Amy Feldman
Postado em 15 de janeiro de 2018
FORBES avalia a companhia em mais de US$ 15 milhões (Divulgação)
Em uma era na qual um número pequeno de mulheres – e, ainda menor, de negras – consegue financiamentos milionários para expandir seus negócios, Cashmere Nicole, idealizadora da Beauty Bakerie, é uma importante exceção. Por anos, Cashmere, mãe solteira, insistia na ideia de criar uma marca de batons e uma empresa de maquiagem, mesmo durante sua luta contra um câncer de mama.
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Agora, a Beauty Bakerie já pode se orgulhar da sua base de clientes, todos fãs dos batons líquidos que não borram, custam US$ 20 e são produzidos em dezenas de cores, como mel e tiramisu de framboesa. A marca encerrou o ano passado com receita de US$ 5 milhões, fechou uma parceria com a medalhista olímpica Gabby Douglas e ganhou atenção da gigante Unilever, que passou a ser a principal investidora com aporte de US$ 3 milhões.
“A história de Cashmere é, sobretudo, sobre resiliência”, diz Roderick Roberts, chefe de finanças do negócio e amigo de longa data da fundadora.
Cashmere Nicole Carillo estava passando por uma fase difícil quando fundou a Beauty Bakerie, em 2011. Desde que era criança em South Bend, Indiana, ela já sabia que queria fazer algo criativo, mas seus planos mudaram quando engravidou ainda no colegial. Cashmere, agora com 33 anos, teve garra e determinação para ir para a faculdade de enfermagem e começar seu próprio negócio. “As minhas ideias para a Beauty Bakerie me mantinham ocupada”, lembra a empresária. “Eu pensava em nomes para a marca e as linhas de produtos, tarefa que levava horas”, lembra. O nome que ela escolheu está relacionado à sua paixão por bolos e doces.
A jovem empreendedora sabia, ainda, que queria fazer o bem, então decidiu usar a empresa de cosméticos para conscientizar as pessoas sobre o câncer de mama – em parte porque é fã da cor rosa. No ano seguinte, identificou um nódulo no seio e, apesar de tê-lo removido com sucesso, surgiram outros, alguns deles cancerígenos. Os médicos recomendaram a mastectomia. Enquanto ainda se recuperava da cirurgia, continuou a trabalhar na Beauty Bakerie.
O primeiro produto a ser lançado foi um tradicional batom mate, mas, depois do tratamento contra a doença, Cashmere se preocupava com a formulação do cosmético e com o fato de ele deixar marcas em tudo que encostava. Trabalhou, então, para transformar os produtos em veganos, não tóxicos e produzidos sem a necessidade de testes em animais, além de não borrar de forma alguma.
No começo, os amigos a incentivaram a criar uma campanha de “crowdfunding” e a contar sua história de sobrevivente do câncer de mama, mas Cashmere hesitou. “Eu tinha um pouco de vergonha, ninguém quer ser a pessoa doente da história. Meus amigos diziam: ‘Você deveria lançar uma página para arrecadar dinheiro e elevar o nível da sua marca’. Eu rezei muito e, de repente, eu escutei Deus me dizer para contar a minha história. Então pensei: “Não é o que estou fazendo”. Isso me assustou muito.
Nos dois meses seguintes, ela lutou contra a ideia de se abrir com as pessoas sobre seu sofrimento. “De repente, eu ouvi: ‘Isso não se trata somente de você, por isso deve contar a história. As cicatrizes não te quebraram, elas te tornaram bonita, e você tem que seguir em frente”, conta. Em agosto de 2013, Cashmere criou uma página na Indiegogo chamada “Broken Boobs”, com o objetivo de arrecadar US$ 25 mil, mas só consegui US$ 570 de 20 pessoas.
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Apesar da baixa arrecadação, a história chamou a atenção de Beyoncé. Meses depois, em outubro de 2014, quando a campanha já havia terminado, a cantora publicou em seu site uma foto glamurosa de Cashmere e da Beauty Bakerie, como parte das iniciativas sobre conscientização do câncer de mama. “Ter meu relato publicado no site de Beyoncé deu credibilidade à marca, além de ter me motivado mais do que qualquer coisa.”
O acontecimento, apesar de instigante, não elevou as vendas o suficiente para Cashmere deixar o emprego de enfermeira ou contratar ajuda imediatamente. “Eu estava me virando com tudo, algumas pessoas bebem ou fumam, enquanto outras vão para a academia. Eu trabalhava.”
