Como chegar :
Aproximadamente 20 minutos após o riacho no final da estradinha de 900m. Para chegar ao setor suba a trilha principal para o setor Império do Sol e setor Das Águas. Quando chegar na bifurcação entre estes dois setores, siga para a direita na direção do setor Império do Sol. Passe pela subida desta via e da via Cú Preto e siga mais uns 2 a 3min até a próxima subida demarcada à esquerda. Suba este barranco ingreme por uns 30m. A base das vias Viagem no Tempo e Samir´s 57th Birthday Cake estão bem na frente.
Sobre o setor :
Por que um nome de setor com referência a algo ruim e que afetou muita gente de maneira negativa ? Não acho legal e nenhuma das conquistas que dei nome tem referência a coisas ruins ou negativas. Mas a criação deste setor teve muito a ver com o momento que passa a humanidade. E acho importante deixar registrado, pelo menos no nome, essa época. Daqui a alguns anos quando tudo isto estiver esquecido, o escalador que for ali vai se perguntar o que significa esse nome e entender por que as vias foram conquistadas em solitário. O fato é que todas vias do setor, menos o projeto bem à direita, foram conquistadas e tiveram sua forma de conquista, em solitário, determinada pelas recomendações de evitar aglomeração e compartilhamento de equipamento. Escalo há quase 20 anos e nunca um acontecimento influenciou tanto a escalada da imensa maioria da comunidade de escalada. Cito, por exemplo, o fechamento de áreas de escalada, cancelamento de viagens e projetos até mudanças nas parcerias. Como já tinha muita experiência em escalada e conquista em solitário, somado a necessidade de cuidar para não contrair a Covid-19, resolvi só escalar num setor não frequentado e adotando um protocolo de segurança. Iria sozinho no meu carro e encontraria somente mais 1 ou 2 escaladores. Subiríamos a trilha de máscara e luvas e chegando lá cada um ficaria numa via e base distinta. Pensei na Vila Cristina e claro nos projetos em aberto que tinha lá. Juliano prontamente aceitou minha proposta e ele falou que queria ir neste setor. Para mim não parecia muito interessante e no início não demonstrei muito interesse. Talvez porque já tinha outras opções em mente, mas graças a insistência do Juliano, fomos ali e continuávamos a voltar. O Juliano, já macaco velho, engrenou na modalidade de conquista em solitário e rapidamente concluimos a conquista de 2 vias cada um, com isso a motivação veio e assim acabamos criando umas vias muito legais e, muito importante mencionar, num setor que tem a tendência de secar rápido após uma chuva. Pela grande influência desta pandemia na humanidade, em nós como individuos e como escaladores e, por fim, no próprio setor, é que foi dado o nome de Covid-19 ao setor.
Históricamente não sabemos quem chegou por primeiro neste setor e fixou a primeira proteção em duas saídas de vias. Foi surpresa nossa e até estranho nao terem dado continuidade e ninguem saber desta investida. Na saída da via A Viagem no Tempo há um grampo P e na saída da via A Vida Continua há uma chapeleta com argola no modelo antigo que fabriquei entre 10 e 15 anos atrás. Depois, mais recente em 2020, os guris da turma que conquistou a via Minguinho iniciaram uma conquista bem lá na direita. Eu e o Juliano fomos lá dar uma olhada em março de 2020. De Abril a Agosto concluímos as 7 primeiras vias, duas delas com duas enfiadas.
Material: Proteção mista. 10 costuras e poucas peças móveis ativas tamanho dedos, Corda 60m.
Proteções: Proteções fixas chapeletas inoxidáveis Cuia.
1a enfiada: 32m - Da base suba na vertical até a proteção e depois siga à esquerda a linha de proteções ate a base da fenda. Suba pela fenda e siga as proteções até o lado direito da rocha limpa, suba encostado na vegetação da direita e faça um contorno até a próxima proteção direção 11h. Este esticão tem uns 10m mas é possível proteger uns 7m acima com uma proteção ativa tamanho dedos, reduzindo a exposição. A seguir vá à esquerda e suba até a proteção antes do crux que é passar para o lado esquerdo desta quina, cuidar não quebrar as agarras que parecem frágeis. Depois é so subir reto até a parada dupla. Cuidado não fazer muito barulho pois há um vespas e abelhas uns 4 metros da parada.
Descida: Rapel 25m pela própria linha.
(Samir, junho 2020)
Conquista: Samir Khalil Thalji em solitário
Histórico da conquista :
02/05/2020 - Durante a Pandemia, por causa da necessidade de distanciamento e de não compartilhar material nem escalar na mesma via, fomos eu e o Juliano, cada um no seu carro, de luva e máscara na trilha para cada um conquistar uma via em solitário. Decidimos por duas linhas, uma perto da outra para ter companhia do amigo, coisa difícil no momento atual. Neste dia cheguei até o primeiro platô e estabeleci uma parada dupla. A idéia era seguir dali numa segunda enfiada.
