Em um período em que celulares e redes sociais disputam a atenção de crianças e jovens, o desafio de formar novos leitores exige estratégias diferentes das utilizadas pelas gerações anteriores. A avaliação é do professor João Mário Santana, especialista em Língua Portuguesa e integrante do Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler).
Durante participação do 5º episódio do Podler, o educador destacou que a formação de leitores não acontece por imposição, mas pelo despertar da curiosidade e do interesse genuíno pelos livros. Segundo ele, práticas adotadas por muitos anos nas escolas, como a obrigatoriedade da leitura seguida de avaliações, nem sempre contribuem para a criação de um hábito duradouro.
João Mário defende uma aproximação mais interativa entre professores e estudantes, capaz de estimular o interesse pela leitura de forma natural, por meio de atividades que incentivem o pensamento crítico, a criatividade e a autonomia.
O especialista ressalta, ainda, que esse processo não deve ficar restrito ao ambiente escolar. Para ele, o incentivo familiar e o exemplo dentro de casa são fundamentais para despertar nas crianças o gosto pelos livros. Nesse contexto, a construção de uma cultura leitora depende da atuação conjunta de famílias, escolas e educadores.
O professor também chama atenção para as mudanças de comportamento das novas gerações, que crescem em um ambiente altamente digital e com acesso instantâneo à informação. Nesse cenário, ele afirma que o papel do educador não é competir com as tecnologias, mas incorporá-las de forma estratégica, utilizando recursos digitais como aliados no processo de ensino e incentivo à leitura.
Outro ponto destacado é a importância da formação do próprio professor enquanto leitor. Segundo João Mário Santana, não é possível formar leitores sem que o docente também tenha uma relação ativa, crítica e significativa com os livros. Ele reforça que a vivência leitora do educador influencia diretamente sua capacidade de mediar experiências e despertar o interesse dos alunos.
Por fim, o especialista defende que a leitura deve ser compreendida como uma experiência de construção de sentido e não apenas como cumprimento de conteúdo curricular. Para ele, obras clássicas e contemporâneas podem ser trabalhadas a partir de abordagens mais criativas e instigantes, capazes de aproximar o estudante da literatura e ampliar sua visão de mundo.
Pedro Guimarães e Erik Vieira (Apresentação), João Donato (roteiro) e Luiz Heraldo (edição)