Em 2015, a marca começou a anunciar no Instagram, rede social onde muitos empreendedores estavam se relacionando diretamente com os consumidores. O mercado de maquiagem está lotado de grifes que disputam atenção, o que dificultou o engajamento com a Beauty Bakerie. “Eu fiquei desmotivada, minha saúde começou a se deteriorar e eu decidi dar um tempo. Em maio de 2015, eu pensei: ‘Acabei de gastar US$ 3,5 mil em um site novo, mas estou doente, cansada e no hospital sem ver resultados. Talvez eu deva desistir”, conta. Nesse momento de dúvida, Cashmere lembrou da promessa que tinha feito de trabalhar no negócio por cinco anos antes de deixá-lo. Naquele momento, apenas quatro anos e meio haviam se passado. Em vez de desistir, ela fez uma pausa por dois meses e, quando voltou, retomou os anúncios na rede social. “Eu gastei dinheiro com o Instagram e não tive retorno. Na semana seguinte, investi a mesma quantia e funcionou.”
O vídeo do anúncio era bem simples: uma mulher tentava borrar o batom vermelho e, em seguida, mostrava os dedos limpos. “Ela passou a mão com força sobre os lábios e nada saiu. Foi isso”, explica.
A resposta, entretanto, foi impressionante. “O negócio passou a ocupar minha casa. Eu tive que deixar o emprego.” Ela contratou Roberts, ex-militar e especialista em negócios por Harvard, como chefe da área financeira da Beauty Bakerie em 2015. O novo funcionário trouxe outro amigo, Michael Markham, para cuidar do marketing, e, depois, Nicholas Lara se uniu à equipe como especialista em logística. Os quatro começaram a construir a empresa de maquiagem de origem afro-americana juntos.
Depois de quatro anos de dificuldades, a receita do negócio chegou a US$ 475 mil em 2015. Enquanto as vendas aumentavam rapidamente, Cashmere e Roberts mantinham os gastos baixos e continuavam a impulsionar a empresa em vez de assumir dívidas ou captar dinheiro, uma decisão que colocou a empresa em boa posição financeira quando, finalmente, decidiu receber investimentos para crescer. “Isso foi apenas ser eficiente e ter cuidado no inventário. Nós fomos muito metódicos até chegar a esse ponto”, diz Roberts.
Hoje, com a empresa localizada em San Diego, o time da Beauty Bakerie é formado por 30 pessoas e os produtos vendidos em mais de 130 países. No fim do ano passado, a expectativa era uma receita de US$ 5,4 milhões, US$ 3,3 milhões a mais do que em 2016. No início do ano, a grife lançou uma linha de batons em colaboração com a ginasta Gabby Douglas, medalhista olímpica, e continuou a expandir a coleção de produtos para óleo facial, iluminadores e gel de sobrancelha. Todos os produtos são manufaturados localmente no sul da Califórnia.
O público-alvo são os millenials – a maioria dos clientes online tem idade entre 18 e 24 anos e quase todos tem menos de 34. O belo e elaborado perfil no Instagram, com 435 mil seguidores, compartilha fotos de mulheres de todas as raças e etnias, enquanto cupcakes rosa flutuam no website.
Em outubro, a empresa recebeu um investimento de US$ 3 milhões da Unilever Ventures, o braço investidor da gigante dos produtos de consumo que tem participação da 645 Ventures e da Blue Consumer Capital. Executivos afro-americanos poderosos também investiram, incluindo Kenneth Chenault (da American Express), William Lewis (Lazard) e Charles Phillips (Infor). Essa transação, feita na plataforma de investimentos CircleUp, colocou Cashmere no rol das poucas mulheres negras que já arrecadaram US$ 1 milhão para seus negócios.
FORBES avalia a companhia em mais de US$ 15 milhões, cenário que tornaria sua fundadora uma milionária. Com os novos fundos, a Beauty Bakerie planeja se expandir rapidamente ao aumentar a presença em lojas varejistas e incrementar as estratégias de marketing. Os produtos chegaram a QVC do Reino Unido em dezembro e estarão na nova rede de lojas de beleza da Forever 21, a Riley Rose, no primeiro semestre deste ano. Josanta Gray, que até então era gerente de marcas na Creative Artists Agency, será a nova chefe de operações e vai ajudar no processo.
Para a mãe solteira, que agora está ajudando a filha de 16 anos a se preparar para a faculdade, o sucesso da Beauty Bakerie ainda parece surreal. “É insano, um sonho de Cinderela que se realizou. Passei de vales-alimentação e assistência creche para isso.”