02/05/2020 - Neste dia fomos eu e o Juliano, mesma proposta. Entrei na via e continuei, a idéia era chegar até o platô parecendo uma varanda na rocha. Chegando perto já estava bem quente, vi muitas vespas ou abelhas bem agitadas e o movimento maior não era das cachopas e sim de uma fenda na rocha que nao se enxerga lá de baixo. Então resolvi estabelecer a parada 1m à esquerda e 2m abaixo do platô. Da parada de baixo tinha avancado apenas uns 12m, então resolvi retirar a parada abaixo e deixar apenas uma proteção fixa e dar como concluída a 1a enfiada, longa mas possível rapel com uma corda de 60m.
Nome da via : Nome dado pelo Samir. A pandemia de Covid-19 em 2020 afetou todos os seres humanos e cada um refletiu sobre o que lhe afetou e sobre o que realmente importa, seja espriritualmente quanto materialmente. Memento Vivere é uma expressão latina que nos lembra que temos que viver. Não se trata de um contra-ponto a Memento Mori pois não vejo a menção ao fim de nosso caminho e sim ao nosso caminho em sí enquanto estamos caminhando. Não basta estar vivos, temos que viver a vida.
(Samir, junho 2020)
Material: Corda 60m, 13 a 15 costuras (levar algumas longas), rack simples de proteção móvel.
Proteções: Proteção mista sendo 9 proteções fixas (chapeletas) e duas fendas (de 1 a 3 dedos), para proteger em móvel no início e no meio da via. Parada dupla no final da via.
1a enfiada: 40m - A via sai numa rampa onde está a primeira proteção fixa, ao lado de um diedro e segue por uma fenda estreita e logo pende para a direita, passando por cima de um pequeno platô, outra fenda um pouco maior e a segunda chapeleta. Dali segue por aderências e travessias em abauloados até chegar ao platô onde há um diedro com uma fenda bem boa. Entra no diedro , protege, e eventualmente sai dele bem no meio, onde a fenda desaparece, e logo retorna ao diedro e à fenda, protege novamente, e segue reto acima pelo diedro, agora sem fendas, passando mais cinco chapeletas. Logo que entra neste diedro sem fendas, bem vertical, está o crux da via. Um movimento de lado, partindo de uma oposição, se esticando até um agarrão. Dali segue utilizando agarras grandes na face direita do diedro e eventualmente chapando o pé na face esquerda, lisa.
Descida: Rapel 30m pela própria linha. Faça nós nas pontas das cordas durante o rapel para não ser pego desprevenido.
(Juliano, junho 2020)
Conquista: Juliano Perozzo em solitário
Histórico da conquista :
02.05.2020 - Retornamos, tradicionalmente em solitário e com os cuidados habituais, cada um na sua nova linha, demos início a mais duas conquistas, uns 30m a esquerda da via A Vida Continua. Dei início montando uma parada móvel junto a base e fixando a ponta da corda, logo a uns quatro metros acima instalei a primeira proteção fixa da via. Dali, na conquista, subi a direita por um diedro com um pouco de mato até o topo de um platozinho. Uma pequena ascensão de uns 2m e instalei um friend 2 numa fenda e mais 2m acima instalei a segunda chapeleta. Segui em livre, dominei um pequeno balcão e instalei a terceira chapa. Uns movimentos delicados, em travessia e com poucas agarras e mais uma chapa, a quarta proteção fixa. Dali, após dominar uma barriga inicia a fenda em um diedro. A fenda, com largura de 1 a 3 dedos, se estende por cerca de 6m, com uma interrupção bem no meio, o que me forçou a passar um lance em artificial de buraco de clif e estribo. Naquele momento eu não queria forçar a barra pra passar em livre. Uns 2 metros após o final da fenda instalei a quinta chapeleta, uma pingo, e rapelei para encerrar as atividades neste dia. O Samir na conquista ao lado acabou subindo até uma mesma altura.
09.05.2020 - Retornamos para dar sequencia as vias nos mesmos protocolos. Entrei na via em solitário até a última proteção instalada na semana anterior e baixei para pegar os materiais de conquista. No retorno, com a corda de cima passei em livre o lance que havia passado em artificial, bem fácil até. Da última proteção saí em livre, num diedro com agarras grandes numa das faces e liso na outra face, instalando a sexta chapa uns 2m acima. Este talvez seja o crux da via, um movimento esticado de uma bela oposição até um agarrão. Dali para cima seguem os agarrões numa parede bem vertical com mais 3 chapeletas até a parada dupla. Em dois momentos as proteções trocam de face em função da qualidade da rocha e convém levar algumas costuras longas para diminuir o atrito. O Samir, da via ao lado, botava pilha para chegar até um platô que eu não via dali, excelente dica! Da mesma forma eu instigava ele a subir mais, dando alguns betas do caminho. Algumas semanas depois repeti a via em solitário, inclusive saindo por fenda reto acima da primeira chapeleta e depois fazendo travessia a direita, somente pela rocha, sem acessar o platô de mato, passando todos os trechos em livre, uma excelente via! O nome da via foi um comentário que o Samir fez que alguns escaladores europeus ou norte americanos, quando conquistavam uma via davam seu nome ou sobrenome à via. Após alguns dias pensando, achei legal o registro e aceitei a ideia.
