No ano de 2008, na preparação dos alunos do Curso Básico de Robótica da Comphaus, foi criado um desafio que envolvia, por parte de um robô autônomo[1], a detecção de limites através de sensores de linha, e a captura de um objeto-alvo. O intuito do professor Luís Rogério da Silva ao idealizar esse desafio foi o de, poupando área de trabalho, obter condições de cobrar precisão mecânica, emprego de sensores de forma criativa e oferecer oportunidade aos praticantes de buscar diferentes estratégias e, portanto, diferentes algoritmos.
O desafio, primórdio do que hoje se apresenta como Viagem ao Centro da Terra, foi resolvido três vezes, pelos alunos André Hahn Pereira, Renato Ferreira Pinto Júnior e Hector Montenegro Terceros, do período de sua criação até os primeiros meses de 2009.
A planta piloto da arena, empregada nas aulas, foi feita por Vanessa Ianaconi que usou como base uma lousa de quadro branco e delimitou o desenho com fita isolante fosca. Vanessa escolheu como objeto-alvo um pequeno vaso. Com essa arena, tornou-se um desafio válido, ao ser gabaritado por robôs construídos com plataforma de LEGO, sucessivamente, em três oportunidades, iniciando-se por André Hahn Pereira, a seguir por Renato Ferreira Pinto Júnior e, por fim, por Hector Montenegro Terceros.
A planta piloto possuía alguns inconvenientes que dificultavam o plano original, por ter suas bordas feitas de fita isolante, caminho de largura variável e as bordas mais externas molduradas, formando um limite físico que atrapalhava o movimento do robô.
A planta da arena do desafio de Viagem ao Centro da Terra possui bordas melhor definidas em sua espessura, um caminho contínuo de largura constante e suas bordas externas são pintadas na superfície, evitando que um robô tenha seu movimento impedido de alguma forma não planejada.
O desafio empregado para o desenvolvimento de competências dos alunos tornou-se um desafio válido do Torneio Juvenil de Robótica em meados de 2009, quando lhe foi atribuída uma boa definição da pontuação e dos objetivos.
A criação da primeira arena empregada no Torneio, seu planejamento e disposição são de autoria de Rosângela Massolin, com ajuda de toda a comunidade da Comphaus que já conhecia o desafio. O objeto-alvo foi trocado __ o pequeno vaso foi preterido para dar lugar a um cubo rígido. O esquema geral das regras de então foi criado por Ricardo Hahn Pereira e o sistema de pontuação foi criado por Hector Montenegro Terceros, visando um sistema justo e de fácil compreensão.
O seu primeiro emprego em competição deu-se como desafio para a Modalidade Livre do Torneio Juvenil de Robótica, realizado no dia 08 de agosto de 2009, no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, Cidade Universitária.
Posteriormente à primeira edição do Torneio, a atribuição de pontos foi ajustada para que a pontuação máxima, por percurso completo, fosse de 50 pontos, facilitando a comparação de eficiência entre as equipes envolvidas nas diferentes modalidades do Torneio e evitando-se, assim, lidar com a incômoda pontuação máxima original de 63 pontos.
Atualmente, a arte do tabuleiro ficou sob o encargo do designer Eric Barioni.
Na edição de 2020 da Final Nacional e do ITR International Tounament of Robots, os cenários serão impressos com tecnologia UV sobre placas PS (de Poliéster).
Nas várias edições do evento, muitas soluções premiadas empregaram inúmeras plataformas distintas e algumas configurações bastante enxutas de componentes, na qual uma configuração minimal[2] se sobressaiu: dois motores, um sensor de presença, dois sensores reflexivos de luz.
O desafio foi também empregado com e sem adaptações em outros eventos escolares, como no caso da Olimpíada Dantiana de Robótica de 2010 e 2011, realizadas pelo Colégio Dante Alighieri em São Paulo, e, também, logo inserido em cursos de robótica como no caso do Colégio Objetivo e do Colégio Etapa de São Paulo, seguindo, rapidamente, a outras instituições educacionais distribuídas em todas as regiões do Brasil.
Em 2016, o desafio esteve no rol de desafios selecionados pelo governo federal para ser empregado pelo evento Desafio de Tecnologia e Inovação dos Institutos Federais promovido pelo MEC, com o propósito de selecionar jovens para representar o Brasil na WorldSkills 2017.
Dentre os vários artigos acadêmicos que empregaram esse desafio na prática educacional, o artigo com o link aqui é de grande serventia ao professor que pretenda adotar o tema em suas aulas.
[1] Considera-se, para esse documento, como robô autônomo, aquele que não recebe qualquer comando externo à área da arena.
[2] Chamamos de configuração minimal a um conjunto de recursos construtivos considerado, até então, o menor possível para um protótipo obter êxito no cumprimento de uma missão, considerada a uma faixa de confiabilidade aceitável.
A planta piloto da arena, empregada nas aulas tinha como base uma lousa de quadro branco, onde o desenho foi feito com fita isolante fosca. O objeto-alvo, no princípio, foi um pequeno vaso.
Um dia antes de sua primeira aplicação pública, alunos da Comphaus testam um protótipo que completa a prova. Video de Mariana Terceros, aluna e documentadora.
Robótica Brasil: A Robótica Baseada em Desafios vai às Escolas
Aos poucos crianças cada vez mais novas foram experimentando o desafio e as fotos registram a paixão em estar compartilhando o cenário com o robô.
Emprego das proporções: O robô navegando por um itinerário de uma trajetória predefinida na programação.