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Redação
Postado em 15 de janeiro de 2018
Os últimos anos têm sido memoráveis para as executivas chinesas, tanto que o país é, atualmente, a verdadeira capital do clube de mulheres bilionárias que construíram suas próprias fortunas. (iStock)
A maioria das pessoas está ciente da enorme extensão do empreendedorismo na China. A economia do país continua a crescer todos os dias, com o número de registro de novos negócios 13,2% maior na primeira metade de 2017 do que no mesmo período do ano anterior.
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Ainda assim, há um grupo minoritário do qual raramente se fala – as mulheres empreendedoras. Os últimos anos têm sido memoráveis para as executivas chinesas, tanto que o país é, atualmente, a verdadeira capital do clube de mulheres bilionárias que construíram suas próprias fortunas. Ainda assim, 2017 foi um ano especialmente significativo, em que nove empreendedoras mulheres fizeram sua estreia no ranking FORBES de bilionárias self-made, muito à frente do segundo colocado, os Estados Unidos, que listaram apenas cinco mulheres neste ano.
Hoje, quase 6% de todos os bilionários chineses são mulheres que construíram suas próprias fortunas, índice superior ao de qualquer outra parte do mundo, onde não chega a 2% segundo a lista de bilionários FORBES de 2017.
Há duas características-chave que distinguem as bilionárias chinesas de suas colegas ao redor do mundo. Primeiramente, elas tendem a focar em uma só indústria. Em segundo lugar, elas são geralmente inativas politicamente em comparação aos seus conterrâneos homens.
No passado, o mercado imobiliário era o caminho mais rápido para a riqueza desse grupo. Mesmo em 2017, as três primeiras posições na lista de mulheres mais ricas da China foram ocupadas por fortunas que têm os imóveis como fonte, nas mãos de Yang Huiyang, Wu Yajun e Chen Laiwa.
No entanto, a maior parte das bilionárias dos imóveis na China entraram na lista antes de 2010. Muitas novas chinesas bilionárias, como Wu Lanlan, Chen Liying e Tan Jianfang, adquiriram suas fortunas por meio da otimização de cadeias de fornecimento, especialmente nas indústrias de logística, embalagem e serviços postais.
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As mulheres mais ricas da China também parecem ser mais caridosas do que seus colegas homens. Uma a cada três mulheres bilionárias da lista lançou projetos filantrópicos com suas fortunas de dez dígitos. A iniciativa de preservação da empreendedora ambientalista He Qiaonv é apenas um exemplo desta tendência. Ela é fundadora do Beijing Orient Landscape & Environment Co Ltd, uma das maiores empresas de paisagismo da Ásia, e recentemente dedicou US$ 1,5 bilhão para a conservação da vida selvagem, um valor muito maior do que qualquer outra pessoa já doou à causa.
Outra executiva filantropa, Lei Jufang, fez doações por meio de sua empresa, a Tibet Cheezheng Tibetan Medicine, da qual é uma das fundadoras. Ela destinou pelo menos US$ 7 milhões para apoiar educação, artes, cultura e serviços sociais. Além disso, sua empresa fez uma doação de US$ 1 milhão para estabelecer um fundo especial de patrimônio e proteção da cultura tibetana e mais um US$ 1 milhão em suporte médico às vítimas do terremoto de Sichuan em 2008.
Em alguns casos, os super ricos da China fazem doações por meio de suas empresas devido à falta de talento no campo da filantropia e à desconfiança em relação ao sistema de governança atual das fundações. Nos próximos anos, a tendência é o aumento no número de mulheres filantropas no país, especialmente considerando o crescimento das empreendedoras que construíram suas próprias fortunas.
Essas mudanças criaram um novo precedente, em que a arquitetura global da riqueza mudou de multi-geracional a propriedade empreendedora ao longo da última década. Essa mudança teve implicações visíveis para as mulheres da China, especialmente considerando que elas, no passado, eram majoritariamente beneficiadas de capital herdado.
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A riqueza total combinada das bilionárias que têm como fonte as heranças caiu em 20%, enquanto a riqueza construída pelas próprias mulheres dobrou desde 2010. Além disso, elas conseguiram se tornar bem-sucedidas de um modo sem precedentes ao misturar negócios com família. Esse padrão trouxe uma nova compreensão do antigo termo “negócio de família”: acionistas-chave da operação familiar têm relação de marido e mulher em vez do tradicional parentesco de pai e filho.
Trabalho duro, cultura adaptativa e pequenas parcerias familiares associadas ao triunfo rápido nos negócios estão conectando os pontos de um formato que descreve as mulheres ricas chinesas de hoje.
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