Nome da via : Nome dado pelo Juliano. O nome da via foi um comentário que o Samir fez que alguns escaladores europeus ou norte americanos, quando conquistavam uma via davam seu nome ou sobrenome à via. Após alguns dias pensando, achei legal o registro e aceitei a idéia.
(Juliano, junho 2020)
Material: Proteção mista, 7 costuras, proteção ativa dedos opcional. Corda 60m.
Proteções: Proteções aço onoxidaveis Cuia, parada dupla usar da via da direita Siga as Dykcias.
1a enfiada: 38m - Via inicia na base de uma língua de pedra com uma chapeleta com argola uns 5m da base. Siga a linha de chapeletas de inox à esquerda passando por uma fenda. Quando sair da língua de pedra e montar na outra face faça uma volta indo para a esquerda depois retornando à direita em direção ao diedro. É um pouco esticado e não há proteções indicando o caminho. Suba pelo diedro até a parada dupla da via da direita Viagem do Tempo.
Variante: A direita da primeira proteção de argola tem uma variante cuja primeira proteção é um grampo P uns 10m da base. Esta variante se junta a via principal na 3a ou 4a proteção. Da base siga em direção ao P, sem passar pela argola e dali siga a linha de chapeletas de inox.
Descida: Rapel 32m pela própria linha.
(Samir, junho 2020)
Conquista: Samir Khalil Thalji em solitário (obs. 1a proteção de chapeleta com argola e 1a proteção de grampo P da variante são de conquista abandonada e desconhecida)
Histórico da conquista :
18/04/2020 - Proteções 1 a 7. Durante a Pandemia, por causa da necessidade de distanciamento e de não compartilhar material nem escalar na mesma via, fomos eu e o Juliano, cada um no seu carro. Cada um escolheu uma linha. Escolhi essa língua de pedra qua tinha uma chapa com 1 argola a 5m da base e um grampo P uns 10m da base. Minha ideia era fazer duas saidas, cada uma usando estas protecoes como a primeira da suas linhas e nao uma como sequencia da outra pois, a meu ver, tinha como ir diretamente ate o P sem passar pela argola. Claramente alguem pensou em conquistar uma via por alí, mas certamente fazia muitos anos pois essa proteção era de minha fabricação e mudei o modelo há mais de 10 anos. Conquistei a linha sem problemas, na 7a protecao fiquei na duvida se iria para a esquerda e como ja era final de tarde resolvi deixar para outro dia e rapelei dali.
25/04/2020 - Último movimento da proteção 7 até a parada dupla. Conquista da variante. Fomos eu e o Juliano, subi até a ultima proteção. O crux da via vinha a seguir. Assim que passei fiquei na dúvida entre ir à esquerda ou concluir para a direita passando pelo diedro e terminando na mesma parada dupla da via Viagem no Tempo. Escolhi esta ultima por ser mais interessante, estiquei o movimento e nem precisou colocar proteção fixa. Rapelei da parada, puxei a corda e entrei novamente para conquistar a variante. Sai diretamente da base, sem passar pela argola até o grampo P, depois fixei mais uma protecao fixa para depois juntar na via principal.
Nome da via : Nome dado pelo Samir. Por causa de pandemia de covid-19 tinhamos que mudar os hábitos, se dizia "o novo normal", mas a vida iria continuar.
(Samir, junho 2020)
Material: Corda 60m, 9 a 10 costuras (levar algumas longas), friends 1 e 2,5 ou 3.
Proteções: Proteção mista sendo 9 proteções fixas e uma fenda (de 1 a 3 dedos), para proteger em móvel bem no meio da via. Parada dupla no final da via.
1a enfiada: 40m - A graduação ainda é incerta e precisa que mais escaladores entrem à vista para definir. A via sai de um grampo, segue por uma rampa de aderência e agarras numa leve diagonal a esquerda, passa por outro grampo e entra num diedro com 2 chapeletas e o crux da via (aderência e micro regletes seguido de um movimento dinâmico). Domina um balcão e entra em outro diedro, passando pela fenda, usando movimentos em oposição na sequência até montar numa rampa, passando por 3 chapas e movimentos de aderência e abauloados até o excelente perfeito platô da parada da via.
Descida: Rapel de 32m. Com corda de 60m faça nós nas pontas das cordas durante o rapel para não ser pego desprevenido e ao final desescala uma aderência de terceiro grau por uns 3m.
