As apresentações dos grupos foram alocadas em dias de acordo com os temas que mais dialogavam entre si. No primeiro dia de apresentações, os Grupos 1 a 3 relataram suas experiências com o Instituto Baccarelli, a Exposição de Break Dance na Pinacoteca de São Bernardo do Campo, e o Circo Stankowich, respectivamente.
Como parte fundamental do trabalho e da disciplina, os grupos foram estimulados a conversar entre si para propor desafios, ou seja, perguntas elaboradas a partir das apresentações e dos conhecimentos teóricos adquiridos em aula para os demais grupos. O Grupo 02 nos desafiou, e nós desafiamos o Grupo 01. Abaixo estão os desafios propostos.
Desafio do nosso Grupo 03 ao Grupo 01
Breaking no museu: reconhecimento ou neutralização?
Quando a periferia cria cultura, ela é resistência. Quando a elite apropria, ela vira tendência. Se o Breaking nasceu como expressão de quem não tinha espaço, o que acontece quando ele entra no museu, vira espetáculo? Ele é finalmente reconhecido ou finalmente neutralizado?
Referência Teórica: Bell Hooks - Black Looks: Race and Representation (1992) | Capítulo "Eating the Other".
Nas Olimpíadas de Paris 2024, o Breaking foi apresentado como um esporte oficial, isso representou um marco histórico inegável, um sinal de alcance, legitimidade e presença global. Porém, quando o Breaking entrou em uma lógica institucional, com regras, jurados, padronização e estética olímpica, algo se perdeu. Vemos sua presença estética, mas não necessariamente sua voz, sua crítica, sua autonomia ou sua narrativa.
Desafio do Grupo 02 ao nosso Grupo 03
Considerando que o espetáculo do Circo Stankowich reúne acrobacias aéreas, malabarismo com fogo, dança de cabaré e o “reprise” dos palhaços, práticas fortemente vinculadas à cultura oral, à performance e à interação direta com o público, de que maneira essas expressões podem ser entendidas como formas de produção simbólica próprias da cultura popular, contribuindo para a criação de referências compartilhadas e para a construção de vínculos comunitários no cotidiano social?
Além disso, pensando nas discussões da disciplina sobre identidade cultural na contemporaneidade, como essas manifestações circenses participam da formação de uma identidade coletiva ao atuarem como espaços de memória, transmissão de tradições e reafirmação de pertencimento? De que forma o circo, ao atualizar continuamente suas narrativas e estéticas, mantém-se como um território relevante na construção da cultura popular brasileira?