideal para vermos tantos detalhes. É uma bela descoberta", disse à BBC News o principal autor do estudo, Brett Salmon, do Instituto de Ciência e Telescópio Espacial em Baltimore, nos Estados Unidos.
"Ao analisar os efeitos desse fenômeno sobre a imagem da galáxia, podemos determinar seu tamanho e forma."
Neste caso, a lente gravitacional foi gerada por um aglomerado de galáxias, o que não só impulsionou a luz da galáxia antiga como a fez formar um arco. "A lente funciona como o fundo de uma garrafa de vinho, distorcendo a imagem ao fundo", disse Salmon.
Esta galáxia é relativamente pequena: tem cerca de um centésimo da massa da Via Láctea. Isso pode ser algo típico de galáxias surgidas pouco depois do Big Bang.
Image caption Galáxia antiga está quase no limite da capacidade de detecção do Hubble | Foto: NASA
Uma questão-chave para os astrônomos que estudam a evolução de galáxias é a origem dos "discos", um componente da estrutura de muitas galáxias formado pela distribuição de estrelas, gases e poeira em rotação.
"Não sabemos como surgiram esses discos nas primeiras galáxias do Universo. Quando eles começaram a se formar?", questiona Salmon.
Os resultados deste trabalho foram apresentados no 231º encontro da Sociedade de Astronomia Americana, em Washington D.C..
Outro estudo apresentado no mesmo evento apontou evidências de uma possível rotação em galáxias que existiam 800 milhões de anos após o Big Bang. Isso pode ser um sinal do início da formação dos discos.
A cientista Renske Smit, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e seus colegas usaram o telescópio Alma, no Chile, para mostrar que o gás nestas galáxias recém-surgidas se movimenta como um redemoinho, de forma semelhante como ocorre na Via Láctea e em outras galáxias que surgiram posteriormente.
"Esperávamos que galáxias mais novas tivessem uma dinâmica 'bagunçada', por causa da confusão gerada pelas explosões de estrelas mais jovens, mas essas mini-galáxias demonstram ser capazes de manter alguma ordem", disse Smit. "Apesar de pequenas, elas estão crescendo rapidamente e se tornando galáxias 'adultas' como aquela em que vivemos hoje."
Salmon explica que essa investigação é importante, porque, "uma vez que uma galáxia se estabiliza como um disco, isso dá início à evolução restante da galáxia". "Então, entender quando esta fase turbulenta começa a se estabilizar é algo chave."
Simulações computacionais sugerem que os discos podem estar presentes em galáxias existentes até 600 milhões de anos depois do Big Bang. A galáxia descoberta pelo Hubble pode ser uma das primeiras a ter um disco.
Esta galáxia está quase no limite da capacidade de detecção do Hubble, mas o telescópio espacial James Webb, que será posto em órbita pela Nasa em 2019, poderá obter mais detalhes.
"Essa galáxia é um objeto de estudo interessante, e, com o Webb, teremos uma oportunidade única de entender a população estelar nos primórdios do Universo", disse Salmon.