(Juliano, junho 2020)
Conquista: Juliano Perozzo em solitário (obs. 1a proteção, desnecessária na via, de grampo P é de via abandonada e desconhecida)
Histórico da conquista :
04/05/2020 - No início da Pandemia de Coronavirus, fui escalar em solitário em Vila Cristina, com as devidas precauções. Foi em Vila porque não se passa por nenhuma propriedade, o carro fica na estrada e o percurso de trilha foi realizado usando máscara e luvas, pois poderiam outros escaladores também percorrer a trilha e assim estariam todos mais seguros. Neste dia fui repetir a via Palestina com final pela via Ítalo-Palestina. O Samir também estava por lá repetindo a via Rampão, com final pela Palestina assim, não tínhamos contato escalando em diferentes vias. Em 11 de abril fomos para outro setor onde a chance de encontrar outros escaladores era bem menor, o setor da Águas. Ali repeti a via Cavalo Alado (30m) e como foi tranquilo emendei até a primeira parada da via Pégasus (esta primeira parada fica a 60m do chão). Até pensei em seguir e talvez completar a via mas, meu estoque de adrenalina tinha acabado então desci e fui explorar outro setor, prá lá da via Império do Sol e da via Cu Preto, em direção Sul. Encontrei umas marcações na trilha, feitas por escaladores que estavam abrindo uma via por estas bandas e segui até a base da via deles passando por uma corda fixa. No meio da caminhada pela trilha encontrei duas saídas de vias antigas que, provavelmente, até tenha participado, há cerca de 20 anos. Numa das vias havia um grampo de 10mm na base e outro uns 12m acima, numa rampa, e depois não seguia mais. Na outra saída, uma chapa Bonier com argola, outra chapa uns 3m acima e ainda um grampo de 10mm uns 4m acima e deslocado um pouco para a direita e parava por ali. Para cima mais nada. Retornei pela trilha até onde estava escalando antes e tinha deixado minha mochila. O Samir estava dando continuidade a uma conquista e falei para ele do setor reencontrado (das vias abandonadas). Durante os próximos dias entrei em contato com alguns escaladores das antigas, que talvez tivessem participado do início destas conquistas entre eles Paulo dos Reis (Kriko) e Thiago Balen. O Thiago comentou que havia iniciado uma via a direita da Império do Sol, com grampos de 10mm mas, não tinha certeza sobre as fotos que mostrei das proteções porém, comentou que se quiséssemos poderíamos continuar pois estava abandonada mesmo. O Paulo lembrou do local, dos pequenos tetos com cachopas de abelhas das fotos mas não lembrava de ter instalado alguma proteção e da mesma forma que o Thiago falou, as vias estavam abandonadas há mais de 20 anos portanto, não foi dada a devida importância às mesmas.
18/04/2020 - Seguindo os protocolos padrões de segurança, o Samir e eu demos continuidade às vias, cada um em uma. Eu segui a dos grampos, via mais a direita e, em livre, instalei mais duas proteções fixas até o primeiro crux. Uma aderência delicada onde, na conquista, passei em artificial usando um estribo e clif num furo até alcançar um agarrão e voltar a felicidade. Dali instalei mais uma proteção fixa e na sequência encontrei uma fenda bem boa, aliás duas fendas bem próximas. Na conquista protegi nas duas fendas, a primeira com um friend 1 e na segunda fenda com um friend 2,5/3. Dominei um balcão na sequencia e instalei mais uma proteção fixa e dali, desci para tomar uma água e descansar um pouco. Ao retornar, como a corda estava fixa na última proteção, consegui passar o primeiro crux em livre, sem o uso do estribo, certamente aos gritos! Retomando a conquista, instalei mais quatro proteções fixas até dominar o platô da primeira e única enfiada até o momento e montar a parada dupla. E que platô, bem quadradinho, perfeito! Uma semana depois (25/04) entrei em solitário para repetir a via e o crux realmente foi na aderência no meio da via, bem delicada, exigindo um certo movimento dinâmico para alcançar o agarrão da alegria. Já na fenda acabei usando apenas um friend 2,5 na fenda maior.
Nome da via : Nome dado pelo Juliano. A esta via foi dado o nome de Viagem no Tempo, em alusão à retomada da conquista após 20 anos.
(Juliano, junho 2020)
Material:
Proteções: Proteções fixas inoxidaveis Cuia.
1a enfiada: 10m - 1 Proteçao fixa
Descida:
(Samir, julho 2020)
Conquista: Samir Khalil Thalji em solitário
Histórico da conquista :
04/07/2020 - Havia chovido muito até quarta-feira, quinta-feira não choveu e na sexta-feira saiu um sol. Mas como temperatura estava baixa normalmente não teria rocha seca. Mesmo assim fui sozinho de manhã, o Juliano provavelmente viria a tarde após o trabalho. Chegando lá procurei algo para fazer e na base da Viagem no Tempo vi esta linha seca até a protuberância e molhada acima, mesmo assim iria tentar. Após fixar a primeira proteção vi que estava muito molhado para seguir e resolvi deixar para outro dia e fazer outra coisa. Nisto visualizei outra linha bem seca num vertical mais limpo uns 8m à direita e mudei para lá.
Nome da via :
(Samir, julho 2020)
Material: Proteção fixa, 11 costuras, corda 60m. Na 1a enfiada possível reduzir exposição com 1 a 2 peças móveis ativas tamanho dedos.
Proteções: Proteções fixas e paradas duplas inoxidáveis Cuia.
1a enfiada: Vsup - 40m - 10 proteções fixas e parada dupla P1. Possível usar peças móveis ativas pequenas entre a 5a e 6a proteção da 1a enfiada. Inicia na base da via Viagem do Tempo onde há um grampo P. Suba na direção 2hr numa rampa 3 grau até uma face mais vertical onde há uma sequência de proteções fixas. Apesar de parecer mais adequado, não é recomendável agrupar ali para dar segurança pois tem uns blocos suspeitos na via acima. Dali a via sobe passando pelas 4 proteções até o crux para os mais baixinhos. Após a quinta proteção tem uma fenda em diagonal, ali dá para proteger com mais que uma peça móvel ativa. Siga em diagonal na linha da fenda ou vá um pouco à esquerda na horizontal e depois na vertical. Ali tem uns blocos soltos, não tocar. Na direita tem a proteção 6 um pouco escondida. A partir da proteção 7 tem uma variante à direita que vai diretamente até a proteção 10. Subindo pela linha principal chegará num grande balcão, proteções 8 e 9. Ali tem uma variante com agarra um tanto alta, sobe um pouco e depois segue para a direita. Esta variante não passa pela proteção 10 e chega diretamente na parada P1. A linha original e principal segue na horizontal à direita e baixando um pouco para contornar um bloco antes de começar a subir e chegar na proteção 10, em seguida vem a parada dupla P1.
2a enfiada: Vsup - 28m - 11 proteções fixas e parada dupla P2. Da parada siga as proteções, entre a 2a e 3a é mais esticado. Entre a 4a e 5a proteções tem o crux da enfiada que consiste em ir para a esquerda na direção 10 horas e em seguida subir no balcoazinho onde estão localizadas duas proteções fixas que podem servir de parada intermediária caso a sequência da via estar muito molhada. Dali siga na direção 11hrs e depois da 9a proteção vá na direção 1hr. Parada dupla P2.
Descida: Rapel pela própria linha. Rapéis de 26m (2a enfiada) e 31m (1a enfiada).
(Samir, agosto 2020)
Conquista: Samir Khalil Thalji em solitário
Histórico da conquista :
04/07/2020 - Proteções 1,2,3,4,5 da 1a enfiada - havia chovido muito até a quarta-feira, quinta-feira não choveu e na sexta-feira saiu um sol. Mas como a temperatura estava baixa, normalmente não teria rocha seca na Vila. Mesmo assim fui sozinho de manhã, o Juliano provavelmente viria a tarde após o trabalho. Entrei nesta linha após desistir de continuar além da 1a protecao da via à esquerda que estava molhada. Esta linha estava relativamente seca. Fixei a primeira proteção e fui indo devagar até a 4a proteção. Ali parecia muito esticado para minha envergadura até que resolvi dar um dinâmico e por sorte pegar num agarrão de lado. Fixei a 5a proteção quando o sol já estava se pondo atrás do horizonte. O Juliano e o Sandrinho, que vieram a tarde, estavam embaixo me esperando. O Juliano tinha chegado as 15hrs e escalou a via Memento Mori, Sandrinho chegou perto das 16hrs e foi escalar a via Perozzo.
19/07/2020 - Proteções 6,7,8,9 da 1a enfiada - fui sozinho, chegando na base ouvi os guris conquistando a ultima via bem na direita deste setor. Mas uma hora depois já foram embora pois a rocha estava molhada da chuva dos dias anteriores. Subi até a quinta proteção. Dali a fenda estava bem molhada, sequei o que deu e protegi com uns TCU's . Não consegui passar em livre, havia um gravata bem no caminho e como eu ja tinha uma coleção de espinhos em varios dedos da mão, evitei aumenta-la passando o lance em artificial (atualmente não tem mais gravatá e dá para passar em livre indo para a esquerda). Fixei a proteção 6 e segui passando por uns blocos soltos, um em especial muito sinistro (este bloco eu empurrei para baixo no dia 27.08.2020). Logo acima fixei a chapeleta 7. Uns metros acima fixei a chapeleta 8 num grande balcão. Dali fiquei em dúvida entre subir reto, ir para cima e esquerda ou fazer esta bela travessia para a direita. Optei por esta última e fixei a chapeleta 9. Como estava escurecendo resolvi descer, chegando na base já no escuro da noite.
24/07/2020 - Proteções 10, P1 e 1a proteção da 2a enfiada - cheguei em torno das 15:00. Juliano e Mauro já estavam na área. Subi até a proteção 9, logo antes do crux da travessia. Dali segui na horizontal, fixei a chapeleta 10 uns 4 a 5m contornando por um bloco para a direita e num nivel um pouco abaixo. A seguir subi um pouco para fixar a parada possibilitando ao guia dar segurança de cima para o segundo. Pela disposição das proteções fixas tem duas possibilidades de variante, a primeira direto da chapeleta 7 ate a 10 sem passar pelas proteções 8 e 9 e segunda direto da proteção 9 até a parada, sem fazer a travessia. Achei o lance da travessia muito legal e passei por ali. Fixei apenas uma argola na P1 para avaliar se ali era uma boa posição. A noite chegou, eu estava preparado com headlamp para seguir sozinho mas o Juliano estava precisando ir embora. Resolvi ficar e fixar mais algumas proteções, mas depois de fixar a primeira proteção da 2a enfiada fui para a esquerda e a rocha era de péssima qualidade e o restante tinha gravatás no caminho. Ai resolvi descer e ir embora com o Juliano.
01/08/2020 - Proteções 2,3,4 e 5(parada intermediaria) da 2a enfiada - cheguei na base em torno das 13:00. Estava um pouco molhado pois choveu na madrugada anterior. Subi trechos menores içando o equipamento ate a última proteção. Nesse meio tempo o Juliano chegou para continuar a Dykcias. Fixei mais 3 proteções e passei o crux da enfiada para chegar num platôzinho estreito, ali fixei uma parada dupla pois a sequência estava muito encharcada e sempre haveria mais chances de estar bem mais molhada que o restante da via. Até aquele ponto deu para passar as partes molhadas usando a criatividade. Esta seria a parada intermédiaria em condições nao ideais e em condições secas seria a 5a protecao. Na descida fiz o segundo furo da P1 mas nao fixei uma segunda argola pois não tinha mais parabolts.
08/08/2020 - Proteções 6 e 7 da 2a enfiada - este dia fui sozinho e cheguei na base em torno das 14:00. Um dia ensolarado e quente, mas não dava para se queixar de uma trégua do frio e chuva da semana anterior. Comecei o trabalho de subir até a última proteção. Como estava muito quente resolvi fixar corda na P2, rapelar e pegar o equipamento. Esse setor é pode ser muito quente então quando retornei ao chão esperei na sombra até o sol baixar. As 17:30 resolvi subir, cheguei na ponta da corda pouco antes do pôr do sol. Fixei as proteções fixas 6 e 7, esta última já escurecendo mas tranquilo pois a headlamp estava dentro da mochila na 5a proteção (parada intermediária) logo abaixo. Liguei para o Juliano para ver se ele viria no dia seguinte, meu celular estava quase sem bateria e por não ter certeza que ele viria no dia seguinte, resolvi fixar a corda no P1 ao invés da P2. Se ele não viesse no dia seguinte eu teria que vir sozinho e poderia simplesmente puxar a corda lá da base. Já escalei muito em solitário e curto a independência e o comprometimento envolvido mas não é muito divertido. Em época de distânciamento social melhor encontrar os camaradas, claro respeitando os protocolos. Rapelei e cheguei no carro as 20:00.
09/08/2020 - Proteções 8 e 9 da 2a enfiada - eu e o Juliano fomos juntos, ele iria escalar na via Memento Vivere. Chegamos na base pouco antes das 15:00. No dia anterior cheguei em casa as 21:30 e resolvi ir escalar só de tarde. Novamente um dia ensolarado e quente. No dia anterior deixei a corda do rapel da P1. Subi erguendo o material e depois da P1 escalar arrastando o equipamento. Em solitário este processo é mais lento. Cheguei na última proteção em torno das 16:45 e teria pouco tempo pois tinhamos que ir embora antes das 18hrs. Fixei as proteções fixas 8 e 9 e quando cheguei num trecho de vegetação e barrenta vi que passar por ali iria demorar, então resolvi descer.
23/08/2020 - Proteções 10 e 11 e parada P2 da 2a enfiada - Este dia fui sozinho. Escalei ate a P1, desci para pegar os equipamentos, depois escalei até a última proteção e novamente descer para pegar o equipamento. A seguir comecei a limpar um caminho entre a vegetação e terra encharcada. Já era quase 17:00 e tinha que agilizar para compensar o trabalho de trazer todo material até aquele ponto. Foi por essa hora que o Juliano chegou para repetir a Dykcias. Depois de retirar alguma vegetação e me embarrar até quase o branco dos olhos, consegui passar e chegar na rocha limpa. Fixei as proteções 10, 11 e a parada dupla P2. A sequência realmente não pareceu muito interessante pois não parece ser possível em livre e a rocha não aparenta ter boa qualidade.
Nome da via : Samir's 57th Birtday Cake. Nome dado no dia 27/08/20 , meu 57o aniversario. Nesse dia fui sozinho para a Vila, fiz a primeira ascenção integral desta via e depois escalei o Rampão, última enfiada desta já no escuro da noite mas sob a lua crescente que despontou acima do cume. Devido as recomendações durante a Pandemia da Covid-19 de não fazer festa agrupando pessoas, esta foi minha festa de aniversário solitária, e a primeira repetição integral desta via (sem o trabalho de arrastar peso para cima) foi meu bolo de aniversário.
(Samir, agosto 2020)
23.08.2020 Conquista com o visual do pôr do sol.
27.08.2020 Retirada de bloco solto.
Material: Corda de 60m, 6 costuras (opcional uso de nuts médios e/ou friend pequeno).
Proteções: 5 proteções fixas em cada enfiada com opção de proteção móvel na saída da segunda enfiada. Paradas duplas no final das enfiadas.
1a enfiada: 28m, 5 proteções fixas, grau sugerido VIIa. Sai numa rampa em aderência com agarras até a primeira proteção, a uns 10m de altura. Cruza por uns gravatás e segue por aderência até a segunda proteção. Dali é necessário dominar um lance em aderência com abauloados e agarrinhas até uma parede vertical onde está a terceira proteção. O próximo movimento, para dominar um platô, é bem esticado mas, se bem explorado, você encontrará as agarras boas para as mãos e microagarras para os pés para dominar o platô, passando colado num gravatá gigante. Ali, se estica um pouco para costurar a quarta proteção e em seguida passar o crux da via. Um movimento tendo agarras pequenas e um buraco de uma falange ou menos, pé direito em aderência e pé esquerdo bem alto. Na sequência a mão esquerda rebota numa oposição e com cuidado chegará ao agarrão. Protege na quinta e última chapeleta da primeira enfiada e segue até o platô da parada dupla, sob uma pequena árvore.
2a enfiada: 25m, 5 proteções fixas e opcional proteção móvel logo na saída da via para evitar fator 2, grau sugerido V. Esta enfiada tem como crux a saída, logo após a parada, onde pode ser útil usar uma proteção móvel para eliminar o fator 2. Após a primeira proteção fixa a via vai ficando mais fácil e, dominando balcões, totens e platôs distribuídos em mais 4 proteções fixas até a segunda parada dupla.
Descida: Rapéis de 25 e 28m pela própria linha.
(Juliano, agosto 2020)
Conquista: Juliano Perozzo em solitário
Histórico da conquista :
30/05/2020 - Neste dia consegui abrir mais uma via neste setor fantástico. Esta nova rota fica uns 30m a direita da via Viagem no Tempo. Ali também o Samir abriu outra rota, ainda mais a direita. Escolhi uma linha quase reta, contornando ou passando rente a alguns gravatás, alguns deles gigantes. Um deles era tão grande que fiz uma foto bem de frente, que achei muito bonita. Buenas, instalei a primeira proteção já a uns 10m de altura, após passar uma rampa bem fácil. Dali, uns 4m acima instalei a segunda chapeleta, pra passar o primeiro crux, de aderência com pequenas agarrinhas, até dominar um balcão de mato. Deste balcão, segue por uma barriga de pedra de uns 5 metros até a parede verticalizar, onde foi instalada a terceira proteção. Ali é o segundo crux da via, estando as agarras para dominar este novo balcão bem altas, é necessário usar umas micro agarras coladas no gravatá. A medida que vai dominando as agarras acima, uma delas bem boa, dá a confiança para fazer uma bela puxada com pé cruzado nas micro agarras e dominar este balcão, subi uns dois metros bem tranquilos e instalei a quarta proteção. É necessário se esticar para proteger. Você chegou ao crux principal da via. A quinta e última proteção antes da parada foi instalada nos clifs de agarras e estribo, cerca de 1,5m acima. Após proteger realizei o movimento em livre e realmente será o que dá o grau a via. Agarras de meia falange e o pé esquerdo bem alto é a chave para passar o lance. Dali segue mais uns quatro metros até a parada no platô, bem abaixo de um tetinho e contando com uma arvorezinha para sombrear a parada. Convém tomar cuidado para manter a árvore viva e a sombra no local. Em outra oportunidade repeti a primeira enfiada da via toda em livre e confirmo o grau sugerido.
24/07/2020 - Das 3 últimas vias conquistadas por mim neste setor, esta foi a que parecia ter uma continuidade mais fácil. Assim foi, novamente em solitário, rumo à conquista da segunda enfiada. Mas, em solitário, o trabalho é dobrado. Primeiro subir até a parada e depois rebocar todo material de conquista e aí sim, continuar. Saindo a esquerda do platô e entrando numa fenda estreita, instalei duas proteções móveis para auxiliar na evolução e instalei a primeira proteção fixa da segunda enfiada. Dali era dominar um platozinho de mato, onde instalei mais um friend, dominei uma aresta e um balcão e instalei a segunda chapa. O sol estava se pondo e o movimento parecia fácil, subi mais uns 3 metros e instalei a última proteção do dia. Dali rapelei até a parada e em seguida até o chão, já de noite.
01/08/2020 - Retornei neste dia decidido a completar a segunda enfiada da via. Aquela trabalheira só para chegar até a metade da segunda enfiada mas compensado pela pouca complexidade da sequência da via. Subi uns 3 metros e instalei a quarta proteção fixa da via, sobre um totem muito legal. Uns 3m acima a quinta chapeleta da segunda enfiada. Após um domínio de um pequeno platô e ganhando mais uns dois metros acima, instalei a parada dupla e finalizando a segunda enfiada da Dyckias. É possível fazer a segunda enfiada sem equipamentos móveis mas, pode ser útil na saída da parada para evitar um fator de queda 2. Provavelmente a via deve seguir, em algum momento futuro.
Nome da via : Nome dado pelo Juliano. Com uma foto especial do gravatá gigante, enviamos a alguns especialistas e acabamos descobrindo o nome científico genérico da espécie. Esta planta está presente em quase todas as escaladas tradicionais da região. Normalmente não é muito bem vista pelos escaladores pois dificulta os acessos e espinha bastante mas, é uma planta que só existe nessa região no mundo, então resolvi homenageá-la. Como, ao falar o percurso da via para outro escalador, usava os gravatás como referência, encontrei um nome interessante para a via: Siga as Dyckias.
(Juliano, agosto 2020)
31.05.2020 Foto de Gravatá tirada pelo Juliano. Ficou muito legal a foto e o Gravatá até parece simpático. Mas não se enganem, em algumas vias eles são cruéis, principalmente, com os conquistadores. Já tive espinhos alojados em juntas dos dedos por meses e já tive que fazer pequeno procedimento cirúrgico para retirar. Na nossa região, apesar de não ser pratica comun, é legal levar uma pinça para retirar espinhos. São corpos estranhos e podem inflamar (Samir)
Material: 4 costuras e material para artificial em furos de 6mm e 3/8pol. Corda 60m.
Proteções: Proteções fixas chapeletas inox. No trecho artificial 2 furos 6mm e um furo 10mm. Parada 2 argolas inox Cuia.
1a enfiada: 28m - A via inicia na base à esquerda do totem. Termina num diedro de cor distinta do resto da parede e visivelmente formado com a queda de um bloco, embaixo de um tetinho. Da base monte na rocha e siga em diagonal à esquerda até a 1a proteção depois segue a linha de proteções. A partir da 3a proteção a via segue a fissura em diagonal à direita, trecho esticado até um bloco que dá para ficar em pé. Em seguida vem o trecho em artificial, o primeiro ponto é um furo de 6mm entre 10 e 11 horas. O próximo furo é de 6mm é esta localizado uns 70cm na vertical. O ultimo furo é de 10mm e esta uns 90cm entre 1 e 2 horas. Dá para colocar um elemento de diâmetro 3/8 pol. como um parafuso 3/8 longo (ideal 7cm a 10cm) ou um parabolt sem a jaqueta de expansão e atar uma fita bem longa para usar como proteção móvel, cuidado que esta é uma técnica bem perigosa e não deve ser usada por quem não tem muita experiência e material adequado. Deste ponto dá para sair em livre, cuidado que até a próxima proteção fixa também tem um esticão. Dá para passando uma fita na raiz de uma arvorezinha para não movimentar demais e sacar a proteção do furo 10mm abaixo, mas não vai aguentar uma queda. Depois da 4a proteção vá para a esquerda uns 2m depois suba reto uns 3m até a parada dupla de argola.
Descida: Rapel 22m pela própria linha.
(Samir, junho 2020)
Conquista: Samir Khalil Thalji em solitário
Histórico da conquista :
30/05/2020 - Durante a Pandemia de COVID-19 e por causa da necessidade de distanciamento e de não compartilhar material nem escalar na mesma via, fomos eu e o Juliano, cada um no seu carro, de luva e mascara na trilha para cada um conquistar uma via em solitário. Decidimos por duas linhas, uma perto da outra para ter companhia do amigo, coisa difícil no momento atual. Neste dia eu só tinha 4 parabolts, então teria que esticar o máximo para chegar até o fim. Comecei tentando subir reto e vi que iria consumir muitas proteções, depois para a direita a mesma coisa. Ai fui à esquerda na linha atual. Depois de colocar a 3a proteção a idéia era tentar subir o máximo antes de colocar a 4a e última proteção. Depois da fissura em diagonal à direita o lance era quase impossível então resolvi fazer a sequencia em artificial. Fiz um furo de 6mm, subi no estribo e depois fiz mais um furo de 6mm. Subi no segundo furo para fazer o terceiro furo. Não tinha mais elementos para colocar no furo então fiz um furo de 10mm e lacei a broca com uma fita longa para usar como proteção. Deste ponto segui em livre. Passei uma fita na raiz da arvorezinha para que a fita não movimentasse muito e sacar a broca. Subi mais um pouco e fixei a 4a proteção. Não segui até a parada por causa de uma passaro morto que estava fedendo muito bem numa passagem estreita. Desta proteção fui até a parada e como não tinha mais parabolt, apenas fiz dois furos para colocar a parada numa outra data e desescalei até a 4a proteção para rapelar dali.
28/06/2020 - Fui sozinho para a Vila para fixar a parada dupla e escalar a via. Parecia tempos normais pois nao tinha ninguem e, por isso, nao precisei usar mascara.
Nome da via : Nome dado pelo Samir. Expressao Latina que basicamente diz: Lembre-te da morte, Lembre-te que es mortal. Um bom lembrete para nao sermos muito vaidosos, aproveitar a vida, nao sermos audaciosos demais e ai vai. Bela expressao. Essa eh a segunda via que dou esse nome. A primeira foi em Vila Maria em 2010. O Fabricio Camargo derrubou uma pedra enquanto escalava a via e o seu cao Rufus estava embaixo e quase o acertou, se acertasse poderia ser fatal. Ai me lembrei da tatuagem Memento Mori que o Chico (Francisco Fianco) tinha na batata da perna. Nessa via e nessa epoca de Covid tambem achei que era adequada. Primeiro por causa do artificial que realmente precisa ir com calma e humildade apesar de ser uma via de baixa graduacao. Se um erro for cometido, tecnica impropria ou algo der errado a queda eh grande. Em segundo lugar a Covid e a possibilidade desta doenca acometer a todos.
(Samir, junho 2020)
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